Palácio da Marconi

IPA.00006595
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Palácio urbano setecentista, de planta rectangular, integrando imponente torre quadrangular central, recuada, com fachada principal de dois pisos, o térreo para lojas e arrecadações e andar nobre com janelas de sacada, encimadas por friso e cornija; ao centro abre-se portal bastante elaborado, com pilastras sustentando entablamento, encimado por tabela rematada em frontão curvo interrompido entre aletas.
Número IPA Antigo: PT062203100088
 
Registo visualizado 46 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo torre

Descrição

Planta rectangular orientada a N. / S. integrando torre quadrada central e com logradouro para E.. Volumes articulados com cobertura em telhados de tesoura, de telha de canudo, de que se destaca a alta torre, com cobertura a quatro águas, rematadas em beiral triplo de telha de canudo. Fachada principal virada à R. do Esmeraldo de dois pisos, percorrido por embasamento; no piso térreo é rasgada por nove portas de verga recta e molduras simples de cantaria, tendo ao centro elaborado portal. Este, possui pilastras triplas sobre plintos, um deles ornado por losango inscrito, suportando entablamento, com cornijas e frisos ornados com motivos distintos, o central cordiforme, cornija bastante avançada e decorada, sobreposta por friso; sobre este desenvolve-se tabela rectangular, definida por quarteirões, com elementos vegetalistas, ladeada de aletas fitomórficas, e rematada em frontão curvo, interrompido por elementos e cogulho vegetalistas. Nos extremos do entablamento assentam duas das varandas de sacada do piso superior. No andar nobre abrem-se dez janelas de sacada, de verga recta e molduras terminadas em pequena cornija, encimadas por friso e corija recta, com as sacadas percorridas por filetes e guarda em ferro forjado, de bolachas pintadas a verde escuro. As janelas têm portadas envidraçadas de madeira pintadas de branco e lambrequins com franja entalhada, pintados a verde, com aplicações decorativas em losango e remate exterior pintados a branco. A fachada é ritmada por seis gárgulas de cantaria em forma de canhão com secção quadrada e corpo em caixa de fole. Sobre o edifício sobressai a torre com mais três pisos, recuada em relação à fachada, tende por piso e por face duas janelas de peitoril de molduras simples, e caixilharia de guilhotina. INTERIOR totalmente reformulado. Vestíbulo rectangular com arco de volta perfeita sobre pilastras, comunicando com pátio rectangular, com arcos de volta perfeita sobre pilastras, a partir dos quais se desenvolve escada para o andar nobre, onde possui, em cada uma dos lados, vão tripartido, arquitravado sobre pilares quadrangulares. Num dos lados possui serliana de ligação a uma das salas e noutro o retábulo da antiga capela, em cantaria regional, de planta recta e três eixos, definidos por pilastras esculpidas com elementos fitomórficos; ao centro tem nicho em arco de volta perfeita encimado por frontão, hoje albergando uma tábua pintada com a Virgem com o Menino. Noutra sala for reposto o tecto artesoado e pintado com elementos "brutescos" enquadrando o brasão de armas de Nicolau Geraldo de Freitas Barreto.

Acessos

Funchal (Sé), Rua de João Esmeraldo n.º 20 a 38

Protecção

Categoria: VL - Valor Local, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 223/95, JORAM, 1.ª série, n.º 46 de 07 março 1995

Enquadramento

Urbano, integrado no interior de um quarteirão do centro histórico do Funchal e dando para actual Pç. de Colombo, com acesso pela R. de João Esmeraldo.

Descrição Complementar

A cave é reservada às instalações técnicas, centrais de ar condicionado, de bombagem e telefónica, grupo de emergência, arquivos e armazém. No piso térreo está instalado o centro de comunicações Cristóvão Colombo, auditório para 51 pessoas, e serviços administrativos; no segundo piso está instalado a Direcção Regional e serviços de apoio; nos quatro pisos da torre funcionam os gabinetes técnicos e administrativos.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Serviços: sede de empresa

Propriedade

Pública: Regional

Afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Carlos Ramos (1988).

Cronologia

1495 - João Esmeraldo manda construir ricas moradas numa rua do Funchal que ficou conhecida pelo seu nome; 1533 - junto às casas de João Esmeraldo existiam umas "casinhas térreas" que serviam de arrecadação ou aposentos da sua criadagem; João Esmeraldo ordena aos seus descendentes que procedessem à reconstrução das casas e as aforassem por $300; séc. 17 - referência a viver nesta área o capitão Francisco Fernandes Branco; 1686, 27 Maio - casamento de Eusébio da Silva Barreto com Leonor de Freitas de Vasconcelos e provável adaptação das casas da Rua de João Esmeraldo para sua residência; 1696, 29 Fevereiro - nascimento na freguesia da Sé do futuro capitão Nicolau Geraldo de Freitas Barreto; 1717 - referência à residência de Eusébio de Freitas Barreto na R. de João Esmeraldo; 1723, 8 Julho - alvará régio de nomeação de Nicolau Geraldo de Freitas Barreto como escudeiro e cavaleiro fidalgo com 750 réis de moradia e um alqueire de cevada por dia; 1724, 5 Agosto - casamento de Nicolau Geraldo com Isabel Juliana de Atouguia; 1728, 23 Março - falecimento na freguesia da Sé de Eusébio de Freitas Barreto; 1731, 3 Maio - atribuição de armas ao capitão Nicolau Geraldo de Freitas Barreto, após o que seriam pintadas no tecto do oratório interior; 1748, 1 Abril - terramoto no Funchal poderá ter causado problemas na estrutura das casas; 1764 - falecimento de Nicolau Geraldo de Freitas Barreto; 1773, Junho - residência no palacete do comerciante Robert Bisset; 1786, 6 Dezembro - reconhecimento de dívida dos herdeiros de Nicolau Geraldo de Freitas Barreto à firma Scott Pringle & Cª., à qual estava hipotecada a residência da Rua do Esmeraldo; séc. 18, finais / séc. 19, início - o palacete pertencia a Hill Bisset & Cª.; 1808 - referência ao palacete pertencer a Gordon Duff & Cª, empresa dedicada ao comércio com a América do Norte; os seus proprietarios mandam pintar os tectos de estuque; séc. 19, 1º quartel - funcionamento no edifício do "Colégio Câmara", do Prof. Alfredo Bettencourt da Câmara (1875; 1921); 1859, 30 Novembro - aquisição do palacete por James Adam Gordon Duff à firma Gordon Duff & Cª e a João de Freitas Martins que detinha um quinto da propriedade; data aproximada das pinturas murais que decoravam duas das salas do andar nobre; 1875 - aquisição do palacete pela Sociedade Cooperativa de Consumo e Crédito do Funchal à viúva de Gordon Duff, que aqui instalou uma mercearia; 1880 - encerramento da mercearia; 1915 - aquisição do imóvel por José Figueira (Figueira & Cª.), por 40 contos; 1944 - passa para a posse dos herdeiros de José Figueira, continuando com espaço commercial e armazém em estado de semi-abandono; 1967 - data do desabamento do tecto da sala onde estava a capela, revelando um tecto artesoado pintado com temas mitológicos e brasão; 1968, Maio - descoberta do tecto pelo Padre Eduardo Pereira, iniciando-se uma longa polémica e discussão pública à volta da sua filiação a Colombo ou não; o tecto passou para a posse de Samuel Canha Jardim, escriturário da empresa; 1981, 24 Janeiro - incêndio devora a parte S. do edifício; 1982 - era propriedade da firma "Figueira Irmãos & Co Lda." e as lojas ocupadas por "Figueira Freitas (adubos) Ldª", "Viúva de M. G. de Oliveira (Sucrs.), Lda." e "Banganho & Borges, Ldª."; 1985, 8 Fevereiro - aquisição pela Caixa Económica do Funchal; 1986, 13 Junho - grande incêndio de origem duvidosa destrói todo o edifício causando um morto e 14 feridos; 16 Dezembro - aquisição pela Companhia Portuguesa Rádio Marconi S. A. com vista à sua recuperação; 1991, Março - inauguração das actuais instalações.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho, casquinha e outras), ferro, vidro, amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro e telha de meio canudo.

Bibliografia

AAVV, Reabilitação do Palácio da Rua do Esmeraldo no Funchal, in Engenharia & Arquitectura, Revista Bimestral, ano 5, nº 27, Junho / Julho, Lisboa, 1991; ARAGÃO, António, Notas sobre a evolução de uma zona histórica da cidade: Palácio da Rua do Esmeraldo, sede da Marconi do Funchal, Funchal, Mar. 1991; IDEM, Para a História do Funchal, Funchal, 1980; Fogo devora parte da Casa do Esmeraldo, Jornal da Madeira, 25 Jan. 1981; CÂMARA, Emanuel e FERREIRA, Barata, Madrugada negra na Rua do Esmeraldo: um corpo carbonizado, 10 feridos e milhares de contos de prejuízo, Jornal da Madeira, CORREIA, Henrique, Em edifício de valor arquitectónico, violento incêndio na Rua do Esmeraldo provocou um morto e três feridos graves. Prejuízos avaliados em mais de 100 mil contos; duas crianças evacuadas para Lisboa, Diário de Notícias, Funchal; IDEM, Causando um morto e uma dezena de feridos, grande incêndio no Funchal destruiu a velha Casa de Colombo, Diário Popular, Lisboa, 14 Junho 1986; CARITA, Rui e outros, Escavações nas casas de João Esmeraldo / Cristóvão Colombo, catálogo de exposição, Funchal, Dez. 1989; CARITA, Rui, História da Madeira, 1º, 3º, 4º e 5º vols., Funchal, 1989 a 1999; COELHO, A. Pinto, Os painéis da Casa de João Bettencourt e Freitas, Diário de Notícias, Funchal, 18 Jun. 1970; GOMES, João dos Reis e TAVARES, arq. Edmundo, Casas Madeirenses, compilação de artgs. de 1929 com desenhos do arquitecto Tavares, Funchal, 1937; Obra de Arte digna de Museus: "Epopeia de Cristóvão Colombo", colecção de pinturas do século XV... ouvindo Samuel Canha Jardim, detentor desse Património Artístico, Jornal da Madeira, 28 Nov. 1976; ORNELAS, Agostinho de, A residência de Cristóvão Colombo na Ilha da Madeira, Academia Real das Ciências de Lisboa, 1892; PEREIRA, padre Eduardo Nunes, Ilhas de Zarco, Funchal, 1967; "As tábuas de Colombo" e ... o que se lerá, Comércio do Funchal, 2 Jun. 1968; SILVA, Gustavo de Morais e, Uma terceira casa de Colombo no Funchal, agora descoberta, e um tecto pintado em homenagem ao Império do Sudão, Comércio do Funchal, 5 Jul. 1970; SANTOS, Rui, Uma velha Gramática, Jornal da Madeira, 11 Mar. 1990; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; SOUSA, João, Notas de História da Madeira: O Palácio da Rua do Esmeraldo nunca foi "Palácio dos Esmeraldos", Diário de Notícias; SOUSA, João e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Património para quê ? (30): Tectos madeirenses decorados a estuque e pintados a fresco, Diário de Notícias, 11 Outubro 1985; SOUSA, José de Santos e, Acerca do tecto artesonado da pseudo Casa do Esmeraldo, no Funchal, e da origem heráldica de Don Cristóbal Colon, Lisboa, 1969; TRUEVA, José Manuel de Sainz, Tectos armoriados madeirenses, Islenha, nº 1, Jul. - Dez. 1987, p. 120; Vela ou ponta de cigarro terá causado incêndio na Casa de Colombo, Jornal da Madeira, 19 Junho 1986; VERÍSSIMO, Nelson, Identificação do brasão de armas. O tecto artesonado do palácio da Rua do Esmeraldo, Diário de Notícias, Funchal, 3 Abril 1991; VERÍSSIMO, Nelson, O palacete da Rua do Esmeraldo, Islenha, nº 11, Julho - Dezembro 1992, pp. 104 a 112; VIEIRA, Alberto, Colombo em saldos, Diário de Notícias, Funchal, 15 Fevereiro 1992.

Documentação Gráfica

Mapoteca do IGC ( planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804, com localização da capela ), Lisboa; GR / Equipamento Social; DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

ARM; CMF; Juízo dos Resíduos e Capelas; antiga Junta Geral; DRAC, Funchal; IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

CMF: 1986 - demolição de todo o conjunto interior após o incêndio de 13 para 14 Junho, que poderia ameaçar ruína; 1989 - campanha arqueológica de emergência a cargo da CMF e do atelier do arquitecto Mário Varela Gomes na futura Praça de Colombo com vista à recuperação de elementos antes da construção do parque de estacionamento subterrâneo para a futura sede da Marconi; Marconi: 1989 - início da reconstrução com escavação pontual de emergência no logradouro do antigo palácio a cargo do arquitecto Mário Varela Gomes; reabilitação do imóvel com recuperação dos elementos remanescentes do antigo palácio e reconstrução do anterior volume; reergueram-se os dois pisos principais e os quarto da torre; restauro da fachada principal e dos arcos estruturais; recuperação dos elementos da antiga capela; aquisição do antigo tecto, restauro do mesmo e sua reposição no espaço onde estava inicialmente; aquisição de peças de mobiliário.

Observações

Várias polémicas encontram-se relacionadas com este imóvel, como a relativa à residência de Cristóvão Colombo neste local, que se deveu à demolição das casas góticas fronteiras, em 1876 e à recuperação do tecto da antiga capela pelo Sr. Samuel Canha Jardim, em 1967. No sentido de valorizar o seu achado, para além de várias entrevistas dadas pelo próprio e da polémica no jornal "Comércio do Funchal", foram pedidas pareceres ao major José Campos e Sousa (28 Setembro 1968), que o classificou nos finais do Séc. 16; Alfonso E. Pérez Sánchez, do Museu do Prado (26 Setembro 1969), idem; Dr.ª Maria Alice Beaumont, do Museu Nacional de Arte Antiga (24 Setembro 1977), nos finais do Séc. 17 ou inícios do 18, o que está correcto, e ainda avaliações ao Dr. António Aragão, do Arquivo Histórico da Madeira (30 Janeiro 1978), 50 mil escudos e João Silvério de Caires (11 Feveiro 1978), 3.200 contos. Para o novo edifício da Marconi os painéis acabaram por ser vendidos por uma verba alta, mas não revelada. Mais tarde, em 1975, nova questão surgiu no Museu das Cruzes, onde se encontrava depositado o altar de cantaria da capela do palácio e que levou à demissão da comissão directiva do Museu. Por último, as escavações levadas a efeito na praça fronteira, hoje de Colombo, e que colocaram em causa as obras gerais do conjunto do palácio e do parque de estacionamento subterrâneo, levaram ao cancelamento das mesmas escavações, com algum alarido na comunicação social regional e nacional.

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
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