Igreja Paroquial de Almacave / Igreja de Santa Maria

IPA.00004288
Portugal, Viseu, Lamego, Lamego (Almacave e Sé)
 
Igreja paroquial de fundação românica, muito adulterada nos períodos subsequentes É de planta retangular composta por nave, capela-mor mais estreita torre sineira de planta quadrada adossada à fachada lateral direita, capelas laterais e várias dependências, constituindo um grupo de volumes escalonados; coberturas interiores diferenciadas, em falsas abóbadas de berço de madeira, sendo iluminada uniformemente por janelas em capialço na capela-mor e janelas rectilíneas na nave. Fachada principal em empena, com portal românico, escavado, de arco apontado e dois pórticos laterais, o S. com elementos igualmente românicos, com cruz vazada no tímpano. Seguem esquema semelhante ao de São Martinho de Mouros (v. PT011813140002). Fachadas laterais com cachorrada desadornada no volume da nave e, nos dos anexos e capela-mor, com cunhais apilastrados e remates em friso e cornija. Interior com coro-alto, púlpito no lado da Epístola e retábulos de talha dourada maneirista, nacional e joanina, com silhares de azulejo padrão seiscentista. Tem capela lateral, dedicada ao Santíssimo, formando corpo saliente, com cobertura octogonal interna e a quatro águas externamente. Existência de órgão no coro-alto. Os silhares de azulejo apresentam três padronagens diferentes. Aproveitamento, nos panos murários, de pedras decoradas mais antigas, de que se destacam estelas epigráficas romanas. Os retábulos laterais, são de inspiração nacional, sendo os colaterais maneiristas, com remate em tabel, reflectindo as influências da tratadística de Vignola, sendo o mor joanino, se bem que muito afectado pelo incêndio do séc. 20.
Número IPA Antigo: PT011805010002
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta poligonal, composta por nave, capela-mor mais estreita, sacristia, capela, anexos e torre sineira adossados a ambas as fachadas laterais, de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas, três e quatro águas. Fachadas da nave em cantaria de granito aparente, em aparelho isódomo, sendo as da capela-mor e anexos rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento em cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, encimados por pináculos, rematadas em friso e cornija; no corpo da nave, existência de cachorrada sem decoração. Fachada principal voltada a O., em empena alteada relativamente à cornija, com remate em estrela de cinco pontas inserida num círculo *1, rasgada por portal em arco apontado, composto por quatro arquivoltas sem decoração, assentes em oito colunelos, o terceiro par facetado, rematados por capitéis com decoração fitomórfica e antropomórfica, encimados por impostas decoradas, tendo, sobre a arquivolta superior, uma moldura decorada com enxaquetado; o portal é encimado por quatro mísulas e janela rectangular. No lado direito, torre sineira de três registos, divididos por cornija, os inferiores cegos, excepto a face S. com janelas rectilíneas, surgindo, no superior, duas sineiras de volta perfeita em cada face, com seis sinos e duas sinetas, surgindo porta de acesso na face posterior da torre. Fachada lateral esquerda, virada a N., tendo, na nave, dois contrafortes, portal em arco abatido e duas janelas rectangulares de diferentes tamanhos, em plano superior; o corpo da capela lateral tem dois registos, definidos por friso e cornija, o superior mais estreito e rasgado por duas janelas, nas faces laterais; o anexo é de dois pisos, rasgado por porta em arco abatido, encimado por cornija, ladeada por dois óculos, surgindo, no superior, duas janelas em arco abatido e com cornija; a capela-mor possui duas janelas rectilíneas, em capialço. Fachada lateral direita, virada a S., tem, no corpo da nave, um contraforte e é rasgada por porta de duas arquivoltas em arco ligeiramente apontado, assentes em impostas lisas e tímpano com cruz vazada, tendo, sobre a arquivolta superior, friso de enxaquetado *2; é encimado por janela rectilínea em capialço; o anexo é de dois pisos, com duas janelas em arco abatido e cornija em cada um deles, surgindo, na face O., porta também em arco abatido e com cornija; o corpo da sacristia possui amplo janelão de arco abatido e moldura simples, surgindo outro no corpo da capela-mor, rectilíneo. Fachada posterior em empena com cruz no vértice, possuindo nicho com a imagem de Nossa Senhora da Encarnação. INTERIOR rebocado e pintado de branco, excepto a zona do coro-alto, percorrido por azulejo de padrão policromo, formando silhar, sob o coro-alto e no lado do Evangelho até à Capela do Santíssimo com o padrão de maçaroca e no resto da nave de laçarias e rosas; cobertura em falsa abóbada de berço de madeira em caixotões, assente em cornija do mesmo material e com tirantes metálicos. Coro-alto apoiado em arco abatido, com guarda balaustrada e acesso por porta no lado da Epístola, onde se implanta um órgão de armário com as ilhargas rematadas por liras. Do lado do Evangelho, pia baptismal com taça octogonal e mísula com grupo escultórico representando o Baptismo de Cristo. Capela lateral dedicada ao Santíssimo Sacramento, com acesso por arco de volta perfeita assente em pilastras toscanas e protegido por grade de ferro, decorada com motivos fitomórficos e tímpano com dois anjos a rodear uma custódia; tem cobertura octogonal e retábulo de talha dourada. Do lado da Epístola, púlpito quadrangular assente sobre mísula de cantaria, com guarda de madeira torneada, sucedendo-se retábulo lateral em talha dourada coroado com sanefa, dedicado a Santa Catarina *3. Arco triunfal de volta perfeita assente em pilastras toscanas, ladeado por retábulos colaterais em talha dourada, dedicados ao Sagrado Coração de Jesus e a Nossa Senhora da Graça. Capela-mor com cobertura em falsa abóbada de berço de madeira pintada de branco, sobre cornija pintada de castanho *4, tendo porta de acesso a divisões e duas janelas fronteiras com guarda de madeira balaustrada *5. Sobre supedâneo de cantaria com escadas centrais, o retábulo-mor de talha dourada, de planta côncava, com três eixos, divididos por colunas torsas assentes sobre duas ordens de plintos, os superiores galbados e o inferiores paralelepipédicos; a zona central desapareceu no incêndio, mantendo-se o trono expositivo, bastante danificado, surgindo, nos eixos laterais, mísulas protegidas por sanefa e drapeados abertos em boca de cena, rematados por apainelados circunscritos por pilastras *6. Sacristia com arcaz de madeira e oratório com o Crucificado, tendo, no tecto, as armas de D. António Freire Gameiro de Sousa.

Acessos

Rua de Almacave. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,099168, long: -7,810426

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto de 16-06-1910, DG, 1.ª série, n.º 136 de 23 junho 1910 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 146 de 24 junho 1953

Enquadramento

Urbano, a meia encosta, assente em plataforma artificial. Destacado e harmonizado, isolado e separado por adro. Rodeado de vários edifícios, alguns de construção seiscentista e setecentista.

Descrição Complementar

A torre sineira possui seis sinos, alguns provenientes do Castelo. Os efectuados para a matriz ostentam inscrições. O Sino de São Gregório "IHS. MARIA. IOZE. JVB ANO DONI. 1781. IOZE SORRILHA. ME. FES" e "ANIMARVM. CONSODALITAS. AD. HONOREM. DEI. ISTVD. PER. FICI. CYMBALUM. DEMANDARVNT." No sino de Santa Maria, diz "IHS. MARIA. IOZE. ANNO. DE. 1805." É decorado com a imagem da Virgem com o Menino e a legenda "MATHEVS. GOMES. ME. FES" e "ESTE ISNO (sic). HE. DA FABRICA DA FREGVESIA. DE. ALMACAVE. DESTA. CIDADE. DE LAMEGO". O sino do Santíssimo, tem a legenda "IHS. MARIA. IOSÉ. 1883", tendo o desenho de uma Custódia e as inscrições "ECCE. CRUCEM. DOMINI. FUGITE. PARTES. ADVERSAE" e "NARCISVS. ANTONIVS. ME. FECIT. BRACHERA". Aparece, ainda, uma sineta com "IHS. MARIA. IOZÉ - 1875" e "ECCE. CRUCEM. DOMINI. FUGITE. PARTES. ADVERSAE". Estão, ainda. colocados na torre três sinos e uma sineta, provenientes do Castelo de Lamego, com legendas: Sino Real com as armas do Reino e "MATHEVS. GOMES. FECI. HOC. CIMBALVM" e "ESTE. SINO. MANDOV. FAZER. O SENADO. DA CAMERA. DESTA. CIDADE. DE. LAMEGO. ANNO DOMNE 1789"; sino com "FUGITE PARTES ADVERSAS. CAMARA M.P. DE LAMEGO", "FEITO POR ADRIANO LOUREIRO", "REPVBBLICA" e "ANO. DE 1914."; sino com "IHS. MARIA IOZE, ANNO. 1824"; sino de Santo António com a imagem de Santo António e, "IHS. MARI/IOZE. 1875", "NARCISVS. ANTONIVS. BRACHERA" e "CRUCEM. DOMINI. FUGIT. PARTES. ADVESSAES". Na parede externa da capela-mor, uma lápide romana, com a inscrição "IVLIAE MARCI F / MARCELLAE Q SCAEVIVS / VEGETVS VXORI". Aparecem, ainda, duas estelas, com inscrições: "Culva, Paugendiae f / h s est. / H T L S" e "Doqirus, turei f / an c Irdoena / Talonis f. en c / h s s / v t l / vegetus" (segundo LARANJO, F. J. Cordeiro). Retábulo do Santíssimo de talha dourada, planta recta e um eixo definido por quatro pilastras com os fustes ornados por motivos fitomórficos a que se adossam mísulas e por duas colunas torsas, decoradas por pâmpanos, estas assentes em consolas; as pilastras surgem sobre plintos paralelepipédicos, as exteriores sobre duas ordens; no centro, tribuna de volta perfeita com painel pintado a representar fundo de paisagem, contendo mísula escalonada de três degraus; remate em duas arquivoltas, enquadradas por alfiz com pilastras, cornija e pequeno remate com profusa decoração de acantos; altar em forma de urna, flanqueado por duas portas em arco de volta perfeita, de acesso à tribuna. Retábulo de Santa Catarina de talha dourada, de planta recta e um eixo definido por quatro colunas torsas ornadas por pâmpanos e assentes em consolas e por duas pilastras com os fustes ornados por acantos, sobre plintos paralelepipédicos com as faces ostentando acantos; ao centro, apainelado de perfil curvo, pintado por pequenos flores, a enquadrar mísula; remate em frontão semicircular, composto por duas arquivoltas que prolongam os suportes, tendo o tímpano decorado com motivos fitomórficos, sendo o conjunto sobrepujado por sanefa com lambrequins; altar em forma de urna pintada de branco e marmoreados, decorado com cartela e acantos. Os retábulos colaterais são semelhantes, de planta recta e um eixo definido por quatro colunas com o fuste em espira e o terço inferior ornado por motivos fitomórficos e querubins, assentes em plinto único com as faces pintafas; ao centro, painel de perfil curvo, assente em pilastras ornadas com motivos entrelaçados, que enquadram mísula; remate em friso de acantos e querubins, cornija, um segundo friso estriado e tabela rectangular vertical, flanqueada por quarteirões, aletas recortadas e remate em friso, frontão de lanços com queribum ao centro; a tabela do lado da Epístola possui pintura de São João Evangelista (tela, 84x60 cm.); altares paralelepipédicos, o do Evangelho tripartido e decorado com elementos alusivos ao orago, nos símbolos do cipreste, cedro e palmas.

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

DRC

Época Construção

Séc. 12 / 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Manuel Martins ( 1738). FERREIROS: Joaquim de Almeida (1850), Joaquim de Almeida Júnior (1877). FUNDIDORES: José Sorrilha (1781, Mateus Gomes (1805), Narciso António (1875). IMAGINÁRIO: Francisco Xavier (1779). OURIVES: Manuel da Costa (1678); Francisco Ferreira da Silva (1812). PEDREIRO: João Lourenço (1738). PINTORES: Bento Coelho da Silveira (séc. 17). PINTORES- DOURADORES: António Rodrigues (1653), Luís António Ferreira e Manuel José de Mouro (11763), António de Pádua (1850). RELOJOEIRO: Jeremie Girod. SERRALHEIRO: Mestre Ribas (1816). DESCONHECIDO: Francisco Rodrigues (1826).

Cronologia

572 - é possível que um primitivo templo tenha servido de sede ao bispado de Lamego; séc. 12, início - edificação ou possível reedificação; 1145 - era reitor João Martins; séc. 14 - existiam as Capelas de São João e Santa Ana; 1312, 26 Fevereiro - apresentação do reitor era feita pelo bispo de Lamego; 1317, 28 Abril - D. Geraldo Domingues, bispo de Évora, instituiu o morgado de Medelo e a Capela de Santa Catarina; 1323 - instituição da Capela de Santa Ana, sendo administradores os Taveiras de Almedina; 1342 - Guiomar Barredo doa uma lâmpada de prata ao altar-mor e outra à Capela de São João; 1377 - instituição da Confraria de Santa Maria; séc. 15 - sepultado Diogo de Alvarenga, da casa do Infante D. Fernando; 1485 - doação de um legado à Capela de São João; séc. 16 - provável construção da torre; instituição da Irmandade dos Clérigos Pobres de São Pedro, mais tarde transferida para a Capela de São Sebastião; feitura do painel pintado, representando a Virgem, para o topo do retábulo; 1585 - referência à existência da Irmandade das Almas, que herdou os bens da Confraria de Santa Maria; 1593 - construção da Capela do Espírito Santo junto ao pano S. da igreja; 1600 - execução do púlpito, com acesso por porta entre este e o altar de Santa Catarina, com escadas na espessura do muro; séc. 17 - execução dos azulejos padrão que revestem o interior; feitura da cadeira paroquial, de várias tábuas pintadas e da imagem do orago; pintura da tábua representando Santa Apolónia e Santa Luzia para o altar de Nossa Senhora da Graça; colocação da imagem do Crucificado no coro-alto, cuja cobertura foi apainelada; obras na torre e cabeceira; pintura de telas atribuíveis a Bento Coelho da Silveira (1630-1708); 1615, 5 Outubro - primeira referência à Irmandade do Santíssimo Sacramento; vários legados de Francisco Vaz; na capela-mor surgia a imagem de Virgem com o Menino pela mão, o sacrário, retábulo apainelado com pintura a meio-corpo da Virgem, ladeada por São José e São João Baptista; no cruzeiro, os altares de São Miguel e Nossa Senhora da Graça; surgiam, ainda, as capelas do Espírito Santo e Santa Ana, com painel de Santa Catarina; um arco acedia à Capela do Senhor da Agonia; no exterior da capela-mor, a imagem de Nossa Senhora da Conceição em pedra dourada; 1630, 2 Maio - morte de Pedro Cardoso Coutinho, que mandou construir a Capela do Espírito Santo; 1640 - já existia a Irmandade de Nossa Senhora da Graça e São Miguel; 1653 - confraria de Nossa Senhora da Esperança adquire imagem do Ecce Homo, encarnada pelo pintor António Rodrigues; 1678, Junho - o ourives Manuel da Costa executou uma lâmpada de prata, de 20 marcos, semelhante à do altar das Almas do Mosteiro das Chagas, a 2 cruzeiros cada marco; 1680, 15 Fevereiro - renovação dos estatutos da Irmandade do Santíssimo Sacramento; séc. 18 - as bases das colunas do pórtico principal estavam soterradas; provável execução da sacristia da igreja e do cadeiral da Colegiada; mencionadas as Irmandades da Senhora da Encarnação, Coração de Jesus e Santo António; feitura da imagem de Nossa Senhora da Graça; o altar do Senhor da Agonia situava-se em frente ao altar das Almas, com marcação visível no arco que envolve o actual pórtico; tinha as imagens de Nossa Senhora e São João; execução do arcaz e oratório da sacristia; a Santa Casa da Misericórdia possuía uma tumba na igreja, para proceder aos enterramentos dos irmãos; 1718 - menção da Irmandade do Senhor do Bom Despacho, que se situava entre a porta S. e o coro-alto com nicho envidraçado; 1722, 15 Janeiro - morre Cristóvão de Azevedo Gama, administrador da Capela do Espírito Santo, na qual se faz sepultar; 1725, 20 Março - privilégios a favor da Confraria do Santíssimo, pelo Papa Bento XIII; 1738, 5 Setembro - contrato com o pedreiro de Vila Nova de Cerveira, João Lourenço, para a execução da Capela dos Passos, nas traseiras da igreja, de forma quadrada, lajeada, com abóbada de tijolo e altar de pedra, pela quantia de 192$000 réis; executada segundo plantas de Manuel Martins; 1740 - D. Mariana faz-se sepultar na Capela do Espírito Santo; 1750 - instituição da Irmandade do Saco, com a invocação do Coração de Jesus, sediada no altar do Senhor da Agonia; Maio - reconstrução da capela-mor; aparecimento de uma lápide romana na parede externa; o painel da Virgem do retábulo passa para o cruzeiro; 1758 - no retábulo-mor, estavam as imagens do orago, de São José e São João Evangelista; no altar de Nossa Senhora da Graça, existiam as imagens de Nossa Senhora da Graça e de Nossa Senhora da Conceição, surgindo, na tabela, um São João Evangelista; 1763, 14 Abril - douramento da tribuna pelos pintores Manuel José de Mouro e Luís António Ferreira, pela quantia de 229$000; 1779, 9 Janeiro - Francisco Xavier, morador na R. da Cruz, em Lamego, executou o retábulo das Almas e respectiva imaginária, por 314$000 réis *7 o painel foi ampliado, transitando o primitivo para a Casa do Despacho; 1779, 16 Junho - doação da Capela do Espírito Santo, pertença de Pedro Cardoso Coutinho de Abreu da Gama e a mulher, Francisca Inácia, à Irmandade das Almas, para arquivo e sacristia da mesma; 1780 - construção da Sacristia e Casa do Despacho da Irmandade das Almas no local da primitiva Capela do Espírito Santo, e da varanda dos beneficiados; obras na torre; 1781 - execução do sino de São Gregório, por José Sorrilha, da Granja Nova, por 382$240, com 36 arrobas; 1782 - Irmandade do Santíssimo reconstrói a sua casa, em frente à sacristia, também recentemente recuperada; 1784 - colocação de olhos de vidro em várias imagens; 1785 - execução de resplendor de prata para a imagem de Santa Catarina; séc. 19, início - feitura do órgão; execução dos quadros do coro-alto; 1805 - execução do sino de Santa Maria, por Mateus Gomes; 1810 - roubo de alfaias, exigindo a compra de novas; 1812 - o ourives Francisco Ferreira da Sila ofereceu uma vara de prata à Irmandade do Santíssimo; 1816 - execução de uma lâmpada de metal, por 15$000 réis, pelo Mestre Ribas de Lamego; 1826 - compra de um pelicano ao mestre Francisco Rodrigues, pela Irmandade do Santíssimo Sacramento; 1837 - demolido o Cruzeiro do Senhor do Bom Despacho; 1843 - construção do muro do adro; 1845 - encarnação da imagem de Santa Catarina; 1845, Abril - os encargos e bens da Irmandade do Senhor da Agonia passam para a Irmandade do Santíssimo; 1846 - execução das grades da casa do despacho da Irmandade das Almas; trasladação da sepultura de Francisca Inácia da Capela do Senhor da Agonia para junto do portal do lado do Evangelho; 1847, 12 Março - conclusão das obras na Capela do Santíssimo Sacramento; 1848 - referido, no Inventário da Irmandade das Almas as imagens de Santa Catarina, São Nicolau Tolentino, São Gregório Magno e um painel das Almas, como estando no retábulo; 1850 - execução da grade de ferro da Capela do Santíssimo, pelo ferreiro Joaquim de Almeida e douragem e pintura, a azul celeste, de António de Pádua, por 38$400; 1863 - execução do oratório da sacristia da Irmandade das Almas; 1865, 19 Julho - extinção da Colegiada; 1875 - feitura do novo trono da capela-mor, financiado pela Irmandade do Santíssimo, pela Junta da Paróquia, pelo bispo de Lamego e viscondes de Valmor e de Sacavém; execução da sineta Real, por Narciso António, de Braga; 1877 - repinte da grade do Santíssimo e terminada a parte inferior por Joaquim de Almeida Júnior; 1882 - calcetamento do adro, com a contribuição de 18$000 réis da Irmandade das Almas; a mesma manda executar uma cruz processional; 1883 - execução do sino do Santíssimo, por Narciso António; 1885 - restauro do muro do adro; 1887 - o juíz da Irmandade das Almas, José dos Santos Leitão, oferece uma palma e espada de prata à imagem de Santa Catarina, que importou em 26$260 réis; 1897 - colocação do pelicano na decoração da Capela do Santíssimo; 1889 - oferta de sacras por José dos Santos Leitão à Irmandade das Almas; 1890 - oferta de estante missal por António Soares de Almeida à mesma irmandade; séc. 20 - execução do grupo escultórico do baptistério; 1911 - retábulos colaterais tinham maquinetas a proteger os oragos; 1919 - referência ao altar de Santa Ana, situado entre o de Santa Catarina e o púlpito, com painel oitavado, representando Santa Ana a ensinar a Virgem a ler; 1931 - feitura da imagem do Sagrado Coração de Jesus, pela oficina de Teixeira Fames e Filhos, de Braga; 1931, 19 Novembro - benção da imagem e do altar do Sagrado Coração de Jesus, a substituir o primitivo orago de São Miguel; 1937 - 1947 - transferência de um retábulo para a Igreja, proveniente da Igreja de Vilar de Frades; 1945, 3 Outubro - venda do retábulo das Almas a João dos Santos Carvalho, por 2.500$00, que o doou à Igreja Matriz de Cimbres; 1947 - colocação das esculturas de Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora de Fátima, em cedro, na Capela do Santíssimo; 1965, 24 Dezembro - incêndio no imóvel, destrói a pintura do coro, incluindo o painel da Virgem do séc. 16; 1967 - transformação da Casa do Despacho da Irmandade do Santíssimo num pequeno museu; 1988 - incêndio atinge o monumento, destruindo parcialmente o retábulo-mor e as pinturas da capela-mor: no lado do Evangelho - São Sebastião (150x73 cm.) e Santa Teresa de Ávila, com a legenda "VERUM ASYLUM"; na Epístola - São Vicente (150 x61 cm.) e Santa Catarina da Alexandria (150x76 cm.); 1993 - proposta de restauro do retábulo-mor, pela firma Monteiro Vouga, Ld.ª, que não se concretizou.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes; estrutura autónoma.

Materiais

Granito, reboco, azulejos, madeira.

Bibliografia

CORREIA, Vergílio, Artistas de Lamego, Coimbra, 1923; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1951, Lisboa, 1952; Boletim da DGEMN, n.º 67, Lisboa, Março de 1952; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do Ministério no ano de 1952, Lisboa, 1953; LARANJO. F. J. Cordeiro, Cidade de Lamego, nº. 10 - A Igreja de Santa Maria de Almacave, Lamego 1996, Guia de Portugal, Vol V - Trás-os-Montes e Alto Douro - II, Lamego, Bragança e Miranda, Lisboa, 1988; ALMEIDA, José António Ferreira de [dir.], Tesouros Artísticos de Portugal, Lisboa, 1980; SARAIVA, Anísio Miguel Bemhaja, A Sé de Lamego na primeira metade do século XIV, [ dissertação de mestrado ], 2 vols, Coimbra, 2000; ALVES, Alexandre, Artistas e Artífices nas Dioceses de Lamego e Viseu, vols. I e II, Viseu, 2001; O Compasso da Terra - a arte enquanto caminho para Deus, vol. I, Lamego, Diocese de Lamego, 2006; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003; TAPADINHAS, Maria Albertina, "Lamego medieval", in O Compassao da Terra - a arte enquanto caminho para Deus, vol. I, Lamego, Diocese de Lamego, 2006.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; BPMPorto (Cod. 547); Fábrica da Igreja Paroquial de Almacave: Livros da Casa do Despacho da Irmandade das Almas, Livros da Casa do Despacho da Irmandade do Santíssimo Sacramento; ADiocese Lamego: Livro dos Baptizados; BMunicipal de Lamego: Comissão Concelhia do Inventário (1911); ADistrital de Viseu: Livro de Notas de Lamego

Intervenção Realizada

DGEMN: séc. 20, década de 40 - rebaixamento do adro da igreja, pavimentação com lajes de cantaria e ajardinamento de uma parcela; reconstrução dos degraus da porta principal; apeamento do maciço de alvenaria na fachada E. e reconstituição dos elementos que compunham a porta primitiva; picagem dos rebocos exteriores e colocação de novo reboco; arranjo das coberturas e substituição da telha; rebaixamento de parte do pavimento interior; reparação do coro, dos azulejos do arco de sustentação do mesmo, dos caixotões de madeira dos tectos; colocação de um altar proveniente de outra igreja no lado da Epístola da nave; reconstituição dos pavimentos da torre e das escadas de madeira; feitura das portas de acesso ao templo e reparo de caixilhos; drenagem e escoamento de águas em volta da igreja; Instituto do Emprego e Formação Profissional: 1997 - restauros nos alçados laterais.

Observações

*1 - trata-se da réplica da cruz primitiva, guardada no Museu de Lamego. *2 - este era em arco abatido e possuía um alpendre, com varanda superior, a denominada Varanda dos Beneficiados, que ligava a casa do despacho da Irmandade das Almas ao coro-alto; na sequência das obras da DGEMN, foram encontrados vestígios do primitivo pórtico, o que permitiu a sua reconstituição. *3 - o actual retábulo é proveniente de local desconhecido. *4 - nesta, surgiam pintadas as armas de D. António Freire Gameiro de Sousa, deão de Lamego em 1769 e bispo de Aveiro. *5 - possuíam sanefa em talha dourada, desaparecidos na sequência do incêndio. *6 - o remate central consistia em frontão interrompido, com dois anjos de vulto e baldaquino com lambrequins. *7 - no contrato consta: "Primeiramente, se dará mais um palmo de largo à dita obra do que manda a planta, que são quinze com mais um que são dezasseis, será a dita obra metida em um arco de pedra o que pertence aos pés direitos das colunas para dentro, que é o possível, e os pilares dos santos e os pedrastais e colunas serão assentes à face da parede por fora do arco, e assim continuará por todo o seu remate, com as elevações e "abuamentos" necessários; far-seá mais no dito retábulo um sacrário, para o que será o ante-banco de bojo para fora, para melhor se formar a tarja em correspondência da mais obra, em termos que não fique defeituoso, será feito este sacrário com as alturas que o sítio o permitir, para melhor desafogo da porta, a qual será bem feita e terá um cordeiro deitado sobre um livro; far-se-á mais uma banqueta de seis castiçais e uma cruz para os mesmos, os quais serão bem feitos de talha e bom aparelho, e serão feitos pelos da igreja de Cambres, e se lhe meterá mais alguma talha onde puder ser, terão de alto quatro palmos, com mecheiros, a cruz na sua medida; far-seá mais duas peanhas para o lugar dos santos, na forma que se acham riscadas em seu lugar, que é um risco à parte, em que se acrescentaram as ditas peanhas, com cómodo suficiente para dois santos, o que mostra, com o seu pilar também riscado, que para as ditas se farão dois santos de cinco palmos cada um que é de São Nicolau Tolentino e São Gregório Papa, estes serão feitos na forma do risco que se acha feito; far-se-ão mais duas figuras que são Fé e Esperança, como se acham também riscadas, as quais serão postas sobre as empenas da obra do lugar em que se acham dois anjos, para ocupar o seu lugar; e suposto de acham riscadas Esperança e Caridade, no lugar da Esperança se porá a Fé para não ficarem as Virtudes trocadas, que ficará Fé da parte do Evangelho e Esperança da parte da Epístola; estas figuras terão nas mãos as suas insígnias, como de costume, e também a caveira que se vê riscada, na mão do anjo, será posta nas mãos das mesmas figuras; far-se-á mais uma imagem de Santa Catarina na forma que se acha riscada, com o acrescento da cabeça decepada, para o que se mostrará parte do corpo e os pés da Santa, mas a cabeça arrumada a um lado, onde estará a roda, terá de alto a Santa cinco palmos, como os dois Santos; enquanto à planta, a tal Santa que se acha riscada ficará em seu lugar, com diferença que ficará pelo mesmo feitio que se acha riscada (...) será o caixão forrado por dentro, de tafetá branco; far-se-ão mais, para a cruz, uma imagem do Santo Cristo à proporção da mesma cruz; e como os senhores juiz e mordomos formam tenção, quando mandarem fazer o arco de pedra para se meter o retábulo, fazer nova servidão para o púlpito, este se fará na entrada que agora tem, na forma do mais, com os balaústres e ornatos como os que estão no mesmo púlpito velho (...)" (ALVES, 2001, pp. 285-286).

Autor e Data

João Carvalho 1997 / Paula Figueiredo 2002

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