Ermida de São Roque

IPA.00009148
Portugal, Faro, Tavira, União das freguesias de Tavira (Santa Maria e Santiago)
 
Arquitectura religiosa quinhentista, chã, barroca, vernacular. Ermida de confraria, de planimetria chã, com nave única com cobertura de madeira e capela-mor com cúpula munida de cupulim cego, decorada por pinturas murais geometrizantes, presentes também no intradorso do arco triunfal simulando mármores polícromos. Fachada principal sóbria, animada pelo frontão e pelos trabalhos de massa barrocos; apresenta pano único, com remate em empena, rasgado axialmente por portal, de cantaria, de meados do séc. 18, com verga curva alteada, aberta ao centro por óculo em quadrifólio; sobre o portal janelão barroco, de molduras de cantaria decoradas com volutas e motivos concheados. As molduras do janelão principal, as decorações murais, a cobertura em telhado de duas águas, internamente revestido a caniço, a cúpula, a torre sineira rematada por coruchéu piramidal remetem para a arquitectura regional algarvia Vestígios de pinturas murais na cúpula da capela-mor e no arco triunfal, de motivos geométricos, em tons de verde e amarelo.
Número IPA Antigo: PT050814050042
 
Registo visualizado 167 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta longitudinal composta por nave única, 2 capelas laterais, capela-mor quadrada, torre sineira, sacristia rectangular a O. e anexos a N. e E.; volumes escalonados dispostos na vertical com cobertura diferenciada em telhado de duas águas para nave e cúpula com zimbório cego para capela-mor, em coruchéu piramidal na torre sineira, de uma água nos anexos a E. e N.. Fachada principal a S. de pano único e dois registos, o inferior com portal em cantaria de verga recta a que se soprepõe frontão curvo com tímpano aberto por óculo quadrifólio; superiormente rasga-se janelão axial com molduras pétreas recortadas, com verga munida de frontão delanços com volutas e concheado central e parapeiro ostentando pequena coroa real em baixo relevo; remate da fachada em frontão de lanços curvos ornamentado por trabalhos de massa figurando dois meninos e dois leões; extremos rematados por pináculos. Fachada lateral O. e E. cegas caracterizada esta por pequeno remate da fachada onde sobressai um beirado e uma janela em capialço em quadrifólio e adossada, do lado N., torre sineira com pirâmide. Fachada N., correspondendo ao volume da capela-mor, caracterizada por articulação de volumes onde se destaca a cúpula com zimbório cego; adossada, torre sineira quadrangular e dois volumes mais baixos em telhado de uma água. INTERIOR: nave com cobertura de telhado de duas águas sobre estrutura de madeira revestida internamente por caniço, iluminada por janelão sobre portal principal e por janela em quadrifólio na capela-mor. Do lado da Epístola e Evangelho construções anexas posteriores subdividindo o interior em dois pisos. Arco triunfal em cantaria de volta perfeita assente em pilastras, apresentando no intradorso restos de pinturas murais geometrizadas em tons de azul e vermelho. Capela-mor com uma porta de cada lado, ambas com molduras pétreas, sendo a do lado esquerdo a da antiga sacristia e a da direita para anexo; cobertura em cúpula sobre pendentes, com cupulim cego, com vestígios de pinturas murais em tons de verdes e amarelos simulando mármores; nos alçados dias janelas de iluminação quadrilobadas. Sacristia com cobertura em abóbada de lunetas falsas, duas janelas de iluminação semelhantes às da capela-mor e lavabo em pedra.

Acessos

Santa Maria, Largo do Cano a sul; Rua dos Bombeiros Municipais e Estrada da Bela Fria a nascente

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, orla fluvial, flanqueada na fachada N. por anexos, na fachada O. por pátio, a S. por R. e Lg. junto aos Bombeiros Municipais e a E. pela Estrada da Bela Fria.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: ermida

Utilização Actual

Armazenamento e logística: armazém

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 16 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido

Cronologia

Séc. 16, 2ª metade - provável data de construção do templo; 1600, 14 de Dezembro - escritura notarial referindo a ermida; 1635, Abril - procuração em que se refere a ermida; Séc. 18, meados - já existia no local a devoção a Nossa Senhora do Rosário; provável campanha de reconstrução e de redecoração do templo, patrocinada pelos devotos de Nossa Senhora do Rosário; 1745, 18 Agosto - escritura de doação de dois sinos pelo Alcaide-mor de Tavira Manuel Ignácio da Cunha Menezes fazendo supor que a Torre sineira já estivesse construida; Séc. 18, finais - São Roque é tomado como padroeiro do Regimento de Infantaria de Tavira, que administrava a Confraria de São Roque; 1817, 28 de Agosto - escritura referindo São Roque padroeiro do Regismento, nº 14, então aquartelado em Tavira; 1834 - O Regimento de Infantaria nº 14 é dissolvido ficando a ermida entregue à devoção de Nossa Senhora do Rosário, tendo como sacerdote Vicente Maior do Rosário; 1862, 14 de Abril - morte do Padre Vicente Maior do Rosário ficando a ermida ao abandono sendo profanada; alfaias e imaginária são trasladadas para a Igreja Paroquial de Santiago ( v. 0814 060028 ) entre elas a imagem e São Roque que se conserva na sacristia da igreja; 1923, 29 de Junho - a Câmara Municipal arrenda a ermida à Comissão Concelhia dos Bens das Igrejas de Tavira; 1934, 04 de Junho - entrega à Corporação da freguesia de Santiago dos bens da Igreja de Santiago ( v. 0814060028 ) entre os quais "frontal e pano de estante de missal; paramento de damasco branco com galão falso, compreendendo casula, dalmaticas, manipulo, véu de ombros; uma capa de asperges" que tinham pertencido à Ermida de São Roque; 1935, 09 de Maio - o imóvel, composto de "corpo da igreja, sacristia, arrecadação, desvão, tudo em ruínas e quinta em anexo, com algumas árvores", num total de 405m2, é adquirido pela Câmara Municipal pela quantia de 910$00; desde esta data o imóvel é utilizado como oficinas, depósito e canil municipais, conduzindo à sua descaracterização; séc. 20, 2ª metade - construção de várias dependências internas; 2000, 21 junho - Proposta de classificação pela CM de Tavira; 2000, 06 outubro - Proposta de abertura de processo de classificação pelo IPPAR/DRFaro; 200, 16 outubro - Despacho de abertura do processo de classificação pelo Vice-Presidente do IPPAR; 2007, 23 novembro - Proposta de encerramento da classificação pela DRCAlgarve; 2008, 04 setembro - Despacho de encerramento da classificação pela Subdiretora do IGESPAR, 2014, 27 junho - Publicado no DR, 2.ª série, n.º 122, o Anúncio de procedimento n.º 3499/2014, relativo ao concurso público de Obras de Conservação da Ermida de São Roque; 2015, 21 agosto - publicado no DR, 2.ª série, n.º 163, o Despacho 9512/2015 relativo à autorização da incorporação definitiva no Museu Municipal de Tavira (v. IPA.00005653) de bens arqueológicos provenientes dos trabalhos arqueológicos realizados na ermida.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes. Telhado internamente revestido a caniço.

Materiais

Alvenaria, cantaria, telha de Santa Catarina, madeira nas portas, janela, tecto

Bibliografia

ANICA, Arnaldo Casimiro, Tavira e o seu termo. Memorando Histórico, Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 1993; LAMEIRA, Francisco Ildefonso, Roteiro das Igrejas de Tavira, 1996; VASCONCELOS, Damião, Notícias Históricas de Tavira 1242 / 1840, 3ª ed., Tavira, Câmara Municipal de Tavira, 1999; SANTANA, Daniel, Elementos para a Abertura do processo de Classificação da Ermida de São Roque, Tavira, Câmara Municipal - GTL, 2000 ( texto policopiado ).

Documentação Gráfica

CMT: GTL

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA; CMT: GTL

Documentação Administrativa

DGPC: DGEMN:DSID; CMT: GTL; Arquivo Municipal de Tavira; Cartório Notarial de Tavira

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Patrícia Viegas 2000 / Rosário Gordalina 2003

Actualização

 
 
 
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