Igreja Paroquial de Velas / Igreja de São Jorge
| IPA.00035586 |
| Portugal, Ilha de São Jorge (Açores), Velas, Velas (São Jorge) |
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| Igreja paroquial construída no séc. 17 sobre uma pré-existente, e com fachada principal reconstruída no séc. 20. Apresenta planta de três naves, separadas por arcos, de volta perfeita, sobre pilares, e cabeceira tripartida e escalonada, interiormente com iluminação axial e bilateral e coberturas de madeira. A fachada principal, que devido à reforma moderna, não denuncia a divisão espacial interna, termina em frontão triangular sem retorno, com cornija inferior curva ao centro, e é rasgada por portal em arco de volta perfeita, entre pilastras que suportam cornija, ladeado e sobreposto por vãos de perfil curvo. A torre sineira, disposta à esquerda e integrando batistério, tem três registos e cobertura em cúpula bolbosa com data inscrita. No interior possui coro-alto de madeira, na nave central com dois púlpitos confrontantes, de bacia em cantaria e guarda em balaustrada, e nas laterais capelas profundas confrontantes. As capelas colaterais são cobertas por abóbadas de duas secções, e a capela-mor, com cobertura de madeira alteada, alberga retábulo maneirista, de tipo andares, com corpo reto, três eixos e dois registos. |
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| Registo visualizado 871 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Igreja paroquial
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Descrição
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| Planta retangular composta por três naves, cabeceira tripartida, tendo adossado lateralmente torre sineira, duas capelas laterais profundas, sacristia e corpo retangular, onde está instalado o museu de arte sacra. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, as da capela-mor mais altas, de três nos outros corpos, rematados em beirada dupla, e cúpula pintada de branco, na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com soco de cantaria. Fachada principal virada a poente, com cunhais apilastrados, os da nave pintados de cinzento, coroados por pináculos tipo urna sobre acrotérios, e terminada em frontão triangular, com a cornija inferior de perfil curvo adaptado à modinatura do vão, coroada por cruz latina, sobre acrotério. É rasgada por portal em arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras que sustentam cornija, tendo os seguintes pintados de branco e com florão, e dois altos vãos laterais estreitos, de perfil curvo; sobre o portal abre-se janela em arco de volta perfeita. À esquerda dispõe-se a torre sineira, de três registos, separados por friso e cornija, o primeiro rasgado no topo por vão quadrangular, o segundo, muito estreito com relógio de sol, e o terceiro rasgado, em cada uma das faces, por ventana em arco peraltado, sobre pilastras, exceto na face sul onde se abrem dois vãos geminados, albergando sino. A estrutura remata em friso, cornija e platibanda plena, a fingir balaustrada, com acrotérios nos cunhais coroados por pináculos, e é coberta por cúpula bolbosa facetada, coroada por pináculo e cata-vento. As fachadas laterais terminam em cornija e são rasgadas por porta travessa de verga reta, encimada por friso e cornija, e por janela retangular; na lateral direita, existe escada com balcão de acesso à torre e corpo saliente da capela de Nossa Senhora das Dores, rematada em frontão truncado, coroado por cruz central e pináculos laterais, tendo no tímpano cartela inscrita. A fachada lateral direita tem saliente o corpo da capela, a que se adossa corpo retangular, rasgada a poente por portal de verga reta som friso e cornija, sobre pilastras e, a sul, por três vãos, os laterais retilíneos e o central, mais alto, de perfil curvo. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, as naves com cobertura de madeira de masseira, sobre travejamento, separadas por seis arcos, de volta perfeita, com chave saliente, assentes em pilares, arrancando dos mesmos, na nave central, frisos verticais até ao friso e cornija, que contorna a nave. Coro-alto de madeia, prolongado sobre as três naves, com guarda em balaustrada, de perfil curvo na nave central, acedido por escada disposta na nave da Epístola, com guarda vazada de madeira. Alberga órgão de tubos positivo. Na nave central, adossado aos terceiros pilares, surgem púlpitos confrontantes, de bacia retangular, em cantaria, sobre mísulas, com guardas em balaustrada, acedidos por escadas contornando o pilar, e encimados por baldaquinos de madeira, com lambrequim. Na nave do Evangelho, sob o coro, um arco acede ao batistério no interior da torre sineira, com cobertura em abóbada de berço que arranca de cornija. A capela profunda de Nossa Senhora das Dores é acedida por arco de volta perfeita, interiormente coberta por abóbada de berço, assente numa cornija, e albergando retábulo de talha policroma. Desta capela acede-se ao corpo do museu, por porta encimada por entablamento. Na nave da Epístola, existe capela lateral confrontante. Arco triunfal de volta perfeita, sobre pilastras, tendo no fecho brasão com as armas de Portugal. As capelas colaterais, acedidas por arcos, de volta perfeita, são interiormente seccionadas em dois, por arco sobre pilastras, e cobertas por abóbadas de berço, sendo a primeira secção lisa e a segunda em caixotões, a fiada central decorada com florões relevados. Capela-mor com duas janelas laterais com vitrais e cadeiral de madeira, de ambos os lados. Retábulo-mor de talha dourada, de corpo reto e três eixos, separados por seis colunas, as centrais grupadas, e de dois registos, marcados por frisos e colunas. No eixo central, abre-se alto nicho, com colunas laterais, interiormente albergando imaginária, e nos eixos laterais dispõem-se, no primeiro registo apainelados sobrepostos com imaginária, e no segundo registo painéis pintados, figurando São Pedro (Evangelho) e Santo André (Epístola). A estrutura remata em tabela retangular, disposta na horizontal, definida por colunas agrupadas e terminada em cornija, contendo painel pintado com Santo Agostinho, flanqueada por seguintes de talha ornados de motivos vegetalistas. |
Acessos
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| Velas (São Jorge), Largo João Inácio de Sousa (Largo do Mercado, Praça Velha). WGS84 (graus decimais) lat.: 38.679971; long.: -28.205128 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, isolado, inserido no núcleo urbano da vila das Velas (v. IPA.00027992). Ergue-se numa das principais praças da vila, pavimentada a paralelepípedos, decorados com vários motivos, adaptada ao declive do terreno. Integra, ao longo da fachada lateral direita, plataforma ajardinada, com pérgula, vários bancos em ferro e, quase em frente da igreja, existe alto plinto com escultura de João Inácio de Sousa (1849-1925). A praça é enquadrada por habitações. |
Descrição Complementar
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| No friso que separa a cúpula bolbosa da torre sineira existe a data de "1825" inscrita. O tímpano do frontão que remata a capela lateral do Evangelho tem cartela com a inscrição "CAPELLA DE / N. S. DAS / DORES / ANNO. 1785". Os vitrais das janelas da igreja representam cenas da lenda de São Jorge a matar o dragão. ÓRGÃO de tubos positivo, de madeiras exóticas, composto por uma castelo e dois nichos, o primeiro de perfil convexo e mais elevado, rematando em cornija curva, sobreposto por pináculo vegetalista. Estão protegidos por gelosias, pintadas de vermelho com motivos vegetalistas dourados, e na base, os tubos de palheta, os centrais, em leque. No topo, surgem quatro pináculos. Consola em janela, com teclado de 56 teclas, ladeado pelos botões dos registos: no lado esquerdo, "Vigésima Quarta, Dezanovena e 22ª, Símbala, Quinzena, Dozena, Flautado de 6 tapado, Oitava Real, Flautado de 12 tapado Baixãozinho"; no lado direito, "Dezassetena, Compostas de 12ª e 15ª, Símbala, Quinzena, Dozena, Flautim, Flautado de 12 aberto, Flauta em 12, Clarim. |
Utilização Inicial
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| Religiosa: igreja paroquial |
Utilização Actual
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| Religiosa: igreja paroquial |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra) |
Afectação
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| Sem afetação |
Época Construção
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| Séc. 17 / 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ORGANEIRO: Dinarte Machado (1990, 1995); Tomé Gregório de Lacerda (1865). PEDREIRO: Francisco Rodrigues (1668). |
Cronologia
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| 1460 - referência à primitiva igreja de São Jorge no testamento do Infante D. Henrique; 1570, 12 agosto - D. Sebastião oferece o retábulo-mor primitivo da igreja; 1651 - segundo o Pe. Manuel de Azevedo da Cunha, nas suas "Notas Históricas", nesta data já havia mestre de Capela na Igreja de Velas; 1659, 23 abril - alvará de D. Afonso VI autoriza a reconstrução e ampliação da igreja, requerida pelo padre Baltazar Dias Teixeira; 1660, outubro - Câmara Municipal de Velas lança uma finta anual para as obras da igreja, com início no ano seguinte; 1664 - início da construção da atual igreja, no local onde se erguia o primitivo templo, sendo pedreiro Francisco Rodrigues; 1675, fevereiro - sagração da igreja pelo bispo de Angra, D. Lourenço de Castro, tendo-se gasto coma pólvora nas salvas, pela artilharia dos Fortes das Velas, 110 libras; 1676, 13 junho - na sua visitação, D. Frei Lourenço de Castro recomenda "(...) muito ao organista que assista com pontualidade em suas obrigações, e tenha o cuidado de limpar o órgão ..."; o bispo recomenda ainda: "... ao Pe. Vigário que à custa do dinheiro que Sua Alteza mandou dar do que estaria para as fortificações mande vir um realejo para o coro da Capela Mor, e à custa da fábrica mande consertar o órgão velho do coro de cima (...)"; 1732, 20 fevereiro - o licenciado Jerónimo de Sousa Cabral, Vigário Confirmado na Matriz do Topo e Visitador Geral da Ilha de S. Jorge, ao falar do coro da igreja refere "(...) é notória a falta que há de um órgão para o Coro desta Matriz, porque o que nela se acha, além de ser muito antigo, está quase de todo defeituoso em forma que causa notável dissonância... que por isso tendo organista com ordenado, que para este efeito lhe tem consignado Sua Majestade, que Deus guarde: pelo que ordeno ao Reverendo Vigário que requeira do dito Senhor mande da (...) para esta Matriz um órgão de oito registos, como os há nas principais igrejas deste Bispado, e o deve haver nesta Matriz (...)"; 1785 - data inscrita no frontão exterior da Capela de Nossa Senhora das Dores; 1793 - instituição da confraria do Santíssimo Sacramento, a qual tinha a seu cargo as festividades ligadas à procissão do Corpo de Cristo e às cerimónias das Endoenças; 1825 - data inscrita no friso da cúpula da torre sineira, assinalando a sua construção, que, segundo Avelar, recebe três sinos; 1831 - apeamento dos sinos para fazer moeda na Ilha Terceira; 1865 - construção do órgão por Tomé Gregório de Lacerda, de Ribeira Seca, pelo valor de 900$000, sendo inicialmente colocado num coreto lateral, sobre a arcada do Evangelho (órgão n.º 3 do organeiro) *1; dada a carência de materiais, sobretudo para os tubos, Gregório de Lacerda constrói-os em chapa de chumbo puro; 1871 - colocação do sino grande, com 468,700 Kg; 1897 - transferência do órgão para o coro-alto; 1902 - ainda se realizam as cerimónias às Endoenças; 1964 - o órgão deixa de tocar, logo após a crise sísmica, altura em que já apresentava muitas deficiências. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
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| Estrutura em alvenaria de pedra rebocada e pintada; soco, cunhais, cornijas, frisos, e molduras dos vãos em cantaria, por vezes pintada de cinzento; arcos, pilares, cornijas, molduras interiores dos vãos, bacia dos púlpitos, abóbadas das capelas colaterais e do batistério e outros são em cantaria de basalto aparente; órgão em madeira de casquinha, carolina, jacarandá e câmbala; retábulo-mor em talha dourada; telas pintadas; cobertura das naves em madeira; cobertura de telha. |
Bibliografia
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| AVELLAR, José Cândido da Silveira - Ilha de S. Jorge, Apontamentos para a sua História. Horta: Typ. Minerva Insulana, 1902; Igreja Matriz de São Jorge, (http://www.inventario.iacultura.pt/sao-jorge/velas-fichas/51_175_83.html), [consultado em 19 janeiro 2016]; MACIEL, Frederico - Igrejas e Ermidas que Foram nas Velas. Texto policopiado. S.l.: s.n., s.d.; MONTEREY, Guido de - Graciosa e São Jorge, Duas Ilhas no Centro do Arquipélago. Porto: edição do autor, 1981; SILVEIRA, Pe. Manuel Garcia da - O órgão da Matriz de São Jorge (Ilha de São Jorge), 1995, (http://orgaos-a-cores.blogspot.com/2010/08/o-orgao-da-igreja-matriz-de-sao-jorge.html), [consultado em 19 janeiro 2016]; SOUSA, J. Duarte de - Ilha de S. Jorge - Apontamentos Históricos e Descrição Topográfica. Velas: Câmara Municipal de Velas, 2003. |
Documentação Gráfica
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Documentação Fotográfica
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Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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| 1984 - beneficiação da caixa do órgão e limpeza sumária da máquina, trabalhos acompanhados por técnicos da Fundação Ricardo Espírito Santo Silva, que na época estavam a restaurar a talha dos retábulos da Igreja das Manadas; 1986 - reposição dos tubos do órgão e limpeza de outros pelo músico Júlio Vieira Rodrigues, que trabalha gratuitamente; 1990, 14 agosto - conclusão do restauro do órgão, pelo organeiro Dinarte Machado, obra orçada em 2.400.000$00, suportada em 50% pela Secretaria Regional da Educação e Cultura; o órgão é então provido de dois sistemas de produção de ar: o antigo, movido através de uma alavanca acionada com o pé, e o moderno, através da aplicação de um gerador de ar importado da Alemanha; 1995 - beneficiação do órgão, por Dinarte Machado, tendo-se procedido à remodelação e ampliação de restauro, de modo conferir-lhe maior capacidade sonora; procede-se à substituição do chumbo por chapa de estanho, acrescido ainda do aumento de mais 87 tubos, ficando um total de 759 ao contrário dos 672 de anteriormente; a obra, orçado em 2.600.000$00, foi comparticipada em 50% pela Câmara Municipal das Velas e o restante pela Paróquia. |
Observações
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| EM ESTUDO. *1 - Tomé Gregório de Lacerda, organeiro amador, tio do compositor Francisco de Lacerda, construiu quatro órgãos, copiando outros e aproveitando instruções colhidas do Padre Silvestre Serrão em Angra do Heroísmo. Dos quatro instrumentos, considera-se o da Paroquial de Velas o mais importante, sendo também o único que subsiste. |
Autor e Data
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| Paula Noé 2016 |
Actualização
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