Palácio dos Saldanha / Palácio dos Condes de Rio Maior

IPA.00004612
Portugal, Santarém, Santarém, União de Freguesias da cidade de Santarém
 
Casa nobre maneirista, de planta em "U", 2 registos, com acesso ao piso nobre por escada exterior, hoje não visível do exterior, outrora com a zona residencial no 1º piso, a zona de serviços no térreo. Como única decoração avulta a pedra de armas adossada ao paramento murário, a meio da fachada principal; o piso nobre é ainda ritmado pela abertura de janelas de vão rectangular com lintel arquitravado.
Número IPA Antigo: PT031416210089
 
Registo visualizado 83 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta em U

Descrição

Planta composta pelo adossamento de vários rectângulos, constituíndo um "U" de braços pouco pronunciados. Massas articuladas com coberturas diferenciadas em telhado de tesoura. Fachada principal virada a SE., com cunhais nas arestas, 2 registos separados por friso e 3 corpos, o central recuado e antecedido por varanda com gradeamento, o corpo esquerdo mais longo que o direito, com 2 panos delimitados por pilastra; no piso térreo rasgam-se vários vãos de diferentes dimensões, no piso nobre janelas e portas janelas de vão rectangular, rematadas por lintel arquitravado; a meio do corpo central a pedra de armas dos condes de Rio Maior, encimada por coroa e enquadrada lateralmente por ornatos barrocos. Um dos vãos rasgados no piso térreo do corpo central dá acesso a escada estreita de 2 lanços, não visível do exterior, que estabelece a comunicação com a varanda do andar nobre. Fachada lateral direita - 2 registos separados por friso, vãos em arco segmentar no piso térreo, portas janelas de sacada idênticas às da fachada principal, no andar nobre. O interior está hoje totalmente descaracterizado, repartido por habitações, escritórios, lojas e restaurantes.

Acessos

Rua Dr. Jaime Figueiredo, n.º 22 a 24A; Rua Alexandre Herculano, n.º 1 a 7

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Urbano, planalto, flanqueada. Implantada fora da antiga zona muralhada, à entrada da cc. do Monte, hoje R. Alexandre Herculano. Apesar da construção do Mercado Municipal (141621041), paralelo à sua fachada principal, no antigo Lg. de Fora da Vila, domina ainda a zona envolvente, a par de outro edifício solarengo, que lhe fica fronteiro do outro lado da R. Alexandre Herculano. A fachada posterior abre para um logradouro, delimitado pelos prédios vizinhos.

Descrição Complementar

Pedra de armas dos condes de Rio Maior - escudo partido em pala: na metade direita sobre campo vermelho uma torre em prata com porta e frestas de azul, lavrada a preto, com cruz de ouro no remate; metade esquerda cortada em faixa - na metade superior em campo vermelho uma oliveira verde com frutos e raízes em ouro; metade inferior esquartelada com as armas dos Sousas: 1º e 3º quarteis as quinas do reino, 2º e 4º em campo de prata leão rampante.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Residencial: casa residencial e comercial

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1530, c. de - Diogo Lopes de Saldanha compra casas para sua morada em Santarém (chegara a Santarém, acompanhando a princesa D. Joana, que em 1480 aqui viera recolher-se ao convento de Santa Clara); 3 Janeiro de 1532 - escambo com os dominicanos, conseguindo aumentar o terreno das suas casas, onde fez construir um picadeiro; 1672 - em testamento por morte de João Saldanha de Sousa, um dos conjurados de 1640, são referidas as suas casas nobres, que passam a ser vinculadas; ao núcleo primitivo tinham sido anexados quintais, um picadeiro, 2 celeiros e várias oficinas; os filhos de João de Saldanha de Sousa deixam de morar em Santarém e as suas casas são deixadas ao abandono, tendo parte delas sido arrendadas; 1 de Novembro de 1755 - o palácio fica inabitável após o terramoto; 1757 - aforado a José da Silva Torres, correio-mor de Santarém, que se compromete a reedificar o palácio; 1772 - o então proprietário, João Vicente de Saldanha Oliveira Juzarte Figueira e Sousa, 1º conde de Rio Maior, consegue reaver as casas, compensando o foreiro pelas benfeitorias realizadas, nas quais tinham sido utilizados muitos materiais das ruínas do terramoto; 1775 - o palácio constava de 16 casas de sobrado com oratório, 7 casas térreas, armazéns, cocheiras e outras dependências, além de forno de pão e um palheiro, medindo 80,6 x 65 m; o conde de rio Maior realiza então várias obras - novo telhado, madeiramentos e soalho, escada principal em pedra, renovação do oratório; 1782 - nele pernoita a marquesa de Pombal, no regresso de Pombal, após a morte do marido; 1784 - o palácio era considerado um dos melhores da vila; 1814 - já não detinha quaisquer casas de aposento, quando o 2º conde de rio Maior nele pretendeu alojar-se, em virtude dos desmandos nele cometidos pelos franceses; o palácio estava então dividido em 2 moradias independentes, aforadas; 3 de Agosto de 1911 - José de Saldanha de Oliveira e Sousa vende o palácio, composto então por casas de habitação, lojas, celeiros e quintal, ao padre Francisco de Paula Araújo Sampaio, prior de Santiago em Lisboa, herdeiro da enfiteuta Paula Vasconcelos Lemos.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra e tijolo rebocada e pintada em amarelo ocre (corpo central e direito) e branco com marcação de molduras das janelas, rodapé e pilastras em amarelo ocre (corpo esquerdo); cobertura em telha cerâmica; cantaria em molduras, degraus, pavimentos; madeira, alumínio e vidro na caixilharia.

Bibliografia

RIO MAIOR, Marquês de, O Solar dos Saldanhas em Santarém, Boletim da Junta da Província da Estremadura, nº 16; SARMENTO, Zeferino, Os solares de Santarém, Correio do Ribatejo, Santarém, 21 de Junho de 1958; MENDES, Octávio da Silva Paes, Santarém Monumental. Roteiro, Santarém, 1988; CUSTÓDIO, Jorge e MATA, Luís, Casa brasonada que foi dos condes de Rio Maior, in Património Monumental de Santarém, Santarém, 1997.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

*1 - No oratório do solar existia um painel representado Nossa Senhora da Piedade, avaliado em 1805 por João Francisco da Rocha, pintor do colégio de Santarém, em 8.000 réis e referido como "pintura gótica", mais tarde comprado pelo marquês da Foz por um conto de réis; *2 - Os Saldanhas tiveram outro palácio em Santarém, junto à porta de Mansos, onde se instalaram os padres marianos, durante a construção do convento do Carmo, entre 1646 e 1648.

Autor e Data

Filomena Bandeira / Isabel Mendonça 1997

Actualização

 
 
 
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