Núcleo urbano da cidade de Vila do Conde / Parte antiga de Vila do Conde e Azurara

IPA.00006147
Portugal, Porto, Vila do Conde, Vila do Conde
 
Núcleo urbano sede municipal e núcleo urbano sede de freguesia. Cidade situada em costa marítima e em margem fluvial. Vila medieval de jurisidição régia. Vilas medievais autónomas unidas pela travessia fluvial. Conjunto urbano constituído pelos centros históricos de Vila do Conde e de Azurara. As duas povoações desenvolveram-se como vilas autónomas situando-se uma diante da outra sobre as duas margens do rio Ave. Azurara apresenta uma estrutura urbanística muito simples sendo constituída por um único eixo, a Estrada Velha do Porto que atravessava o rio na Barca de Passagem e depois na Ponte. Vila do Conde apresenta uma estrutura mais complexa com dois pólos, o Monte de Santa Clara, onde se situava o castelo, a primitiva igreja paroquial e depois o Mosteiro, e a área ribeirinha. A reetruturação urbanística realizada no séc. 16 em função dos eixos que partiam em direcção a N., conduziu à criação de um novo pólo, a Praça Nova, onde foram erguidas a Casa da Câmara e a nova Igreja paroquial. A expansão urbana de Vila do Conde nos séc. 19 e 20 desenvolveu-se numa área a O. do respectivo centro histórico segundo um padrão ortogonal.
Número IPA Antigo: PT011316040023
 
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Registo

 
Conjunto urbano  Aglomerado urbano  Cidade  Vila medieval  Vila medieval  Monástico-conventual (Ordem de Santa Clara)

Descrição

ESTRUTURA URBANÍSTICA: Localizando-se em margens opostas, relacionadas entre si através de um importante eixo regional, a Estrada Velha Porto - Viana do Castelo, apresentam estruturas urbanísticas muito diferentes. Vila do Conde estrutura-se segundo dois pólos: o Monte de Santa Clara, onde se situava o castelo, a primitiva igreja paroquial e depois o Mosteiro, e a área ribeirinha. Nesta última, os principais eixos desenvolvem-se no sentido S / N, perpendicularmente à frente do rio, convergindo para o antigo Campo de S. Sebastião onde a reestruturação urbanística realizada no séc. 16 criou um novo pólo, a Pç. Nova. Aqui foram então erguidas a Casa da Câmara e a nova Igreja paroquial. Esta Pç. opunha-se à Pç. Velha (actual Pç. da República) situada junto do rio e antigo Campo da Feira. A expansão urbana de Vila do Conde nos séculos 19 e 20 desenvolveu-se segundo um padrão ortogonal numa área a O. do respectivo centro histórico. Porém, a relação entre as duas áreas foi facilitada através da abertura de novos eixos que se sobreposeram à malha medieval e moderna: a Av. José Régio, com início na Ponte Metálica, prolongando-se para N. pela R. 5 de Outubro ou, para O., pela R. 25 de Abril dando continuidade para a R. Coronel Alberto Graça. Azurara apresenta uma estrutura urbanística muito simples sendo constituída por um único eixo, a Estrada Velha do Porto que constituía a antiga R. Direita. No troço mais a S. desta abre-se um largo onde se localiza a antiga Casa da Câmara, o Pelourinho e a Igreja Paroquial. ESPAÇO CONSTRUÍDO: a parte alta de Vila do Conde é dominada pelas construções da Igreja e do Mosteiro de Santa Clara (v. PT01131628004) e pelas da igreja e mosteiro de São Francisco do Monte. Na zona ribeirinha, a Pç. Velha é dominada pela Casa do Submosteiro (v. PT01131628013) enquanto na mesma frente do rio, no extremo oposto a O., destacam-se a Capela de Nossa Senhora do Socorro (v. PT01131628015) e a casa da antiga Alfândega. Entre os dois extremos, nos vários eixos que se desenvolvem perpendicularmente ao rio, dominam diversas casas solarengas (Casa da Beijoca, Casa de São Roque, Casa dos Faria Gaios, Casa do Vinhal), capelas (Capela de São Roque e Capela de São Bento) e a Igreja e Convento do Carmo. Na área do pólo a N. para onde aqueles eixos convergem, a Pç. Nova, dominam as construções da Igreja Matriz de São João (v. PT01131628003), a Casa da Câmara, o Pelourinho (v. PT01131628007) e a Igreja da Misericórdia (v. PT01131628019). O eixo estruturador de Azurara é dominado, no troço mais a S. pela Igreja paroquial (v. PT01131604005), o Cruzeiro (v. PT01131604010) e o Pelourinho (v. PT01131604008), enquanto no troço mais a N. destacam-se a Casa da Praça (v. PT01131604012), a Capela de São Nicolau e a Capela dos Passos.

Acessos

EN13, Avenida Mouzinho de Albuquerque

Protecção

Em vias de classificação (Homologado como IIP - Imóvel de Interesse Público, Despacho de Junho 1981)

Enquadramento

Urbano. As partes antigas das duas povoações são zonas de antiga e densa ocupação urbana abertas sobre o rio Ave. As áreas envolventes porém, sobretudo do lado de Azurara, apresentam amplos espaços de características rurais desenvolvendo-se ao longo das duas margens do curso terminal do rio.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Época medieval / Época moderna

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

569 / 572 - Referência ao primitivo povoado de Vila do Conde como Castro sobre a foz do rio Ave; 868, depois de - Afonso III de Leão manda repovoar as terras de Entre Minho e Douro pelos Condes Vímara Peres e Hermenegildo Guterres, o último dos quais talvez na origem do topónimo da povoação; 953 - carta de venda da vila do Conde com as suas salinas, pesqueiras e igreja construída no castro chamado de S. João; 1059 - o inventário dos bens do mosteiro de Guimarães, refere a Vila do Conde com as suas salinas, pesqueiras, igreja de S. João Apóstolo e, dentro do mar, a ermida de S. Julião Mártir; 1200 - Sancho I faz doação de Vila do Conde à sua amante D. Maria Pais, a Ribeirinha; 1318 - D. Afonso Sanches e D. Teresa Martins fundam o mosteiro de Santa Clara; 1487, depois de - criação da Alfândega de Vila do Conde por ordem de D. João II; 1500 - inicia-se a obra da igreja nova de S. João; 1510 - fundação da Misericórdia de Vila do Conde; 1516 - primeiro foral de Vila do Conde concedido por D. Manuel I; c. 1518 / 1552 - obra da igreja paroquial de Azurara; 1538 / 1543 - obra dos novos Paços do Concelho na Praça Nova; 1566 - criação da Misericórdia de Azurara; 1602 / 1614 - construção do Castelo de S. João Baptista para defesa da barra; 1603 - fundação da ermida de Nª Sª do Socorro; 1705 / 1714 - construção do aqueduto de Vila do Conde; 1746 - construção dos Passos de Azurara; 1793 - construção de uma ponte de pedra sobre o Ave substituindo a antiga Barca de Passagem; 1821 - uma cheia destruiu a ponte de pedra tendo sido substituído por uma nova em madeira; 1893 - aberta ao trânsito a ponte moderna metálica sobre o Ave.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Não aplicável

Bibliografia

FERREIRA, J. Augusto, Vila do Conde e seu alfoz. Origens e Monumentos, Porto, 1923; GUIMARÃES, Bertino D. R. S., CUNHA E FREITAS, Eugénio A., NEVES, Serafim G., Azurara. Subsídios para a sua monografia, Porto, 1948; GUIMARÃES, Bertino D. R. S., CUNHA E FREITAS, Eugénio A., Subsídios para uma monografia de Vila do Conde, Porto, 1953; Regulamento para as intervenções no perímetro do núcleo antigo de Vila do Conde e Azurara, Vila do Conde, 1987.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DREMN

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DREMN

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN / DREMN

Intervenção Realizada

1978 - a DGEMN elaborou um estudo intitulado Estudo da Zona de Protecção do Conjunto Histórico, Paisagístico e Arquitectónico de Vila do Conde e Azurara, o qual incluia uma planta delimitando a Zona de Protecção, estudo este conducente a uma proposta de classificação; 1978 - após parecer da Comissão Organizadora do Instituto de Salvaguarda do Património Cultural e Natural a Zona de Protecção proposta é alterada a fim de incluir alguns edifícios não considerados inicialmente; 1981 - é elaborado parecer da mesma Comissão propondo que o tipo de classificação seja Imóvel de Interesse Público; 1981 / 1985 - não são ultrapassadas as dificuldades verificadas na identificação da propriedade classificada e dos proprietários respectivos; 1987 - a Câmara Municipal, através do Gabinete Técnico Local / G.T.L., assegura a gestão do Núcleo Antigo de Vila do Conde e Azurara fazendo publicar o Regulamento para as intervenções no perímetro do núcleo antigo de Vila do Conde e Azurara contendo a respectiva planta; 1988 - recuperação da Igreja e Convento do Carmo com projecto do GTL; 1991 - recuperação da Casa de Submosteiro para Auditório Municipal com projecto do GTL; 1991 - recuperação da Casa do Vinhal com projecto do GTL para Escola de Rendas; 1991 - renovação urbana na área envolvente ao edifício da Câmara Municipal; 1991 - o Plano Director Municipal, no Relatório 10, respeitante ao Património Edificado, propõe a classificação na área do Núcleo Antigo de Vila do Conde e Azurara, de um conjunto de imóveis como Imóvel de Interesse Público e como Imóvel de Interesse Concelhio; 1994 - encontra-se em fase de finalização o Plano de Pormenor para o Núcleo Antigo de Vila do Conde e Azurara; 1994 - encontra-se em fase de projecto a recuperação da antiga Casa da Alfândega para instalação do núcleo museológico da construção naval.

Observações

A Estrada Velha Porto - Viana do Castelo atravessava o rio Ave numa barca e depois do final do séc. XVIII por ponte.

Autor e Data

Isabel Sereno / Paulo Dordio 1995

Actualização

 
 
 
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