Convento de São Francisco de Moura / Igreja de São Francisco

IPA.00010157
Portugal, Beja, Moura, União das freguesias de Moura (Santo Agostinho e São João Baptista) e Santo Amador
 
Arquitectura religiosa, maneirista, barroca, rococó. Igreja conventual franciscana de marcada planimetria longitudinal e de majestosas proporções que confere continuidade à tradição construtiva da arquitectura das Ordens mendicantes regionalmente implantada, característico da espacialidade maneirista pós-tridentina, como se torna patente na austeridade dos muros e na solidez global da construção, apresentando ainda na solução da cobertura em abóbada de nervuras e chaves de cantaria a prossecução anacrónica da tradição gótica. Da época do Barroco Inicial data o portal-retábulo da frontaria, onde se sente o perdurar do repertório tardo-maneirista enriquecido por pináculos e decorações de volutas. Os retábulos de talha da segunda capela do lado do Evangelho, da capela do lado da Epístola, denominada Capela da Vieira e da capela-mor correspondem aos paradigmas do Rococó dos reinados de D. José I e D. Maria I, respeitando o da capela-mor a tradição franciscana na sua policromia de tonalidades castanho-escuras, só quebrados ao de leve pelos apontamentos de douramento e policromia. A notável qualidade da construção, de feição claramente erudita, onde se confrontam a grande elaboração maneirista da Capela da Vieira, profusamente decorada, com um espírito muito austero, característico da época pós-tridentina, que preside à composição geral do imóvel.
Número IPA Antigo: PT040210040016
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos

Descrição

Planta longitudinal, escalonada, composta por nave com quatro capelas laterais adossadas do lado do Evangelho, comunicantes entre si, e uma do lado da Epístola; capela-mor com ábside saliente e camarim, mais estreitos. Volumes articulados. Cobertura diferenciada em telhado de duas águas na nave e em terraço na capela-mor. Fachada principal a N., de um pano definido por pilastras de cantaria, com duas secções, sendo a inferior mais larga, unidas por volutas; remate em frontão triangular emoldurado por volutas, tendo nos acrotérios laterais pináculos piramidais e cruz de cantaria no acrotério central; portal em cantaria, de verga recta, com colunas jónicas assentes em pedestais, ladeadas por pilastras toscanas; entablamento coroado por nicho com arco de volta perfeita, envolvido por composição de volutas e grinaldas e ladeado por urnas, e frontão interrompido, sobrepujado por cruz; sobre o portal janelão com moldura de cantaria. Alçado E. formado por três volumes, correspondentes à nave, capela-mor e ábside; o da nave de quatro panos delimitados por contrafortes de cantaria, sobrepujados por pináculos piramidais; em cada pano adossa-se o volume de uma capela lateral e rasga-se uma fresta de iluminação com molduras de cantaria; o da capela-mor de dois panos separados por contrafortes de cantaria, com uma janela em cada um; sobre a capela-mor destaca-se a escada de acesso à cobertura da nave, assente em dois arcos de volta perfeita; o da ábside pouco marcado, de um pano definido por cunhais encimados por pináculos piramidais. Alçado S. com o volume da ábside, em primeiro plano, de um pano definido por cunhais coroados por urnas, remate em empena com cimalha e beirado; no segundo plano destaca-se o volume da capela-mor, de um pano cego, delimitado por cunhais-contrafortes de cantaria encimados por pináculos; no terceiro plano eleva-se o prospecto da nave, de um pano delimitado por cunhais-contrafortes de cantaria com gárgulas, coroados por pináculos piramidais; ao centro empena encimada por cruz de cantaria; grande óculo de iluminação; escada de acesso à cobertura a partir do terraço da capela-mor. Alçado O. de esquema idêntico ao E., elevando-se sobre o quarto contraforte o campanário de planta rectangular, com dois olhais em arco de volta perfeita, a que se sobrepõe um terceiro olhal enquadrado por volutas, ladeado por pináculos piramidais e coroado por frontão triangular e catavento; no quarto pano adossa-se uma capela lateral. INTERIOR: nave dividida em quatro tramos por arcos torais de cantaria que assentam em pilastras. Cobertura em abóbada de nervuras de cantaria que convergem em chaves lavradas em mármore. Portal principal resguardada por guarda-vento de madeira. Do lado do Evangelho, cada tramo da nave é rasgado por um arco de volta perfeita com moldura de cantaria assente em pilastras que dá acesso a uma capela lateral; na primeira capela, sobre mesa de altar e banqueta de alvenaria, eleva-se retábulo de puntura a óleo sobre madeira representando o " Calvário ", enquadrado por colunas caneladas em cujo troço inferior se destacam cartelas, uma com a Coroa de Espinhos e a outra com as Cinco Chagas de Cristo; a segunda capela, mais profunda do que a anterior, apresenta as paredes laterais rasgadas por cinco nichos em arco de volta perfeita e um nicho-credência de maiores dimensões em arco de volta perfeita emoldurado e assente em pilastras; sobre três degraus de cantaria com presbitérios laterais erguem-se mesa de altar e retábulo de talha dourada e policromada, com amplo camarim com dossel, flanqueado por mísulas com sanefas e remate em composição profusa de volutas e elementos vegetalistas; entre a terceira e a quarte capela destaca-se, na pilastra de cantaria, o púlpito com bacia e guardas de cantaria lavrada com frisos de óvulos denticulados ao nível superior, enquadrando cartela com as " Cinco Chagas de Cristo "; a terceira capela é coberta por cúpula de planta oval assente em pendentes; no seu interior, eleva-se mesa de altar de alvenaria rebocada e caiada sobre três degraus de cantaria; a quarta capela, cujo arco é encimada por cartela oval, é coberta por meia-cúpula em forma de concha assente em pendentes; na parede fundeira, sobre a mesa de altar de cantaria, destaca-se lambrim quadriculado, sendo a parede fundeira preenchida com decoração de escamas; na parede da direita rasga-se fresta sobrepujando lápide rematada por frontão triangular. Do lado da Epístola, primeiro e segundo tramo cegos; adossada à primeira pilastra, pia de água benta de cantaria, assente numa coluna; no terceiro tramo rasga-se porta com moldura de cantaria, de verga recta adintelada, entaipada; no quarto tramo abre-se a denominada Capela da Vieira, de planta semi-circular, coberta por meia-cúpula em forma de concha, por dois registos, sendo o inferior formado por colunas jónicas caneladas com o troço inferior decorado por cartelas e assentes em plintos; estas colunas suportam uma cornija de onde arranca a cúpula; no registo superior repete-se esquema idêntico, agora com capitéis coríntios, suportando uma cornija sobre a qual se eleva uma pedra de armas enquadrada por volutas; no espaço intermédio da cornija e do arco que enquadra a cúpula destaca-se ampla cartela entre enrolamentos, motivos de " ferronerie " e panejamentos, sobre a qual se destaca uma mísula em voluta que suporta a referida pedra de armas; o interior da capela é ocupado por retábulo de talha dourada e policromada enquadrando pintura a óleo sobre tela que representa " A Última Ceia "; sobre banqueta eleva-se sacrário-templete de planta circular. No pavimento lousa sepulcral brasonada. Arco triunfal de volta perfeita com moldura de cantaria assente em pilastras que se apoiam em degrau, antecedido por pedras sepulcrais armorejadas. Capela-mor de dois tramos separados por arco toral de cantaria, cobertos por abóbadas com nervuras de cantaria que convergem para chave central. Altar-mor de alvenaria precedido por oito degraus de cantaria e flanqueados por portas de acesso ao trono. Retábulo de talha dourada e policromada com amplo camarim em arco de volta perfeita e trono, sobrepujado pela representação de Deus Pai e do Espírito Santo envoltos por nuvens, querubins e raios setiformes. Sobre a banqueta eleva-se maquineta que tem no interior um crucifixo e a imagem de roca de São Francisco em oração; lateralmente destacam-se peanhas com imagens de santos de devoção minorita enquadradas por sanefas flanqueadas por colunas coríntias, rematadas por fogaréus.

Acessos

Largo de São Francisco

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 215/2013, DR, 2.ª série, n.º 71, de 11 abril 2013

Enquadramento

Urbano, em destaque num largo empedrado, com construções adossadas, entre as quais um edifício remanescente do antigo complexo conventual cuja cerca foi ocupada pelo Cemitério Público

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Religiosa: igreja

Propriedade

Pública: Municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1547 - fundação do templo erguido em terrenos doados por D. João III aos frades franciscanos; 1693 - construção do portal principal e conclusão das obras de edificação; séc. 18 - retábulos de talha da segunda capela do lado do Evangelho, da capela do lado da Epístola e da capela-mor; 1986 - processo de classificação do imóvel iniciado no IPPC; 1996, 15 outubro - Proposta de classificação do imóvel pela CMMoura; 1996, 29 outubro - Proposta de abertura do processo de classificação do imóvel pelo IPPAR/DRÉvora; 1996, 4 novembro - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Vice-Presidente do IPPAR; 2003, 7 maio - Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público; 2003, 23 maio - Despacho de Homologação de classificação como IIP - Imóvel de Interesse Público pelo Ministro da Cultura; 2009, 1 setembro - Proposta de ZEP da DRCAlentejo 2011, 31 maio - Parecer da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a classificação como MIP - Monumento de Interesse Públicoe da ZEP; 2011, 19 de Outubro - publicado no DR, nº 201, 2ª série, o Anúncio nº 14988/2011 de Projecto de Decisão relativo à classificação como MIP e à fixação da respectiva ZEP.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal, rebocadas e caiadas, portais e elementos secundários de cantaria, telhado de telha de canudo, pavimentos de tijoleira, retábulos de talha dourada e policromada.

Bibliografia

CAETANO, Joaquim Oliveira e SERRÃO, Vitor, A Pintura em Moura. Séculos XVI, XVII e XVIII, Moura, 1999; CORREIA, José António, Freguesia de Santo Agostinho, Moura, Junta de Freguesia Santo Agostinho, 2005 (não consultado).

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

José Falcão e Ricardo Pereira 1999

Actualização

 
 
 
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