Igreja Paroquial de Argoncilhe / Igreja de São Martinho
| IPA.00030941 |
| Portugal, Aveiro, Santa Maria da Feira, Argoncilhe |
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| Igreja paroquial de fundação medieval, construída no séc. 17, de que subsiste a estrutura, os dois primeiros registos da torre sineira e as respetivas gárgulas de canhão, e algumas janelas em capialço, reconstruída no final do séc. 18, dando origem a um edifício mais dinâmico com linguagem decorativa tardo-barroca, visível no remata da fachada principal e em cinco estruturas retabulares do interior, em que a linguagens barroca e neocássica se cruzam. Em meados do séc. 20 é construído o novo coro-alto e as duas alas da capela-mor. É de planta poligonal regular, composta por nave, capela-mor e dois anexos, com torre sineira no lado direito, com coberturas interiores diferenciadas em falsas abóbadas de berço, a da nave em estuque e a da capela-mor com pinturas murais, de linguagem tardo-barroca, representando o Santíssimo e os Evangelistas. Fachada principal com remate em frontão sem retorno, com os vãos rasgados em três eixos compostos por portal, encimado por nicho, e por duas janelas. Fachadas com cunhais apilastrados e rematadas em cornijas, as laterais rasgadas por portas travessas. Interior com coro-alto de feitura recente, batistério seiscentista na base da torre, púlpito no lado do Evangelho e onze estruturas retábulares, as primeiras da nave de feitura mais recente, neo-barrocas. Arco triunfal amplo com pilastras toscanas. |
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| Número IPA Antigo: PT010109010071 |
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| Registo visualizado 801 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Religioso Templo Igreja paroquial
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Descrição
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| Planta poligonal regular, composta por nave e capela-mor mais estreita, ladeada por dois corpos retangulares, possuindo torre sineira adossada ao lado direito, de volumes articulados e escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas e três águas, sendo em coruchéu bolboso, revestido a azulejo, na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, exceto a principal, revestida a azulejo de padrão azul e branco, percorridas por socos de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em cornijas, exceto na principal, com friso e cornija. As empenas são salientes, capeadas a cantaria e sobrepujadas por cruzes latinas sobre plintos, a da fachada principal com duas ordens de plintos. Fachada principal virada a ocidente, rematada em frontão contracurvo sem retorno, e tendo pináculo do tipo balaústre no lado esquerdo; é vazado por óculo quadrilobulado, encimado por cornija contracurva. É rasgada por portal de verga reta e moldura simples, sobrepujada por frontão interrompido por nicho em abóbada de concha, com a imagem policromada do orago; está ladeado por dois janelões rematados em cornijas. No lado direito, a torre sineira, de três registos separados por frisos e cornijas, o inferior com duas janelas sobrepostas na face sul, a inferior de perfil abatido e a superior em capialço; entre ambas, painel de azulejos, a representar a Imaculada. Na fase oriental, tem o acesso por porta de verga reta, através de escadas de cantaria com guarda metálica. O registo intermédio possui óculos circulares nas faces sul e oriente, surgindo na virada a ocidente o mostrador do antigo relógio; no topo, quatro ventanas de volta perfeita, assentes em pilastras. A estrutura remata em frisos e cornijas, interrompidas por gárgulas de canhão nos ângulos, sobrepujadas por pináculos, tendo, na face frontal, o mostrador do relógio, flanqueado por aletas, enrocamentos e remate em acantos e volutas. As fachadas laterais são semelhantes, rasgadas, no corpo da nave, por porta travessa e duas janelas, todas retilíneas e com molduras simples. A capela-mor tem adossados anexos, o lateral esquerdo com quatro janelas e porta na face ocidental, tendo o do lado oposto, duas janelas, porta e uma segunda na face virada a ocidente. A fachada lateral direita tem, na capela-mor, pequena fresta. Fachada posterior rematada em empena, com fresta de arejamento, tendo, no copo do lado esquerdo, janela retilínea. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejos de padrão azul e branco, sobre rodapé de mármore; a nave tem cobertura em falsa abóbada de berço, em estuque pintado de branco, com medalhões de rosetões, unidos por frisos retilíneos, assente em frisos e cornijas de cantaria e reforçada por tirantes metálicos; tem pavimento em soalho. As portas e janelas estão protegidas por sanefas de talha pintada de branco e dourado. Coro-alto em asa de cesto, com guarda plena revestida a pastilha e encimada por elementos vazados, em metal, assente em pilastras laterais, também revestidas a pastilha, com acesso por porta de verga reta, a partir da sineira. Na parede fundeira, apresenta painel de azulejos a representar a "Pesca Milagrosa". O sub-coro encontra-se forrado a madeira, com o portal axial protegido por guarda-vento de madeira pintada de castanho e com vidro martelado e colorido. O portal e portas travessas estão ladeados por pias de água benta em mármore, concheadas e embutidas no muro. No sub-coro, no lado da Epístola, o batistério, em arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas e protegido por teia metálica, contendo a pia batismal em cantaria de granito, composta por coluna galbada e taça facetada e de bordo saliente. Confrontantes, quatro capelas laterais, as do Evangelho dedicadas a Nossa Senhora de Fátima e a Nossa Senhora das Graças, sendo as do lado oposto de São José e Sagrado Coração de Jesus. No lado do Evangelho, púlpito quadrangular, com bacia em cantaria, assente em mísula e guarda plena, em talha pintada de branco e dourado, formando apainelados de acantos com cartelas, a frontal ornada pelas insígnias do orago; tem acesso por escadas de madeira no lado direito e é sobrepujado por guarda-voz em forma bolbosa com urna no vértice, ornado por lambrequins. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras toscanas, encimado por sanefão de talha pintada de branco e dourado, formando amplo friso recortado por acantos e encimado por acantos vazados, dourados. Está flanqueado por capelas retabulares colaterais dedicadas a Nossa Senhora do Rosário (Evangelho) e a Santo António (Epístola). Capela-mor com cobertura em falsa abóbada de berço pintada, assente em frisos e cornijas, rasgada lateralmente por duas alas de assistência. Sobre supedâneo, a mesa de altar, em forma de urna com cartela central e as iniciais "IHS", envolvido por gavinhas lineares e sinuosas. No lado da epístola, ambão de talha pintada de branco e dourado. Na parede testeira, o retábulo-mor, de talha pintada de branco e dourado, de corpo convexo e três eixos definidos por seis colunas coríntias, com o terço inferior marcado, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos e ornados por folhagem, as centrais encimadas por urnas. Ao centro, tribuna de volta perfeita, contendo trono expositivo, com o fundo pintado por glória de anjos. Os eixos laterais possuem mísulas com imaginária, enquadradas por painéis encimados por concheados formando falsos baldaquinos; sob estas, portas de acesso à tribuna. A estrutura remata em pilastras centrais e frontão triangular ornado por resplendor e encimado por pelicano, as pilastras ladeadas por anjos de vulto e apainelados de acantos. Altar paralelepipédico e encimado por sacrário embutido. O anexo do Evangelho é uma área de arrumos, sendo o lado oposto ocupado pela sacristia, com arcaz de madeira. |
Acessos
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| Largo Joaquim da Silva Tavares; Rua da Igreja |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, isolado, implantado em zona com declive, vencido por plataforma artificial, sustentada, a oriente, por muro em alvenaria, formando um adro fechado, com acessos frontais e laterais; num dos pilares, a data "1900". Encontra-se pavimentado a calçada à portuguesa, ornada por florões, com corredor frontal, de acesso ao portal axial, em lajeado. Abre para um amplo largo, pontuado por canteiros relvados, um chafariz do tipo centralizado e bancos de jardim. A norte, situa-se a Junta de Freguesia, surgindo a sul e a oriente, o Cemitério com acesso pelo adro do templo. No adro, implanta-se um monumento comemorativo, em homenagem ao médico Sebastião Tavares, formado por elementos em granito, contendo medalhão com o busto do homenageado, colocado em 1989. Junto á fachada principal, uma lápide tumular, formando edícula de arcos apontados com a inscrição: "AQUI JAZ / O REV(erendo) P(adr)E ANTONIO / DE SOUZA E SÁ DE BRITO / NASCEV A / 25 de Março de 1785 / Falecev / A 26 de Janeiro de 1875 / COM GRATIDÃO DE SEU SOBRINHO / ANTONIO JOAQUIM SA DE BRITO". Encontra-se envolvido por casas de habitação unifamiliar e alguns prédios de rendimento. |
Descrição Complementar
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| Nas paredes da nave, uma VIA SACRA em azulejo azul e branco, composta pelos 14 Passos, assinados nos cantos inferiores: "OUTEIRO / AGUEDA" e "FL Pereira". Na PAREDE FUNDEIRA do coro-alto, painel de azulejos a azul e branco, retilíneo e profusamente decorado por enrolamentos, concheados, acantos e rocalhas, que centram a representação da "Pesca Milagrosa", sob a qual surge a inscrição: "APASCENTA OS MEUS / CORDEIROS APASCENTA / AS MINHAS OVELHAS / JOA. XXI 15-17". Os primeiros RETÁBULOS LATERAIS são semelhantes, de talha pintada de branco e dourado, de corpo côncavo e três eixos definidos por quatro colunas com o terço inferior marcado por anel de folhagem, sobre consolas, que descarregam em plinto paralelepipédico, todos ornados por acantos. Ao centro, nicho de volta perfeita e boca decorada por acantos entrelaçados, contendo peanha com imaginária, a do lado do Evangelho em forma de árvore. Os eixos laterais possuem mísulas bolbosas rematadas por falso baldaquino em forma de concha. E estrutura remata em fragmentos arquitravados, encimados por espaldar recortado, ornado por concheados, por cornija e folhagem vazada, tido ladeado por querubins e urnas. Altar paralelepipédico, dividido em apainelados de rosetões com sebastos e sanefa marcados, encimado por predela com cartelas e afestoados. Os segundos RETÁBULOS LATERAIS são semelhantes, de talha pintada de branco e dourado, de corpo convexo e um eixo definido por quatro colunas coríntias assentes em plintos paralelepipédicos decorados por folhagem, as interiores encimadas por urnas. Ao centro, nicho de volta perfeita e moldura saliente, decorado superiormente por acantos e protegido por vidraça; está ladeado por duas mísulas com imaginária, encimado por folhas. A estrutura remata em espaldar recortado encimado por frontão triangular protegido por sanefa composta por friso e acantos vazados. Altar em forma de urna decorado pelas iniciais "AM" e acantos enrolados, encimado por sacrário embutido no lado do Evangelho e por nicho expositivo no lado oposto. Os RETÁBULOS COLATERAIS são semelhantes, de talha pintada de branco e dourado, de corpo côncavo e um eixo definido por duas colunas coríntias, com o terço inferior liso e ornado por festões, assentes em plintos paralelepipédicos decorados por folhagem. Ao centro, nicho de volta perfeita e moldura saliente, protegido por vidraça; está ladeado por duas mísulas com imaginária, encimado por folhas de acantos, formando falso baldaquino. A estrutura remata em espaldar recortado, ornado por festões e encimado por cornija interrompida por alto espaldar vazado preenchido por folhagem. Altar em forma de urna decorado por cartela e motivos vegetalistas, encimado por sacrário embutido no lado do Evangelho e por nicho de volta perfeita no lado oposto, com o primitivo orago. A COBERTURA DA CAPELA-MOR apresenta pintura mural, com o centro formado por glória de anjos, cada um deles segurando uma filactera com o nome dos Apóstolos, centrando a pomba do Espírito Santo, tendo, nos eixos, um troféu de alegoria à Igreja e um "Agnus Dei". A reserva central é envolvida por festões sustentados por aves que se apoiam em painéis profusamente ornado por acantos e encanastrados que emolduram as figuras dos Evangelistas, identificados pelos seus atributos e por uma legenda na base; entre cada Evangelista, elemento vegetalista figurativo. |
Utilização Inicial
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| Religiosa: igreja paroquial |
Utilização Actual
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| Religiosa: igreja paroquial |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto) |
Afectação
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| Sem afetação |
Época Construção
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| Séc. 17 / 18 (conjetural) / 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| PINTOR DE AZULEJO: Fábrica do Outeiro (séc. 20); Francisco Luís Pereira (séc. 20). RELOJOEIRO: Serafim da Silva Jerónimo & Filhos (séc. 20). |
Cronologia
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| 1086 - doação de bens na vida de Aldriz à igreja por Sancha Bermudes; 1093 - doação do padroado da igreja ao Mosteiro de Grijó; séc. 1686 - a paróquia torna-se independente, com a construção da atual igreja e torre sineira; 1758, 27 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco João Maciel e Silva, surge referida a freguesia pertencente ao Infantado, com a igreja no interior da povoação, dedicada a São Martinho, com três altares, o mor com o Santíssimo e as imagens de São Martinho, São João Baptista, São Sebastião e Santo António e o menino Jesus; tem a irmandade da Senhora das Horas e dois altares colaterais, o do Evangelho com as imagens da Senhora da Hora, Senhora do Rosário, Santa Apolónia e Santa Teresa; no lado oposto, a do Santo Cristo e de Santa Ana; o pároco é cura, apresentado pelo prior do Mosteiro de Grijó, tendo de côngrua 12$000 e o pé de altar; séc. 18, final - provável reconstrução da igreja e ampliação da torre sineira; execução dos retábulos colaterais e laterais; execução do retábulo-mor e do 1875 - sepultura do padre António de Sousa e Brito; 1900 - arranjo do adro; séc. 20 - feitura do relógio pela firma Serafim da Silva Jerónimo & Filhos, de Braga; 1946 - colocação do azulejo do Imaculado Coração de Maria na torre sineira; data provável do revestimento da fachada com azulejo de padrão; séc. 20, 2.º metade - construção do coro-alto; execução de dois retábulos laterais; provável pintura da Via Sacra na Fábrica do Outeiro, em Águeda, por Francisco Luís Pereira. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural de paredes portantes. |
Materiais
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| Estrutura em alvenaria, rebocada e pintada; socos, cornijas, pilastras, frisos, pináculos, modinaturas, bacia do púlpito e pia batismal em cantaria de granito; pias de água benta em mármore; portas, pavimentos, forros e mobiliário em madeira; teia do batistério em metal; revestimento e silhares da nave em azulejo industrial; painéis de azulejo tradicional; guarda-vento em madeira e vidro; retábulos e púlpito de talha pintada; coberturas em telha cerâmica. |
Bibliografia
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Documentação Gráfica
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Documentação Fotográfica
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| SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia |
Documentação Administrativa
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| DGLAB/TT: Memórias Paroquiais, vol. 4, n.º 77, fls. 479-484 |
Intervenção Realizada
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| PROPRIETÁRIO: séc. 20 - aplicação de silhares de azulejo interiores; revisão de pavimentos; séc. 21 - revisão de coberturas exteriores; tratamento de rebocos e pinturas. |
Observações
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Autor e Data
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| Paula Figueiredo 2016 (no âmbito da parceria DGPC / Diocese do Porto) |
Actualização
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