Seminário dos Olivais / Seminário Maior de Cristo-Rei
| IPA.00007773 |
| Portugal, Lisboa, Loures, União das freguesias de Moscavide e Portela |
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| Seminário maior construído faseadamente entre a década de 30 e 50 do séc. 20, por encomenda da Igreja Católica e do Cardeal Cerejeira, que tinha como objetivo a renovação da Igreja pelo clero português. Um dos projetos iniciais contemplava uma planta em "E" deitado, de grande modernidade, com um conjunto simétrico, superfícies lisas e coberturas em terraço, desenvolvendo perpendicularmente ao corpo central uma capela, com alta torre escalonada. O facto das obras decorreram lentamente e por fases, levaram à introdução de alterações, sobretudo no corpo central e na capela, que perdeu o caráter moderno inicial, e à não construção da ala perpendicular sul. O edifício, de linhas depuradas, possui um longo corpo horizontal, com as fachadas evoluindo em quatro pisos, rasgados por vãos retilíneos, interligados por frisos horizontais, ao nível dos peitoris e das vergas, acentuando a horizontalidade da frontaria, a qual é interrompida por corpos salientes e mais altos, nos extremos, a meio de cada pavilhão, correspondendo à caixa das escadas, e ao centro, conferindo grande simetria ao conjunto. O corpo central, simplificado relativamente ao projeto final, que previa imagens escultóricas ladeando o portal e sobre o exonártex, é revestido inferiormente a cantaria, criando nártex com portal, de verga reta, encimado por vãos longos e estreitos, em empena, separados por pilares assentes em mísulas, enquadrados por brasão do Cardeal Cerejeira. No interior, distribuem-se, no piso térreo, os espaços públicos e a residência dos professores, no segundo piso os quartos individuais para os alunos, sala de atividades lúdicas, biblioteca e enfermaria com solário, e nos últimos dois pisos localizam-se os dormitórios. A última versão da capela, concluída em 1951, possui uma linguagem mais tradicionalista, com a capela-mor coberta por domo, tipo tiara papal, idêntica à do Santuário de Santa Luzia, em Viana do Castelo. No interior, com cobertura plana e iluminação bilateral, tem três naves, separadas por pilares, definindo vários panos, com amplo vão retilíneo encimado por janelas de perfil apontado, sendo as laterais muito estreitas e mais baixas, formando deambulatório, que circunda o templo e para onde se abrem várias capelas facetadas. Tem arco triunfal retilíneo em ferro e na capela-mor, parcialmente revestida a mármore, abre-se na parede testeira tribuna, envolvida por decoração cerâmica com as armas do Cardeal Cerejeira, contendo cortina ocultando o trono, pintada com Calvário. |
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| Número IPA Antigo: PT031107090023 |
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| Registo visualizado 645 vezes desde 27 Julho de 2011 |
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Edifício e estrutura Edifício Educativo Colégio religioso Seminário
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Descrição
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| Planta em F deitado, com volumes articulados e coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas, em terraço, nas naves laterais e anexos da capela e em domo sobre a capela-mor. Fachadas rebocadas e pintadas de bege, com soco de cantaria e frisos e cornijas do remate pintadas de branco. A ala mais comprida tem as fachadas com quatro pisos, rasgados regularmente por vãos retilíneos, interligados por frisos horizontais, ao nível dos peitoris e das vergas, possuindo nos extremos, a meio de cada pavilhão e ao centro, corpos salientes e mais altos, correspondendo a zonas de acesso e distribuição e às caixa das escadas. Fachada principal virada a nascente, com o corpo central inferiormente revestido a cantaria, criando exonártex, com portal de verga reta, encimado por cinco vãos, longos e estreitos, em empena e sobre falsas mísulas, enquadrados por brasões. Os corpos intermédios salientes possuem longo vão, envidraçando, revelando os patamares das escadas, e os corpos dos extremos são rasgados inferiormente por porta, de verga reta, entre janelas. INTERIOR: no piso térreo distribuem-se os espaços públicos, como a administração, a secretaria, as salas de aula, refeitório e a cozinha, bem como a residência dos professores, no segundo piso os quartos individuais para os alunos, sala de atividades lúdicas, biblioteca e enfermaria com solário, e, no terceiro e quarto piso, localizam-se os dormitórios, cada um com 68 quartos individuais. A partir do portal do corpo central, desenvolve-se amplo vestíbulo, com quatro pilares e dois pisos, sendo o superior formado por galerias a circundar a sua zona central, sobreposto pela biblioteca, também com galerias superiores a contornar três lados. Segue-se galeria geral de circulação a interligar os corpos laterais, e as escadas de acesso ao piso superior e à capela e uma sala de visitas no piso térreo. A CAPELA tem planta poligonal composta de três naves, as laterais muito estreitas e mais baixas, formando deambulatório, circundando o templo, para onde se abrem três capelas de cada lado, de perfil facetado, e as várias dependências que flanqueiam a capela-mor, mais estreita: a sacristia, uma "reserva" e três arrecadações, instalações sanitárias, uma casa do fogo e escadas para o trono e às galerias. No INTERIOR, as naves separam-se por pilares, definindo vários panos, com amplo vão retilíneo e, superiormente, com janelas de perfil apontado, com vitrais. Possui pavimento em tacos de madeira, coro-alto de betão, com pavimento inclinado, e cobertura plana, marcada por vigas. Na nave central surge integrado no vão central, do lado do Evangelho, órgão de armário. Arco triunfal retilíneo em ferro, decorado. A capela-mor, parcialmente revestida a mármores, tem lateralmente amplos janelões com vitrais. Na parede testeira, abre-se tribuna, de perfil recortado e delimitada por filactera inscrita, envolvida por decoração vegetalista, cornucópias, anjos e as armas do Cardeal Patriarca Cerejeira, com cortina pintada com Calvário, ocultando o trono. |
Acessos
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| Moscavide, Rua do Seminário; Estrada da Circunvalação; Rua da Cidade de Rio de Janeiro. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,779369, long.: -9,108320 |
Protecção
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| Inexistente |
Enquadramento
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| Urbano, isolado, adaptado ao declive suave do terreno. Implanta-se entre as zonas residenciais da Urbanização da Portela, a noroeste, o Bairro da Encarnação e dos Olivais Norte, a sul. Insere-se na Quinta do Cabeço, vedada por alto muro, com densa vegetação, em posição ortogonal relativamente ao palácio da quinta, desenvolvendo-se entre ambos jardim de buxos. Na quinta existem outros edifícios de apoio ao Seminário. Nas imediações, ergue-se a Igreja de Cristo-Rei da Portela. |
Descrição Complementar
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| Na fachada principal, o corpo extremo norte tem a seguinte inscrição: "SICVT NOVELLAE / OLIVARVM". No corpo central da frontaria, bem como sobre a tribuna da capela-mor surgem as armas do Cardeal Cerejeira: sobre uma cruz firmada retangular e um báculo em aspa, dispõe-se o escudo carregado com uma cruz, de negro, orlada de prata; a cruz é carregada ao centro por um coração vermelho, envolvido por um esplendor de ouro e uma coroa de espinhos e encimado por uma coroa de nobreza, também em ouro. Na ponta do escudo tem três rosas, de Santa Teresinha do Menino Jesus, e, no ângulo direito da ponta do escudo, tem uma estrela de sete raios, em prata. Superiormente, sobre a cruz central, surge um triângulo, o símbolo da Santíssima Trindade, carregado pelo Tetagrama do nome de Deus. Encima o brasão, uma tiara e inferiormente tem filactera com a divisa do Cardeal "Adveniat regnum tuum", cuja tradução é "Venha a nós o teu reino". No interior da capela, dispõe-se um órgão de armário, de António Xavier Machado e Cerveira. |
Utilização Inicial
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| Educativa: seminário |
Utilização Actual
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| Educativa: seminário |
Propriedade
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| Privada: Igreja Católica |
Afectação
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| Sem afetação |
Época Construção
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| Séc. 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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| ARQUITETO: Porfírio Pardal Monteiro (1932-1938, 1950-1951). CERAMISTA: Jorge Barradas (1950). ENGENHEIROS: João Francisco Tojal (1948), Pedro Kopke Pardal Monteiro (1948). ORGANEIRO: António Xavier Machado e Cerveira (séc. 18-19). PINTORES: José de Almada Negreiros (1950), Sarah Afonso (1950). |
Cronologia
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| 1931, 01 novembro - inauguração do Seminário maior de Cristo Rei, nos Olivais, em Lisboa, pelo Cardeal Patriarca, D. Manuel Gonçalves Cerejeira (1888-1977), instalado provisoriamente no palácio da Quinta do Cabeço, que tinha pertencido ao Conde da Penha Longa; 1932, junho - a Igreja encomenda o projeto do Seminário maior de Cristo Rei, nos Olivais, ao arquiteto Porfírio Pardal Monteiro, por meio da "Sociedade Progresso de Portugal"; 27 junho - confirmação da encomenda do projeto do Seminário dos Olivais pelo próprio arquiteto Pardal Monteiro, sendo o edifício edificado em fases distintas; 1933 - construção do denominado Pavilhão de Santo António; 31 janeiro - projeto do Seminário Patriarcal: cálculos de betão armado; 1934 - o Seminário recebe os primeiros alunos na ala norte; 1930, década - divulgação da obra do Seminário pelo arquiteto Julius Posener na revista L'Architecture d'Aujourd' hui, que publica um artigo sobre as novas edificações realizadas pela Igreja, nomeadamente várias plantas do edifício e a parte já construída, o Pavilhão de Santo António; 1938 - construção da ala sul, ou Pavilhão de Santa Terezinha; 1939 - conclusão do corpo do refeitório, disposto perpendicularmente na ala norte; 1941, fevereiro - orçamento descritivo do corpo central e capela do Seminário Patriarcal dos Olivais, por Porfírio Pardal Monteiro; 1948, agosto - Seminário Patriarcal dos Olivais. Igreja: cálculos justificativos para betão armado, da autoria dos engenheiros João Francisco Tojal e Pedro Kopke Pardal Monteiro; 1950 - pintura dos vitrais da Igreja do seminário , três deles por Almada Negreiros, sendo também responsável pela decoração da parte superior e posterior do altar principal; desenho da cortina da tribuna da capela-mor por Sara Afonso e decoração envolvente pelo ceramista Jorge Barradas. |
Dados Técnicos
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| Sistema estrutural misto. |
Materiais
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| Estrutura de lajes e vigas; paredes rebocadas e pintadas; superfícies de betão armado protegidas com cortiça antes de estucar; soco, peitoris, brasões e outros elementos em cantaria; escadas exteriores de alvenaria hidráulica; portas de ferro forjado, de madeira maciça com ferragens de ferro decorado, de madeira envidraçada e de contraplacado envidraçadas; guardas e grades de ferro forjado; caixilharia de ferro; vidro simples, policromo formando vitral, ou tipo catedral; tetos em lajes de cimento armado protegidas na parte inferior com cortiça comprimida e estucadas, de estafe, de estuque; pavimento em lajes de cantaria, mosaico cerâmico, de cortiça, de tacos de madeira rija e em mármore; lambris de madeira; coro com estrutura de betão armado; arco triunfal em ferro forjado; revestimento da capela-mor, pilastras, mísulas, pedestais, altares e outros elementos em mármore polido; chapa ondulada a revestir a cobertura; beirais de telha. |
Bibliografia
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| BAIRRADA, Ed. M. - Prémio Valmor. 1902-1952. Lisboa: 1988; CALDAS, João Vieira - Pardal Monteiro - Arquitecto. Lisboa: AAP, 1997; CUNHA, João Pedro F. Gaspar Alves da - O MRAR e os anos de ouro da Arquitetura Religiosa em Portugal no século XX. A ação do movimento de renovação da arte religiosa nas décadas de 1950 e 1960. Dissertação de Doutoramento em Arquitetura - Teoria e História, apresentada à Faculdade de Arquitetura da Universidade de Lisboa. Lisboa: texto policopiado, 2014, vol. 1; I.P.P.A.A. - Almada Negreiros: um percurso possível. Lisboa: Imprensa Nacional da Casa da Moeda, 1993; MONTEIRO, João Pardal, MONTEIRO, Manuel Pardal - Pardal Monteiro 1919 - 2012. Lisboa: Calaidoscópio, 2013; PACHECO, Ana Ruela de Assis - Porfírio Pardal Monteiro / 1897 - 1957. A obra do arquitecto. Dissertação de Mestrado em História da Arte Contemporânea apresentada à Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa. Lisboa: texto policopiado, 1998, vol. 1. |
Documentação Gráfica
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| DGPC: Arquivo Pessoal de Porfírio Pardal Monteiro (PPM NT2 UAC17) |
Documentação Fotográfica
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| DGPC: SIPA |
Documentação Administrativa
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| DGPC: DGEMN:REE (PT DGEMN:REE-0027/14), Arquivo Pessoal de Porfírio Pardal Monteiro (ui 0010: PT PPM-TXT00020- PT PPM-TXT00021, UI0012: PT PPM-TXT00035) |
Intervenção Realizada
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Observações
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| EM ESTUDO |
Autor e Data
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| Paula Noé 2018 |
Actualização
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