Palacete dos Barões de São Pedro

IPA.00008346
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (São Pedro)
 
Palacete revivalista e neoclássico integrado na tipologia da chamada "casa complexa" de Victor Mestre, de planta quadrangular com pátio central a céu aberto e integrando torre mais alta na fachada principal. Fachadas de dois pisos, rebocadas e pintadas, a principal e lateral esquerda com falsas pilastras de massa nos cunhais e remate em entablamento, pintado, e nas outras em beirais duplos. Fachada principal rasgada por vãos alinhados, no primeiro piso por vãos desiguais, no andar nobre, por janelas de sacada, nos panos laterais de verga recta encimada por cornija com lambrequim e varanda comum, e no central de arco em volta perfeita com bandeira, sendo esta sobrepujada, já no terceiro piso da torre, por uma outra janela de sacada, de verga recta e cornija também com lambrequim. Fachada lateral esquerda com vãos desiguais no primeiro piso e janelas de sacada semelhantes às da frontaria no segundo, enquanto a fachada posterior possui janelas de peitoril simples, molduradas a cantaria e com tapa-sóis. Interior remodelado, com hall central, a partir do qual se desenvolve escada de acesso ao andar nobre e túnel para o pátio interior, com arcada. No andar nobre as salas têm tectos decoradas com trabalhos de estuque neoclássicos.
Número IPA Antigo: PT062203080069
 
Registo visualizado 40 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Palacete  

Descrição

Complexo composto por três edifícios, o principal, de planta quadrangular e pátio central, tendo adossado do lado direito um outro, rectangular, disposto longitudinalmente, e na fachada posterior um terceiro, também rectangular, mas transversal, com logradouro ajardinado intercalar e pequeno corpo disposto lateralmente à direita, de interligação aos dois anteriores. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas no edifício da fachada posterior e de quatro águas nos demais, de telha de canudo, e beirais simples sobre entablamento saliente, em cantaria pintada de cinzento, na fachada principal, duplos e triplos, nas outras fachadas. Fachadas rebocadas e pintadas de ocre. A principal vira-se a E., percorrida por embasamento de cantaria, cunhais de massa formando falsas pilastras e remates em entabalmento também de massa, pintados a cinzento, tal como as molduras de cantaria dos vãos. O edifício principal, de dois pisos, integrando ao centro da fachada torre rectangular de três pisos, forma três panos demarcados volumetricamente. No primeiro piso, abrem-se, no pano central, porta de verga recta, e nos laterais duas janelas de peitoril gradeadas, no esquerdo, e duas portas, também de verga recta, no direito. O segundo piso, com os panos laterais simétricos, tendo sob a cornija, um friso e, na face interior, falsas mísulas, em massa, pintadas de cinzento, são rasgados por duas janelas de sacada comum, com verga recta encimada por cornija, lambrequins de madeira pintados de verde escuro decorados com losangos em branco, e guardas de ferro forjado ornados com laçarias; no pano central, janela de sacada, de arco de volta perfeita, com bandeira de caixilharia recortada, encimada por dois frisos verticais que, partindo dos capitéis do arco da janela, se interligam à janela de sacada do terceiro piso da torre, esta, de verga recta encimada por cornija e com lambrequim, e ambas com guardas de ferro forjado iguais às dos panos laterais. A fachada do edifício adossado a N. é formada por dois corpos, o da direita de dois pisos e o da esquerda de três, terminados em cornija pintada encimada por pequeno entablamento, com vãos rasgados sensivelmente desnivelados devido ao pendor do terreno; no primeiro piso abrem-se dois amplos vãos de acesso a garagens, de verga recta, formando superiormente ligeiro ângulo, no segundo duas janelas de peitoril em cada corpo, com tapa-sóis pintados de verde escuro e no terceiro do corpo da esquerda duas outras janelas iguais. Fachada lateral S., do edifício principal, com embasamento pintado de vermelho, cunhais de massa formando falsas pilastras e remate em entablamento, tendo inferiormente friso, pintado de cinzento. É rasgada por vãos de verga recta, com molduras de cantaria cinzenta da região, colocados nos dois pisos em ritmo alternado, tendo no primeiro três janelas de sacada à face e duas de peitoril, e no segundo quatro janelas de sacada, encimadas por cornija, com lambrequins de madeira pintada de verde escuro com losangos brancos e guardas de ferro forjado; sob as sacadas das janelas, desenvolve-se na zona central cornija. A torre possui duas janelas de peitoril com caixilharia de guilhotina e tapas-sóis verdes. Fachada posterior, a O., com dois pisos no edifício principal e três no corpo adossado, possuindo falsa pilastra de massa pintada de cinzento no cunhal esquerdo, embasamento vermelho e remate em beiral duplo. No primeiro piso rasgam-se cinco portas, de diferentes larguras, e três janelas de peitoril, com gradeamento de ferro, e no segundo, desalinhadas, sete janelas de peitoril e caixilharia de guilhotina com tapa-sóis pintados de verde; no terceiro piso do corpo da esquerda, abre-se uma janela igual às anteriores, e na torre uma outra, mas sem moldura de cantaria. Edifício anexo de dois pisos, com fachada E. percorrida igualmente por embasamento pintado de vermelho, sendo rasgada no primeiro piso por duas portas largas e sete janelas de peitoril, e no segundo por dez janelas, nove de peitoril e uma de sacada à face, sendo esta e a colocada inferiormente mais largas, e todas emolduradas a cantaria. Fachadas S. e N. cegas e a O., com gateiras. Este edifício interliga-se ao da fachada principal por enexo com varandim de madeira com cobertura de telha. INTERIOR do edifício principal: a porta central acede a hall, com pavimento em lajes de cantaria cinzenta, a partir do qual se desenvolve ampla escada de acesso aos pisos superiores, com caixa de planta rectangular mas com uma face curva, com balaustrada de madeira torneada, pintada de castanho escuro, assim como os rodapés, molduras dos vãos e frisos de contorno dos elementos estruturais. O hall possui lateralmente três pilastras forradas a madeira, de fuste canelado suportando arcos de volta perfeita, conduzindo às antigas lojas, hoje transformadas em salas de trabalho, e, por um corredor lajeado a cantaria e com um arco de volta perfeita apoiado nas paredes laterais, ligando ao pátio interior de céu aberto, pavimentado a lajes de cantaria cinzenta, e com dois arcos de volta perfeita na face S. apoiados em pilastras e coluna central; neste mesmo lado desenvolve-se escada também de cantaria com corrimão de ferro de acesso ao segundo piso. No andar nobre apresenta vários salões, dispostos à volta do pátio e da caixa da escada, com pavimentos de madeira e tectos decorados com trabalhos de estuque, com motivos geométricos, fitomórficos e panóplias distribuídas nos ângulos e ao centro das salas; destaque para o salão nobre com passagem para a sala de música, hoje Biblioteca. Cobertura da torre em falsa abóbada de esquife, decorada por vários frisos concêntricos, tendo nos ângulos insectos pintados e ao centro ave com coroa de flores em estuque.

Acessos

Funchal (São Pedro), Rua dos Ferreiros, n.º 163 a 173. WGS84 (graus decimais) lat.: 32,651691; long.: -16,910886

Protecção

Categoria: VL - Valor Local, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 325/99, JORAM, 1.ª série, n.º 33 de 23 março 1999

Enquadramento

Urbano, integrado num quarteirão do centro histórico do Funchal, flanqueado por outras casas a N. e a S., confrontando a O., com um parque de estacionamento e um prédio, da R. das Mercês, adaptando-se ao desnível do terreno. Ergue-se junto à estrada, com circulação a proceder-se apenas no sentido descendente, tendo passeio bastante estreito. A E. adossa-se à frontaria do edifício principal, pano de muro alto com porta de verga recta de acesso directo ao pequeno logradouro ajardinado desenvolvido junto à fachada posterior. Este possui pavimento em calhau rolado, com desenho em espinha entre paralelas, e algumas árvores de médio porte.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Política e administrativa: delegação regional

Propriedade

Pública: regional

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20 / 21

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 19 - Construção do palacete, pertencente aos morgados Vasconcelos do Couto Cardoso; foi herdada por Daniel de Ornelas e Vasconcelos, primeiro Barão de São Pedro, formado em leis pela Universidade de Coimbra e Par do Reino; 1849, 17 Fevereiro - com este cargo, apresentou no Parlamento, a célebre lei de "extinção dos morgadios" no arquipélago; 1881, 11 Janeiro - início do funcionamento do Liceu do Funchal na casa, depois de procedidas às devidas adaptações e reformas; 1914, 11 Janeiro - transferência do Liceu para a R. do Bispo, no Funchal; posteriormente - adquirida pela firma Emile Marghab J. C. Limitada para instalação de uma "casa de bordados"; 1978, 24 Fevereiro - adquirida pelo Governo Regional para instalação da Direcção Regional dos Assuntos Culturais.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura de basalto regional, cimento rebocado, cantaria mole e rija da região, janelas de vidro simples, gradeamentos de ferro, lambrequins, tapa-sóis e muitos outros elementos em madeira; pavimentos em lajes, madeira e calhau rolado no pátio; trabalhos de estuque; cobertura exterior de telha de meia cana ou romana.

Bibliografia

FEEREIRA, Fátima Aragão de Barros, Arquivo da família Ornelas Vasconcelos - Instrumentos Descritivos; SILVA, Padre Fernando Augusto da, MENEZES, Carlos Azevedo, Elucidário Madeirense, vol. 1, 2 e 3, Funchal, 1992; MESTRE, Victor, Arquitectura Popular da Madeira, Lisboa, 2002.

Documentação Gráfica

DRAC

Documentação Fotográfica

DRAC: Arquivo Fotográfico

Documentação Administrativa

DRAC: Arquivo de Obras

Intervenção Realizada

Proprietário: 1914, depois - obras de adaptação e reformas no imóvel; Governo Regional: 1978 - Obras de adaptação e conservação; 1980 / 1981 / 1982 - obras de conservação; 2002 - obras de conservação.

Observações

Daniel Ornelas e Vasconcelos, 1º Barão de São Pedro e Par do Reino, apresentou no Parlamento, no dia 17 de Fevereiro de 1849, a célebre lei da "extinção dos morgadios, vínculos e capelas anexas, neste arquipélago", o que provocou grande repulsa em geral, acusando-o como inconvenientes aos interesses da Madeira. Trinta e tantos representantes de antigas "casa vinculares", dirigiram uma representação ao Parlamento, refutando a doutrina do projecto e pediram a rejeição, o que foi aceite. A lei de 11 de Maio de 1863 decretou, no entanto, a completa abolição dos morgadios em todo o país.

Autor e Data

Teresa Brazão 2002

Actualização

 
 
 
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