Solar dos Canaviais

IPA.00008080
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Casa nobre tardo-barroca, de planta rectangular, 3 pisos, com torre de mais 2 pisos, colocada ao centro e no alinhamento de fachada, com entrada e lojas no piso térreo, andar de serviços no médio e andar nobre no superior, com varandas de sacada, num esquema tradicional das casas senhoriais funchalenses dos Sécs. 17 e 18.
Número IPA Antigo: PT062203100050
 
Registo visualizado 68 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Planta rectangular irregular composta por 2 corpos e pátio interior ajardinado, murado, e empedrado a calhau rolado miúdo e com árvores de bom porte. Massa complexa de volumes articulados, com torre central, cobertos a telhados de 4, 3 e 1 águas com telha de canudo. Fachada principal de 2 corpos e 1 pano cada e muro pintados a ocre, tendo no piso térreo reboco marcado com incisões a imitarem cantaria, com as primeiras fiadas pintadas a cinza forte. Corpo E., correspondente à antiga casa senhorial, com 3 pisos, tendo no térreo 3 portas, a central de acesso aos andares, com molduras de cantaria com filetes relevados a marcarem as impostas e o lintel, e com boa portada de madeira almofadada pintada a verde escuro, e as laterais de moldura de cantaria simples, correspondentes às antigas lojas, a de O. hoje adaptada a comércio de papelaria; andar intermédio, de serviços, com 3 janelas de guilhotina, molduras de cantaria com o lintel marcado por rebaixo central definindo emolduramento por filete relevado e tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde escuro; andar nobre com 3 janelas de sacada com grade de ferro pouco elaboradas, com as guilhotinas a assentarem em portadas cegas pintadas a verde; remate por beiral triplo de telha de canudo com cantos terminados em pontas lanceoladas e algeroz de "folha de Flandres" pintado a vermelho. O corpo O. com alhetas no ângulo, tem apenas 2 pisos, com o térreo cego, e o superior com 2 janelas de molduras de cantaria simples e tapa-sóis; é rematado por cornija moldurada de alvenaria, com beiral simples de telha e algeroz com tubo de descarga para o interior do jardim. Muro rematado por filete relevado superior de alvenaria e portão de acesso ao jardim com pilastras de mármore branco, de bases, aneletes e capitéis ligeiramente apontados, e lintel encimado por frontão com as armas dos Canavial, suportadas por cavalos tenentes e com coroa de 9 pérolas, ladeadas por aletas abatidas terminadas em florões bastante elaborados; portadas de madeira almofadadas pintadas a verde escuro com batentes em argola pintados de negro. Fachada a O. definida por corpo avançado com porta central e 2 janelas com molduras de alvenaria pintadas a cinza forte, rematada por beiral simples; corpo principal da antiga residência com 3 panos, os laterais com janela e rematados por beiral triplo, e o central com torre de mais 2 pisos, articulando-se a janela do andar nobre com a do 1º piso da torre pelas cantarias, servindo a varanda de sacada do 1º piso da torre de balanço ao lintel da janela do andar nobre; piso superior da torre com uma janela de moldura de alvenaria pintada a vermelha, enquanto nas fachadas laterais apresenta 2 janelas, todas com tapa-sóis; remate da torre por beiral duplo de telha. Interior com arcos de cantaria regional no piso térreo e lanços de escadas de madeiras insulares com balaustradas; tectos de estuque no andar nobre.

Acessos

Funchal (Sé), Rua da Carreira n.º 191 a 197

Protecção

Categoria: VL - Valor Local, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 412/2000, JORAM, 1.ª série, n.º 27, de 29 março 2000

Enquadramento

Urbano, integrado num quarteirão, com acesso pela R. da Carreira, flanqueado por outras construções, com pequeno parque ajardinado para O., confrontando para S. com um troço da antiga muralha do Funchal dos Sécs. 16 / 17 ( em vias de classificação ), já sobre a R. Major Reis Gomes.

Descrição Complementar

O brasão do 1º conde e visconde de Canavial apresenta-se partido: 1ª pala uma figura de mulher vestida de azul, sentada num rochedo sobre o mar, tendo numa das mãos um ramo de videira e na outra um pão de açúcar e na cabeça uma coroa de flores, representando a ilha da Madeira; na 2ª pala, em campo vermelho, uma mão de prata com uma pena de ouro entre os dedos. Coroa de conde. Timbre: um leão negro armado de vermelho. Suportes: 2 cavalos marinhos; legenda: "Omnia Vincit Labor".

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Política e administrativa: sede de associação

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 17 - 18 - construção da inicial residência senhorial; 1829, 22 Jun. - nascimento do Dr. João Câmara Leme Homem de Vasconcelos, filho do morgado António Francisco da Câmara Leme Homem de Vasconcelos e de Carolina Moniz de Ornelas Barreto Cabral; 1852 - bacharelato do futuro conde, em Ciências na Universidade de Montpellier, em França; 1857 - licenciatura em Medicina, na mesma Universidade; Séc. 19, meados - adaptação da residência ao gosto dos morgados Câmara Leme Homem de Vasconcelos; 1859 - equiparação de licenciatura em Medicina na Escola Médica de Lisboa; 1860 - nomeação de demonstrador na Escola Médico Cirúrgica do Funchal; 1867 - nomeação como professor proprietário na mesma Escola; 1880, 22 Abr. - agraciado com o título de visconde e conde de Canavial; 1886 - nomeação de governador civil do Funchal; 1888, 28 Mar. e 15 Dez. - carta e alvará de mercê nova de armas; 1902, 13 Fev. - falecimento do conde de Canavial herdando a residência as suas filhas Maria Eugénia e Maria Amélia; 1907, 6 Mar. - nascimento do Dr. José Luís de Cannavial de Brito Gomes, filho de Júlia Raquel de Cannavial Brito Corrêa e neto de Maria Amélia da Câmara Leme Homem de Vasconcelos, filha do conde de Canavial; 1922, 21 Fev. - inauguração do busto do Conde, assinado por R. Xavier, 1921, então na Av. Arriaga; 1932, 6 Dez. - transferência do busto para o Campo da Barca; 1945, 21 Jan. - falecimento de D. Maria Eugénia Canavial, herdando a casa o seu sobrinho-neto Dr. Brito Gomes; 1992 - falecimento no antigo solar do Dr. José Luís de Brito Gomes; 1998 - interesse no imóvel por parte das Ordens dos Médicos, Advogados, Engenheiros e Farmacêuticos para sede conjunta; 1999, 1 Out. - autorização de aquisição do imóvel pelo Conselho de Ministros através da Caixa de Previdência dos Advogados e Solicitadores ( CPAS ) para sede do Conselho Distrital da Madeira da Ordem dos Advogados; 2000, 7 Abr. - assinatura formal da escritura.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira ( carvalho e outras ), ferro, folha, vidro e telha de meio canudo.

Bibliografia

SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; ARAGÃO, António, Para a História do Funchal, 1991; CLODE, Luiz Peter, Registo Bio-Bibliográfico de Madeirenses, Sécs. XIX e XX, Funchal, s/data; VERÍSSIMO, Nelson, e SAINZ-TRUEVA, José Manuel, Esculturas na Região Autónoma da Madeira. Inventário, Funchal, 1996; CARITA, Rui, e SAINZ-TRUEVA, José Manuel, Funchal, itinerário Cultural, CMF, 1997; SILVA, Emanuel, Advogados 'namoram' conde de Canavial; 'Casa das Ordens' sem pés para andar, Diário de Notícias, 5 Mar. 1998; Governo ratificou aquisição. Sede da Ordem dos Advogados custou 115 mil contos, 28 Out. 1999; Escritura lavrada ontem. Ordem dos Advogados na Casa do Conde Canavial, 8 Abr. 2000; CARITA, Rui, História da Madeira, vol. 7 ( em preparação ).

Documentação Gráfica

Mapoteca do IGC ( planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804 ), Lisboa; ARM, Planta dos irmãos Trigo; GR / Equipamento Social ( arquivos da antiga Junta Geral )

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos

Documentação Administrativa

ARM; CMF; antiga Junta Geral, Funchal

Intervenção Realizada

Observações

A propriedade inicial confrontava com a R. Major Reis Gomes e com a antiga muralha da cidade dos Sécs. 16 e 17, no entanto, na venda agora efectuada, a pequena área anexa à muralha ficou na posse dos herdeiros, que já pediram à CMF os condicionamentos da mesma área para construção. A resposta foi negativa, dado a muralha estar em vias de classificação. O imóvel não teve obras de manutenção, pelo menos, desde inícios ou meados do Séc. 20.

Autor e Data

Rui Carita 2000

Actualização

 
 
 
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