Igreja Paroquial da Lousã / Igreja de São Silvestre

IPA.00009514
Portugal, Coimbra, Lousã, União das freguesias de Lousã e Vilarinho
 
Arquitectura religiosa, neoclássica. Igreja paroquial de planta longitudinal com nave, capela-mor semicircular, capelas laterais e sacristia, com coberturas interiores diferenciadas, em masseira na nave, em abóbadas de berço nas capelas e em meia cúpula na capela-mor, iluminada uniformemente por amplas janelas que se rasgam em todas as fachadas. Fachada principal com 3 corpos, sendo os laterais mais recuados, rematados em platibanda plena flanqueada por pináculos piramidais, com os vãos rectilíneos rasgados em eixo com frontões alternadamente curvos e triangulares; erguendo-se a torre sineira quadrangular, sobre o corpo central, este com vãos em arco de volta perfeita compostos pelo portal com frontão triangular e janelão com o frontão curvo; assemelhando-se pela centralidade da torre, ao Santuário do Senhor da Serra (v. PT020609040003). Fachadas laterais rematadas por friso e cornija, rasgadas por portas transversais em arco de volta perfeita. Interior com coro-alto de betão assente em colunas de ferro, capelas laterais confrontantes, e arco triunfal amplo de volta perfeita assente em pilastras toscanas. Contém na nave dois púlpitos com bacias de cantaria, dois retábulos laterais de perfil neoclássico, com alguma inspiração no barroco tardio denunciado na decoração; nas capelas laterais os retábulos são proto-barrocos, em talha dourada e pintada.
Número IPA Antigo: PT020607030032
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave, duas capelas laterais, capela-mor com a capela do Santíssimo adossada à direita e a sacristia à esquerda, com torre sineira central, de volumes articulados e disposição predominantemente horizontalista, apenas denunciando verticalidade na fachada principal, implementada pela torre sineira erguida ao centro. Coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na nave, de três nas capelas laterais e do Santíssimo, semicircular na capela-mor e em coruchéu na torre. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematadas em friso e cornija, com janelas de caixilharia de madeira com vidros coloridos em tons de azul e amarelo. Fachada principal, voltada a O., repartida em 3 corpos delimitados por cunhais perpianhos, com dois registos definidos por cornija de cantaria; os corpos laterais são idênticos entre si, rematados em platibanda plena flanqueada por pináculos piramidais, cada um rasgado por duas janelas altas em eixo, rectilíneas com peitoril, e frontões nas inferiores curvos, nas superiores triangulares; corpo central mais avançado sobre o qual se ergue a torre sineira, rasgado por portal em arco de volta perfeita sobre pilastras toscanas, sobrepujado por frontão triangular, encimado por janelão de arco idêntico ao do portal, sobrepujado por frontão curvo. Torre sineira a truncar o frontão triangular do remate, contendo no embasamento uma lápide emoldurada com a inscrição "A D 1874" encimada por frontão curvo, delimitada nas quatro faces por cunhais perpianhos coroados por pináculos piramidais, rasgada quatro por ventanas de configuração semelhante ao portal; remate em platibanda plena coroada por cornija que se eleva em semicírculo na face frontal para receber o relógio analógico. Fachadas laterais semelhantes, abrindo-se para a nave em cada fachada quatro janelas e duas portas, todas em arco de volta perfeita. Sobressaindo na fachada da esquerda os corpos da capela lateral da Senhora dos Anjos e da sacristia, e na fachada da direita os corpos da capela lateral da Senhora de Fátima e da capela do Santíssimo, com vãos em arco de volta perfeita, dois deles cegos na última capela. Fachada posterior desenvolve-se em semicírculo, abrindo-se para a capela-mor cinco janelas idênticas às das fachadas laterais; tendo sensivelmente a dois terços da altura um friso em cornija, formando tambor no terço superior. INTERIOR com endo-nártex, contendo no lado do da Epístola o antigo baptistério e no lado da Evangelho a porta de acesso à torre. Guarda-vento de madeira com almofadados, comunica com a nave. Esta e a capela-mor, rebocadas e pintadas de branco, e em amarelo na delimitação do vãos e na simulação de pilastras, que na nave fazem lembrar motivos serlianos, sendo ainda revestidas por azulejo de padrão monocromo, azul sobre fundo branco, formando silhar. Os pavimentos são diferenciados, em mosaico na nave, com faixa central em lajes de pedra calcária semelhante ao que encontra na capela-mor e nas capelas laterais; coberturas diferenciadas, em masseira de madeira na nave, em meia cúpula na capela-mor, e em abóbada de berço nas capelas laterais; todas assentes em cornija. Coro-alto de betão, assente em colunas de ferro, com guarda em balaustrada de madeira, contendo na parede fundeira, servindo de suporte à torre sineira, uma arcada de três arcos de volta perfeita assentes em pilares, formando vãos, sendo o central de maiores dimensões vazado pelo janelão da fachada principal e os laterais cegos. Nas paredes da nave distribuem-se confrontantes quatro painéis de azulejo figurativo com a mesma cromática do silhar, intercalando as duas portas transverais e os retábulos de talha pintada de branco e dourado, ficando os outros dois junto das capelas laterais, figurando entre eles a representação da Sagrada Família (Evangelho), e a representação do Bom Pastor (Epístola); contendo ainda dois púlpitos confrontantes com bacia de cantaria e guarda em balaustrada de madeira, com o acesso através de porta em arco de volta perfeita. As capelas laterais confrontantes, simulam transepto inscrito o que se deve ao seu amplo arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas; contendo na capela do lado do Evangelho uma porta de ligação à sacristia, e na capela do lado da Epístola duas portas, uma de acesso ao exterior outra de acesso à capela do Santíssimo, ambas com retábulos semelhantes em talha dourada. Arco triunfal em volta perfeita sobre pilastras toscanas, de cantaria, flanqueado por dois órgãos de tubos. Capela-mor profunda, com dois painéis de azulejo figurativo, com retábulo-mor de talha pintada de branco e dourado em grande trono hexagonal, ornado com cartelas e elementos vegetalistas, centrado por um nicho em arco de volta perfeita, com cobertura em abóbada, contendo o orago entronizado. Nas paredes laterais, abrem-se duas portas confrontantes, dando a do lado do Evangelho para a sacristia e a do lado da Epístola para a capela do Santíssimo.

Acessos

Praça Cândido dos Reis, Lousã

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, ergue-se na malha urbana, no centro da Vila (v. PT020607030043) desenvolvendo-se à sua direita e nas traseiras edificações de um e dois andares; à esquerda confina com a Rua Dr. João Santos e frontalmente com um espaçoso largo (Praça Cândido dos Reis) pavimentado em calçada portuguesa, do qual se acede ao adro por escadaria flanqueada por duas fontes de espaldar, adossadas ao muro de suporte do adro, este vedado por gradeamento em ferro, contendo quatro portões de entrada, sendo o principal e maior ao cimo da escadaria, os restantes distribuem-se dois no lado esquerdo e um do lado direito, dando este último acesso uma rampa. Sob o adro à esquerda possui algumas dependências.

Descrição Complementar

Retábulos laterais, em talha pintada de branco e dourado, ornamentados com elementos vegetalistas, de planta recta, de três eixos, definidos por duas colunas centrais de caneluras assentes em mísulas e por duas pilastras externas, assentes em plintos paralelepipédicos, estas últimas encimadas por fogaréus; o eixo central abre-se em nicho de arco de volta perfeita, com o fundo pintado de bege; remate em espaldar contracurvado com aletas, decorado com resplendor; rendilhado no coroamento e a flanqueado por dois vasos de flores, semelhantes a albarras. Retábulos das capelas laterais, em talha pintada de cor púrpura e dourada, de planta convexa de um só eixo, com ampla edícula ladeada por duas pilastras decoradas por um pequeno querubim, e encimadas por pináculos bolbosos, preenchida por falso nicho em arco de volta perfeita; tímpano curvo profusamente decorado, com dois frontões sequenciais, sendo o primeiro volutado interrompido, centrado por um querubim, encimado por dois anjos sentados segurando cartela, o segundo frontão é curvo com aletas, ladeado por pináculos bolbosos e coroado por urna. Sotobanco com apainelados em baixo relevo.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Coimbra)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Pedro Tomaz Pippa (1874).

Cronologia

Séc. 16 - época da construção da antiga igreja, posteriormente demolida, sendo esta de uma nave com uma porta principal, outra transversal voltada para um adro, continha uma capela do Santíssimo, renascentista, confrontante com outra capela dedicada à Senhora da Conceição, manuelina e renascentista, possuia também na capela-mor outra capela em estilo da renascença; 1574 - a igreja pertence ao padroado real e integra a Diocese de Coimbra; séc. 17, final - época dos retábulos das capelas laterais que pertenceram a um edifício de Coimbra; 1721, 30 Maio - as informações paroquiais destinadas à Academia Real da História, prestadas pelo Prior Manuel Lopes Serra da colegiada de São Silvestre da vila da Lousã, referem que a igreja (antiga demolida) era colegiada com 4 benefícios simples, e dentro dela existiam 3 capelas, a da Senhora da Conceição da qual era administrador Álvaro Serra Velho da cidade de Coimbra, com as suas armas sobre o arco, sendo legível só uma parte que referia a instituição da capela por Adrião Dias, cidadão da vila de Penela; capela de Jesus na capela-mor, separada desta por grades, sendo seu administrador, António Luís de Melo da cidade de Coimbra, e instituída pelo Padre João Cáceres de Melo, natural da vila, ostentando as suas armas; a capela do Santíssimo; e ainda 4 sepulturas de pessoas particulares com armas e inscrições, sendo uma na capela-mor, de Inês de Gois, duas junto aos degraus da capel-mor, a de Melchior Henriques Arnaut, cavaleiro da Ordem de Santiago, alcaide maior da vila de Sesimbra, e ainda a que pertenceu a Bartolomeu da Costa Mesquita, na altura pertencente à sua filha D. Bernarda Antónia de Mesquita (já ilegível); a quarta junto à porta travessa, pertencia a Francisco Coelho de Melgar da cidade de Lisboa, lendo-se "aqui jaz D. Catarina Freire filha do (?) João Freire de Andrade natural desta vila, e Luísa Cardoso Castelo Branco (...); 1758 - nas memórias paroquiais, o prior Boaventura (...) e Carvalho, refere que a vila da Lousã pertencia à província da Beira, ao bispado de Coimbra, e tinha como donatário o Duque de Aveiro, sendo o priorado também da sua apresentação; que não sofreu com o terramoto de 1755; que a igreja era colegiada com 4 benefícios simples, rendendo cada um, duzentos mil reis; que era só de uma nave, com seis altares: o de São Silvestre, o do Santíssimo, o da Senhora do Rosário, o de São Sebastião e Almas, o da Senhora da Conceição e por último o do Senhor Crucificado; que existiam 3 irmandades, a do Santíssimo Sacramento, a do Rosário e a das Almas; 1828, 27 Fevereiro - no tombo dos bens do Concelho e Câmara da vila da Lousã é referido entre os seus bens, um cálice e uma custódia de prata lavrada, esta última com pedras e esmaltes servia para expor o Santíssimo; 3 sinos sendo um grande e dois pequenos, todos na torre da igreja; 1854 - foi extinta a colegiada; 1872 - com a visita pastoral do Bispo-conde Bastos Pina foi decidida a construção da nova igreja em substituição da antiga, considerada pequena para as exigências da época, vindo a ser deslocada do antigo sítio para um ponto mais acima; 1873 - demolição da antiga igreja, e aproveitamento do espaço para alargamento da praça do Município; 1874 - início da construção da actual igreja, funcionando nesta altura em substituição, a igreja da misericórdia como matriz; 1882 - conclusão da igreja, mantendo-se ainda de pé a torre da antiga igreja, visto ainda não ter sido edificada a nova; o total das obras ascenderam a mais de quinze contos de reis, os quais foram custeados na sua maior parte pelo município e pela Viscondessa do Espinhal; 1883, 7 Janeiro - inauguração solene do templo; 1886 /1888 - regularização do adro, construção da escadaria, e de uma torre sineira provisória encostada aos Paços do Concelho; 1898 - o Visconde de Ferreira Pinto, custeou a construção da tribuna em talha com dourados para o altar-mor e os dois altares laterais; 1921 - construção da torre sineira ao centro da fachada principal; substituição do relógio antigo*1 por um novo de 4 mostradores luminosos; 1953 - no inventário artístico de Portugal, do Distrito de Coimbra, é referida a existência de dois altares colaterais que actualmente não existem.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria (escadaria, fontes, cunhais, frisos, cornijas, molduras e pináculos, pavimentos da capela-mor e laterais); alvenaria rebocada e pintada de branco (paredes estruturais); azulejo (silhar nas paredes e paineis); telha cerâmica (cobertura exterior); tijoleira (pavimento da nave); ferro (portões e gradeamento do adro); madeira envernizada (tecto da nave); talha pintada e dourada (retábulos).

Bibliografia

A Lousã nas Informações Paroquiais de 1721, p. 35, Tombo dos bens do Concelho da Lousã de 1828, p. 61, Urbanização da Vila, p. 77, in Arunce, nº 7/10, Lousã 1992-1995; CORREIA, Vergílio, Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Coimbra; DIAS, Pedro, REBELO, Fernando, Lousã. A Terra e as Gentes, Lousã 1985; LEMOS, Álvaro V., A Lousã e o seu Concelho, 2ª reed. Lousã 2001; SERRÃO, Joaquim Veríssimo - Livro das Igrejas e Capelas do Padroado dos Reis de Portugal - 1574. Paris: Fundação Calouste Gulbenkian Centro Cultural Português, 1971; Sinais do Século, Diário AS BEIRAS, 03/02/2001; IAN/TT, http://ttoline.iantt.pt, 21 Setembro de 2006.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/ DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

1941 - obras de remodelação, substituição do tectos em abóbada, de estuque para tecto em masseira, de madeira, colocação de vidros coloridos nas janelas, pintura de paredes; 1982 - colocação dos painéis de azulejo na capela-mor (fabricados pela Fábrica Aleluia de Aveiro).

Observações

*1 - cedido à freguesia de Casal de Ermio.

Autor e Data

Cecília Matias e José Silva 2001 / Margarida Silva 2006

Actualização

 
 
 
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