Ponte da Tôr

IPA.00005644
Portugal, Faro, Loulé, União de freguesias de Querença, Tôr e Benafim
 
Ponte provavelmente construída no séc. 15, inserida numa via importante do termo de Loulé, e reformada no final do séc. 19, altura em que a estrutura composta por cinco arcos, como era descrita desde meados de Setecentos, é reduzida para três, o central maior e os laterais simétricos, criando ligeiro cavalete, separados, de ambos os lados, por talha-mares triangulares. Considerada como romana por Jorge Alarcão, ou construída no reinado de D. Sebastião (1557-1578), segundo a tradição, é difícil precisar a data de construção da Ponte de Tôr. No entanto, ela não apresenta visíveis as principais características construtivas das pontes romanas e as Atas da Câmara de Loulé mandam proceder à sua reforma em 1492, sendo, por isso, anterior ao séc. 16. A existência num dos arcos de um escudo com as armas de Portugal com os escudetes deitados, ou seja, anteriores à ordem de D. João II, datada de 1485, para os endireitar, aponta então para a sua feitura no séc. 15, desconhecendo-se como seria o outro escudo que possuía e fora arrancado, conforme testemunho de Francisco de Ataíde Oliveira, em 1905. Pela sua antiguidade ou devido às fortíssimas correntes do rio, a ponte terá sofrido várias reformas ao longo do tempo, a mais significativa das quais no final do séc. 19, quando se reduziu o seu comprimento, acompanhando o estreitamento do leito do rio, mas conservando-se alguns elementos antigos.
Número IPA Antigo: PT050808060014
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Transportes  Ponte / Viaduto  Ponte pedonal / rodoviária  Tipo arco

Descrição

Ponte de tabuleiro em cavalete suave, orientado no sentido noroeste - sudoeste, assente em três arcos de volta perfeita, o central de maiores dimensões, com 5,50 m de raio, e os laterais semelhantes, com 2,20 m de raio, apresentando a altura máxima de 8 metros (PINTO: 1998, p. 183). A estrutura da ponte apresenta-se oculta, por estar rebocada e pintada de branco, com os arcos de aduelas em cantaria, sensivelmente regulares, e intradorso também em cantaria, possuindo um dos arcos laterais, quase no fecho, brasão com as armas de Portugal, de escudetes deitados, e, no intradorso, uma cornija. Os arcos surgem separados, de ambos os lados, por talha-mares triangulares, em cantaria, de topo igualmente rebocado e pintado. Os pilares encontro são mais largos, formando na margem norte alas laterais para sustentação das terras, pintadas de branco. O tabuleiro possui pavimento em lajedo de pedra e guarda plena em alvenaria, rebocada e pintada de branco, capeada a cantaria. Sobre um dos arcos existem dois orifícios para escoamento das águas pluviais, com saída por estrutura quadrangular.

Acessos

Querença, Lugar de Tôr, Rua dos Cesteiros; EM 524. WGS84 (graus decimais) lat.: 37,189873, long.: -8,027109

Protecção

Categoria: MIM - Monumento de Interesse Municipal, Aviso n.º 16782/2019, 2.ª série, n.º 202/2019 de 21 outubro 2019

Enquadramento

Rural, isolado. Implanta-se a sudeste da povoação, sobre a ribeira de Tôr, também denominada de ribeira da Benémola, de Algibre e da Quarteira, conforme os locais por onde passa, correndo de nascente para poente. A nascente foi construída mais recentemente uma outra ponte, de modo a desviar a circulação automóvel da via que a atravessava. A ponte é enquadrada por campos de cultivo, oliveiras e outra vegetação.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Transportes: ponte

Utilização Actual

Transportes: ponte

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Época Construção

Séc. 15 (conjetural) / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Época romana - época apontada por vários autores para a construção de uma ponte no local ou nas imediações, integrada numa via romana *1; 1291 - na Chancelaria de D. Dinis existe referência ao "porto novo d ator", possivelmente numa alusão ao local onde se fazia a travessia da ribeira por barca (ALMEIDA: 2016, p. 46); séc. 15 - época provável da construção da ponte de Tôr, sobre a ribeira de Algibre, integrada numa das principais vias do termo de Loulé *2; 1492, 03 novembro - em sessão da Câmara, o corregedor Vasco Pereira manda colocar em pregão várias obras, nomeadamente o "(...) caminho daqui atee Ponte d'Ator e pera se coreger a dicta ponte", na qual deveriam trabalhar, de manhã, "todollos moradores desta villa e seu termo convem a saber cristãos mouros e judeus", sendo que "os fidalgos cavaleiros privilegiados que la nom ouverem de ir mandem seus escravos ou cada huum se[u] homem so penna que qualquer quo ho contrairo fezer pague L reaes a chancelaria do dicto senhor" (Actas de Vereação de Loulé, Século XV: 2004, p. 59); 07 dezembro - no Regimento que o corregedor Vasco Pereira deixa em Loulé, "Primeiramente manda que a ponte d'Atoor sea coregida e calçada e a borda coregida ataa fora da ponte (...) e que todo seja acabado ataa a pascoa so pena de Vc reaes pagar cada hoficiall" (Actas de Vereação de Loulé, Século XV: 2004, p. 74); 1758, 22 abril - segundo o pároco nas Memórias Paroquiais da freguesia de Querença, no sítio de Tôr, sobre a ribeira do mesmo nome e que resultava da junção da ribeira da Mercê e da ribeira da Benévola, ambas bastante caudalosas, está uma "grandioza ponte de sinco arcos de pedra de cantaria por onde passa a agoa desta monstruosa ribeyra, que tem a sua corrente do Nascente para o Ponente" (MARTINS: 2004, p. 412); o pároco refere ainda que a ponte é tão necessária que, "se não houvece a dita ponte se demoraria nas sobreditas ocaziõis de maior xuva, o correio, muitos dias, pois por ella passa e faz seo caminho o que condús para este bispado e reino do Algarve todas as cartas que se ajuntão na cidade de Beja e athé à dita cidade condús pello mesmo caminho as deste reino e bispado; e como he tão necessaria para o bem comum, he digna de toda a necessaria providência nos reparos de que necessita" (MARTINS: 2004, p. 413); 1878, cerca - segundo Pinho Leal, na freguesia de Querença correm duas ribeiras, uma a sul denominada das Mercês, e outra a poente, denominada de Benemola, que, depois de unidas toma o nome de ribeira de Tôr, " a qual no inverno é caudalosissima, alagando as varzeas, arrancando e arrastando as arvores, na sua corrente impetuosa, e causando outros prejuízos. Tem uma grandiosa ponte de cantaria, muito antiga, de cinco arcos (...)" (LEAL: 1878, p. 23); séc. 19, final - segundo Francisco Xavier D'Athaíde Oliveira, aquando da feitura da estrada camarária Loulé - Salir, "um curioso teve a habilidade (...) de arrancar um dos escudos da antiga ponte ali colocados certamente quando a mesma foi construída (...)" (OLIVEIRA, 1989, p. 171); 1994, 20 setembro - proposta da DR de Faro para a abertura do processo de instrução da classificação da ponte; 07 outubro - Despacho de abertura do processo de classificação do presidente do IPPAR; 1998, 29 julho - parecer do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a classificação da ponte como Valor Concelhio; 10 agosto - Despacho de homologação do Ministro da Cultura; 2010, 11 maio - envio de cópia do processo de classificação pelo Ministério da Cultura à Câmara Municipal de Loulé, a fim de ponderar a conclusão do procedimento; 2014, 29 outubro - Deliberação da Câmara Municipal de Loulé a aprovar a conclusão do procedimento de classificação como de Interesse Municipal; 14 novembro - Edital da Câmara Municipal de Loulé a determinar a classificação da ponte; 2015, 31 março - Despacho do presidente da Câmara Municipal de Loulé a determinar a alteração da categoria de classificação para Monumento de Interesse Municipal; Adenda ao edital de 14 de novembro de 2014.

Dados Técnicos

Sistema estrutural misto.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e caiada ou em cantaria aparente; juntas de cimento; pavimento em lajedo de pedra.

Bibliografia

ALARCÃO, Jorge de - Roman Portugal. Warminster: 1988; ALMEIDA, Cristóvão de - Da Vila ao Termo. O território de Loulé na Baixa Idade Média. Tese apresentada na Universidade do Algarve. S.l.: texto policopiado, 2016 (apientia.ualg.pt/bitstream/10400.1/10054/1/Da%20vila%20ao%20termo.%20O%20território%20de%20Loulé%20na%20Baixa%20Idade%20Média.pdf); Carta Arqueológica de Portugal: concelhos de Portimão, Lagoa, Silves, Albufeira, Loulé, São Brás de Alportel. Lisboa: 1992; CARRUSCA, Susana - Loulé - O Património Artístico. Câmara Municipal de Loulé, 2001; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho - Portugal Antigo e Moderno. Lisboa: Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia, 1878, vol. 8; MARTINS, Isilda Maria Pires - Arqueologia do Concelho de Loulé. Loulé: 1988; MARTINS, Luísa Fernanda Guerreiro - «Memórias Paroquiais do Concelho de Loulé». In al-ulyã. Revista do Arquivo Histórico Municipal de Loulé. Loulé: Arquivo Histórico Municipal de Loulé, 2004, n.º 10, pp. 387-435; OLIVEIRA, Francisco Xavier D'Athaíde - Monografia do Concelho de Loulé. Faro: Algarvia em Foco Editora, 1989 (1.ª ed. 1905); PINTO, Paulo Mendes (direção) - Pontes Romanas Classificadas. Lisboa: Associação Juventude e Património, 1998; SANTOS, Maria E. V. A. dos - Arqueologia Romana do Algarve. Lisboa: 1972, n.º 2.

Documentação Gráfica

CMLoulé

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMLoulé: séc. 20, final / séc. 21, início - obras de conservação; remoção do tapete de alcatrão.

Observações

*1 - Segundo Cristóvão de Almeida, pelo termo de Loulé passavam, desde os tempos romanos, duas vias. Uma percorria o Algarve, de Baesuris (Castro Marim) até Lacobriga (Lagos), devendo assemelhar-se ao atual percurso dla estrada nacional 125. No sentido poente - nascente, a via passaria por Almancil e São João da Venda, seguindo daí para o Sotavento algarvio. Na zona de Almancil, a via entroncaria numa outra, em direção ao norte, passando pelos Quartos, Loulé, Tôr, onde se atravessava a ribeira do Algibre, por Mesquita e Salir, onde tomaria a direção nascente, para retomar alguns quilómetros depois, o sentido norte, em direção ao Alentejo (ALMEIDA: 2016, pp. 47-48). *2 - Francisco Xavier D'Athaíde Oliveira na sua obra refere que, segundo a tradição, a ponte fora mandada construir no tempo do rei D. Sebastião (OLIVEIRA: 1989, pp. 170-171).

Autor e Data

Paula Noé 2019

Actualização

 
 
 
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