Igreja Paroquial de Alvito / Igreja de Nossa Senhora da Assunção

IPA.00001023
Portugal, Beja, Alvito, Alvito
 
Arquitectura religiosa, gótica, manuelina, renascentista, maneirista, barroca. Igreja paroquial de grandes dimensões, de planta em cruz latina, 3 naves de diferentes alturas de 4 tramos, totalmente abobadadas, com coro-alto. Arcos quebrados moldurados estribados em meias colunas com pequenos capitéis fitomórficos separando os braços do transepto da nave, característicos do gótico; pilares octogonais com capitéis e anéis de folhagem, abóbadas de nervuras estreladas com fechos decorados com elementos heráldicos, descarregando em mísulas tronco cónicas, fiada de merlões chanfrados intercalados com coruchéus cónicos, elementos característicos do manuelino de faceta mudéjar; portal principal de proporções renascentistas; feição maneirista da capela-mor e capelas laterais no traçado dos arcos triunfais e na abóbada de caixotões da capela-mor. Torre sineira com cúpula barroquizante ornada de volutas. A igreja mostra muitos pontos de contacto com a matriz de Viana do Alentejo: no exterior os gigantes coroados por pináculos cónicos, arcobotantes e muros das naves coroados por merlões chanfrados, no interior os pilares octogonais seccionados por anéis vegetalistas, a modinatura dos arcos divisórios das naves, o coro-alto sobre arco muito rebaixado acrescentado também tardiamente. Retábulo-mor de talha dourada do estilo nacional. Ambiguidade da divisão espacial, criada pela junção da nova nave a um corpo da igreja anterior, que passa a funcionar como transepto, podendo as 3 naves serem entendidas como tendo 4 ou 5 tramos, vistas das naves laterais ou da central.
Número IPA Antigo: PT040203010004
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal em cruz latina, com capelas adossadas a N. e S. das naves, uma sacristia e uma torre sineira a S. da capela-mor. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de 2 águas sobre a nave principal e capela-mor, de 1 água sobre as naves laterais, Sacristia e antiga Casa do Despacho da Confraria do Santíssimo Sacramento, em cúpula bolbosa sobre a torre. Fachada principal orientada, marcada por pesados contrafortes escalonados, ladeando o portal; empena rematada por merlões chanfrados e coruchéus cónicos, rasgada por portal de verga redonda com tímpano triangular e janelão rectangular moldurado. Fachadas laterais marcadas pelos volumes das naves de diferentes alturas, dos braços do transepto e das capelas, com remate circundante de merlões chanfrados e coruchéus cónicos e arcobotantes unindo os coruchéus das naves; gárgulas zoomórficas nos braços do transepto, em forma de canhão na nave; 2 portas travessas abertas entre as capelas, frestas de verga quebrada nos braços do transepto e sobre a porta lateral S.; 2 janelões na parede N. da capela-mor; torre quadrangular com ventanas de verga redonda para os sinos, a S. junto à capela-mor. INTERIOR: 3 naves, a central mais larga e alta, de 5 tramos, divididas por arcos de volta perfeita sobre robustos pilares octogonais de cantaria de mármore, bases também octogonais, fustes apresentando a meia altura anéis de decoração de folhagens, troncos e fitas e capiéis idênticos. Os braços do transepto abrem para a nave por arcos quebrados e para as naves laterais por arcos redondos; neles se encontram as caixas tumulares dos Lobos e dos Costas e Teixeiras; vestígios de pinturas murais nas paredes E. do transepto., representando três figuras, a central de Santiago, Santo André e São Sebastião, inscritos em estrutura arquitectónica *1. Na nave central abóbada estrelada sobre mísulas trococónicas; no transepto e nas naves laterais abóbada de cruzaria de ogivas, apresentando um dos tramos pinturas murais figurando grotescos e folhas de acanto. Coro-alto, ocupando o 1º tramo da nave central, estribado em abóbada rebaixada estrelada; na varanda do coro-alto duas bandeiras de grilhagem laterais de tradição mudéjar. As 4 capelas abrem para a nave por arcos plenos apilastrados, protegidas por teia de madeira. Possuem retábulos de talha de épocas distintas, que albergam as imagens dos respectivos oragos, de iconografia mariana, surgindo Nossa Senhora de Fátima ( Evangelho ) e Nossa Senhora da Conceição e das Dores ( na Epístola ). Paramentos interiores das paredes das fachadas laterais e principal, prospectos das arcadas das naves, e pilares dos arcos entre o cruzeiro e os braços do transepto revestidos a azulejos de padrão, azuis e amarelos seiscentistas, 2X2, de dois tipos de padronagem. Sobre os arcos divisórios das naves registos de azulejos com temas hagiográficos alusivos aos oragos dos retábulos laterais. Púlpito em mármore sobre coluna toscana, de base semicircular e guarda de balaústres, adossado a um dos pilares da nave central; 3 pias de água benta manuelinas nas 3 entradas.No transepto, no lado da Epístola, surge um pequeno órgão positivo. Arco triunfal redondo sobre pilastras toscanas de cantaria de pedra, apresentando o muro pintura decorativa, a imitar azulejo. Capela-mor coberta por abóbada de berço redondo de caixotões pintados e alçados revestidos a azulejos enxaquetados, monocromáticos, azul e branco; retábulo-mor em talha dourada, de estilo nacional, de 3 eixos, com tribuna larga contendo trono; nos eixos laterais, divididos por colunas espiraladas, decoradas com acantos, que se prolongam no ático em arquivoltas, unidas no sentido do raio, pequenos nichos; a capela-mor comunica, do lado do Evangelho, com a antiga Casa do Despacho e, do lado da Epístola, com a sacristia, coberta por abóbada de berço redondo e com alçados revestidos a azulejos seiscentistas.

Acessos

Largo da~ Trindade

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto nº 29 604, DG, 1.ª série, nº 112 de 16 maio 1939

Enquadramento

Urbano, isolado, implantação harmónica, num amplo largo ajardinado, nas proximidades da igreja da Misericórdia (v. PT040203010006 ).

Descrição Complementar

PINTURA MURAL: Paredes do braço E. do transepto., com três painéis com pintura mural, representando três figuras, a central de Santiago, ladeado por Santo André e São Sebastião. Quase inexistência de camada cromática, sendo apenas perceptível o verde e o azul das vestes de Santo André; abóbada do quarto tramo da nave com pinturas de brutescos, com representações do Paraíso; capela-mor coberta por abóbada de berço, com trinta caixotões pintados a têmpera, com composisões vegetalistas de brutescos; frontal do altar-mor, com três painéis, ao centro a "Lamentação de Marias" e "São João Evangelista", e nos extremos anjos; o tecto da sacristia também apresenta pintura mural de brutescos, hoje em dia coberta de cal.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Paróquia de Nossa Senhora da Assunção, auto de cessão de 19 de Junho 1945

Época Construção

Séc. 15 / 16 / 17 (conjectural)

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: João de Arruda (atr.); PEDREIRO: João Mateus.

Cronologia

1279 - Cédula testamentária do fundador na qual o padroado da igreja é doado ao Convento da Santissima Trindade de Santarém; 1321 - é mencionada no Rol das igrejas; Séc. 15, final - reconstrução da primitiva igreja ducentista, pertença dos religiosos da Santíssima Trindade de Santarém, interrompida por motivo de litígio entre o Bispo de Évora e a Ordem ( ESPANCA, 1993 ); provável construção das capelas tumulares que actualmente fazem parte do transepto; 1481 - instituição da capela tumulária de Maria de Sousa Lobo e marido, Barões do Alvito, que morreria em 1488; séc. 15, último quartel / séc. 16, primeiro quartel - provável realização das pinturas murais; 1534, 4 Novembro - a igreja tinha ordem de demolição; reinício das obras no priorado de Frei Jorge do Pombal, estando à frente da obra o Mestre João Mateus; 1547 - provável data de conclusão das obras (VALÉRIO, 1993); 1553 / 1559 - reconstrução da capela-mor e da sacristia, a mando do cardeal infante D. Henrique; Séc. 17, inícios - revestimento azulejar capela-mor; colocação dos retábulos colaterais com pinturas *2; séc. 17, meados - revestimento azulejar das paredes laterais e dos alçados das naves; construção da torre sineira, das capelas de Nossa Senhora do Rosário e das Almas e da antiga Casa do Despacho; 1691 / 1703 - construção do retábulo da capela-mor, mandado fazer pelo arcebispo de Évora, D. Frei Luís de Sousa; séc.18, início - intervenção nos pavimentos com colocação de ladrilhos de mármore branco e negro e de estradado na nave central encobrindo parte das bases dos pilares; séc.18 - construção das duas capelas laterais mais afastadas do transepto; 1758 - douramento dos retábulos laterais.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Alvenaria de pedra e tijolo em estruturas e abóbadas; telhado cerâmico; revestimento cerâmico dos pavimentos; azulejo; madeira; vidro.

Bibliografia

ESPANCA, Túlio, Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Beja, Lisboa, 1993; GONÇALVES, Catarina Valença, A Pintura Mural no concelho de Alvito - séculos XVI a XVII, Alvito, 1999; LNEC, Análise preliminar das anomalias verificadas na Igreja de Alvito, Lisboa, 1997; IDEM, Parecer sobre as anomalias verificadas na Igreja Matriz de Alvito, Lisboa, 1998; MANIQUE, Luís de Pina, A arte manuelina na arquitectura do Alvito, Lisboa, 1949; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério nos Anos de 1959, 1º Volume, Lisboa, 1960; SILVA, José Custódio Vieira da, O tardo-gótico na arquitectura religiosa do Alentejo, Lisboa, 1985; SIMÕES, João dos Santos, Azulejaria em Portugal no séc.XVII, vol. 2, Lisboa, 1971; VALÉRIO, António João Feio, Alvito: o espaço e os homens (1251 - 1640) - Subsídios para a história de uma vila alentejana (texto policopiado, tese de mestrado apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa), Lisboa, 1993; IDEM, Arte e História no concelho de Alvito. Guia para uma visita, Alvito, 1994.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1943 - pequenas obras de restauro; 1945 - consolidação da abóbada e arranjo do acesso à torre; 1952 - reparação da abóbada, substituição de 2 madres de madeira, arranjo de telhados e pinturas; 1958 - consolidação de altares em talha; 1959 - reparação de coberturas, de rebocos e do acesso à torre; construção do pavimento na sacristia e nas naves laterais; pintura de portas; 1967 - reparação de coberturas, de rebocos e da porta principal; pintura de portas e caixilhos; substituição pavimento da capela-mor; consolidação de azulejos; caiação geral; 1969 - refechamento de fendas, reconstrução da cobertura, reparação de rebocos; estudo da envolvente; 1977 - reparação de telhados, de rebocos e da pintura dos cabeçotes dos sinos; substituição de porta; caiações; 1981 - reparação de telhados e rebocos; 1982 - reparação de 1 janela; 1983 - conservação da instalação eléctrica; 1984 - reparação de telhados; 1985 - construção de estrados de madeira; desentupimento de gárgulas; 1988 - reparação de telhados e rebocos; caiações interiores; limpeza e consolidação de ameia partida; asentamento de lagedo de mármore no corredor principal da nave; Junta da Paróquia: séc. 20, década de 80 - intervenção na parede do transepto, no lado da Epístola, com a consequente picagem da pintura mural que aí existia; DGEMN: 1997 - obras de conservação e reparação de coberturas interiores e exteriores, caixilharias; restauro da talha do altar-mor e das pinturas murais incluindo reintegração cromática e fixação da película cromática; 2000 - conservação de coberturas, com impermeabilização de caleiras e substituição de todas as telhas de cobertura para canal romano e cobrideira, substituição da estrutura de madeira por outra de igual característica e geometria; 2001 - instalação sanitária e execução de rede de águas e esgotos ( em curso ).

Observações

*1 - na parede da Epístola existia uma Natividade, picada pela Fábrica da Paróquia, na década de 1980; *2 - das pinturas dos retábulos laterais sobreviveram duas, actualmente no transepto.

Autor e Data

Isabel Mendonça 1993

Actualização

2000
 
 
 
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