Palácio da Torre Bela / Solar dos Torre Bela

IPA.00006597
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Casa nobre barroca, de planta rectangular e alçados de 2 e 3 pisos adaptados ao desnível do terreno, com portal armoriado, fenestração do andar nobre regular, com janelas de sacada, conservando tapa-sóis, lambrequins e persianas fasquiadas. Decoração interior neoclássica com tectos estucados.
Número IPA Antigo: PT062203100014
 
Registo visualizado 43 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Planta constituída por 2 corpos longitudinais e orientados sensivelmente a N. / S., com grande massa volumétrica articulada, coberta por telhados de tesoura, marcados por gárgulas de cantaria em forma de canhão bojudo, cobertos por telha de canudo e com beiral simples sobre cornija em alvenaria pintada a cinza forte. Fachada principal virada à R. dos Ferreiros de pendor inclinado, de 2 e, mais para S., 3 pisos, com embasamento e pilastras laterais em cantaria aparente com estilóbatos relevados marcando o piso nobre. Ao centro, abre-se portal de cantaria com pilastras centrais relevadas a fazerem a ligação directa ao entablamento, este com filete relevado intermédio e balanço superior ressalvado sobre as pilastras; pilastras laterais com rebaixo central e apontamentos esculpidos, assentes em pilastras aparentes com capitéis de suporte do entablamento, astrágalo e bases relevadas, encimado por pedra de armas dos Correia e Henriques. As janelas do andar nobre, de sacada, articulam-se com os vãos do 1º piso, portas na metade N. e janelas na metade mais a S., onde existe mais uma janela; molduras de cantaria pintada, com as varandas centrais assentes em mísulas sobre o portal e a articularem-se com as portas e janelas restantes; servem ainda como lintel de balanço para os vãos do piso inferior, marcando espelho de alvenaria ao centro; nas janelas superiores molduras com filete intermédio relevado e lintel de balanço, portas e janelas inferiores somente com filete relevado superior e as janelas, parapeito relevado em alvenaria. As janelas do andar nobre têm lambrequins, a N. algumas ainda têm persianas fasquiadas, tapa-sóis de madeira fasquiada pintados a verde nas janelas a S.; varandas com grade de ferro forjado e barras de ferro com bolachas centrais. Fachada S. de 3 pisos, com vãos semelhantes aos da fachada O.. Tem adossado 2 corpos de serviços: um de 5 pisos com 2 portas no piso térreo e pares de janelas de guilhotina com molduras de alvenaria, algumas com tapa-sóis e pequena grade de parapeito à face; outro de 3 pisos de grande escala. INTERIOR com átrio e vestíbulo ladrilhado, porta central ladeada por 2 arcos de cantaria recobertos a alvenaria pintada, com arcos de volta perfeita com bandeiras envidraçadas, de acesso a 2 lances de escadas, com degraus de cantaria e corrimão com balaústres de madeira torneada; escadaria e vestíbulo do piso nobre encimados por magníficos tectos de estuque: o do vestíbulo, de grande riqueza formal tem as armas "em cortesia" dos Correia e Henriques, e dos Esmeraldo, e o da escadaria grande brasão das famílias Correia e Henriques, policromado.

Acessos

Funchal (Sé), Rua dos Ferreiros n.º 70 a 78; Travessa do Forno n.º 1 a 9

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 37 077, DG, 1.ª série, n.º 228 de 29 setembro de 1948

Enquadramento

Urbano, adossado, integrado num quarteirão no centro histórico da cidade, com acesso pela R. dos Ferreiros e Tv. do Forno, numa das principais artérias comerciais.

Descrição Complementar

O portal é encimado pelas armas partidas dos Correia e Henriques assentes em escudo rocaile, com coronel de visconde e concheado inferior de ligação ao lintel do portal. No corpo posterior de serviços subsistem ainda painéis de azulejos de figura avulsa.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Serviços: edifício de escritórios

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1558 a 1563 - provável residência do bispo D. Jorge de Lemos nas importantes casas de Tristão Gomes de Castro; 1567 - representação de construções nesta área na planta do Funchal de Mateus Fernandes; 1570 Junho e Julho - permanência dos padres jesuítas que acompanhavam Inácio de Azevedo, os "futuros mártires do Brasil", nestas casas; 1574 a 1582 - instalação do bispo D. Jerónimo Barreto; 1586, 4 Agosto a 1594, inícios - instalação do bispo D. Luís Figueiredo de Lemos nessas casas; 26 Julho - grande incêndio no centro do Funchal, de que ficou o topónimo das R. das Queimadas, iniciado nas casas de Tristão Gomes de Castro; 1640 - instituição da capela de Nossa Senhora da Boa Hora no sítio da Torre, em Câmara de Lobos, por António Correia Bettencourt Berenguer, de onde proveio o futuro título de Torre Bela; 1666, 1 Março - nascimento de Henrique Henriques de Noronha, que viria a fixar residência nestas casas e aqui escrever as suas memórias; 1722 - referência de Noronha que na redacção das Memórias Seculares... pertencerem então a António Correia Bettencourt Henriques; 1730, 26 Abril - falecimento de Henrique Henriques de Noronha no então solar dos morgados Brito Correia; 1768 - nascimento de Fernando José Henriques Correia Brandão Bettencourt Henriques, 1º visconde de Torre Bela; 1800 - referência na planta de Agostinho Marques da Rosa do palácio pertencer então a Fernando José Correia Brandão, 1º visconde de Torre Bela; 1821 - falecimento do 1º visconde de Torre Bela; 1879 - instalação no palácio do Clube Funchalense; 1901 - encerramento do Clube Funchalense; 1940, 26 setembro - publicação de Decreto nº 30 762, no DG, 1.ª série, n.º 225, determinando a classificação do Palácio da Torre Bela como Imóvel de Interesse Público; 01 novembro - publicação do Decreto nº 30 838, DG, 1.ª série, n.º 254, suspendendo o decreto n.º 30 762, de 26 de setembro do mesmo ano, relativamente à classificação de imóveis de propriedade particular.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira ( carvalho e outras ), azulejo, estuque, amarrações mistas e telha de meio canudo.

Bibliografia

NORONHA, Henrique Henriques de, Nobiliário da Ilha da Madeira...1700, São Paulo, 1947; idem, Memórias Seculares e Eclesiásticas. 1722, Funchal, 1997; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; LUCENA, Vasco de, Portas Armoriadas, in DADHM, nº 4, Funchal, 1950; TRUEVA, José de Sainz, Heráldica madeirense, Atlântico, nº 11, Outono de 1987; idem, Tectos armoriados, Islenha nº 1, Jun. - Dez. 1987; CARITA, Rui, História da Madeira, 3º vol, Funchal, 1992; idem, As Dinastias dos Habsburgos e dos Braganças, Funchal, 1992; CALDEIRA, Susana, Clube Funchalense ( 1839 - 1870 ), Islenha, nº 18, Jan. - Jun. 1996, pp. 24 a 31; PEREIRA, Otília, Clube Funchalense, as últimas décadas, Islenha, pp. 32 a 38; CARITA, Rui e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Itinerário Cultural do Funchal, Funchal, 1997.

Documentação Gráfica

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro ( planta do Funchal de Mateus Fernandes, 1567 ); BPM Porto ( planta de Agostinho José Marques Rosa, 1800 ); Mapoteca do IGC ( planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804 ), Lisboa; GR / Equipamento Social e DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

ARM; CMF e Juízo dos Resíduos e Capelas, antiga Junta Geral; DRAC, Funchal; IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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