Edifício do Ramiro Leão / Edifício da United Colors of Benetton

IPA.00007134
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
Arquitectura comercial. Estabelecimento comercial. Destaca-se o cunhal NO., elevando-se em torre acima da cornija do restante imóvel, resultante da intervenção do arquitecto Norte Júnior. No interior destacam-se o elevador ao estilo Arte-Nova, o vitral ao mesmo estilo e as pinturas a óleo do piso térreo.
Número IPA Antigo: PT031106200522
 
Registo visualizado 980 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Comercial  Loja    

Descrição

Planta simples, regular, rectangular. Massa simples de volumetria paralelepipédica, horizontalista, de que sobressai uma pequena torre quadrangular verticalista no ângulo NO. Cobertura de telhado a 2 águas e de domo em barrete de clérigo na torre, definida por arcos em cantaria e preenchidos por panos de vitral, rematado por bola em cantaria. Fachada principal virada a N.: de 5 pisos, sendo o primeiro subdividido em térreo e sobreloja e o último constituído por mansarda. Primeiro piso: com 3 amplos vão rectangulares, o central de acesso ao interior, separados por pilastras de cantaria em silharia fendida e rematadas por medalhão de ferro, e integralmente preenchidos por vidraças inscritas em caixilhos de ferro forjado de verga recta em 2 registos, sendo a porta ladeada por pilares de ferro decorados que suportam frontão curvo com ramagens sobre placa identificativa do estabelecimento comercial, e o 2º registo, correspondente à sobreloja, provido de uma guarda de ferro rectilínea à face do janelão. Segundo piso: 6 janelas de sacada com moldura rectangular rematada por cornija, servida por varandim sobre mísulas, com guarda de ferro que percorre toda a extensão da fachada. No terceiro piso, 6 janelas de peito com moldura rectangular, encimada por cornija que serve de base ao varandim do quarto piso, idêntico ao segundo, rematado por cornija em que se apoia o varandim do quinto piso em mansarda com revestimento em placas de ardósia em forma de escama de peixe, onde se abrem 6 trapeiras com moldura simples coroadas por cornija em arco rebaixado, rematado lateralmente por volutas. Remate em platibanda de ferro. Fachada O.: semelhante à fachada principal diferindo na largura e no número de vãos: 2 no primeiro piso e 4 nos restantes. No ângulo das fachadas cunhal em cantaria,igual às pilastras das fachadas, até ao segundo piso, a partir daqui com apontamentos escultóricos relevados como 2 medalhões circulares com cabeças de leão, encimados por emblema com monograma CRL (Casa Ramiro Leão) e rematado pelo torreão que é sustentado por mísulas simples sobre friso recortado decorado por baixo-relevo de tema vegetalista onde assentam os vãos com aplicações de vidro e óculos ovais. INTERIOR: todos os pisos, à excepção da mansarda, são espaço comercial público em espaço amplo, como suporte estrutural comum a todos existe a caixa que contém as circulações verticais (escada e elevador novo) e os pilares das fachadas. Tectos falsos em gesso cartonado pintados de branco com focos de iluminação embutidos, pavimentos em madeira envernizada. Piso térreo: no tecto 3 pinturas a óleo executadas por alunos da escola Afonso Domingues, com base em cartões de João Vaz. Na parede que ladeia a nova caixa de escadas, ao longo dos 2 primeiros pisos, 1 vitral rectangular representando motivos florais e animais. Na parede em frente à direita o elevador primitivo, do qual só resta a cabine. A entrada para esta é feita por um arco numa parede em madeira pintada a castanho escuro, encimada por um motivo floral em relevo no mesmo material, pendurado no arco uma placa identificativa em metal dourado e preto. Cabine do elevador em madeira pintada de branco com trabalhos de motivos vegetalistas em talha pintada a dourado. No interior os espelhos nas paredes são emoldurados com o mesmo tipo de trabalho em talha. O banco estruturalmente com as mesmas características da cabine do elevador, é estofado com veludo castanho.

Acessos

Rua Garrett, n.º 83; Largo do Chiado

Protecção

Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966), na Zona de Proteção do Aqueduto das Águas Livres (v. IPA.00006811), na Zona de Proteção da Igreja de Nossa Senhora dos Mártires (v. IPA.00003141) e na Zona de Proteção do Edificio na Rua Garrett n 102 a 122, Café A Brasileira do Chiado (v. IPA.00005957)

Enquadramento

Urbano, incluído na malha urbana do Chiado, fazendo gaveto, em quarteirão definindo uma das frentes do Lg. do Chiado. Flanqueado por edifícios comerciais de 5 pisos a S. e a E.. Em posição fronteira à Casa Havanesa (v. PT031106200627) e na proximidade do Palácio Ferreira Pinto Basto (v. PT031106200519), das igrejas de Nossa senhora da Encarnação (v. PT031106150521), de Nossa Senhora do Loreto (v. PT031106270325), e de Nossa Senhora dos Mártires (v. PT031106200085)

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Comercial: loja

Utilização Actual

Comercial: loja

Propriedade

Privada

Afectação

Sem afectacção

Época Construção

Séc. 19 / 20 / 21

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Jorge Matos Alves (2001); Manuel Joaquim Norte Júnior (1926). PINTORES: Alunos da Escola Afonso Domingues (1888); João Vaz (1888).

Cronologia

1888 - fundação do estabelecimento comercial, pelos irmãos António e Ramiro Leão; na parede que envolve a escada, foram executadas pinturas murais da autoria do pintor João Vaz (1859-1931), figurando o Palácio de Queluz, a Boca do Inferno, a Torre de Belém, o Mosteiro dos Jerónimos e a Basílica da Estrela e um vitral ao estilo Arte-Nova figurando motivos vegetalistas e animais; contava também com um elevador ao mesmo estilo e com pinturas a óleo no tecto realizadas por alunos da Escola Afonso Domingues com base em cartões de João Vaz; 1926 - um incêndio parcial, determinou uma campanha de obras, efectuada sob a orientação do arquitecto Manuel Joaquim Norte Júnior (1878-1962), responsável pela remodelação da fachada e pela construção do torreão do ângulo NO.; 2001 - obras de conservação da fachada, remodelação dos interiores sob a orientação do arquitecto Jorge Matos Alves; foram retiradas as pinturas murais de João Vaz, recuperadas e doadas ao Museu da Cidade em Lisboa; obras de recuperação e de desactivação do elevador primitivo; 2001, 17 Dezembro - abertura da Loja United Colors of Benetton.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Alumínio, alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, madeira.

Bibliografia

ARAÚJO, Norberto de, Peregrinações em Lisboa, Livro XII, Lisboa, s.d. ; COSTA, Mário, O Chiado Pitoresco e Elegante, Lisboa, 1965 ; AAVV, Guia Urbanístico e Arquitectónico de Lisboa, Lisboa, 1987 ; FERNANDES, José Manuel, JANEIRO, Maria de Lurdes, TOSTÕES, Ana Cristina, CÂMARA, Fernanda, Arquitectura do Princípio do Século em Lisboa, Lisboa, 1991 ; PEDREIRINHO, José Manuel, Dicionário dos Arquitectos Portugueses do Século I à Actualidade, Porto, 1994; Plano Director Municipal, Lisboa,1995

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID; CML

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

CML: Arquivo de Obras, Procº nº 11851 (2001 - processo de obra desaparecido; 2004, Set.30 - a aguardar resposta ao novo pedio de consulta do processo).

Intervenção Realizada

INQUILINO: 1999 / 2000 - obras de beneficiação geral, com pintura dce paramentos exteriores, limpeza de cantarias, manutenção de caixilharias; PROPRIETÁRIO: 2001 - obras de conservação das fachadas, reforço de estruturas, remodelação do espaço interior.

Observações

A caixa do elevador primitivo foi fechada nos diferentes pisos dando origem a espaço comercial.

Autor e Data

Teresa Vale, Maria Ferreira e Sandra Costa 2001 / Joana Leão 2004

Actualização

 
 
 
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