Castelo de Mértola / Castelo e cerca urbana de Mértola

IPA.00001045
Portugal, Beja, Mértola, Mértola
 
Arquitectura militar, românica, gótica. Castelo de elevação compreendendo alcáçova e cerca, de panos verticais, reforçados por torres quadrangulares; torre de menagem situada no ângulo das muralhas da alcáçova, sobre a encosta mais alcantilada. A cerca muralhada que envolvia a povoação, era rasgada pela porta da Misericórdia, sobre o Guadiana, porta da Vila, do lado N. e pela porta do Buraco sobre a Ribeira de Oeiras. O castelo inclui partes da muralha árabe e materiais romanos. Na Torre da Carocha terá existido um "ribat", oratório árabe, com porta virada a SE., na direcção de Meca, construído por um alarife magrebino transumante, familiarizado com as técnicas de construção usadas no N. de África (presentes na cúpula e no contraforte em escada exterior) (Gonçalves, 1981).
Número IPA Antigo: PT040209040003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Castelo e cerca urbana    

Descrição

Alcáçova de planta quadrangular, irregular, reforçada por torres nos 4 cantos: a de menagem de planta quadrada, no ângulo virado a N., saliente em relação aos panos da muralha, 2 do lado S. quadradas, 2 ladeando a porta principal, a E., uma quadrangular, a outra quadrangular com remate circular; porta da traição rasgada na muralha virada a NO., a seguir à Torre de Menagem, protegida por barbacã. A muralha, envolvida em parte do circuito por adarve, é vertical, reforçada junto à torre SO. por largo contraforte de vários andares. Torre de Menagem com c. de 30m de altura, alta base maciça, com 2 pisos, porta em arco quebrado abrindo para escada encostada ao pano SE., várias frestas, a do lado NO. marcada por 3 mata-cães, encimada por parapeito ameado com merlões prismáticos rematados por pirâmides; sala de armas no 1º piso, coberta por abóbada de cruzaria de ogivas de 8 panos; uma escada rasgada na espessura da parede S. conduz ao piso superior. A torre virada a SO., da Carocha, uma massa cúbica com 4,70 m. de lado, tem acesso por escada partindo do adarve, é coberta por terraço e rasgada por porta e janela; no interior, espaço coberto por cúpula hemisférica sobre trompas; a torre do canto oposto e as que ladeiam a porta de entrada, com diferentes volumes, a da esquerda prismática, a da direita semicilíndrica, não sobem acima da muralha. No recinto resta a cisterna coberta por abóbada de berço sobre 3 arcos torais. A muralha que envolvia a povoação deixa ainda adivinhar a sua forma subrectangular, alongada no eixo N./S., com panos reforçados por torres de planta quadrangular: um grande troço do lado N., a maior parte da muralha que se estendia para S. a seguir à Torre da Carocha e parte da muralha virada para o Guadiana. Das antigas portas da cerca resta a da Misericórdia, no caminho de acesso ao rio.

Acessos

Rua da Igreja

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 38 147, DG, 1.ª série, n.º 4 de 05 janeiro 1951 / ZEP, Portaria, no DG, 2.ª série, n.º 37, de 13 fevereiro 1970 / Incluído no Parque Natural do Vale do Guadiana e no Plano Sectorial da Rede Natura 2000: Sítio de Interesse Comunitário Guadiana (PTCON0036)

Enquadramento

Urbano, colina, isolado. Implanta-se no topo de um afloramento rochoso alcantilado, entre os leitos do R. Guadiana e da Ribeira de Oeiras; junto da Igreja Matriz (v. PT040209040002)

Descrição Complementar

Encostada à Torre de Menagem pedra de armas em mármore branco de António Rodrigues Bravo, Correio-mór da vila.

Utilização Inicial

Militar: castelo e cerca urbana

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Pública: estatal / Privada: pessoas singulares

Afectação

DRCAlentejo, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009 / Câmara Municipal de Mértola, auto de cessão de 18 de Janeiro de 1941 (terrenos adjacentes)

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 14 / 15 / 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

318 a.C., c. de - na sequência da invasão da cidade de Tyro por Alexandre, os Fenícios fundam "Myrtilis" que significa Nova-Tyro (Almeida, 1943, 1949); Época Romana - a povoação conhece grande desenvolvimento, sendo então o centro de escoamento mineiro e agrícola do Baixo Alentejo; nesta época Mértola era rodeada por uma muralha que corria paralela à actual, mas com um perímetro muito superior; a via de Beja atravessava a muralha, vinda de N. (TORRES,1990); 44 a. C. - Júlio César intitula-a "Myrtilis Julia"; destruída e saqueada pelos invasores bárbaros e pelos muçulmanos, é por estes reconstruída; o nome "Myrtilis" é então corrompido em "Martula"; Séc. 12, meados - construção do "ribat" na torre do lado S. da alcáçova (Gonçalves, 1981); séc 12, último terço - durante o domínio almóada são reparados e construídos panos da cerca que envolvia a povoação; construção ou reconstrução do conjunto do portal do castelo, com o seu torreão semicilíndrico; 1171 - Abu Háfece, irmão do emir, manda reparar e melhorar com uma torre a fortaleza (TORRES, 1991); 1238 - os espatários conquistam Mértola; 1240 / 1245 e 1316 - povoação é sede da Ordem Militar de Santiago; 1254 - D. Paio Peres Correia concede-lhe foral; 1292 - construção da torre de menagem pelo mestre da Ordem de Santiago, João Fernandes (segundo inscrição sobre a porta da torre de menagem); séc. 13, última década / séc. 14, inícios - reconstrução da alcáçova, com aproveitamento de partes mais antigas (portal, torre da Carocha); 1373 - obras de melhoramento na alcáçova e cerca; 1386 - assinatura do Tratado de Monção pela qual as Praças de Mértola, Noudar (v. PT040204010001), Castelo Mendo (v. PT020902080005) e Castelo Melhor (v. PT010914020015) regressam a Portugal em troca de Olivença e Tui; 1404 - obras de melhoramento na alcáçova e cerca; Séc.15, anos 80 - construção da casa do alcaide-mor adossada à Torre de Menagem, tendo-se obliterado grande parte do adarve virado a NO.; séc. 16, inícios - obras de melhoramento e reparação na alcáçova e cerca, que se continuarão, embora com pouca expressão, pelos séculos seguintes; 1510, 25 Fev. - carta de Nuno Velho ao rei sobre o estado das muralhas de Mértola; 1512 - foral novo dado por D. Manuel; 1513, 15 Out. - Álvara real para se pagar a Francisco de Anzinho 94.260 reais pela cal que este forneceu para as obras de Mértola; séc. 18 - até esta época o castelo permanece ligado à 1ª linha de defesa da fronteira, perdendo depois a sua importância militar e estratégica acabando por ser votado ao abandono; 1943, 18 de agosto - Decreto n.º 32 973, DG, 1.ª série, n.º 175, de classificação como o IIP - Imóvel de Interesse Público; 1969, 2 Fevereiro - danos causados pelo sismo; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126.

Dados Técnicos

Materiais

Alvenaria de pedra e tijolo, cantaria, taipa

Bibliografia

ALMEIDA, João de, O Livro das Fortalezas de Duarte Darmas (edição anotada), Lisboa, 1943; Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses, vol. III, Lisboa, 1948; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1955, Lisboa, 1956; GONÇALVES, José Pires, As Arrábidas de Mértola e Juromenha, Anais da Academia Portuguesa de História, 2ª série, vol. 27, Lisboa, 1981; TORRES, Cláudio, SILVA, Luís Alves da, Mértola - vila museu, Mértola, 1990; TORRES, Cláudio e outros, Museu de Mértola - I - Núcleo do Castelo - Catálogo, Mértola, 1991; BARROS, Maria de Fátima Rombouts e BOIÇA, Joaquim Manuel Ferreira, O Castelo de Mértola - estrutura e organização espacial (Sécs. XIII a XVI ) in Actas Simpósio Internacional sobre Castelos, Palmela, Abril 2000 ( no prelo ).

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS/DM

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMS/DM

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DSARH, DGEMN/DREMS/DM; IAN/TT: Corpo Cronológico, Parte I, maço 13, doc. 72; Gaveta 20, maço 4, doc. 14 (publ. VITERBO)

Intervenção Realizada

DGEMN: 1955 - Continuação das obras de consolidação e restauro pelos Serviços dos Monumentos Nacionais; IPPC: 1980 / 1981 / 1882- recuperação de panos de muralhas; 1984 / 1985 / 1986 - obras de recuperação; IPPAR/DRE: 2005 - obras de requalficação e valorização do interior (em curso).

Observações

*1 - O Castelo de Mértola foi inicialmente classificado como Imóvel de Interesse Público.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1994

Actualização

Rosário Gordalina 2007
 
 
 
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