Paço de Maiorca / Paço dos Viscondes de Maiorca

IPA.00001003
Portugal, Coimbra, Figueira da Foz, Maiorca
 
Paço barroco de planta em T com haste transversal invertida e curta, desenvolvendo-se em dois e três pisos. Fachada principal com escadaria de acesso ao 2º andar, em leque com guarda curva em balaustrada; portal coroado por frontão de lanços, decorado por festões de flores, concheados e ondas; remate em frontão triangular com brasão; janelas em arco abatido com frontão almofadado e cornija curva sendo as inferiores sem frontão. Fachadas laterais e posterior com volumes diferenciados, alguns vãos em arco abatido, outros de verga recta, destacando-se na fachada posterior dois alpendres assentes em colunas toscanas sobre altos plintos paralelepipédicos. Interior com coberturas diferenciadas, na cozinha, abóbada oitavada e nos anexos abóbada de arestas, tectos em madeira, sendo nos quatros planos, e nas salas uns em masseira com decoração figurativa, outros seccionados e com padronagem, na capela em caixotões com florões e com molduras de marmoreados fingidos. Reúne um dos mais importantes conjuntos de azulejos setecentistas utilizados na arquitectura civil residencial na zona centro do país, com azulejos de composição figurativa entre os quais se destacam os painéis do salão nobre, representando cavalos e respectivo cavaleiro a praticar exercícios equestres, painéis que reproduzem gravuras de um tratado de equitação, ou os curiosos painéis da cozinha, representando os "empregados" a cozinhar. No corredor esquerdo e nas 2 salas suas confinantes contém armários de parede, onde primitivamente seriam janelas voltadas para o exterior, provavelmente tapadas no séc. 18, com a construção da parte E. do edifício. Cozinha octogonal com lareira central em cantaria com azulejos de composição figurativa, de composição ornamental com motivos vegetalistas, e azulejos de padrão. Destaque também para outras divisões de elaborada decoração; alguns azulejos assemelham-se aos dos Paços da Universidade de Coimbra colocados na sequência das obras pombalinas; na capela pintura mural naturalista e retábulo de pedra de perfil renascentista, sendo também de grande importância, os jardins de configuração geométrica. Em conclusão todo o conjunto é indissociável e representa uma forte componente histórica, cultural, arquitectónica e decorativa revelando-se de grande importância a sua preservação.
Número IPA Antigo: PT020605070014
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  

Descrição

Planta em T com haste transversal invertida e curta, composta e irregular de volumes articulados de disposição horizontal, de dois pisos a E. e três a O., adaptando-se ao desnível do terreno, com o andar nobre no 2º piso. Coberturas diferenciadas em telhados maioritariamente de quatro águas, sendo de uma água nos alpendres e de seis na cozinha e suas dependências, pontuados por 10 chaminés paralelepipédicas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com a modinatura dos vãos em cantaria. Fachada principal voltada a E., com 2 registos definidos por friso, dividida em três panos, delimitados por pilastras de cantaria de ordem colossal com base saliente, sendo as duas centrais decoradas superiormente por pendentes e firmadas por pináculos bolbosos. Os dois panos laterais, são de tamanho diferenciado, sendo o da direita mais largo, influenciando a distribuição dos vãos, ficando 12 no da direita e 8 no da esquerda, coincidentes nos dois pisos e dispostos em eixo, todos de arco abatido, com as janelas de guilhotina, as inferiores protegidas por gradeamento em ferro, no piso inferior, 3 vãos correspondem a um portão de quatro folhas e duas portas de duplo batente todos com bandeiras, decorados com almofadados e pintados de verde, ficando o portão e uma porta no pano da esquerda e a outra porta no da direita. No andar nobre, todas as janelas são encimadas por frontão com almofadados e cornija curva; os panos laterais são rematados por cornija com beiral simples. No pano, central piso inferior, duas janelas em arco abatido, ladeiam a escadaria em leque com corrimão curvo e guarda balaustrada, de acesso ao andar nobre, onde se rasga um portal ladeado por duas janelas de arco abatido, encimado por frontão de lanços, decorado com festões de flores, concheados e ondas; remate em frontão triangular centralizado por brasão com as armas das famílias dos Cunhas e dos Melos, com coronel de nobreza. Fachada lateral esquerda, voltada a S., dividida em dois panos, o da esquerda mais avançado e de dois registos e 5 vãos, abrindo-se 2 no inferior sobrepostos por cornija, uma janela em arco abatido de guilhotina com gradeamento em ferro e uma porta de verga recta na testeira do corredor S., protegida por portadas de duplo batente envidraçadas e com bandeira, no registo superior 3 janelas rectilíneas abrem-se para sacada única suportada por mísulas com guarda em ferro forjado; remate em cornija com beiral simples. O pano da direita só de um registo, tem duas portas idênticas à do pano da esquerda e remate em beiral simples. Fachada lateral direita, voltada a N., de dois panos sendo o da esquerda mais recuado com dois registos definidos por friso, o inferior aberto por janela curvilínea de guilhotina e o superior cego; no pano da direita surgem três registos, sendo os dois primeiros definidos por friso, todos têm vãos rectilíneos, abrindo-se no 1º uma porta de duplo batente envidraçada, pintada de verde e à sua direita uma fresta vertical, no 2º registo, na testeira do corredor N., abre-se para um varandim com guarda em ferro forjado, uma janela de sacada com bandeira, no 3º registo abre-se uma janela de sacada mais pequena que a anterior para uma varanda com guarda idêntica à do varandim. Fachada posterior voltada a O., com corpos salientes e alguns vãos assimétricos, remate em beiral simples; no 1º pano à direita abrem-se 3 janelas, sendo uma com gradeamento no registo inferior e, outra de avental situada à direita no registo superior; no 2ª pano surge um alpendre ao nível do andar nobre voltado para um jardim murado, designado por jardim do repuxo (v. 0605070041), sob o alpendre abre-se um arco que antecede o registo inferior aberto por janela com gradeamento em ferro e porta rectilínea, com acesso aos compartimentos das primitivas caldeiras de aquecimento de água; no 2º registo abre-se porta rectilínea ladeada por duas janelas em arco abatido para o alpendre que assenta em 4 colunas toscanas sobre plintos paralelepipédicos, de tecto plano em madeira com molduras de configuração geométrica, pintado de castanho com esponjados; nas paredes vestígios de pintura mural formando silhar com padronagem fitomórfica e uma mísula; acesso por escada em cantaria; no 3º registo, abrem-se quatro janelas rectilíneas e um óculo circular, sendo a penúltima janela da direita, ladeada por mísulas. No corpo correspondente à cozinha e anexos, na face direita, também voltada ao jardim do repuxo, abre-se inferiormente uma pequena janela quadrangular e superiormente duas janelas rectilíneas, sendo a da esquerda jacente, distribuem-se ainda na parede 3 suportes em cantaria da primitiva canalização; na face frontal os vãos distribuem-se de forma assimétrica nos dois registos sobressaindo aproximadamente ao centro o corpo de uma chaminé apoiada em mísulas; na face esquerda os volumes são diferenciados, tendo num plano mais recuado um alpendre ligado por duas portas rectilíneas à cozinha e a um anexo, assente em 3 colunas toscanas sobre altos plintos paralelepipédicos e guarda gradeada em ferro, acesso por escadas de cantaria. No corpo principal a N., aproximadamente a meio, ressalta um pequeno corpo correspondente às escadas interiores, aberto por duas pequenas janelas quadrangulares geminadas, rematado em empena angular, ladeado nos pisos inferior e superior por 9 vãos rectilíneos e no intermédio por 4 cruvilíneos, sendo uma porta à direita no piso inferior e nos restantes janelas de guilhotina; à esquerda no piso intermédio distribuem-se várias mísulas em cantaria. INTERIOR, os pisos interligam-se por escadas localizando-se umas a NO, outras a SO. da entrada principal. Existem algumas coincidências entre os pisos, como a disposição em duas alas opostas (N-S), salas intercomunicantes e algumas divisões dispostas ao longo dos corredores que compõem as alas. Andar nobre com a maior parte dos tectos e pavimentos em madeira; as janelas voltadas ao exterior têm conversadeiras e portadas de madeira. As divisões distribuem-se algumas fronteiras ao salão da entrada e outras nas duas alas que o ladeiam, sendo algumas ao longo de corredores outras intercomunicantes. Salão nobre com painéis de azulejo de composição figurativa, formando silhar recortado na parte superior, representando cavaleiros, em monocromia azul sobre fundo branco envolvidos por guarnição de motivos ornamentais rococó em roxo manganês; tecto em masseira com figuras alegóricas. Na ala direita do salão dispõem-se 4 salas intercomunicantes, 3 acompanham o corredor que lhe fica a O., sendo só as 2 últimas que lhe acedem directamente por 2 portas, todas com silhares de azulejos; a 1ª sala, encostada ao salão da entrada tem silhar de azulejos de composição figurativa, representando cenas campestres e trabalhos rurais, em monocromia, azul em fundo branco, com guarnição de motivos ornamentais rococó, manganés. Tecto em secção poligonal, em tons de castanho, rosa e cinza com esponjados; 2ª sala com silhar de azulejos de composição figurativa representando caçadas, sendo a composição central em manganés e os ornatos que a envolvem em azul e branco; Tecto de secção arqueada, com padronagem de tons castanho e bege; 3ª sala, designada por sala do papel, com azulejos de padrão pombalino, em bicromia azul e manganés, interrompido por um fogão de sala em ferro, superiormente as paredes são revestidas por papel de arroz com motivos vegetalistas e aves, de gosto oriental, tecto de secção arqueada, com padronagem em tons, cinza e bege; 4ª sala com silhares de azulejo de composição figurativa representando vários momentos do transporte do vinho; tecto em secção arqueada, de padrão em tons de vermelho escuro e cinza. A O. no do corredor, dispõem-se dois quartos de dormir e um quarto de banho, este último com silhar de azulejos de figura avulsa; no lado E., paredes meias com as salas intercomunicantes, dispõem-se 3 armários de parede*3, dando o topo esquerdo do corredor para uma sala com dois armários idênticos aos anteriores e com silhar de azulejos de padrão com motivos de flores, de bicromia azul cobalto e roxo manganês sobre fundo branco, intercomunicando à esquerda com outra sala idêntica, fronteira ao salão nobre, com lareira, ambas comunicam com a cozinha octogonal, com pavimento lajeado de pedra e cobertura em abóbada oitavada, paredes percorridas por silhares de azulejo de padrão, interrompidos por várias pias que serviam de reservatório ou de escoamento de águas, armários de parede e várias portas comunicantes com outras divisões, sendo uma de ligação ao exterior situada a N.; superiormente as paredes são percorridas por friso de azulejos com festões de flores formando cortina, sanca em cornija de cantaria, lareira central também de cantaria, lajeada de tijoleira*4, aberta nas 4 faces, truncada nos ângulos, sendo 3 deles revestidos por painel de azulejos de composição figurativa, alusivo à culinária e 1 revestido por azulejo de padrão idêntico ao do silhar das paredes, sugerindo uma aplicação posterior; junto à lareira num ponto estratégico, situa-se uma sólida mesa de cantaria de quatro pernas, arqueada na face voltada à lareira. Perfilam-se a O. da cozinha, três pequenos anexos de apoio, intercomunicantes, sendo o central com lareira e pavimento em lajes de pedra e os laterais revestidos de cimento, todos têm cobertura em abóbadas de arestas. A E., da cozinha, a sala fronteira ao salão de entrada, dá para um vestíbulo comunicante frontalmente com o salão e à esquerda com a capela, tem as paredes percorridas por silhar de azulejo de composição figurativa. Na ala esquerda, dispõem-se 7 divisões, sendo 5 ao longo do corredor, compreendendo duas salas intercomunicantes, estando a última da esquerda voltada para o jardim S., ambas com tectos de caixotões com esponjados de tons castanhos; confrontam-nas, um quarto de tecto plano pintado de bege, um quarto de banho com silhar de azulejos idêntico ao da ala direita e uma pequena e estreita sacristia. No topo direito do corredor, situam-se uma sala com silhar de azulejos de composição figurativa e tecto em caixotões, pintado com temas mitológicos e a capela, ambas comunicantes com o salão de entrada. CAPELA quadrangular com porta de ligação à sacristia à esquerda, paredes percorridas por silhar de azulejos de composição ornamental de inspiração vegetalista, superiormente com pintura mural figurativa, naturalista; tecto em caixotões de tons de castanho e bege, circunscritos por fita em ziguezague de cor azul, com molduras em marmoreado fingido, centralizados por florões; na parede testeira abre-se pequena capela em arco de volta perfeita de cantaria, com baixo relevo de composição geométrica, cobertura em abóbada de berço também de cantaria em caixotões decorados por florões de baixo relevo; retábulo de pedra. Piso térreo, ala direita.*5 com 4 salas, 3 intercomunicantes, todas com tectos planos em madeira sendo alguns com barrotes à vista, pavimento lajeado de pedra, numa delas e nas restantes de madeira; várias divisões dispoõem-se ao longo de um corredor. Terceiro piso, tem 2 salas com lareira, uma em cada ala, a da direita mais pequena e com um lavatório em cantaria incrustado na parede O., ambas comunicam com corredores, dispondo-se no da ala esquerda 3 quartos, sendo um interior. Na ala direita, dispõem-se também 3 quartos à esquerda do corredor e no topo duas salas intercomunicantes, todos com tectos em gamela de madeira, com acentuada assimetria nos quartos, provocada pela parede do corredor*6.

Acessos

Maiorca, Terreiro do Paço

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 129/77, DG, 1ª série, n.º 226 de 29 setembro 1977 / ZEP, Portaria 261/2011, DR, 2ª série, n.º 20 de 28 Janeiro 2011

Enquadramento

Urbano, destacado, implantado em terreno de ligeiro declive, voltada para a via pública, onde se desenvolve um largo de configuração rectangular com espaço ajardinado ao centro, delimitado por frentes urbanas homogéneas. As fachadas laterais estão voltadas para jardins de composição geométrica e labiríntica (v. 0605070041) e a posterior para um pequeno jardim murado e para uma grande extensão de terrenos incultos, atravessados por um ribeiro e alguns riachos, pontuados por árvores e arbustos, circundados por muro com vários portas de acesso, destacando-se dois portões em ferro forjado, localizados um a SE., outro a NO, este dá acesso à EN 111 (R. Dr. Oriel Salvador), é encimado por um frontão de lanços idêntico ao do portal principal, com as armas dos Rangeis de Coimbra*1 apostas. No muro a NE. da casa, surge um lagar de azeite, de planta rectangular simples, regular, com o telhado em ruína e, a pouca distância mais a N., sobressai um pequeno corpo junto à fonte pública*2, fronteira ao Palácio Conselheiro António Branco (v. 0605070042), designado por Casa da Guarda, de planta quadrangular com telhado em coruchéu, finalizado por pináculo cónico de remate esférico, aberto na face voltada à fonte por uma janela, idêntica às do andar nobre da fachada principal da habitação, sendo na face posterior rasgado por largo portão curvilíneo.

Descrição Complementar

AZULEJO: Salão nobre: 10 painéis formando silhares recortados na parte superior, representando cada um deles um cavalo e respectivo cavaleiro praticando um exercício equestre; 19 azulejos na parte mais alta; composição central em monocromia, azul em fundo branco; envolvida por pujantes motivos ornamentais rococó, de concheados e inspiração vegetalista, em manganés. Estes painéis reproduzem gravuras de um tratado equestre, sendo muito semelhantes aos desenhos de Abraaham van Diepenbeek. Nas salas seguintes, silhares de composição figurativa, 9 azulejos de altura, representando paisagens e cenas campestres em manganés, envolvidas por motivos ornamentais rococó em azul e verde. A sala de acesso ao jardim tem silhar de composição ornamental, com motivos ornamentais rococó, concheados e vegetalistas, azul em fundo branco, com apontamentos amarelos ao centro. Cozinha revestida de azulejos de padrão, formando silhares, e de azulejos de composição ornamental de inspiração vegetalista. Destacam-se os 3 painéis de composição figurativa, 6 x 4 azulejos, representando cada um deles um "empregado" de cozinha a exercer o seu trabalho: um deles segura um bolo, os outros cozem uma ave no lume. Na capela, retábulo de pedra pintado de bege e dourado, de planta recta e 3 eixos, nos extremos, pilastras de decoração fitomórfica, ao centro duas colunas seccionadas por urnas, com decoração fitomórfica e capiteis de inspiração coríntia, suportando arquitrave, formando um falso templete, remate em baixo frontão curvo com aletas, nicho central desprovido de imagem, em arco de volta perfeita com pilastras decoradas em médio relevo com 4 anjos ajoelhados; nos eixos laterais, imagens em alto relevo de São João Baptista no lado do Evangelho e de São Silvestre no lado da Epístola; na predela imagens em médio relevo, sendo no lado do Evangelho, Santa Águeda, ao centro, Santa Luzia e no lado da Epístola Santa Apolónia.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Cultural e recreativa: monumento

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 14 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ESCULTOR: Escola João de Ruão (atr. séc. 16).

Cronologia

Sec. 14 - Época da casa dos Coutinhos, onde mais tarde se viria a construir o paço de Maiorca; séc. 16 - época a que pertence o retábulo de pedra da capela que terá vindo da casa de Antanhol; séc. 17 - João Vaz da Cunha*7, adquire em Maiorca a casa e respetiva quinta aos Coutinhos, seus familiares de Coimbra, iniciando a construção do paço, interrompida por sua morte e continuada depois por seu filho, Luís Vaz da Cunha de Sá; séc. 19, início - o paço, Maiorca e toda a região é saqueada pelas tropas francesas de Massena; 1846, 5, Outubro - é criado por decreto de D. Maria II, o título dos Viscondes de Maiorca em favor de Fernando Eduardo Vasques da Cunha Sá Pessoa Rangel Vahia Moniz de Mello e Simas (1º visconde de Maiorca); séc. 18, 2ª metade - época a que pertencem os azulejos de fabrico coimbrão; 1902, 6, Junho - data do Decreto do título do 2º Visconde de Maiorca, em favor de Francisco Xavier de Magalhães e Meneses de Lencastre Vasques da Cunha, neto do 1º Visconde; 1949, 20, março - data do alvará do Conselho de Nobreza, do título de 3º Visconde de Maiorca em favor de Vasco Maria Vasques da Cunha de Eça; 1972 - início do processo de classificação na Diretor-Geral dos Assuntos Culturais; 1974, 2 de dezembro - parecer da Junta Nacional de Educação a propor a classificação como IIP; 1980 (início da década) - o 3º Visconde vende o paço em co-propriedade a Fernando João Monteiro de Oliveira, D. Maria Alexandre Serôdio Forjaz de Brito, Jorge Miguel serôdio Forjaz de Brito e D. Paula Cristina Serôdio Forjaz de Brito de Azevedo, sendo metade para o primeiro e um oitavo para os seguintes; 1999 - O paço é adquirido pela Câmara Municipal da Figueira da Foz que faz obras de manutenção e beneficiação, incluindo o arranjo dos espaços envolventes; 1999, 23 Julho - o paço é aberto ao público, 2001, 13 Outubro - data inscrita na placa comemorativa da inauguração da beneficiação de uma ala do piso térreo para instalação do GTL; 2002 - António Caetano doou espólio à Câmara Municipal da Figueira da Foz para rechear o paço, avaliado em cerca de meio milhão de euros (Jornal de Notícias, pg. 30, 2004-02-13); 2008, 28 de outubro - proposta da DRCCentro; 2009, 15 de julho - parecer favorável do Conselho Consultivo do IGESPAR,I.P; 2010, 21 de junho - despacho de homologação do Secretário de Estado da Cultura; 2011, 28 de janeiro - é fixada a zona especial de proteção.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Retábulo de pedra de Ançã

Bibliografia

CORREIA, Vergílio, GONÇALVES, A. Nogueira; Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Coimbra, IV Vol, Lisboa, 1953; IAP, ANBA, IV, Lisboa 1953 pg. 98; FARIA, António Machado de, Genealogia e Heráldica, Famílias Nobres, Suas Origens e Suas Armas, Lisboa, 1961; Figueira Informa, Boletim Informativo nº4, Figueira da Foz, 2 de Janeiro 2000; Paço de Maiorca, Câmara Municipal da Figueira da Foz, 1999; SILVA, António Lambert Pereira da, Paço de Maiorca in Nobres Casas de Portugal, vol. 2, pg. 131-137, Porto 1958; TOMÁS, Pedro Fernandes, do Passado ao Presente, Elementos Subsidiários para o Estudo do Concelho da Figueira da Foz, Câmara Municipal da Figueira da Foz, 1988; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/73366 [consultado em 14 outubro 2016].

Documentação Gráfica

CMFF

Documentação Fotográfica

IHRU: DGMN/DSID

Documentação Administrativa

CMFF

Intervenção Realizada

1999 - Obras de manutenção no edifício sendo no piso térreo feitas algumas alterações para adaptação a gabinetes; recuperação dos jardins e espaços exteriores.

Observações

*1 Estas armas têm coronel de nobreza, não apresentam o timbre com o ramo de romeira, descrito na Genealogia e Heráldica "De azul, com uma flor-de-lis de prata; bordadura de ouro, carregada de sete romãs de verde, abertas de vermelho. Timbre: um ramo de romeira com três romãs abertas, tudo de sua cor ou escudete de azul carregado de flor-de-lis, de prata"; *2- fonte que outrora pertenceu ao paço; *3- estes armários estão no local que antes pertenceria a janelas voltadas para o exterior, posteriormente tapadas pela ampliação da casa para E., incluindo a actual fachada principal; *4 - originalmente seria lajeada de pedra, sendo visível a sobreposição da tijoleira; *5 - adaptação para alojamento do Gabinete do GTL, instalado aqui de 2001 a 2003; *6 - a parede corta os tectos do lado direito, denunciando uma posterior construção do corredor para adaptação das primitivas salas intercomunicantes a quartos independentes; *7 - Senhor do morgado de Antanhol, dos Cavaleiros (morgado instituído em 1343 por Vasco Pires da Cunha, Escudeiro de Antanhol, Senhor de Muitas terras), senhor do paço de Maiorca, fidalgo da Casa Real, Cavaleiro da Ordem de Cristo; sucedeu-lhe seu filho Luís Vaz da Cunha de Sá, administrador do morgadio de Antanhol e 2º Senhor do Paço de Maiorca, casou em 1697 com D. Isabel de Vilhena e Melo, natural de Coimbra, filha de Bernardo de Melo fidalgo da Casa Real, Comendador de Ouriz na Ordem de São Tiago, Senhor da Casa das Varandas em Coimbra. Segue-lhe, Bernardo da Cunha de Sá e Melo, administrador do Morgadio de Antanhol e Senhor do paço de Maiorca, tornou-se fidalgo da Casa Real por Alvará de 1717, casou com D. Joana Eufrásia Moniz de Melo, Senhora do Morgado dos Atoleiros. Sucedeu-lhe o seu filho Luís da Cunha de Sá e Melo, 12º administrador do morgadio de Antanhol e senhor do paço de Maiorca, fidalgo da casa real por alvará de 19.7.1738, casou em 1768, com sua prima D. Caetana Maria Rangel Pereira de Sá, senhora do senhorio dos Rangeis (morgadio de coimbra, instituído em 1300, por D. Agueda Gonçalves). Fernando Vasques da Cunha de Sá Pessoa Vahia Rangel Moniz de Melo, 13º administrador do morgadio de Antanhol, senhor do paço de Maiorca e do morgadio de Santa Catarina de Montemor-o-Velho, fidalgo da Casa Real e tenente coronel de Milícias da figueira da Foz. Em 16.1.1803, casou com D. Vitória Fortunata de Portugal e Meneses. Sucedeu-lhe o seu filho Fernando Eduardo Vasques da Cunha de Sá Pessoa Vahia Rangel Moniz de Melo e Simas, como 14º administrador do morgadio de Antanhol dos Cavaleiros, senhor do paço de Maiorca e do solar dos Rangeis em Coimbra, tenente coronel do Batalhão Académico (1846), foi também o 1º Visconde de Maiorca, casou com sua prima D. Antónia José Guedes de Carvalho Portugal e Meneses. Sucedeu-lhe na casa, a filha D. Maria Eduarda Vasques da Cunha que casou em 1861 com D. Luís Adriano de Magalhães e Meneses de Lencastre, deputado da nação, par do reino, comendador das ordens de Cristo e de Nossa Senhora de Vila Viçosa. O sucessor foi o filho Francisco Xavier de Magalhães e Meneses de Lencastre Vasques da Cunha, 2º Visconde de Maiorca, casou com D. Maria Ana Calheiros Malheiro de Meneses, de Ponte de Lima, não havendo filhos deste casamento, por morte do visconde em 1933, o usufruto do paço ficou para a sua mulher e em propriedade para o seu sobrinho-neto, Vasco Maria Vasques da Cunha Eça, nascido em 21.4.1923, 3º visconde de Maiorca, cavaleiro da Ordem Equestre do Santo Sepulcro de Jerusalém, inspector superior do Plano de Fomento na Presidência do Concelho, administrador de empresas, etc., casou em primeiras núpcias com D. Ana Maria de Castelo-Branco Gago da Câmara Botelho de Medeiros, filha dos terceiros viscondes de Botelho e em segundas núpcias com D. Isabel Maria Supico Pinto.

Autor e Data

João Cravo e Horácio Bonifácio 1992 / Margarida Silva 2005 / Paula Correia 2006

Actualização

Filomena Bandeira 2002
 
 
 
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