Igreja Paroquial de Santiago Menor / Igreja de Santa Maria Maior / Igreja do Socorro

IPA.00005154
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Santa Maria Maior)
 
Igreja paroquial barroca, de planta poligonal, fachada principal em empena com portal de arco pleno e cimalha de balanço, encimado por 2 janelões e um nicho com a imagem da Virgem.
Número IPA Antigo: PT062203040025
 
Registo visualizado 334 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal composta de nave única e capela-mor, mais baixa e estreita, com torre sineira quadrada adossada a O., à qual se encosta a sacristia; enquadrando o adro, as instalações da confraria do Santíssimo. Volumes articulados com coberturas diferenciadas, de 4 e 2 águas, com beirais duplos de telha de canudo portuguesa, e torre encimada por varandim gradeado e cúpula com forma de cálice invertido, rematada por pelouros e cruz. Fachada principal virada a S. terminada em empena ondulada, de friso e cornija moldurada, encimada por cruz e urnas laterais; possui pilastras nos cunhais assentes em estilóbatos de barriga em cantaria e é percorrida por embasamento de cantaria e entablamento moldurado a meio, formando dois registos. Portal de cantaria com arco de volta perfeita, moldurado, entre pilastras molduradas assentes em altos plintos, decorado com meios concheados em asa de morcego nos seguintes; magníficas portadas de madeira com bandeira superior fixa e postigos, com almofadas entalhadas com concheados, tudo pintado a verde escuro. Superiormente, abrem-se dois janelões, gradeados, com molduras onduladas de cantaria cinzenta encimada por cornija curva e ladeados por aletas, enquadrando nicho, de arco de volta perfeita, moldura recortada com concheados, sobre avental de cantaria e encimado por cornija contracurvada; sobrepuja-o brasão coroado. Torre recuada ao alinhamento da fachada, com embasamento de cantaria, cunhais pintados de cinzento e rematada por cornija avançada com varandim de ferro. No INTERIOR, coro-alto sobre colunas de madeira pintada, com balaustrada de madeira; nave com soalho de madeira, alizar de cantaria do Porto Santo, coberta com tecto de madeira pintada com alegoria arquitectónica em trompe l'oeil, sobre cornija de cantaria e com panejamentos inferiores pintados com borlas pendentes; nas paredes 4 aparatosos quadros com alegorias ao "Triunfo da Eucaristia" com molduras entalhadas; no lado do Evangelho, púlpito de madeira com apontamentos de talha, pintado a branco e ouro, e baldaquino, junto do qual, em baixo, existe porta com cortinados e sanefas, de acesso às arrecadações da paróquia. Em frente, porta idêntica de acesso ao adro O., sacristia, residência paroquial, que corre sobre a sacristia e instalações do Santíssimo. O arco triunfal é em cantaria do Porto Santo, de volta perfeita e assente em elegantes pilastras, rematado por largo frontão curvo com a concha central esculpida, recortando-se sobre parede pintada com panejamentos e concheados, tendo ao centro as armas reais e as da cidade do Funchal. É ladeado por 2 altares de ângulo, em talha, dedicados a Santiago Menor e Nossa Senhora de Fátima; espaço demarcado da nave por degrau com balaustrada de madeira. A capela-mor apresenta altar assente em degrau elevado de cantaria, com 3 degraus ao centro, retábulo de talha dourada, com complexo frontão encimado por cartela. Cobertura em abóbada de meia cana de madeira pintada com alegoria arquitectónica em trompe l'oeil. A capela-mor tem portas de acesso para O. à sacristia e para O. às arrecadações da paróquia.

Acessos

Funchal (Santa Maria Maior), Largo de Santa Maria Maior

Protecção

Categoria: VCR - Valor Cultural Regional, Resolução do Presidente do Governo Regional n.º 1066/93, JORAM, 1.ª série, n.º 124 de 27 outubro 1993

Enquadramento

Urbano, com adro murado e gradeado, com pilastras de cantaria rija a enquadrarem a entrada, bom arvoredo e bom domínio e vista sobre o largo, a praia da Barreirinha e o mar. Articula-se com a fortaleza de Santiago (v. PT062203040019), que fica por baixo da falésia, a O.

Descrição Complementar

O altar-mor foi totalmente reformulado nos inícios do Séc. 19, altura da abertura de profundo camarim e da execução da tela mariana. Do anterior retábulo-mor conserva-se um importante sacrário de madeira exótica, coberto a chapas de prata, com colunas em vulto e datável do Séc. 17, devendo ter pertencido à Matriz de Nossa Senhora do Calhau. A sacristia e a residência paroquial aproveitaram elementos e estruturas da primitiva capela de Santiago, assim como os edifícios da confraria do Santíssimo, infelizmente reconstruídos recentemente. A sacristia ainda possui um bom armário com alçado pintado e datado de 1567, assim como aparatoso lava-mãos de cantaria regional dos meados do Séc. 18.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Mestres das obras reais Domingos Rodrigues Martins, mestre pintor de 1567, Diogo Teixeira, oficina "moralesca", João António Vila Vicenzo (Vicêncio) e Vitor Costa, vitralista Paulo Nogueira; imagens dos retábulos laterais da oficina Tendim; brigadeiro Vicente Serafim Betencourt Severino (organeiro atr.).

Cronologia

Séc. 15, finais - execução do Santiago Maior nas oficinas de Dieric Bouts, levado depois em procissão para a capela (hoje no Museu Diocesano de Arte Sacra do Funchal); 1521, 7 Março - surto de peste no Funchal; 1523, 24 Janeiro - voto da cidade a Santiago Menor; 21 Juneiro - procissão da Sé para o cabo do calhau e lançamento da 1ª pedra da futura igreja; c. 1530 - tríptico de Santiago Menor e São Filipe, com os retratos de Simão Gonçalves da Câmara e família, da oficina flamenga de Pieter Coeck Van Aelst (hoje no Museu de Arte Sacra); 1532, 26 Maio - carta de D. João III estabelecendo a coutada do Caniço a partir desta igreja; 1538, 2 Janeiro - terramoto no Funchal ajudando à proliferação dos casos de peste; 1º Maio - procissão da Sé para a Igreja de Santiago e entrega das varas ao Santo ( tradição que ainda se mantém ); c. 1540 - execução no Japão de um pequeno cofre ("nambam"), propriedade da confraria do Santíssimo Museu de Arte Sacra); 1567 - execução da predela para o tríptico de Santiago por uma oficina portuguesa; c. Mar. - representação na planta do Funchal de Mateus Fernandes III; c. 1590 - tábua do Anjo da Guarda da oficina de Diogo Teixeira; Séc. 17, inícios - execução de uma Piedade numa oficina "moralesca"; 1632, 22 Junho - renovação camarária do Voto; 25 Julho - sagração das obras de ampliação da primitiva igreja em dia de Santiago Maior; Séc. 17, finais / 18, inícios - execução por uma oficina de Lisboa das 4 grandes telas do Triunfo da Eucaristia; 1748, 31 Março - terramoto no Funchal arruina gravemente a antiga igreja; 1751 - reconstrução da igreja de Santiago segundo traça do mestre das obras reais Domingos Rodrigues Martins; 1754, 30 Janeiro - demolição da antiga igreja; c. 1760 - contrato camarário com o pintor João António Vila Vicenzo (Vicêncio); 1768 - conclusão dos trabalhos da nova igreja; 1789 - transladação da imagem de Santiago da Sé para a nova igreja; 1803, 20 Janeiro - transferência da capela camarária de São Sebastião das imagens de Nossa Senhora e de São Sebastião, também padroeiro da cidade (hoje no Paço Episcopal e no Núcleo Museológico da Praça de Colombo); 9 Outubro - aluvião no Funchal destruiu irremediavelmente a velha matriz de Nossa Senhora do Calhau, passando a servir de matriz a igreja camarária de Santiago, como se lê na fachada: "Hic lapis indicat liberalitatem senatus et populi hance cclesiam Fidelissimo Principi Regenti offerentium in locum parochiae per inundationem aquarum destructae. Anno Domini MDCCCIII"; 1804, 21 Julho - rescrito apostólico do papa Pio VII colocando a Madeira sob a protecção da Virgem; c. 1810 - execução da tela do camarim do altar-mor por um dos seguidores da oficina de Nicolau Ferreira; 1854 - execução do órgão, atribuído ao Brigadeiro Vicente Serafim Betencourt Severino; 1940, 26 setembro - inventariação do "painel de Santiago, colocado no altar-mor da Igreja", do "tríptico da sacristia" e do "painel dos Apóstolos, da mesma sacristia, que se encontra colocado por baixo do tríptico" pelo Decreto nº 30 762, publicado no DG, 1.ª série, n.º 225; durante este ano procede-se à recolha das pinturas flamengas (Santiago e tríptico com os doadores para restauro (hoje no Museu de Arte Sacra); séc. 20 - feitura dos altares laterais, nas oficinas de Braga.

Dados Técnicos

sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Cantaria mole e rígida regional aparente, alvenaria de cantaria regional rebocada, madeira (carvalho e outras), amarrações mistas de tirantes de madeira e de ferro, talha dourada e pintada, pintura sobre madeira e tela, vidro, prataria e ourivesaria, e telha de meio canudo.

Bibliografia

LEITE, Jerónimo Dias, Descobrimento da Ilha da Madeira..., Coimbra, 1947; FRUTUOSO, Gaspar, Saudades da Terra, Livro II, anotado por Álvaro Rodrigues de Azevedo, Funchal, 1873 e ed. Ponta Delgada, 1968, p. 107; NORONHA, Henrique Henriques de, Genealogia... Ilha da Madeira, ano de 1700, São Paulo, Brasil, 1948; idem, Memórias Seculares e Eclesiásticas...1722, Funchal, 1997; SOUSA, Álvaro Manso de, Auto do Bem-aventurado apóstolo São Tiago, Funchal, 1942; SILVA, Padre Fernando Augusto da, Elucidário Madeirense, 3 vols., Funchal, 1945; CARITA, Rui, A matriz de Santa Maria Maior, antiga capela de São Tiago, Jornal da Madeira, Mar. a Abr. 1984; idem, História da Madeira, 1º e 4º vols., Funchal, 1989 e 1996; idem, Museu da Cidade, catálogo, Funchal, 1986; VALENÇA, Manuel, A Arte Organística em Portugal, vol. II, Braga, 1990; L. G. Também para compensar recentes "perdas artísticas", Igreja do Socorro tem novos vitrais, Jornal da Madeira, 7 Dez. 1992; L. G / D. G., Na Igreja do Socorro. Três telas restauradas voltam aos seus lugares, Jornal da Madeira, 8 Abr. 1996; PEREIRA, Fernando António Baptista, Museu de Arte Sacra do Funchal, Arte Flamenga, Lisboa, 1997; CARITA, Rui e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Itinerário Cultural do Funchal, Funchal, 1998; VERÍSSIMO, Nelson e TRUEVA, José Manuel de Sainz, Inventário de Escultura da Região Autónoma da Madeira, Funchal, 1998; CARITA, Rui, Auto do Voto e do Milagre, Funchal, 1999.

Documentação Gráfica

Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro (planta do Funchal de Mateus Fernandes, 1567); Mapoteca do IGC (planta do Funchal de Reinaldo Oudinot, 1804), Lisboa; GR / Equipamento Social, AHR e DRAC, Funchal

Documentação Fotográfica

Museu Vicentes Photographos, antiga Junta Geral e DRAC, Funchal; IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

AN/TT, Provedoria da Fazenda do Funchal e Chancelaria da Ordem de Cristo; BNLisboa, Resíduos e Capelas da Madeira, ARM, CMF e Juízo dos Resíduos e Capelas, Arquivo Eclesiástico do Paço Episcopal, Arquivo da Freguesia de Santa Maria Maior, Funchal

Intervenção Realizada

Fábrica paroquial: c. 1940 - substituição dos altares; c. 1970 - repinte das grandes telas do Triunfo da Eucaristia pelo pintor Dr. João Lemos Gomes; Fábrica Paroquial e confraria do Santíssimo: 1989 / 1990 - reconstrução geral dos edifícios da confraria; 1992 / 1994 - colocação de vitrais ( desenho de Vitor Costa e vitral de Paulo Nogueira ) e restauro das telas da nave ( equipa do cónego espanhol Martinena ); 1997 - reabilitação da sacristia.

Observações

Esta Igreja era devotada a Santiago Menor e pelo protocolo estabelecido em 1803 deveria continuar com essa evocação, inclusivamente, nunca devendo o Padroeiro da cidade ser apeado do altar-mor, o que veio a acontecer com a devoção mariana dos Sécs. 19 e 20. Em 1984 foi feito levantamento sumário dos bens, entregue na Paróquia de Santa Maria Maior.

Autor e Data

Rui Carita 1999

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login