Mosteiro de Tarouquela / Igreja Românica de Santa Maria Maior de Tarouquela / Igreja Paroquial de Tarouquela

IPA.00004275
Portugal, Viseu, Cinfães, Tarouquela
 
Mosteiro feminino da Ordem regrante de Santo Agostinho, reaproveitado pela Ordem de São Bento, de que resta a igreja, de nave única, com capela-mor mais estreita e baixa, com contrafortes exteriores. Escassamente iluminada por óculos e seteiras e pórticos de volta perfeita ou apontados. Remate em cornija com cachorrada. Retábulo de talha policromada maneirista. Profusão de decoração românica nas impostas, frisos, colunelos e capitéis. Afinidades decorativas com as Igrejas de Balsemão (v. PT021805210004 ) e Sernancelhe (v. PT021818160005).
Número IPA Antigo: PT011804150003
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de São Bento - Beneditinas

Descrição

Planta longitudinal composta irregular, volumes articulados ( nave única, torre sineira, capela-mor e capela adossada ao lado esquerdo da capela-mor ) e disposição horizontalista das massas. Cobertura diferenciada de telhado a uma e duas águas. Fachada principal voltada a O., com pórtico de arco apontado, seis colunelos com capitéis insculpidos, três arquivoltas e tímpano. Sobre as impostas, dois mamíferos, quadrúpedes, abocanham, pelos pés, o que parece ser uma criança. Sobre o pórtico, uma fenestração de arco a pleno centro e empena angular com cornija encimada por cruz. Lateralmente, torre sineira cega e campanário com arco a pleno centro. Remate em cornija, pináculos e cobertura em pirâmide coroada por bola e cruz metálica. Alçado N. tem, no volume da nave, duas fenestrações de arco a pleno centro. Remate em cornija, apoiada em cachorros; No corpo da capela-mor, contrafortes até sensivelmente 2/3 do comprimento. Existência de friso decorado. Duas fenestrações de arco apontado, cachorros portantes da cornija. Alçado E. é cego na capela-mor, com remate em empena, tendo cornija e cruz no vértice. No corpo da capela lateral, óculo polilobado. Alçado S. marcado pelo corpo da torre sineira e escadaria de acesso. Pórtico lateral com arco apontado e tímpano. Existência de friso e duas fenestrações de arco apontado. Cachorrada, suportando a cornija. Capela lateral com duas janelas geminadas. Cachorrada sustentando a cornija. A sua frontaria nasce do contraforte do cruzeiro da igreja e é rasgada por uma porta ogival de toros e meias canas nas arquivoltas internas. Os modilhões da cornija apresentam-se decorados com motivos fito e zoomórficos. Existência de contrafortes e gárgulas. INTERIOR de nave única com capela-mor profunda e arco triunfal de arco apontado, com vestígios de policromia, ladeado por dois altares. Tecto de madeira. As paredes laterais da igreja encontram-se marcadas com arcos ricamente decorados apoiados em colunelos de capitéis historiados, o mesmo sucedendo com os interiores das fenestrações. Dois altares laterais em talha encontram-se respectivamente do lado do Evangelho e da Epístola. Frisos insculturados rodeiam a igreja. Do lado do Evangelho, um púlpito com guarda em talha dourada, nicho onde se insere a pia baptismal. Capela-mor com três arcos de volta perfeita, decorados, apoiados em colunelos de capitéis historiados. São cegos e encimados por friso decorado. Duas fenestrações de arco de volta perfeita com o perfil e os colunelos decorados. Altar-mor de talha. Dois arcos de volta perfeita, decorados, ladeiam a porta, de arco a pleno centro, de acesso à Capela lateral. Existência de friso decorado. No segundo registo, dois arcos de volta perfeita, decorados, um deles cego, o outro encimando a porta, com fenestração à laia de seteira. Tecto em falsa abóbada de berço, de madeira pintada. Capela lateral com porta comunicante com a capela-mor. Friso decorado, com motivos geométricos, sobre o qual assenta a janela de arco de volta perfeita, fenestrada como seteira, com duplo par de colunelos. Iluminação efectuada através de óculo polilobado e 2 janelas geminadas.

Acessos

EN 222, ao Km 66,5, para Mosteiro

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 34 452, DG, 1.ª série, n.º 59 de 20 março 1945

Enquadramento

Rural, a meia encosta, destacado, harmonizado com a paisagem, nas margens do Rio Douro. Isolado e separado dos terrenos envolventes, a maior parte cultivados com vinha, por adro. Na zona posterior e lateral direita, situa-se o cemitério. No exterior, três arcas tumulares.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 12 / 13 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 11 - a vila de Tarouquela é citada em documentação; séc. 12 - construção da igreja pela Ordem das Cónegas Regrantes de Santo Agostinho; 1162 - é referida a existência do mosteiro; 1170 - o mosteiro pagava anualmente 3 áureos à Sé de Lamego; 1185 - o mosteiro passou para a Ordem de São Bento; 1194 - doação de D. Urraca Viegas; séc. 12, final - era abadessa D. Urraca Viegas, filha de Egas Moniz, que se recolheu ao mosteiro após a morte do esposo; 1226 - as freiras pagavam 3 móios de pão à Sé, do qual foram dispensadas em 1230; 1298, 16 Agosto - o bispo de Lamego, D. Vasco, doa a D. Aldonça Martins, abadessa de Tarouquela, o censo que o mosteiro deveria entregar ao bispado; séc. 14 - na face S. da Igreja, foi adossada capela gótica dedicada a São João Baptista, mandada construir por Vasco Lourenço; 1536 - as monjas foram transferidas para o Mosteiro de São Bento da Avé-Maria, no Porto; 1943, 22 Junho - a Junta da Província do Douro Litoral escreve à DGEMN a sugerir a classificação do imóvel; 1946, 10 Setembro - a Junta de Freguesia de Tarouquela pede autorização para construir um ramal de estrada de acesso à igreja; 1977, 17 Maio - existência de dois túmulos na capela-mor, de antepassados de Pedro de Sousa Vasconcelos, proprietário da Capela de São João Baptista, anexa à igreja; 1983, 29 Dezembro - aquisição, pelo Estado, da Capela anexa à Igreja, a Pedro Sousa de Vasconcelos e outros por 319.000$00, para adaptação a sacristia.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Granito, madeira, telha.

Bibliografia

LEAL, Pinho, Dicionário de Portugal Antigo e Moderno, Vol IX, Lisboa, 1880; VITORINO, Pedro, Igreja Românica de Santa Maria de Tarouquela, in Ilustração Moderna, n.º 1 / 7, Janeiro - Fevereiro 1932; COSTA, M. Gonçalves da, História do Bispado e Cidade de Lamego, 1977; SARAIVA, Anísio Miguel Bemhaja, A Sé de Lamego na primeira metade do século XIV, [dissertação de mestrado], 2 vols, Coimbra, 2000.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

1924 - substituição do lajedo do chão por outro pavimento; 1952 - construção de uma estrada de acesso ao imóvel; 1962 - obras de conservação; 1963 - obras de reparação da cobertura exterior da sacristia, capela-mor e capela tumular; 1965 - colocação de suportes para lâmpadas de iluminação pública; DGEMN: 1969 - diversas obras de conservação no telhado, com substituição de telhas partidas e em falta; assentamento dos beirados e limpeza dos entulhos; apeamento do alpendre na fachada lateral da nave, que se encontrava em mau estado de conservação; 1976 - reconstrução das coberturas; demolição do coro, púlpito e escada de ligação; picagem do reboco em paredes interiores e limpeza dos paramentos; construçlão de cintagem de paredes; 1977 - demolição parcial da sacristia, recentemente construída, para desimpedir a visibilidade de uma janela românica; rectificação das empenas da capela lateral; reconstrução da cornija na fachada S. da capela-mor; remodelação provisória da instalação eléctrica, com mudança do quadro da sacristia para a igreja; desentaipamento da rosácea da capela lateral; picagem de reboco e tomada de juntas nos locais onde não existem pinturas murais; entaipamento da fresta da fachada principal, de forma a rectificar o seu perfil; escavação junto à porta lateral, para permitir a drenagem da água que ali se acumulava, entrando para a nave; levantamento do estrado de madeira da capela-mor; completamento dos gigantes das fachadas, parcialmente derrubados por obras nos telhados; assentamento de batente em granito no portal axial; execução de paredes de tijolo e remate das arcarias cegas, incluindo o reboco; assentamento de vitrais e vidros nas janelas; escavação em sondagem junto à porta lateral para revelar antiga sepultura; 1978 - assentamento de coberturas de madeira; levantamento de mosaico hidráulico e sua remoção na capela-mor; colocação de quadro eléctrico; montagem de pontos de luz e de projectores simples; 1980 - regulamento de silhares nas paredes exteriores; pintura das portas; apeamento de guarda-vento deteriorado; entaipamento do antigo acesso ao coro, com tijolo; execução de valeta exterior; 1984 - apeamento de silhares para abertura de um vão de ligação entre a capela-mor e a capela lateral; execução da verga de betão no referido vão; remoção dos túmulos existentes na capela lateral; assentamento da porta, em madeira de pinho, e respectivas ombreiras e verga em cantaria; assentamento de bancos de madeira de pinho; 1985 - levantamento do pavimento em lajeado; escavação de terras para rebaixamento do pavimento; execução de uma caixa de fundação e drenagem de cascalho e de masseme, para assentamento do pavimento; reforço da fundação das paredes exteriores com betão ciclópico; formação das paredes exteriores em silhares de granito; execução de degraus em cantaria de granito;veneficiação das ombreiras da porta de acesso à sacristia, com substituição de peças deterioradas; assentamento do pavimento em lajeado na sacristia e patamar de acesso; limpeza de coberturas, com substituição de telhas partidas e fixação das soltas; 1991 / 1992 - apeamento da cobertura exterior da nave, regularização da placa de cobertura; execução de ripado em argassa; assentamento da cobertura; beneficiação de rufo existente junto à torre, com chapa zincada e respectiva pintura; execução de cobertura interior em madeira de cambala; 1994 / 1995 - restauro dos retábulos e tecto; 1996 - reparação em portas e drenagens; 2000 - beneficiação das coberturas, com substituição de telha.

Observações

*1 - a desproporção da capela-mor dever-se-á possivelmente a acrescento em campanha de obras posteriores; como suporte teórico a interrupção do friso, a ausência de contraforte a partir de determinada altura; situação que se verifica dos dois lados da capela-mor.

Autor e Data

João Carvalho 1997

Actualização

Paula Figueiredo 2001
 
 
 
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