Jardim do Palácio do Freixo

IPA.00005558
Portugal, Porto, Porto, Campanhã
 
Espaço verde de recreio. Jardim setecentista de decoração barroca. A quinta encontra-se envolvida por frondosa mata em alamedas e cascatas. Do palácio é possível obter bonitos enquadramentos do jardim. A necessidade de percorrer as diferentes escadas de acesso aos vários pontos do jardim, que se localizam nos diferentes terraços desnivelados, é um factor importante para a vivência do espaço.
Número IPA Antigo: PT011312030184
 
Registo visualizado 427 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Barroco    

Descrição

Os jardins (que demonstram ter sido de grande sumptuosidade ornamental) distribuem-se em dois terraços, um para a E., em direcção ao rio e outro para O., formando um ângulo recto que, enobrecendo estas fachadas conduzia até ao rio ou até aos campos de cultivo, oferecendo por isso, diferentes panoramas. Actualmente os jardins demostram grande abandono, embora ainda seja possível perceber os terraços, os quais eram pontuados por jogos de água que alternavam com balaustradas de granito, estátuas, pedras trabalhadas, simulando cestos com frutas, e outros ornatos, terminando por uma muralha - cais, na margem do Douro. Agregados à casa surgem três jardins-terraços, como espaços autónomos em relação ao traçado do jardim. Os jardins, de inspiração nasoniana, encontravam-se repartidos por arquitectónicas alamedas de balaústres e povoados de esculturas alegóricas. Ao longo do rio corria um varandim. No interior sobressaiam luxuosas decorações em estuque, frescos, espelhos e lustres.

Acessos

Campanhã, EN. 108, 200 m depois do cruzamento Gondomar / Entre-os-Rios

Protecção

Incluído na Zona Especial de Protecção do Palácio do Freixo (v. IPA.00005458)

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado, beira-rio. Ligeiro declive sobre a margem direita do Douro, zona envolvente com fábricas de moagem, panorâmica sobre o rio e a cidade do Porto. Asfixiado pelas construções fabris que o foram rodeando.

Descrição Complementar

"Junto da fachada principal virada a S. e sobre o rio Douro recorta-se, emoldurado por balaustradas dos três lados, em tabuleiro, o JARDIM DE APARATO. Para estes jardins abrem-se os grandes salões e Sousa Reis descreve "a par do formoso jardim que lhe fica em frente para a parte S., para onde está voltada a principal fachada de tão imponente e magestoso logo ao encará-lo. "Mais relacionado com a fachada do que com um terraço global de espaços exteriores, fica outro jardim completamente independente do jardim de aparato: o jardim reservado." (CARITA, Helder, Tratado de Grandeza dos jardins em Portugal, 1990). "Há outro jardim reservado e fechado, que fica a poente, sendo nele notável o arco de servidão... no primeiro andar,..., vê-se no centro do corpo do meio uma porta com escadarias de pedra que ministram a comunicação com o mesmo jardim, o qual tem no centro uma volumosa taça de água repuxada em grande quantidade, e é cercado por três lados de balaustradas de granito finíssimo. Se interiormente subirdes até ao pavimento do segundo andar com direcção à saída do edifício, para as trazeiras dele, fascinar-vos-á, ultrapassando a soleira da porta, um largo semi-circular cercado de assentos de pedra encostados às janelas, que o formam e o resguardam, todas rematadas com frisos e com divisões aparentes e cingidas por pilastras de granito lavrado e polido, e a um e outro lado deste largo, extensas ruas cobertas de ramadas, correndo em parte encostadas ao palácio, em parte excedendo-o por serem mais longas, cujas ruas, ao norte, ficam amparadas por um muro coberto de azulejos apresentando-vos cá e lá as cascatas, aonde a frescura oferece amena e deliciosa estada nos dias calmosos." (ARAÚJO, Ilídio Alves de, Arte Paisagística e Arte dos Jardins em Portugal, 1962).

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Pública: Estatal

Afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Nicolau Nasoni (edifício)

Cronologia

1671 - A quinta encontrava-se emprazada ao capitão Roque Peres Picão pelo Cabido da Sé do Porto; Séc. 18, meados - mandado construir sob o risco de Nicolau Nasoni, pelo cónego Jerónimo de Távora, senhor de grandes riquezas, da família nobre dos Cernaches; séc. 18, finais - passa para os Viscondes de Azurara que, posteriormente o vendem a um comerciante António Afonso que ao lado estabeleceu uma fábrica de sabão; 1850 - venda do palácio e quinta ao negociante António Afonso Velado; 1866 - recebe o título de barão do Freixo; 1870 - recebe o título de visconde do Freixo, manda substituir no palácio o brasão dos távores pelo seu e realiza grandes obras no interior; séc. 20 - um industrial adquiriu o edifício, instalando nos jardins uma fábrica de moagem, tendo acrescentado mais tarde um silo de 45 metros de altura, funcionando no Palácio a gerência da Fábrica (fábrica situada a E. e a O. uma outra fábrica de briquetes); 1909 - a grande cheia, que então se regista, desmantela gravemente o varandim; 1924 - venda do portão da entrada; 1947 - obras de recuperação a cargo da firma proprietária do Palácio, Companhia de Moagens Harmonia, da União Fabril; 1850- quinta e palácio vendidos a um rico negociante do Porto, realizaram-se obras de reparação e conservação, construção da fábrica de sabão; 1950 / 1960 - construção dos silos de moagem; 1973, Agosto - Estudo de Reintegração Paisagística do palácio, realizado pelo Centro de Estudos de Arquitectura Paisagista do Instituto Superior de Agronomia *2; 1880 - cerca desta data foi construída a destilação de cereais; 1983 - Decreto Lei nº 344-A/83, determinando que a SEOP deveria iniciar o processo de aquisição do imóvel; 1984, 30 Nov. - Palácio adquirido pelo Estado, Ministério do Trabalho.

Dados Técnicos

Materiais

INERTES: Pavimentos, balaustrada e escadas em granito. VEGETAL: tulipeiros, araucária, sequóia.

Bibliografia

ALMEIDA, A. Pereira de, Porto Monumental, Porto, s/d, p. 103; ARAÚJO, Ilídio de, A Arte Paisagista e Arte dos Jardins, Lisboa, 1962, pp. 187 - 191; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1969; BASTO, A. Magalhães, Nasoni e a Igreja dos Clérigos, in Boletim Cultural da C.M. do Porto, vol. 13, nº 3 - 4, Porto, 1950, pp. 251 - 270 ; BORGES, Nelson Correia, História da Arte em Portugal. Do Barroco ao Rococó, vol. 9, Lisboa, 1986; CARITA, Helder, CARDOSO, Homem, Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal ou da originalidade e desaires desta arte, Lisboa, 1990, pp. 227, 249, 250, 252, 253, 263, 266; COSTA, A. Rebelo da, Descrição Topográfica e Histórica da Cidade do Porto, Porto, 1788, p. 39; COSTA, Américo, Dicionário Corográfico de Portugal, in Porto, Porto, 1947, p. 596; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, in «Freixo» Quinta do, Lisboa, 1874; PASSOS, Carlos, Guia Histórico e Artístico do Porto, 1935 ; Gravura de 1812, representando a travessia do Douro pela Divisão do General Sir John Murray; Palácios e Solares Portugueses, Encyclopédia pela Imagem; PEREIRA, Esteves e RODRIGUES, G., Portugal - Dicionário Histórico e Corográfico, in Azurara (viscondes), Lisboa, 1904; Porto, guia «Panorama», nº3, in «Panorama», 2ª série, nº4, Lisboa, 1952; QUARESMA, Maria Clementina de Carvalho, Inventário Artístico de Portugal. Cidade do Porto, Lisboa, 1995; REIS, Sousa, Apontamentos para a História Antiga e moderna da Cidade do Porto, manuscrito da B.P.M. do Porto vol. 5, 1273; Revista Panorama, nº 5 / 6, 1941; SANTOS, Reynaldo dos, Historia de Arte em Portugal, III Vol.;SEQUEIRA, Matos, Palácios e solares Portugueses, Porto, s/d, pp. 27; SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal,1958, Vol. I, p. 205; SMITH, Robert C., Nicolau Nasoni 1691-1773, Livros Horizonte, Junho, 1973.

Documentação Gráfica

DGEMN: DREMN, DSID: Arquivo Pessoal de Ilídio de Araújo; Arquivo Pessoal de Francisco Caldeira Cabral

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID, DGEMN/DREMN; UE

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN: Arquivo Pessoal de Francisco Caldeira Cabral

Intervenção Realizada

1870 - Revestimento exterior a ardósia; 1947 / 1948 - pequenas obras de conservação; 1986 - recuperação de telhados, fachadas e caixilharias, limpeza dos jardins e entaipamento de todos os vãos; 1987 / 1988 - 2ª fase das obras de emergência, remoção do revestimento a ardósia.

Observações

*1 - Em apreciação o alargamento da ZEP. Em curso um estudo de recuperação do palácio, efectuado pelo arquitecto Távora e na recuperação do Jardim está a trabalhar um gabinete de Arquitectura Paisagista APARTE (Arq. Laura Costa). As moagens Harmonia têm funcionado como espaço de animação. Estão em iniciação obras para transformar este espaço em Museu da Ciência e Indústria. Contacto e cedência de cartografia: Eng. Rosa Afonso (CMP - Divisão de Estudos Urbanísticos - tel. 02 2009871); *2 este estudo tem, segundo os seus autores, como três principais objectivos: "a melhoria progressiva do enquadramento do palácio. A cada fase corresponderá primeiro a aquisição das parcelas de terreno em que se incide e depois o estudo do respectivo projecto de enquadramento e reconstituição, a proposta de uma solução rodoviária que permita reconstituir a unidade do conjunto, a proposta de uma zona de protecção paisagística que permita salvaguardar o conjunto do Palácio e Quinta, bem como o que se considera essencial, a vista da outra margem que dele se desfruta."Para os executar previram-se 4 fases de realização do projecto, geograficamente confinantes. Este projecto não foi executado.

Autor e Data

Sónia Francisco 1997

Actualização

 
 
 
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