Paço Episcopal de Leiria / Comando da Polícia de Segurança Pública, PSP, de Leiria

IPA.00010995
Portugal, Leiria, Leiria, União das freguesias de Leiria, Pousos, Barreira e Cortes
 
Arquitectura residencial e maneirista, barroca. Paço episcopal.
Número IPA Antigo: PT021009120081
 
Registo visualizado 1562 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Paço eclesiástico  Paço episcopal  

Descrição

Planta longitudinal, composta, desenvolvida à volta de dois pátios correspondendo a área nobre e zonas de serviço, formada por justaposição de vários corpos; 2 pisos definidos por cornija simples corrida com cobertura diferenciada em telhados de 2 e 4 águas. Fachada principal voltada a O., rasgada por portal setecentista encimado por um janelão brasonado. No 1º piso abrem-se 8 janelas de avental, 4 de cada lado do portal, com gradeamento de ferro forjado; por debaixo destas existem janelos de secção rectangular com molduras de cantaria simples e gradeamento de ferro forjado; os do lado esquerdo são maiores, sendo que sob a última janela de avental existe uma porta e ao lado desta um pequeno óculo. No 2º piso 8 janelas de sacada com bandeira, 4 de cada lado ladeando o janelão central, com vãos rectangulares de cantaria encimados por cornija saliente e varandim de ferro forjado. Cunhais em pedra e remate em empena recta, com cornija e beiral. Fachada lateral direita voltada a S. semelhante à fachada principal, mas com ausência de portal e com uma sucessão de 6 aberturas nos dois pisos. Fachada lateral esquerda voltada a N., à qual se acede passando um portal para entrada de viaturas caracterizado por duas colunas adossadas às paredes laterais sobre as quais existem pilastras cujo entablamento, ao nível da cornija, suporta um frontão segmentar e um pináculo em cada extremidade. O frontão é interrompido e nele figura o brasão de armas da PSP. O 2º piso desta fachada apresenta características idênticas à fachada principal, não existindo, contudo, varandins excepto na última janela de sacada do lado esquerdo; no 1º piso existem igualmente 8 aberturas, sendo duas em arco alteado e as restantes com molduras em cantarias lisas. Fachada posterior voltada a E., com 2º piso ostentando 9 aberturas, e 1º piso com diferentes aberturas, igualmente semelhante às das restantes fachadas. INTERIOR: O átrio da entrada principal tem pavimento em calçada portuguesa, paredes e tecto de estuque pintado a branco e com silhares de azulejo de fundo branco e decorado a azul; no lado esquerdo, aplicada à parede uma escultura representando S. Miguel Arcanjo, patrono da PSP; 1 lance de 4 degraus dá acesso a compartimentos da Secção Esquadra; no lado direito, painel de azulejo representando as unidades da PSP no distrito de Leiria e 1 lance de 4 degraus dá acesso a compartimentos de outra Secção da Esquadra. Arco de asa de cesto fechado com vidro mas com abertura de 2 portas dá acesso ao claustro com arcaria em forma de asa de cesto, silhares de azulejo, pavimento em calçada portuguesa e pequeno espaço central ajardinado. O último arco do lado direito do claustro dá acesso, por um corredor com silhares de azulejo, a uma ala onde se situa o refeitório com uma arcaria composta por cinco arcos em forma de asa de cesto. Do lado oposto da entrada principal para o claustro, em frente, um arco dá acesso a um corredor que segue para S., a meio do qual outro arco, à direita, permite aceder ao 2º piso através de uma escadaria de pedra, ladeada por corrimão de madeira que assenta em silhares de azulejos. No topo da escada, do lado esquerdo, uma porta dupla de madeira com vãos em cantaria lisa e encimada por verga saliente, abre para a ala a O. com correspondência para a ala S., onde se situam gabinetes de diversos serviços; no topo da escada, do lado direito, uma porta semelhante abre para a ala N. onde se situa a Secção de Investigação, Sala de Transmissões, Sala dos Mapas, entre as quais existe um compartimento de arrumos que, ao contrário dos restantes que têm tectos falsos, conserva os tectos originais, altos e em estuque. A partir da Sala de Mapas, uma porta dá passagem para uma ala a S. de um pátio interior sito a S. do claustro e forma um segundo quadrilátero. Esta ala de E. para O. percorre-se por um extenso corredor com paredes de estuque e silhares de azulejo, ladeado por gabinetes. Na extremidade SO. desta ala entra-se por um arco pleno para um espaço reservado ao Comando, constituído por uma ante-sala com soalho de tacos de madeira envernizados um tecto de estuque com friso e decorado com um florão donde pende um lustre, seguido-se duas salas, a do lado esquerdo, pertencente ao Comandante Geral. Saindo da área do Comando, segue-se por um corredor, já na ala O. correspondente à fachada principal. Do lado esquerdo, uma porta de madeira dá acesso à sala da Biblioteca, com tecto de madeira a meia altura, pavimento de madeira e parede revestida a 1/3 com painéis de madeira, partindo do pavimento. Sai-se desta ala por uma porta dupla de madeira com molduras em cantaria trabalhada; em frente uma escadaria com corrimão de madeira e ferro forjado, ladeada por silhares de azulejo, permite descer ao 1º piso e sair pelo arco do claustro junto á entrada principal.

Acessos

Largo Artilharia Quatro; Largo Dr. Manuel de Arriaga. WGS84 (graus decimais) lat.: 39.746854; long.: -8.807296

Protecção

Incluído na Zona Especial de Proteção do Castelo de Leiria (v. PT021009120002) / Igreja de São Pedro (v. PT021009120001)

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado, implantado dentro da cerca da antiga vila, sobranceiro à cidade. Partindo do Lg. Dr. Manuel de Arriaga, onde se situa o edifício do Governo Civil de Leiria (v. PT021009120084), entrando pelo arco da Torre Sineira da Sé (v. PT021009120042), correspondente a uma das portas da muralha do castelo designada por Porta do Sol, chega-se a um largo caracterizado pela presença de um cruzeiro e pela Igreja de São Pedro, que lhe dá o nome. A S. desta estende-se o antigo paço episcopal delimitado pela antiga cerca, adossada à qual existe um muro que auxilia ao suporte das terras do morro. São visíveis ainda algumas torres da antiga muralha. Uma escadaria do lado da porta da muralha dá acesso à fachada principal. Na área posterior do edifício estende-se um pátio de grandes dimensões, onde se localizam cinco construções anexas que funcionam como oficinas, garagens de viaturas e outros serviços auxiliares. A N. e paralelo à Igreja de São Pedro, erguem-se os Antigos Celeiros da Mitra (v. PT021009120153). Existe ainda um campo de jogos, pequenas áreas verdes e um parque de estacionamento.

Descrição Complementar

AZULEJO: (átrio da entrada principal) silhares de azulejo industrial, pintados a azul sobre fundo branco, composição de motivos vegetalistas e geométricos; painel de azulejo industrial, pintado a azul sobre fundo beije; (claustro) silhares de azulejo tradicional e industrial (substituindo os anteriores em zonas restauradas), pintado a azul e amarelo sobre fundo branco, composição de motivos vegetalistas e geométricos; BRASÃO: "Composição de heráldica eclesiástica que se encontra no frontão da porta principal (...). No fecho do frontão, um "escudo" recortado contendo uma cruz singela. Por sobre o escudo, a mitra, à direita da qual está o báculo e à esquerda o chapéu eclesiástico, donde pendem os cordões com as borlas (1, 2, e 3). É uma peça curiosa pelos erros da sua feitura, pois não é correcto usar o báculo e a mitra juntamente com a cruz, nem chapéu juntamente com a mitra (...)[GONÇALVES, 1992: 125]; ESCULTURA: (átrio entrada principal) escultura de S. Miguel Arcanjo, em bronze, da autoria de Fernando Marques.

Utilização Inicial

Residencial: paço eclesiástico

Utilização Actual

Segurança: quartel da Polícia de Segurança Pública (PSP)

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Ministério da Administração Interna

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Ernesto Korrodi (1914).

Cronologia

1640 - início da construção dos Paços episcopais durante o bispado de D. Diogo de Sousa; 1807 - por ocasião das invasões francesas, instala-se aí o Corpo Militar Académico que libertaria a cidade das tropas comandadas por Junot, as quais haviam saqueado os Paços episcopais; 1810 - durante a terceira invasão francesa, as tropas comandadas pelo General Drouet voltaram a saquear e incendiar os Paços episcopais; 1811 (?) - obras de restauro incentivadas pelo bispo D. Manuel de Aguiar e em 1818 por D. João Inácio da Fonseca Manso; 1875 - data da cópia do inventário dos Bens de Raíz na posse e Administração da Mitra, contendo uma pequena descrição e confrontações (*1); 1895 - relatório dando-nos conhecimento do estado de conservação do edifício, sua ocupação, áreas e áreas limítrofes; 1896, março - pedido de autorização para alojamento de uma coluna volante de cavalaria pertencente à Cavalaria da Guarda Fiscal - para fiscalização do imposto real de água, nos concelhos de Leiria, Pombal, Ansião e Figueiró; 1911 - com a implantação da República, o Estado cede os Paços episcopais, a cerca e as casernas anexas à Câmara Municipal, para neles estabelecer o Grupo de Metralhadoras, o Regimento de Infantaria de reserva n.º 7 e o quartel da GNR; 1912 - instalação na parte destinada a quartéis militares do Regimento de Infantaria de Reserva n.º 7; 1913 - o edifício é novamente entregue à Câmara Municipal que aprova a instalação das Escolas Centrais em algumas salas e parte da cerca anexa para o recreio, bem como a cedência de outras dependências para a Repartição Agronómica; 1914 - a Comissão de Melhoramentos de Leiria que anos antes havia pedido algumas salas dos Paços para a guarda de espólio e para a instalação de um Museu Distrital, apresentou proposta para arrendar os Paços, a qual foi aceite; 8 outubro - funcionava nos Paços, o Distrito de Recrutamento e Reserva, cujos serviços seriam depois transferidos, passando a funcionar aí a Escola Normal, com projecto de adaptação de parte do andar nobre assinado pelo arquitecto Ernesto Korrodi; 1915 - alguns compartimentos foram cedidos à Delegação Agrícola para exposição permanente de materiais e produtos agrícolas; 1919 - Câmara Municipal cede à GNR dependências para quartel da 2.ª Companhia do Batalhão n.º 9; 1920 - reunião dos representantes dos Ministério do Interior, da Guerra e da Instrução, para distribuição dos alojamentos ao 2.º Grupo de Artilharia n.º 2, Museu, Biblioteca e Arquivo Distrital; 1921 - o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 4 (RAL 4) instala-se no edifício e áreas anexas; 1922 - saída do edifício das instalações da biblioteca e arquivo; 1927 - a Câmara Municipal deu novas instalações à GNR e o edifício ficou a ser exclusivamente ocupado pelo RAL 4; a Inspecção Geral das Fortificações e Obras Militares faz avaliação do imóvel: "Leiria, Nª. Srª. da Assunção - prédio urbano situado no monte do Castelo e a nascente deste. Confronta a N. com terreno do MG, antiga igreja e largo de S. Pedro e com prédios de vários particulares; S. e E. com a avenida do Castelo e "Quarteis do Castelo", pertencentes ao MG; O. com terrenos e "Quarteis do Castelo" do MG e com a antiga igreja no largo de S. Pedro. É ocupado pelo RAL.4 uma área: com edificação de 2 pavimentos - 2923 m2, de terreno - 2630 m2 e envolvente 12 764 m2; 1952, 22 novembro - por decisão ministerial foi feito um auto de cessão a titulo precário a gratuíto ao Ministério do Exército do antigo Paço Episcopal, cercas e casernas anexas e casa junto à torre sineira; 1954, 15 fevereiro - Auto de devolução da casa junto à torre da igreja ao Ministério das Finanças; 1960 - encontravam-se embargadas as obras existentes no lado N.; início dos contactos do Ministério do Interior com o Ministério do Exército para ocupação das instalações do RAL 4 pela PSP; 1975 - com a saída dos militares do RAL 4, o edifício foi devolvido à CML e utilizado provisoriamente para alojar retornados das ex-colónias; 1981 - o CD/PSP (Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública de leiria vinha tomando conta das dependências que iam ficando devolutas dos antigos Paços (designado por PM6/Leiria), à medida que as famílias dos retornados iam sendo realojadas noutros locais; 1982 - devolução do edifício do Antigo Paço Episcopal ao Ministério das Finanças; 1985 - iniciou-se o processo de obras efectuadas pela DGEMN / DREMC (DGEMN:DSARH-010/124-0071); o edifício passou a assumir a função de Comando Distrital da Polícia de Segurança Pública até aos nossos dias; 1995, 04 setembro - o edifício surge proposto como Monumento Nacional pelo PDM de Leiria, DR n.º 204.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Pedra: calcário; alvenaria de pedra; reboco pintado; Cerâmica: telha de canudo; azulejo tradicional e industrial; Madeira: madeira pintada; Vidro: simples; Metal: ferro forjado; bronze; Estuque: estuque pintado.

Bibliografia

AAVV (Coord. Prof. Arq.º Manuel Cabral TELES), Plano de Pormenor, Salvaguarda e Reabilitação do Centro Histórico da Cidade de Leiria. Fichas de Caracterização dos Lotes, conjunto 9, quarteirão 78, lote 8, (policopiado), Porto, Julho 2001; CABRAL, João, Anais do Município de Leiria, vol. III, Leiria, 2ª ed., Leiria, Câmara Municipal de Leiria, 1993 p.18-19; COSTA, Américo, Diccionario Chorographico de Portugal Continental e Insular, vol. VII, ed, autor, 1940, p. 423-424 e 432; COSTA, Lucília Verdelho da, Leiria, Col. "Cidades e Vilas de Portugal", n.º 4, Lisboa, Editorial Presença, 1989, p. 15, 20; GOMES, Saul António (textos) et alli, Castelo de Leiria. Roteiro, Leiria, Pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Leiria, 1997; GONÇALVES, Alda Sales Machado, Heráldica Leiriense, Leiria, Câmara Municipal de Leiria, 1992; Leiria in "Grande Enciclopédia Portuguesa e Brasileira", vol. XIV, Lisboa-Rio de Janeiro, ed. Enciclopédia Limitada, s/d, p. 837 e 841-842; MARGARIDO, Ana Paula, Leiria. História e morfologia urbana, Leiria, Câmara Municipal de Leiria, 1988, p.53-54 e 71; O Couseiro ou Memórias do Bispado de Leiria, Braga, Typographia Lusitana, 1868 (Leiria, reimpressão de "O Mensageiro", 1980), p. 191; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Leiria, vol. V, Lisboa, Academia Nacional de Belas Artes, 1955, p. 66; SOUSA, Acácio; SOUSA, Gentil Ferreira e CARDOSO, Orlando, Levantamento do Património Edificado (policopiado), Leiria, 1990, p. 47; Alerta Leiria, Leiria, Agrupamento n.º 127 do Corpo Nacional de Escutas, s/d, p. 99; ZÚQUETE, Afonso, Leiria. Subsídios para a história da sua diocese. Leiria, Gráfica, 1943, p. 131 e 194.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DREMC-DE; DSE: Rep. Património; Gabinete de Estudos Arqueológicos de Engª. Militar; PT- ADLRA-EKO / 2/6//26/2/1, cota: piso-1 IV 4-A-4

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMC-DE, DM, DGEMN/DSEP

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DREMC-DE, DGEMN/DSARH (DGEMN:DSARH-010/124-0071); DSE: Rep. Património; CMLeiria: Arquivo Histórico, Mitra da Diocese de Leiria

Intervenção Realizada

DAE: Séc. 20 (início) - Obras de adaptação aos diferentes usos desde a ocupação do RAL 4; 1920 - obras de um parque para conservação e segurança do material de artilharia; obras de adaptação para alojamento dos oficiais, OBRAS DE INFRAESTRUTURAS: CANALIZAÇÕES; 1938 - obras de consolidação de um troço da muralha S.; 1950 - reparação das coberturas; 1955 - obras de impermeabilização de três casernas no edifício do Paço do Bispo; adaptação do picadeiro descoberto a parque de viaturas do aquartelamento do RAL4; DREMC:1984 / 1986 - obras de adaptação ao Comando da PSP de Leiria.

Observações

*1 - Mitra da Diocese de Leiria - Freguesia da Sé - Bens Livres / Nº 15: "O Paço Episcopal, uma casa nobre, sita no monte do Castelo de Leiria quase quadrada com dois pátios ou claustros internos para o lado sul, uma varanda descoberta e uma capela com a sua sacristia, que parte do nascente, poente e norte com a cerca anexa ao mesmo paço e do sul com o largo da Torre da Sé Catedral de Leiria e rua pública - Foi este prédio visto e examinado pelos competentes louvados e disseram que atendendo à sua natureza não lhe podiam fixar rendimento anual e por isso só a avaliavam por estimação na quantia de 35 centos e 500 mil reis."

Autor e Data

Cecília Matias, Isabel Brás e Jaqueline Pereira 2002

Actualização

 
 
 
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