Convento e Igreja de São Paulo / Mosteiro de Nossa Senhora da Consolação / Hospital de São Paulo

IPA.00014462
Portugal, Beja, Serpa, União das freguesias de Serpa (Salvador e Santa Maria)
 
Arquitectura religiosa, chã, barroca, rococó. Igreja e convento de frades paulistas, da Serra de Ossa, onde o espaço conventual apresenta grande austeridade arquitectónica e a concepção geral da igreja de planta longitudinal, onde no exterior apenas se destaca o portal nas paredes caiadas e o interior segue um esquema organizativo de grane rigidez, reflectem o ambiente do designado estilo chão, destacando-se as intervenções barrocas que recorrendo ao uso abundante da telha dourada e policromada e dos azulejos subverteram a austeridade do espaço arquitectónica, com soluções variada, onde pontuam as colunas salomónicas, os anjos esvoaçastes, as sanefas e cortinas, etc. em intervenções sucessivas que ao longo do séc. 17 e 18 vão acompanhando a evolução do gosto, do barroco até às composições mais delicadas do rococó, onde as molduras dos painéis de azulejo ganham cor e os elementos vegetalistas se tornam mais leves, apresentando mesmo alguns dos retábulos colunas rectas que denotam a aproximação do neoclassicismo. Trata-se de uma das mais sumptuosas igrejas do Alentejo, com grande variedade e riqueza de talha e azulejaria, onde se destacam os monumentais retábulos da capela-mor e do cruzeiro. A belíssima azulejaria apresenta uma das campanhas datada e assinada no arco triunfal. O conjunto apresenta pouquíssimas adulterações em virtude de ter sofrido poucas intervenções, o que o torna igualmente notável.
Número IPA Antigo: PT040213040010
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro masculino  Ordem dos Eremitas de São Paulo - Paulistas

Descrição

Planta em " F ", irregular; volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhado de duas águas na nave e cruzeiro e quatro águas na capela-mor, torre sineira com coruchéu octogonal. Fachada Principal virada a S. com Igreja de um só pano definido por cunhais de cantaria interrompidos por moldura e coroados por pináculos piramidais, remate em empena acompanhada por cornija e sobrepujada por cruz latina de ferro forjado assente em plinto de cantaria, portal de verga recta com moldura de cantaria arquitravada encimada por nicho em arco de volta perfeita de planta semicircular com moldura de cantaria assente em pilastras e remate interior em forma de concha, encimado por pedra de armas coroada, enquadrada por cartela de volutas, ladeado por duas urnas de cada lado, parcialmente sobrepostas, em cantaria, articuladas com o nicho por meio de enrolamentos de folhas de acanto que se prolongam em volutas, que enquadram o nicho até à pedra de armas, janelão de verga recta com moldura de cantaria encimada por frontão interrompido de onde se eleva um pináculo piramidal assente em mísula, varanda de ferro forjado assente em mísula de cantaria, ladeado superiormente por janelas de verga inclinada, acompanhando a empena, com molduras de cantaria; à direita desenvolve-se a fachada do convento de um só pano rematado superiormente por platibanda assente em cornija, dividida em sete panos por plintos encimados por urnas de argamassa, no piso térreo abre-se à esquerda o portal de acesso à antiga portaria, de verga recta com moldura de cantaria encimada por uma fresta horizontal engradada, com moldura em continuação da do portal, e rematada superiormente por frontão curvo interrompido onde se destaca uma árvore ladeada por leões, sobrepujado por painel de azulejos polícromos de 6 x 6 com moldura de argamassa, representando as armas da santa casa da misericórdia inseridas inseridas em cartela de concheados e asas de morcego e folhagens, com moldura exterior de decoração idêntica, seguem-se oito janelas com moldura de cantaria, duas portas e duas janelas; ao nível do primeiro andar abre-se, à esquerda uma janela de sacada com moldura de cantaria de verga recta arquitravada e varanda de ferro forjado assente em mísula de cantaria, alinhada com o portal de poso térreo, seguida de treze janelas com moldura de cantaria. Fachada O. com a nave de um só pano com cunhal de cantaria no ângulo SO. encimado por pináculo piramidal, remate superior em cornija e beirado e duas janelas com moldura de cantaria, cruzeiro saliente de um pano, definido por cunhais encimados por pináculos piramidais assentes em plintos e remate superior em cornija e beirado, rasgado por janela engradada com moldura de cantaria, dependência rematada por meia empena e rasgada por janela engradada com moldura de cantaria, elevando-se num plano recuado a capela-mor de um só pano definido por cunhais encimados por pináculos piramidais assentes em plintos e rematado por cornija e beirado, com telhado de quatro águas coroado por pináculo piramidal assente em plinto, janela engradada com moldura de cantaria. INTERIOR: igreja de uma só nave coberta por abóbada de berço; guarda vento de madeira almofadada, encimado por cartela oval enquadrada por teoria de volutas encimada por cruz latina, tendo de cada lado uma pia de água benta de cantaria; coro-alto alto assente em abóbada de berço abatida, dividida em três tramos por arcos diafragma apoiados em mísulas, resguardado por balaustrada de madeira apoiada em três pilaretes de cantaria; na parede do lado da Epístola rasga-se, sob o coro-alto alto, uma porta com moldura de cantaria que dá acesso à portaria, a parede da nave é dividida em dois registos por cornija marmoreada, no registo inferior rasgam-se dois arcos de volta perfeita com molduras assentes em pilastras de cantaria pintadas com marmoreados e decoradas com medalhões de talha dourada; no primeiro arco insere-se capela lateral facial com supedâneo de alvenaria, mesa de altar em forma de urna de alvenaria marmoreada e retábulo de talha dourada e marmoreada com três panos separados por colunas coríntias, nicho central em arco de volta perfeita adornado com rendas e mísulas nos panos laterais, remate em frontão polilobado com querubim ao centro, enquadrado por composição de volutas e ramagens; a segunda capela lateral apresenta retábulo de talha dourada com sacrário central embutido na banqueta e encimado por pedestal com a imagem de N. Sr.ª da Assunção, tendo por fundo pintura a óleo sobre tela, de grandes dimensões, representando a assunção de Nossa Senhora, com moldura de talha dourada decorada com enrolamentos de folhas de acanto; o espaço de parede e abóbada entre o retábulo e o arco são pintados com brutescos polícromos, tendo do lado direito uma cartela com a inscrição " ANNO / DOMINI / 1702 "; segue-se púlpito com gradeamento de ferro forjado assente em bacia de cantaria marmoreada, e porta de acesso com moldura de cantaria; os panos de parede em reserva entre os arcos, púlpito e cornija, são integralmente preenchidos por composições azulejares, que nas áreas que enquadram a primeira capela se dividem em dois registos por cornija pintada que prolonga os capitéis das pilastras, tendo o registo inferior uma cartela central, polilobada, sustida inferiormente por dois anjos meninos e grinalda, e superiormente por uma fita que sai de girassol da base de uma máscara, no registo superior destaca-se, à esquerda, um Doutor da Igreja enquadrado por moldura de concheados, asas de morcego e ramagens, e à direita S. Marcos com moldura de esquema idêntico, sob o púlpito destaca-se uma grande cartela polilobada com o sol, enquadrada por rica composição de volutas, concheados e ramagens, rematada por jarrão florido e acima da porta uma painel representando o Evangelista S. Mateus com moldura semelhante às descritas; o pano de parede acima das capelas é rasgado ao centro por uma tribuna, coincidente com janela, com moldura e balaustrada de cantaria, ladeada por pinturas murais representando uma barra de fitas entrelaçadas, encimada por duas molduras de centro marmoreada a azul, à direita e três à esquerda; transepto inserido em arco de volta perfeita com moldura de cantaria assente em pilastras, onde se insere capela lateral com retábulo de talha dourada e policromada com mesa de altar em forma de urna com cartela central onde se destaca a inscrição " IHS ", banqueta e sacrário rematado por meia cúpula bolbosa com porta onde se destaca uma custódia em baixo relevo, camarim central em arco d volta perfeita encimado por dossel, onde se conserva a imagem de N. Sr.ª das Dores sobre trono de dois registos, lateralmente situam-se dois panos, definidos por colunas coríntias, colocados de escorço, com mísulas, remate superior em frontão polilobado coroado por composição vegetalista, tendo por centro um coração trespassado por uma espada, enquadrado por resplendor ladeado por duas cartelas com símbolos da Paixão de Cristo. Do lado do Evangelho a composição geral segue esquema idêntico, sendo a primeira capela lateral dedicada à Sagrada Família, com banqueta e retábulo de talha dourada e policromada, com sacrário encimado por nicho com trono para a imagem do Menino e mísulas laterais encimadas por sanefas e ladeadas por pilastras; a segunda capela apresenta retábulo de talha dourada com crucifixo central sobre fundo apainelado, ladeado por pilastras, seguidas de mísulas com imagens e colunas salomónicas, que suportam coroamento de composição concêntrica; a capela do cruzeiro apresenta retábulo de talha dourada e policromada, com mesa de altar com túmulo do Senhor Morto e sacrário encimado por amplo camarim com trono de três degraus onde está colocada a imagem de Nossa Senhora do Carmo, enquadrada por resplendor, ladeado por dois panos, onde se destacam mísulas encimadas por sanefas, definidos por colunas salomónicas que suportam entablamento que suporta o coroamento dividido em três panos por pilastras com atlantes encimadas por volutas, com grande sanefa no pano central rematada por composição de volutas e ramagens, de onde se suspendem cortinas afastadas, deixando ver as armas do carmelitas, coroadas e ladeadas por anjos; os panos laterais apresentam anjos assentes em volutas. Acesso à capela-mor por arco triunfal de volta perfeita, com moldura de cantaria assente em pilastras, encimado pelas armas reais em talha e ladeado por composições azulejares, a azul e branco, representando medalhões com santos, enquadrados por molduras de concheados, costelas e enrolamentos vegetalistas intercalados com as armas dos Paulistas e pares de anjos, nas bases de composição arquitectónica insere-se a inscrição " ANNO / 1750 ", na da esquerda e na da direita " F. da Cnc, am ". Capela-mor coberta por abóbada de aresta com altar precedido por cinco degraus de cantaria, mesa de altar em forma de urna em talha dourada e policromada, assim como o retábulo com maquineta envidraçada onde se guarda a imagem de roca de Nossa Senhora da Consolação ladeada por mísulas com imagens, encimadas por dosséis, acima dos quais se abre um amplo camarim em arco de volta perfeita com trono de cinco degraus encimado por baldaquino, ladeado por dois panos onde se destacam mísulas, enquadrados por colunas coríntias, que suportam entablamento e coroamento de composição concêntrica, acompanhando o arco do camarim, rematada por cartela ladeada por elementos vegetalistas; nas paredes laterais abre-se de cada lado uma porta, enquadrado por composição azulejar com molduras polícromas que enquadram um painel figurativo, junto do altar, representando do lado do Evangelho Nossa Senhora da Misericórdia e do Lado da Epístola São Paulo acolhendo os frades paulistas sob a sua capa; a um nível superior rasga-se uma janela ladeada por pinturas sobre tela representando doutores da Igreja. À esquerda situa-se uma arrecadação e à direita a sacristia , coberta por abóbada com penetrações e medalhão central de argamassa relevada com as armas dos paulistas; lavabo de cantaria ladeado por duas janelas e arcaz de madeira encimado por maquineta de talha dourada e policromada onde se guarda crucifixo, ladeada por espelhos, de cada lado abre-se um armário embutido. O coro-alto alto a que se acede pelo primeiro andar do convento apresenta cadeiral com espaldares de talha dourada sobre fundo liso, marmoreado, enquadrando o janelão; de cada lado abre-se uma porta que dá acesso às tribunas laterais. O convento a que se acede pela porta junto da Igreja apresenta portaria coberta por abóbada de aresta, de onde parte uma escada de dois lanços, com degraus de cantaria, coberta por abóbada de berço, que conduz ao primeiro andar, e uma porta que dá acesso ao r/c; ambos os piso são estruturados por corredores transversais, o do R/C coberto por abóbadas de aresta e tendo na sua extremidade N. uma pintura a óleo sobre tela representando a Visitação; no primeiro andar o corredor liga as diversas celas que abriam para a fachada O.

Acessos

Largo de São Paulo

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção do Núcleo intramuros de Serpa (v. PT040213050023)

Enquadramento

Urbano, adossado à face interior da cerca amuralhada, tendo à esquerda uma das suas portas e na frente um largo empedrado e arborizado.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro masculino

Utilização Actual

Saúde: hospital

Propriedade

Privada: Misericórdia

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

1616 - autorização régia para a fundação do convento; 1617 - início das obras; 1702 - capela de Nossa Senhora da Assunção; 1750 - azulejos do arco triunfal; 1836 - extinção dos conventos masculinos, e expulsão dos frades; 1840, 13 de Agosto - escritura pública da troca do Hospital e Igreja da Santa Casa da Misericórdia, situada na Rua de Nossa Senhora e Rua dos Canos, pela Igreja e Convento dos Frades Paulistas; 1946, 20 Abril - publicação da Lei n.º 2011, que definiu o Plano de Construções Hospitalares; 1946, 30 Abril - por Decreto n.º 35621 é criada a Comissão de Construções Hospitalares, para execução do Plano de Construções Hospitalares; 2006, 14 setembro - Despacho de encerramento do processo de classificação pela Vice-Presidente do IPPAR.

Dados Técnicos

Estrutura mista

Materiais

Paredes de alvenaria de pedra e cal rebocadas e caiadas, telhados em telha industrial de aba e canudo, portal, cunhais e elementos secundários de cantaria, caixilharias de madeira e alumínio, portas de madeira, gradeamentos de ferro, pavimentos de soalho, tijoleira e mosaico, pinturas murais, azulejos, talha dourada e policromada, pinturas a óleo sobre tela.

Bibliografia

Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; CABRAL, João, Arquivos de Serpa, Serpa, 1971; AFFREIXO, J. M. Graça, Memória Histórico-Económica do Concelho de Serpa, Serpa, 1996.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1928, 27 Abril / 1953, 27 Abril - Obras de remodelação e ampliação, pela Comissão de Construções Hospitalares; SCMS: 1998 - substituição do soalho da nave, telhado, rebocos exteriores e caiação.

Observações

Autor e Data

Ricardo Pereira 2000

Actualização

 
 
 
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