Capela de Nossa Senhora do Desterro

IPA.00010132
Portugal, Santarém, Cartaxo, Pontével
 
Arquitectura religiosa, modernista. Capela de volumetria poligonal; torre sineira e sacristia de paredes arredondadas adossadas às fachadas anterior e posterior, em posições diametralmente opostas; fachada N. envidraçada; espaço unificado no interior; átrio e sacristia delimitados da nave e da capela-mor por paramentos murários rectilíneos paralelos à torre sineira e à parede exterior da sacristia.
Número IPA Antigo: PT031406040018
 
Registo visualizado 316 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta composta: um rectângulo com os cantos arredondados, a que se adossam 2 semicírculos, a E. e a O.; volumes articulados com coberturas diferenciadas: telhado de uma água sobre a capela; terraços sobre a torre sineira e a sacristia. Fachada principal virada a O. com remate oblíquo, rasgada por portal manuelino de verga contracurvada e colunelos laterais, com arquivolta exterior decorada por enrolamentos vegetalistas e zoomórficos; à esquerda do portal adossa-se torre sineira de perfil arredondado e remate oblíquo. Fachada lateral S. de remate rectilíneo com frestas rasgadas na extremidade E.. A fachada lateral N., enquadrada a O. pela torre sineira, é totalmente rasgada por paramento envidraçado encimado por pala em betão. Fachada posterior cega, de remate oblíquo, com corpo de perfil semicircular adossado na extremidade S.. A fachada lateral N. e o portal da fachada principal são antecedidos de degraus. INTERIOR: um pequeno átrio antecede o espaço único da nave e da capela-mor, coberto por tecto em madeira de um plano oblíquo; a zona reservada à capela-mor, separada da nave por piso elevado, é ladeada a S. pela sacristia; na parede da sacristia voltada para a nave um altar lateral; azulejos polícromos seiscentistas, organizados em tapetes de vários padrões, enquadrados pelo mesmo tipo de cercadura, revestem integralmente a parede S. da nave, do átrio e da sacristia.

Acessos

Lg. do Rio da Fonte, em Pontével

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, planície, ribeirinho, isolada, num largo à entrada da povoação, entre os cursos do rio da Fonte e da ribeira de Água Travessa; a fachada lateral N. abre para um amplo terreiro com uma fonte de espaldar; nas imediações, do lado S., uma ponte medieval de um só arco cruza a ribeira de Água Travessa. A capela é rodeada a S. e a O. por habitações tradicionais de um piso.

Descrição Complementar

No altar da nave o grupo escultórico em madeira representando a Fuga para o Egipto, mandado fazer pela Irmandade de Nossa Senhora do Desterro em 1875.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: capela

Propriedade

Privada: Igreja católica

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 16, inícios - data provável de construção da primitiva capela, de que resta o portal manuelino; séc. 17, 1ª metade - obras de reconstrução do templo patrocinadas pelo pároco (1634-1671) nele sepultado; terá então sido construída a galilé de 6 colunas protegendo a fachada e realizado o revestimento azulejar integral das paredes da nave e da capela-mor (numa bancada do interior existia a data de 1635) (Valdez, 1874, p. 32); a capela tinha empena angular rasgada por fresta quadrada e rematada por cruz e uma pequena sineira; do lado S. ficava a casa do ermitão (fotografia in Montejunto, 2000, p. 37); 1873 - foi criada a irmandade de Nossa Senhora do Desterro, por disposição testamentária de Luís Pereira da Mota, falecido 18 de Dezembro de 1873, que lhe legou 7.000$000 réis, destinado ao culto na capela e a obras de caridade; 1888, Junho - derrube do alpendre; reconstrução da fachada principal, rematada com frontão neoclássico, rasgada por porta-janela de verga semicircular e ladeada por torre sineira com cúpula bolbosa; desaparece então o medalhão com a pomba do Espírito Santo (ainda referido em 1874); substituição do tecto da nave em madeira pintada por tecto simples em madeira de 3 planos (Sequeira, 1949, p. 26); as obras foram realizadas com parte do legado deixado em 1873 por Luís Pereira da Mota à então criada irmandade de Nossa Senhora do Desterro; c. 1970 - demolição da antiga capela e construção da actual.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Estrutura em betão armado e alvenaria de tijolo rebocada e pintada; rodapé circundante em azul; cobertura em telha cerâmica; portal em cantaria; caixilhos e portadas em madeira e ferro; vidro nas frestas e fachada N.; pavimentos em tijoleira e madeira; tecto em madeira; azulejos em revestimentos.

Bibliografia

Memórias Paroquiais, A.N.T.T., Vol. 29, nº 217, fls. 1483-1485; SIMÕES, João Manuel dos Santos, Azulejaria em Portugal no século XVII, 2 vols., Lisboa, 1971; VALDEZ, José Joaquim d'Ascenção, Notícia Histórica e Descriptiva da antiga Villa (Hoje Lugar) de Pontével, 1874; CÂNCIO, Francisco, Ribatejo Histórico e Monumental, Vol. III, 1939; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Santarém, Lisboa, 1949; VILARINHO, Estêvão de, Confrarias de Pontével e suas festas, in A Voz de Pontével, Setembro de 1958; SIMÕES, João Manuel dos Santos, Azulejaria em Portugal no século XVII, 2 vols., Lisboa, 1971; PEGO, Maria Zelinda Duarte, Pontével - elementos para a sua monografia, trabalho policopiado, Pontével, 1981; MONTEJUNTO, Luís do, Elvira Maria de Vilhena Condessa de Pontével (1627-1718), Cartaxo, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Observações

*1. É possível reconstituir o templo demolido na década de 1970 através de fotografias (DGEMN) e descrições (Valdez, 1874, Sequeira, 1949, Vilarinho, 1958): de planta composta, tinha nave e capela-mor rectangulares justapostas; mostrava volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhado; a fachada era rematada por frontão triangular e ladeada por torre sineira; o portal era ladeado por janelas ferradas; a nave e a capela-mor eram revestidas de azulejos de padrão polícromo seiscentista (P-604, P-101, B-5, (Simões, 1971) e cobertas por tecto em madeira; o coro alto, sobre a porta, com balaustrada de madeira, apoiava-se em colunas de cantaria com pias de água-benta incorporadas; no altar-mor existia um retábulo de madeira entalhada e dourada de estilo nacional enquadrando tábuas pintadas figurando a Ressurreição, a Ascenção e a Descida do Espírito Santo; no altar colateral do lado do Evangelho um retábulo de madeira, de finais do séc. 16, com colunas coríntias e frontão triangular interrompido, emoldurando uma tábua pintada, muito deteriorada; do lado da Epístola um retábulo maneirista, da mesma época, em cantaria, com colunas dóricas e frontão de volutas, com uma tábua representando Nossa Senhora do Desterro (com a inscrição "Omnia per manu ejus" - "Todos os benefícios nos vêm por intervenção de Nª Sª"); na capela guardava-se a imagem de São Gens, vinda da demolida capela de São Gens (no altar do Evangelho) (Valdez, 1874, p. 32), o grupo escultórico mandado fazer em 1875 pela irmandade de Nossa Senhora do Desterro, representando a Fuga para o Egipto (Vilarinho, 1958, p. 6) e uma imagem em pedra figurando Santa Luzia (Sequeira, 1949, p. 26). Adossada a S. da capela ficava a casa do ermitão. *2. A imagem de São Gens e a tábua da Ressurreição, do retábulo-mor da capela, guardam-se hoje na igeja matriz de Pontével. *3. A capela foi incialmente dedicada ao Espírito Santo e era sede de irmandade da mesma invocação, que realizava todos os anos, no Pentecostes, uma festa dedicada ao Espírito Santo, durante a qual se distribuía um boi aos pobres da região; nessa altura lidavam-se toros no campo por trás da capela, que pertencia à irmandade. *4. O culto a Nossa Senhora do Desterro está associado, desde longa data, a esta capela; a devoção à Virgem terá tido origem no aparecimento misterioso da tábua que representava Nossa Senhora do Desterro (altar colateral da Epístola): segundo a lenda terá sido deixada na capela por 2 monges eremitas que pernoitaram na capela e que desapareceram sem deixar rasto, apesar de a porta do templo ter sido fechada durante a noite pelo ermitão (Vilarinho, 1958, p. 9).

Autor e Data

Isabel Mendonça 2001

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login