Ateneu Comercial do Funchal

IPA.00009744
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Casa abastada construída na 1.ª metade do séc. 19 e adaptada nos meados do séc. 20 a Ateneu Comercial do Funchal, onde decorreu a vida dessa associação, ligada a importantes manifestações de cariz desportivo e cultural, uma das quais, a "Festa da Flor", que ainda se mantém. Apesar da época tardia, foi construído segundo a vertente tradicionalista da arquitetura civil madeirense, com planta quadrangular, integrando torre central retangular bastante alta, com duas fachadas viradas à rua, mas apenas com dois pisos, de certo equilíbrio e regularidade de fenestração. A fachada principal é muito mais simples do que a lateral, o que poderá indiciar uma rotação social e funcional das fachadas. Tem vãos muito simples, com porta elaborada de acesso ao edifício, com vestíbulo e escadaria para o andar nobre, e a outra com loja comercial no piso térreo e janelas de sacada corrida no andar nobre, encimadas por friso e cornija e com lambrequins. As prováveis alterações posteriores traduziram-se na volumetria invulgar de dois "L" à volta de uma torre central.
Número IPA Antigo: PT062203080132
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Casa abastada  

Descrição

Planta quadrangular com torre central rectangular, volumes articulados e escalonados de que se destaca o da alta torre, à volta da qual se desenvolvem dois "L", com coberturas de telha de canudo de 4 e 3 águas e beirais duplos e simples, nas fachadas exteriores, assentes em cornija de alvenaria moldurada, e folha de zinco e 2 águas no telheiro interior. Fachada principal virada a N., de 2 pisos, tendo no térreo embasamento relevado pintado a cinza, pilastra de cantaria no cunhal, 3 portas e um janelão gradeado, de molduras de cantaria simples, com a de acesso aos andares mais elaborada, de lintel em arco abatido e filete exterior relevado, encimado por friso e cornija; portadas de madeira almofadadas pintada de vermelho escuro, com postigos envidraçados e gradeados pintados a branco e prateado; piso superior com 4 janelas de guilhotina e molduras de cantaria, restando nas 2 a O. os tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro. Na sequência da fachada desenvolve-se muro com idêntico tratamento e porta de acesso ao antigo logradouro, sobressaindo superiormente os antigos fasquiados de madeira do telheiro interior. Fachada O., de 2 pisos, tendo no térreo embasamento idêntico ao anterior e 2 portas alternadas com 3 janelas, de molduras de cantaria e verga recta, correspondentes a antigo estabelecimento comercial; no piso superior abrem-se 5 janelas de sacada corrida, com grade em ferro fundido bastante elaborada, encimadas por friso e cornija, e com lambrequins de madeira pintada a verde, com decoração inferior rendilhada e aplicações em losango pintadas a branco; só subsiste persiana na janela S. Acesso ao pátio interior por fachada de 2 pisos, na sequência da anterior, enquadrada por pilastras de alvenaria pintadas a creme; piso térreo com embasamento pintado a vermelho, porta entre par de janelas gradeadas, com molduras de alvenaria pintadas e lintéis com marcação das aduelas em cunha, incluídas no friso separador dos pisos; no 2º piso 3 janelas de idêntico tratamento, com vãos em arco abatido, unidos por friso, e chave ressalvada e apoiada em friso a toda a largura da fachada, e com parapeito inferiormente ondulado; remate por cornija e platibanda. Edifício posterior de mais um piso, com duas janelas de guilhotina às R. dos Ferreiros e dos Netos, envolvendo a torre, que tem mais 2 pisos, com 2 janelas por piso a E. e O. e somente uma a N. e S.; remates de tecto lanceolados. No INTERIOR átrio de pavimento marmoreado, com escultura de liga metálica representando Mercúrio e escada de 2 lanços com balaustrada de madeira torneada, que se repete na varanda superior sobre a mesma; tecto com apontamentos de estuque, que se repetem nas salas do andar nobre.

Acessos

Funchal (São Pedro), Rua dos Netos, n.º 42 a 46; Rua Ferreiros, n.º 164 a 168

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 119/2006, JORAM, 2.ª série, n.º 130, de 03 outubro 2006

Enquadramento

Urbano, adossado e integrado num quarteirão do centro histórico do Funchal, com pátio descoberto a S., empedrado e com pequena palmeira, e um outro a E. coberto por telheiro.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residêncial: casa

Utilização Actual

Política e administrativa: sede de associação

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1567 - referência à capela e albergaria de São Bartolomeu, na área onde se levanta hoje o Ateneu; Séc. 19, inícios - demolição da antiga capela e construção de uma residência; 1867, 15 abril - venda perante o tabelião Cândido Leal de Lacerda de uma propriedade "de casas sobradadas com seu quintal e fábrica de açúcar e destilação", à R. da Ponte Nova, por 4:600$000, pertencente a António José Gonçalves de Ornelas, a Severiano Alberto Ferraz e seu irmão Higinio Ferraz, foreira ao convento da Encarnação, na importância de 25$000 a pagar todos os anos a 28 novembro, e que confrontava para N. com a rua citada, para S. com as propriedades dos herdeiros de Henri Veitch e Conde de Carvalhal, para E. com a propriedade que fora de Francisco Alexandre de Sousa, depois de Veitch e agora de seus herdeiros, e para O. com a que fora de Jacinto Soares Camacho e sua mulher Maria Carolina Velosa, já então dos compradores e onde os mesmos já levantaram residência, à R. do Estudo; 12 novembro - aditamento à anterior venda; 1897, novembro - primeiras reuniões da "Classe dos Caixeiros", num quarto da R. da Sé, 14 com vista à fundação de uma "associação de classe" "para nas horas vagas distraírem o espírito em palestras educativas e recrearem-se em diversos jogos"; 1898, meados - sob inspiração do comerciante Júlio A. de Carvalho, com escritório na R. do Sabão; 08 dezembro - inauguração do Ateneu Comercial do Funchal na R. Direita, 24, 2.º andar; 1898 - vigência como 1.º presidente do Ateneu de Sabino Joaquim Rodrigues; 1899, 15 fevereiro - inauguração das aulas do Ateneu ministradas por Francisco Correia Caldas, Manuel Augusto Martins e Tenente Jaime Campos Ramalho; 22 dezembro - aprovação dos Estatutos, conformes com os do Ateneu de Lisboa, redigidos por Vieira de Castro, delegado do Banco de Portugal, "dado no Paço" e tendo por base legal o Decreto de 9 Maio de 1891; 1900 - passagem do Ateneu para o Lg. da Sé, 3; 1901 - vigência como presidente de José de Freitas; 1903 - vigência como presidente de Maximiliano de Sousa Rodrigues; 1905 - vigência da direcção de João Lomelino Ferreira e passagem da sede para a R. dos Ferreiros, 108; 1910, 05 fevereiro - fundação do "Grupo Desportivo do Ateneu Comercial"; 1913, 29 maio - 1.º número do "O Athenista", publicação quinzenal, "Órgão dos Empregados do Commércio", sob direcção de Carlos Figueira, com funções de defesa dos interesses da classe, dada a orientação do Ateneu somente para Artes e Desporto; 1914, 30 Ago. - último número do "Athenista" e "colapso do Ateneu" devido à Grande Guerra, reorganizando-se a instituição na R. do Carmo, sob orientação de comissão dirigida por Álvaro de Almeida Fernandes e Raúl de Sousa; 1915 - referência ao arranjo deste conjunto para residência episcopal, até à cedência da quinta do Lg. Visconde de Ribeiro Real; 1916, 10 Out. - aprovação dos estatutos da Associação dos Empregados do Comércio Madeirense, fora do Ateneu; 1919 - referência a habitar o prédio da R. dos Ferreiros a família de Dalila Passos Freitas, que ali nasce; 1925 - reforma dos Estatutos do Ateneu de acordo com o Alvará da República de 12 novembro 1925, passando a ser "uma associação de classe de proficionais do comércio constituída por patrões e empregados"; 1927 - retoma da actividade do Ateneu na R. dos Ferreiros com inúmeros requerimentos aos ministérios do Governo Central e deslocação a Lisboa de delegações para apresentarem diversas propostas; 1927, maio - início da actividade fotográfica no Ateneu; 1929 - 1.ª exposição fotográfica no Ateneu; 1935 - remontagem da exposição anterior; 1933, 11 março - primeira proposta para realização de "uma exposição de flores naturais nos salões do Ateneu"; 1936, 06 fevereiro - criação do Núcleo Fotográfico do Ateneu "constituído por fotógrafos amadores, afim de reunidos, se fomentar o progresso da Arte Fotográfica", conforme consta da Acta; 1937, 06 novembro - remontagem da exposição na Casa da Madeira, em Lisboa, seguindo as fotografias no paquete "Lima"; 1938, 16 janeiro - última Acta do Núcleo Fotográfico; 1941 - inícios dos Jogos Florais do Ateneu; 1942 - montagem nas instalações do Ateneu da "Festa da Primavera"; 1944 - montagem das "Festas de Verão" e das "Festas de Inverno"; 1954 - inicio da "Festa da Rosa", no ano seguinte já denominada "Festa da Flor"; 1957, março - dado o êxito da "Festa da Flor" foi a mesma montada no Casino da Madeira, voltando no ano seguinte às instalações do Ateneu; 1974 - retoma da "Festa da Flor" no Ateneu, então sob orientação do Eng.º paisagista Fernando Pessoa e pelo Esc. Francisco Simões, passando as actividades do Ateneu a apresentar um acentuado cunho plástico; 1981 - resolução nº 268 do GR declarando de "utilidade pública" o Ateneu Comercial, pelos "importantes serviços que durante dezenas de anos prestou à Região nos sectores cultural, artístico, desportivo, comercial, etc"; 1982 - reanimação das actividades culturais do Ateneu, mas em breve reduzidas, passando a "Festa da Flor" à tutela do GR.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria rígida regional aparente e pintada, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, casquinha e outras), ferro, vidro, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro e telha de meio canudo.

Bibliografia

COSTA, Carla Iolanda e RIBEIRO, João Adriano - Ateneu Comercial do Funchal. Funchal: 1998; GOES, José Laurindo L. de - «Estabelecimento e evolução do Ateneu Comercial do Funchal». In Atlântico. 1985, n.º 2, pp. 127 a 133; SILVA, António Ribeiro Marques da - Anatomia de uma instituição cultural: O Ateneu do Funchal: diagnóstico e soluções, Arquipélago, perspectivas e debates. Funchal: 1997, n.º 8, pp. 223-228; SILVA, Padre Fernando Augusto da - Elucidário Madeirense Funchal: 1945, 3 vols; VERÍSSIMO, Nelson e SAINZ-TRUEVA, José Manuel de - Inventário das Esculturas da Região Autónoma da Madeira. Funchal: 1996, p. 15.

Documentação Gráfica

BN Rio de Janeiro ( planta de Mateus Fernandes III, com localização da capela ); Mapoteca do IGC ( planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804 ), Lisboa

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; DRAC, Funchal

Documentação Administrativa

ARM: notários, livros 2313, fls. 47 a 48 v. e 2314, fl. 37 v., 1867; Arquivo do Ateneu Comercial do Funchal

Intervenção Realizada

Ateneu: 2001 - recuperação do pavilhão e da entrada para o pátio.

Observações

Autor e Data

Rui Carita 2001

Actualização

 
 
 
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