Termas de São João do Deserto / Minas de São João do Deserto

IPA.00025012
Portugal, Beja, Aljustrel, União das freguesias de Aljustrel e Rio de Moinhos
 
Termas construídas no séc. 20, de pequena dimensão, implantado em contexto rural.
Número IPA Antigo: PT040201010023
 
Registo visualizado 219 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Saúde  Termas    

Descrição

Acessos

Estrada de ligação Aljustrel - Monte do Vale Leitão - Rio de Moinhos (a NO. da sede do concelho).

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Saúde: termas

Utilização Actual

Residencial: casa

Propriedade

Pública

Afectação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1927 - "Além das minas, dão valor histórico a Aljustrel as suas águas medicinais, conhecidas pela designação de Águas de S. João do Deserto. Nada de positivo se sabe sobre se o uso das águas seria anterior à exploração das minas, sendo, porém, fora de dúvida que elas foram conhecidas e usadas desde tempos imemoriais. Sempre foram reconhecidas de grande poder curativo nas doenças de pele, e têm fama de ser as mais ricas em arsénico, na Europa. Ainda hoje estas águas são empregadas com óptimos resultados no tratamento de dermatoses rebeldes ao tratamento médico por drogas de botica. Nos chamados eczemas húmidos a sua eficácia é rápida e segura. Actualmente a igreja e o estabelecimento balnear ficam na margem direita do Barranco de S. João, para N. da Mina, a pouco mais de 1 km. da vila. A empresa mineira fornece a água e a junta de freguesia explora o estabelecimento de banhos, de que tira, por agora, minguada receita. Utilizadas pelos Romanos e pelos Árabes, utilizadas pelos Portugueses desde 1234, época em que Aljustrel foi tomada aos mouros, as águas de S. João do Deserto deviam ter merecido, no decorrer dos tempos, mais atenção e cuidados, em termos de ser hoje aquela vila uma estação hidrológica das mais apreciadas e frequentadas da Europa. Por mera curiosidade (...) diremos que em Aljustrel (...), ao tempo em que vigorava a "tabula", os mestres de escola não pagavam impostos, o que representava um excepcional favor à instrução, pois que o rendeiro dos impostos, naquela circuscrição metalífera, a ninguém perdoava. Também é curioso notar, hoje que os banhos se encontram em lamentável abandono, a disposição da tábula, por virtude da qual o rendeiro era obrigado a ter o banho preparado, todos os dias, a horas determinadas, banho quente para homens e mulheres, e isto durante o ano, sendo dispensados de pagamento os servos, os empregados em serviço público, os menores e os soldados." ([PROENÇA], 1927); 1947 - "(...) existe ali hoje um estabelecimento balnear mandado construir pela Junta de Freguesia, que embora modesto, oferece boas condições para o tratamento dos doentes que dele necessitem. Compõe-se de oito tanques, oito casas para banhistas que necessitem ali estacionar algum tempo, uma casa de habitação para o empregado que trata da conservação do balneário e da ermida que fica ao lado. Cobra a Junta de Freguesia uma importância quase insignificante proporcionando assim a todos, por mais pobres que sejam, a utilização das águas. (...) Todos os anos, nas noites de 28 e 29 de Agosto o povo ali vai em romaria. Realizam-se bailes ao ar livre ao som das típicas harmónicas ou por vezes abrilhantados por grupos de jazz; é um verdadeiro arraial onde não faltam a alegria popular, as barracas de comes e bebes e muita fruta da época. É de aconselhar ainda aos apreciadores dos cantos populares do Baixo Alentejo, uma visita a esta romaria, onde terão oportunidade de os ouvir em toda a sua expontaneidade." (RASQUILHO JR., 1947, in "Alentejo Histórico, Artístico e Monumental", 1958); 1954 - "Entre o povo de Aljustrel existia a tradição de que havia sido encontrada, em épocas muito remotas, uma imagem de São João, junto da fonte de água mineral que, naquele deserto, corria ignorada, sendo este facto a origem do nome da ermida, depois construída sobre as ruínas do castelo [de Aljustrel]. Presume-se que os pastores iam ali lavar o gado, para o defender da sarna e da gafeira, e, como se tornassem notáveis essas curas, começaram a acorrer ali pessoas atacadas de lepra e úlceras, obtendo os melhores resultados, o que fez atribuir às águas fama de milagrosas. Em 1840, construíram-se alguns tanques para banhos na casa contígua à ermida, por subscrição e iniciativa do prior. Depois, edificaram-se dois novos banhos; mas tarde, outros dois, passando a água sucessivamente de uns para outors. Em 1868, fizeram-se grandes trabalhos na mina e as águas que, até àquela época, brotavam de duas fontes, uma exterior, outra interior, a primeira mais forte que a segunda, foram desviadas. Hoje, as águas são para as doenças da pele, existindo um balneário em São João do Deserto. Todos os anos, durante a estação calmosa, acorrem a Aljustrel centenas de pessoas de vários pontos do País que ali vão encontrar alívio para os seus males." ("Os Grandes Melhoramentos Realizados pela Câmara Municipal de Aljustrel" in Boletim da Casa do Alentejo, Junho 1954); 1957, Julho - decorre o processo de apreciação, pela Direcção de Urbanização de Beja (Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização), do pedido de comparticipação do Estado (pelo Fundo de Desemprego) na obra "Nova Instalação dos Balneários de São João do Deserto, em Aljustrel", apresentado pela junta de freguesia, promotora da obra. Nesta ocasião, a Câmara Municipal de Aljustrel é chamada a informar sobre se reconhece a utilidade pública da obra e a capacidade financeira da junta para a execução do empreendimento (Livro de Actas da Câmara Municipal de Aljustrel, reunião de 24 Julho 1957); 1960, atr. - terão sido iniciadas as obras de contrução de um novo conjunto de edifícios compreendendo um balneário, um consultório médico e um bloco de casas para doentes, que decorreram até 1962. São então edificadas 6 habitações justapostas para alojamento dos banhistas, a S. da antiga casa do ermitão, e um imóvel bipartido, a NE. da mesma casa, contendo uma recepção com consultório e o novo balneário, com 8 casas de banhos e servido por nova conduta de águas termais. Entre a recepção e o balneário, a cobertura do edifício protege o acesso principal ao conjunto. As novas construções são acompanhadas de obras de reparação nos edifícios mais antigos, incluindo a ermida. O funcionamento do complexo cessa em 1967, e a partir desta data o edificado entra num processo de degradação progressiva (PITA e DIAS, 1997). Em data desconhecida mas presumivelmente entre 1962 e 1967, o arquitecto Manuel Laginha, porventura na qualidade de funcionário da Direcção-Geral dos Serviços de Urbanização (entidade com responsabilidades na apreciação e financiamento da nova construção), visita a obra e regista-a fotograficamente (ML NP975.DGEMN); 2007 - o conjunto, ocupado informalmente por famílias de etnia cigana desde data indeterminada, encontra-se praticamente irreconhecível e em avançado grau de degradação construtiva. O acesso é muito difícil por automóvel de tracção normal, uma vez que é feito por caminho rural em mau estado de conservação (indicação "Quinta da Vinha"). Em panorâmica tomada a partir de elevação existente a SO., são reconhecíveis com esforço as seis habitações concebidas para alojamento dos banhistas, imersas em aglomerado de construções improvisadas, bem como as ruínas da ermida primitiva.

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

Alentejo Histórico, Artístico e Monumental, Baixo Alentejo, Tomo n.º 2, Beja, Edições Alentejo, 1958; Boletim da Casa do Alentejo, Junho de 1954;DIONÍSIO, Santana, Guia de Portugal. Estremadura, Alentejo, Algarve, Lisboa, F.C.G., s.d.; Jornal O Campo de Ourique, 7 de Setembro e 12 de Outubro de 1899; PIMENTEL, Júlio Máximo de Oliveira, Memória e Estudo Químico da Água Mineral de São João do Deserto, em Aljustrel, Lisboa, Imprensa Silviana, 1852; PITA, Luís, e DIAS, Maria da Graça, "Ermida e Termas de São João do Deserto (Aljustrel)", Vipasca - Arqueologia e História, Aljustrel, CMA,1997; Portaria do Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria de 6 de Agosto de 1855, Diário do Governo n.º 187, de 10 de Agosto de 1855.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID; Arquivo Pessoal Manuel Laginha ML NP 975

Documentação Administrativa

CMA: Livro de Actas da Câmara Municipal de Aljustrel do ano de 1957

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO

Autor e Data

Ricardo Agarez 2006

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login