Igreja das Carmelitas / Igreja de São João Evangelista

IPA.00001041
Portugal, Aveiro, Aveiro, União das freguesias de Glória e Vera Cruz
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja feminina carmelita descalça de planta longitudinal, com estrutura arquitectónica maneirista e revestimento interno barroco de talha dourada e azulejaria. Retábulos de três fases, estilo de transição do séc. 17 para o 18, da época de D. Pedro II (altar-mor e retábulos laterais), barroco joanino (arco cruzeiro, paredes laterais da capela e coro-alto) e rococó (complementos no retábulo-mor e sanefas). Azulejaria do 2º quartel do séc. 18 de manufactura coimbrã de António Vital Rifarto.
Número IPA Antigo: PT020105060002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem das Irmãs Descalças de Nossa Senhora do Monte do Carmo - Carmelitas Descalças

Descrição

Planta longitudinal. Volume simples, rectangular com sacristia no enfiamento da capela-mor e corpo anexo do lado da Epístola. Cobertura em telhado de duas águas e circundado por embasamento de cantaria. Fachada com portal central rectangular com frontão semi-circular interrompido por cruz, janelão rectangular com empena e coroamento em frontão triangular com emblemática heráldica no interior; remates boleados assentes em plintos, prolongando a cantaria dos cunhais e, sobre pedestal, cruz de hastes rectas no topo. A fachada lateral, com portal com empena e três janelões chanfrados, com marcação exterior da capela-mor por pilastra, apresenta entablamento corrido com ligeiro rebaixamento em relação ao constituinte do frontão triangular da fachada. A iluminação, lateral, faz-se pelo lado do Evangelho. Interior de nave única com marcação da capela-mor por elevação de degrau, alto lambril de azulejos azuis e brancos e registo superior profusamente decorado em talha dourada. Capela-mor com amplo retábulo assente em alto embasamento, com duas portas laterais que dão acesso a sacristia posterior, corpo elevado em arquivolta e assente num sistema de colunas torsas que abrem dois nichos albergando estatuária e rasgando-se, ao centro, camarim profundo de feição poligonal e de cobertura em concha. O espaço central é ocupado pelo trono de degraus decoradas em correspondência axial com um oratório tríplice. Superiormente, alternam telas pintadas com cenas da vida de Santa Teresa (duas à esquerda e três à direita) e janelões rectangulares (alguns falsos) com pano de base, pequena grade cravada nas pilastras, lambrequim e frontão interrompido e púlpitos afrontados com mísula simples, balaustrada de madeira, e enquadramento superior em talha dourada. Revestimentos interiores em caixotões de madeira assentes em entablamento corrido. Na parede fronteira à capela-mor, coro-alto com gradeamento central, de formato rectangular, com três telas pintadas (Senhora do Carmo, Santo Elias e Santa Teresa) harmonizadas numa superfície integralmente revestida por talha dourada e rematada por sanefa com cortinados de fantasia.

Acessos

Praça Marquês de Pombal, Rua de Joaquim António de Aguiar (antiga Rua das Carmelitas).

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto 16-06-1910, DG nº 136, de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria DG, 2ª Série, nº 11, de 13 janeiro 1961

Enquadramento

Urbano. Adossada ao restante dos antigos anexos conventuais, ocupados pela PSP, defronte a praça pública arborizada e a edifícios administrativos modernos, em local destoante. Fronteiro ergue-se o edifício do Tribunal (v. PT020105060078), em cada um dos lados da praça e confrontando-se levanta-se à esquerda o edifício do Governo Civil (v. PT020105060084) e à direita o edifício dos CTT (v. PT020105060087); ao lado esquerdo da igreja destaca-se o edifício antigo dos Bombeiros (v. PT020105060110)

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Segurança: posto da Polícia da Segurança Pública (PSP)

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRCCentro, Portaria n.º 829/2009, DR, 2.ª série, n.º 163 de 24 agosto 2009

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1657 - Fundação e edificação do mosteiro das Carmelitas Descalças por D. Raimundo de Lencastre, 4º Duque de Aveiro, de acordo com disposição testamentária de D. Brites de Lara, patrona do congénere convento masculino aveirense; 1704 - data do lavatório da sacristia; 1738 - conclusão das obras por D. Gabriel, 7º Duque de Aveiro; 1879 - falecimento da última religiosa; 1905 - destruição da quase totalidade dos anexos monacais, com o objectivo de se regularizar a praça fronteira; 1992, 01 junho - o imóvel é afeto ao Instituto Português do Património Arquitetónico, pelo Decreto-lei 106F/92, DR, 1.ª série A, n.º 126; 2001, 14 agosto - abertura do concurso público para obras de conservação e valorização, publicado no DR, 3.ª série, n.º 188.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alvenaria, cantaria de calcário (vãos), talha dourada (retábulo), azulejos, tijoleira (pavimento), madeira (revestimentos interiores), telha de aba e canudo

Bibliografia

NEVES, Francisco Ferreira, A fundação e extinção do convento das carmelitas descalças de Aveiro, Arquivo do Distrito de Aveiro, XXIII, 1957, pp. 241 - 257 ; GONÇALVES, Nogueira, Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Aveiro, VI, Lisboa, 1959, pp. 130 - 133 ; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; NEVES, Amaro, Aveiro. História e Arte, Aveiro, 1984; GIL, Júlio, CALVET, Nuno, As mais belas cidades de Portugal, Lisboa, 1995, p. 90.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC

Intervenção Realizada

DGEMN: 1956 - obras no claustro: construção de um lambril em azulejo; 1956 / 1958 - restauro da cobertura da capela-mor e construção de nova armação de pinho, incluindo cintagem de paredes, remates da cimalha e consolidação da armação; 1959 - conclusão das obras de reparação na parede ligada ao antigo claustro (PSP) e à sacristia, restauro de azulejos, pinturas sobre madeiras, ferro e janelas, picagem e novos rebocos exteriores; 1963 - remodelação do largo fronteiro à igreja (criação de parque de estacionamento, plantio de árvores e três candeeiros). Pároco: 1979 - renovação da parte electrificada da igreja; IJF: 1994 / 1998 - remoção das telas do tecto em caixotão para restaur, restauro das molduras do tecto onde encaixam; 1986 - obras de beneficiação com pequenas reparações. IPPAR: 1996 - protecção, consolidação, reparação da cobertura, restauro do tecto em caixotões pintados.

Observações

25 telas desapareceram. *2 - A temática que se representa no lambril de azulejo trata de temas bucólicos e de cenas relacionadas com a vida de eremitas.

Autor e Data

Margarida Alçada 1983 / Carlos Ruão 1996

Actualização

Anouk Costa 1998
 
 
 
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