Moinho do Petisco

IPA.00004127
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, Carreço
 
Moinho de vento fixo construído no séc. 19. Apresenta planta circular e em pedra, com tejadilho cónico, de madeira, com rotação feita por sistema de rabo, a solução mais usual no norte do país, e sistema de velame composto por quatro velas triangulares de pano. Fachadas de dois pisos, rasgados por duas janelas, uma sobre a porta e outra na face oposta. Conserva o sistema de moagem operacional, possuindo interiormente em vários locais as principais datas de construção ou restauro inscritas. A moega apresenta pequenos pormenores decorativos de grande interesse. Segundo Jorge Dias, pode-se incluir na segunda categoria dos moinhos mediterrâneos, de pedra, estabelecidos por Krüger, designado por "sistema intermédio". Os moinhos de Carreço, integram-se no chamado "ciclo do pão", juntamente com os moinhos de água de São Lourenço da Montaria e o Núcleo Museológico do Pão, em Outeiro.
Número IPA Antigo: PT011609080021
 
Registo visualizado 183 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Extração, produção e transformação  Moagem    

Descrição

Planta circular, de volume simples e cobertura homogénea, de madeira. Fachadas de dois pisos, em cantaria aparente de aparelho irregular com largas juntas cimentadas e pintadas de branco; virada a E., rasga-se portal de verga recta simples e, sensivelmente deslocada, pequena janela rectangular, possuindo uma outra na fachada oposta. Cobertura móvel, formada por armação cónica de caibros partindo de um bloco de madeira, o peão, e assentando no frechal, onde possui um intervalo entre si de 40 cm, entarugados a meio do seu cumprimento e recobertas por tábuas de formato triangular, com extremidades inferiores avançando dos paramentos, formando beiral. O sistema de velame é constituído por quatro velas triangulares de pano, dispostas em cruz, armadas em quatro pares de varas. O rabo parte do peão, apoia na trave onde joga a parte posterior do mastro, sai para fora por baixo do beirado, até quase ao solo, onde se empurra à mão para o lado desejado. INTERIOR de paramentos rebocados e pintados de branco, sendo sensivelmente mais espessas até à altura do soalho. Piso térreo com pavimento cimentado e soalho do piso superior assente em traves de madeira, a que se acede por escada de madeira, com o primeiro degrau em cantaria, encostada à parede. Ao nível do piso superior, o capeado das paredes tem aberto calha, forrada de madeira, onde roda o frechal, com 20 x 10,5 cm de secção, sobre rodas de cerca de 20 cm de diâmetro, colocadas regularmente a 85 cm de distância; na face oposta à porta, tem inferiormente cavidade para permitir a substituição das rodas; sob este, pequeno vão para arrumos. O vão da janela possui inscrita a data de 1905. A meio dispõem-se as duas mós, o pouso mais alto e a andadeira, apoiados em duas grossas vigas de madeira, afastadas, possuindo entre elas, sob o soalho, o urreiro, onde apoia e gira o veio da mó andadeira, assente numa das pontas num travessão que tem por base dois prumos, ficando a outra suspensa num barrote, o aliviadouro, que sobe ao sobrado ao lado do bloco das mós e aí remata por uma travessa em T e regulável por uma cunha, provocando a subida e descida do urreiro e com ele o veio da mó, graduando a distância entre as duas mós, de modo a produzir farinha mais ou menos fina. Sobre as mós, surge a entrosga, ligada ao mastro por quatro braços de madeira dispostos em cruz, com aro provido de dentes, transversais, que engrenam num carreto tipo lanternim; este é constituído por dois discos de madeira e seis fuselos, cintados com aros metálicos, pintados de vermelho, e é atravessado por um eixo de ferro, de secção quadrangular, que joga em cima numa chumaceira e termina em baixo numa espiga que entra na segurelha, peça de ferro encaixada na face inferior da mó andadeira. O pé da mó surge parcialmente descoberto, mas a mó andadeira surge totalmente envolvida e coberta por caixa de madeira, o tremonhado, sobre a qual assenta a moega, onde se coloca o grão para moer; é de madeira, quadrangular, de paredes exteriores aprumadas e interiores piramidais invertidas, possuindo pequena decoração e a data de 1942 inscrita. O grão cai da moega através da quelha de madeira até ao olho da mó, sendo fixa atrás e suspensa à frente de dois cordéis ligados a tornos cravados na parede da moega, através dos quais se pode graduar a sua inclinação e, consequentemente, a queda de mais ou menos grão. O cereal triturado é expelido para fora do intervalo das mós pela acção de força centrífuga, caindo numa caixa de madeira, superiormente protegido por pano branco. Encostado à parede, dispõem-se arca de madeira para guardar o cereal e pequeno banco, igualmente de madeira.

Acessos

Carreço, Rua do Alto do Facho, Travessa do Alto do Facho. VWGS84 (graus decimais) lat.: 41,750358; long.: -8,874329

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 735/74, DG, 1.ª série, n.º 297 de 21 dezembro 1974 / ZEP / Zona "non aedificandi", Portaria, DR, 2.ª série, n.º 130 de 08 junho 1982

Enquadramento

Peri-urbano, isolado. Situa-se a cerca de duas léguas da cidade de Viana, na zona mais elevada da povoação de Montedor, nas proximidades do Farol de Montedor (v. PT011609080134). Ergue-se em terreno privado, relvado, delimitado por muro baixo de pedras, possuindo encostado à face posterior, virada ao mar, banco de pedra. Nas imediações, mas numa cota inferior e no seu alinhamento erguem-se os Moinhos de Cima e do Marinheiro (v. PT011609080027).

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Extração, produção e transformação: moagem

Utilização Actual

Cultural e recrativa: museu vivo

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1855 - Construção inicial do moinho no Alto do Facho, em Montedor; 1883, 13 Maio - Fernando Afonso Anes vende o moinho a Silvestre Martins Ramos, pela quantia de 39$000 rs, mantendo-se na família até hoje; 1905 - reconstrução do moinho no local onde hoje se encontra, devido à construção do Farol de Montedor no Alto do Facho; 1942 - data inscrita no interior da moega, assinalando um restauro; 1977 - data até ao qual se manteve em funcionamento; Outubro - data no interior assinalando novo restauro; 2002 - reposição do seu sistema de moagem e retoma do seu funcionamento; 28 Setembro - inauguração do moinho após as obras.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de alvenaria de granito, aparente; porta, sobrado, cobertura e sistema de moagem em madeira; velas de pano.

Bibliografia

AAVV, Núcleo Museológico Moinhos de Montedor, Viana do Castelo, 2002; Carreço - moinho de vento a trabalhar, O Dia, 20 Setembro 2002; DIAS, Jorge, Sistemas Primitivos de Moagem em Portugal, vol. 2, Porto, 1959; FELGUEIRAS, Guilherme, Moinhos e Azenhas no Alto Minho inertes ou decadentes in Cadernos Vianenses, vol. 8, Viana do Castelo, 1984; LEAL, António J. Cunha, Roteiro Arqueológico de Viana do Castelo, Viana do Castelo, 1922.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID; proprietário

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: 1942 - restauro do moinho; 1977 - obras de restauro; 2002 - obras de restauro, conservando a sua estrutura original, quer ao nível dos sistemas de motor e de moagem, quer da morfologia do imóvel, por um artesão de Santa Marta de Portuzelo.

Observações

*1 - DOF: Moinho de vento com velas trapezoidais de madeira. *2 - Por cada rasa o dono do moinho ficava com uma maquia, ou seja, um litro do cereal. As duas janelas dispõem-se frontalmente para introduzir o mastro no interior do moinho.

Autor e Data

Paula Noé 1992 / 2005

Actualização

 
 
 
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