Igreja Paroquial de Trofa / Igreja de São Salvador e Panteão dos Lemos

IPA.00001042
Portugal, Aveiro, Águeda, União das freguesias de Trofa, Segadães e Lamas do Vouga
 
Arquitectura funerária, renascentista (capela-mor). Capela panteão. Igreja paroquial de planta longitudinal com nave única do séc. 18 / 19 e capela-mor renascentista. A tumulária parietal segue a estrutura tipológica de Góis, obra para D. Luís da Silveira (1535 / 1536), empreitada na qual trabalharam os mestres da renascença coimbrã. O mesmo se pode afirmar quanto às nervuras tardo-góticas, muito usadas durante o primeiro Renascimento. A decoração filia-se aos "grottesche" italianos. Toda a estrutura posterior (Séc. 18 / 19) comunga de inferioridade estilística.
Número IPA Antigo: PT020101180001
 
Registo visualizado 734 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Igreja de planta longitudinal, composta por um retângulo, ao qual se adossa lateralmente, campanário quadrangular e sacristia. Volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Frontaria simples, com portal coroado por cimalha com nicho superior, albergando estatuária e remate em cruz, duas frestas laterais com lintéis e frontão triangular encimado por cruz e pináculos angulares, correspondendo aos cunhais onde se fixa a ordem arquitetónica. Fachadas marcadas por cunhais laterais e suporte em contrafortes na capela-mor. Torre sineira paralelepipédica, em dois registos, com cobertura cónica onde se inscreve um relógio. A iluminação faz-se lateralmente, por vãos retangulares abertos na nave e pelo coro-alto. No interior, nave única com abóbada de caixotões de cinco fiadas repousada em entablamento corrido decoração em estuque e capela-mor, com abóbada de arestas e cinco chaves decoradas, que arranca de um arco cruzeiro arquitravado. Assente em duas colunas toscas, o coro-alto de estrutura de madeira com balaustrada, tem acesso inferior comum com o campanário - que penetra no interior da nave - com duas portas laterais, púlpito de madeira, e dois retábulos colaterais arquitravados, de talha dourada, unidos por sanefa que decora o arco cruzeiro. A capela-mor alberga quatro arcossólios ligados dois a dois numa estrutura única dividida em dois arcos albergando três urnas e uma estátua orante. Os dois túmulos, à esquerda, têm remate de verga reta e inscrevem três medalhões vazados com bustos, acima dos arcos assentes em quatro colunas balaústres geminadas; os da direita têm pilastras, rasgando-se quatro medalhões entre as arquivoltas e o entablamento e subscrevem dois frontões triangulares, individuais, com medalhão central e decoração exterior em enrolamentos. Superiormente rasgam-se dois janelões chanfrados, de remate semicircular e decoração interior. Na cabeceira, retábulo em talha dourada *2, assente em alto embasamento, com dois registos, predela com pinturas, arco central com sacrário, com colunas compósitas com último terço marcado, estatuária nos intercolúnios, e estrutura superior tripartida, com três tábuas pintadas, com remate central semicircular, aletas e ferragens nos ângulos, correspondendo à ordem arquitectónica inferior duas colunas corintizantes e dois remates piramidais assentes em entablamento interrompido. Tumulária decorada proficuamente com motivos de grotesco - dos fustes das pilastras corintizantes aos frisos do entablamento - sendo o intradorso dos arcos decorado em caixotões, tendo fundos parietais compostos por baixos relevos, imitando uma estrutura tripartida e remates em concha com símbolos heráldicos ou somente emblemática com decoração vegetalista. A ornamentação geral é composta por motivos vegetalistas, antropomórficos, mitológicos e simbologia guerreira, inscrita também no vão rectangular com moldura e remate em concha que dá acesso à sacristia.

Acessos

Rua D. Duarte Lemos. WGS84 (Graus Decimais), Long. 40,610872 lat. -8,478564

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG n.º 136 de 23 junho 1910

Enquadramento

Urbano. Isolada em pequeno adro fronteiro ligeiramente arborizado, fechado por muros que o separam de terrenos agícolas. Rodeada de construções anacrónicas mas em harmonização ambiental.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCCentro, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 16 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Diogo de Castilho (capela-mor); Odart (escultura orante)

Cronologia

1499 - D. Afonso V faz Senhor da Trofa, Gomes Martins de Lemos; 1522 - Duarte de Lemos manda edificar uma capela funerária, actual capela-mor; 1536 / 1539 - época de construção dos túmulos parietais e da estatuária; séc. 18 / 19 - construção do corpo actual da igreja; 1978 - Uma das pernas da estátua orante encontrava-se já quebrada; 1988 - A Direcção regional aponta a necessidade de restaurar: (A) - no arco cruzeiro, um dos elementos de pedra que faz o revestimento apresenta-se fissurado, aparentando descasque parcial da camada de superfície; (B) - a estátua orante continua com o pé esquerdo partido e baínha de espada partida; (C) - renovação eléctrica; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 1998, 16 Novembro - aprovação condicional da proposta conjunta da Junta de Freguesia da Trofa e Câmara Municipal de Águeda para abertura de rua com perspectiva visual e redefinição / aumento do adro; 2006 - Igreja Paroquial de Trofa do Vouga encontra-se encerrada ao público desde Agosto com o intuito de proceder a obras de conservação, restauro e valorização, que tiveram inícia a 17, devendo estar concluídas em Abril de 2007.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Paredes de alvenaria e rebocos, cantaria de calcário (cunhais, vãos, tumulária), tijolo (cobertura), madeira (retábulos, púlpito e estrutura suporte do coro).

Bibliografia

LACERDA, A. de, O Panteão dos Lemos, Porto, 1928; BAPTISTA, A. de Sousa, A capela dos Lemos na Trofa, Arquivo de Aveiro, 1946 / 8; GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal, Lisboa, 1959; CORREIA, Azevedo, Arte Monumental Portuguesa, Vol. 1, Porto, 1975, pp. 26 - 27; BORGES, Nelson Correia, João de Ruão, Escultor da Renascença Coimbra, Coimbra, 1980; CRAVEIRO, Lurdes, Diogo de Castilho e a arquitectura da Renascença em Coimbra, Coimbra, 1990; DIAS, Pedro, Odart Framçes Imaginario: dúvidas e certezas acerca de um escultor do Renascimento Ibérico, Actas do VII Simpósio Hispano-Português de História da Arte, Cáceres, 1995; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/71204 [consultado em 08 julho 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMC

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC; IGESPAR: IPPAR

Intervenção Realizada

DGEMN: 1959 - levantamento da telha Marselha da capela-mor: picagem de rebocos em paredes interiores, limpeza para novo reboco, limpeza da abóbada e guarnecimento de juntas, cobertura de telha regional, levantamento do pavimento de mosaico e novo assentamento de cantaria; 1960 - restauro no coro, novo pavimento, arranjo da torre: acesso interior e exterior, consolidação do acesso à torre e coro, consolidação dos alicerces das paredes exteriores (não executado); 1967 - limpeza de paredes exteriores e terrenos do adro (prevendo-se ainda reconstrução parcial de rebocos, aplicação de cal e pintura a óleo em esquadrias de madeira); 1974 / 1975 - levantamento do telhado, aplicação de lajes pré-esforçadas, demolição da alvenaria no exterior, picagem e reconstituição de rebocos exteriores, consolidação de cunhais, preparação de cornija e pilastras exteriores, limpeza de cantaria, picagem de rebocos na sacristia, pavimento em tijoleira na sacristia, portas almofadadas interiores e exteriores, reparação de grades e grades envidraçadas, demolição de tecto em estafe; 1976 - obras de restauro. IPPAR: 1990, década de - recuperação das coberturas e dos sistemas de drenagem de águas pluviais, execução de reboco e pintura das paredes interiores e exteriores, lavagem e tratamento da pedra; 2006, 17 Agosto - início das obras de conservação, restauro e valorização.

Observações

*1 - DOF: Igreja da Trofa, compreendendo os túmulos dos Lemos / Panteão dos Lemos. *2 - um dos retábulos de pedra ançanense encontra-se actualmente na capela de Nossa Senhora de Lourdes, enquanto que o actual, do séc. 17, veio do Convento Francisco de Serém, incluíndo tábuas pintadas maneiristas.

Autor e Data

Margarida Alçada 1983 / Carlos Ruão 1996

Actualização

Anouk Costa 1998
 
 
 
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