Jardim do Palácio do Beau-Séjour / Jardim da Quinta das Campainhas do Barão da Glória / Jardim da Quinta do Beau-Séjour

IPA.00004042
Portugal, Lisboa, Lisboa, São Domingos de Benfica
 
Espaço verde de recreio. Jardim de caracterização estilística romântica. Espaço murado constituído por vegetação ornamental disposta no sentido de criar ambientes agradáveis e acompanhada de elementos construídos, como bancos, canteiros, estátuas ou peças de água. Caracterização romântica patente na composição naturalizada, no contraste claro-escuro produzido pela vegetação, nos caminhos sinuosos, na utilização de espécies exóticas e na criação de lugares pitorescos ou intimistas com tanques, lagos, coretos. O jardim estabelece com o palácio uma relação de continuidade prolongando a sua gramática romãntica e reflectindo muitas das atitudes de concepção do jardim português. Apesar da sua inserção na malha urbana, o jardim permite uma vivência de privacidade e fruição dos ambiêntes que encerra por se encontrar a cota mais elevada e protegidopela vegetação. A disponibilidade de água no jardim permite uma estruturação dela decorrente que se mantém perceptivel. Mantêm também em bom estado as espécies exóticas utilizadas, características da época e os elementos arquitectónicos em ferro.
Número IPA Antigo: PT031106390378
 
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Registo

 
Espaço verde  Jardim  Jardim  Romântico    

Descrição

Propriedade de planta aproximadamente rectangular limitada por muro e gradeamento. Portão principal no extremo NO. da propriedade iniciando caminho de entrada que se prolonga até ao extremo SO. Estruturada em três patamares sobreelevados em relação à rua e suportados pelo muro que limita a proriedade paralelamente à rua. Patamar fronteiro ao edifício (IPA.00005597) estruturado por caminhos sinuosos que limitam canteiros rematados a blocos de calcário. Ao meio deste patamar, lago artificial com coreto de ferro ao meio acessível por três pontes levadiças. Próximo do lago, elemento arquitectónico semelhante ao coreto, também em ferro, constituído por banco em redor do suporte da cobertura circular. A E. tanque circular com repucho central. Aproximadamente ao meio do muro, acesso por porta que acede por escada a um pequeno pavilhão com passagem para a rua. Este pavilhão é constituído um corpo cilindrico com três janelas de volta perfeita e outro paralelipipédico com três janelas em cada lado maior e uma no lado menor, também de volta perfeita. O interior é revestido a azulejo branco rematado com motivo amarelo e azul em forma de "s". O patamar intermédio é composto pelo palácio e pelas áreas laterais do mesmo. A E. zona de estadia, acessível por escadaria de cinco degraus rasgada no muro de suporte, onde se dispôem dez bancos de pedra cinco maiores e cinco mais pequenos, dipostos dois a dois e acompanhando a forma côncava do canteiro posterior. Em zona recuada da fachada do palácio estabelece-se pequeno pátio para estadia gradeado a ferro com pavimento em calçada e canteiro ao centro. Este pátio continua pela fachada principal e lateral O. do edifício. A O. do edifício zona de canteiros irregulares acompanhando as formas do patamar inferior. Junto ao caminho que separa o patamar superior, peça de água de forma rectangular constituída por tanque central circular com repuxo, rodeado por ilhota oval que define novo plano de água coma mesma forma. Esta construção é em pedra irregular de aspecto naturalizado e revestida com hera. A sua alimentação faz-se por bica ligada por baixo do caminho a S. à mina com acesso do outro lado do mesmo. Para E. estende-se pérgula sobre bancos intercalados com canteiros que continua paralela ao caminho de entrada. Voltada ao caminho que separa o patamar inferior, construcção de forma quadrangular, limitada a N., E. e O. por canteiros preenchidos com fetos. A N.os canteiros são rasgados por passagem. A S. o limite é um muro onde se insere uma fonte de aspecto naturalizado ladeada por escadarias de cinco degraus. Ao centro desta construção, entre a fonte e a entrada, escadaria circular de quatro degraus. O Patamar superior é inclinado até ao muro, revestido com rosas-de-santa-teresinha, e acompanhado por caminhos rectos que o contornam. É dividido por caminho perpendicular ao centro da fachada do palácio. Junto ao muro S., alinhamento de castanheiros. O solo é revestido por relvado conde se insere uma plantação regular de alecrins.

Acessos

Estrada de Benfica, n.º 368 a 372.

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 132/2014, DR, 2.ª série, n.º 36 de 20 fevereiro 2014 / ZEP, Portaria n.º 415/98, DR, 2.ª série, n.º 89 de 16 abril 1998 *1

Enquadramento

Situação de vale e encosta em solo fértil de aluvião - Formações aluvionares do Holocénico. A situação fisiográfica e a envolvência edificada limita o sistema de vistas da propriedade. Inserido na malha urbana está adjacente a S., ao Colégio dos Maristas e a E., ao Lar dos Maristas. A N. e O. é limitado pela rede de circulação.

Descrição Complementar

A propriedade em 1859 consistia em «(...) huma quinta que antigamente chamavam das Loureiras, e ora se denomina - Beau Sejour - situada onde chamam Alfarrobeira na Estrada do lugar de Benfica (...) a qual se compõe de Prédio Urbano e Rústico constando de dois portões de ferro à frente da mesma Estrada, Casa Nobre, Jardim com hum grande lago, dois pomares de espinho, Vinha Olival Terra de semeadura, Arvores de fruto e Horta, hum poço com engenho real, almacega, e mina dágua, he toda murada em roda, e bem no fundo da mesma Quinta um portão que dá serventia para a zinhava que vai ai sítio de Carnide, além de que tem outras casas que servem de oficinas, e ao lado do Sul uma adega com o seu lagar, e engenho e arribanas contíguas, confinando a mesma Quinta e todas as suas pertenças pelo lado Norte com a Quinta pertencente à Sereníssima Senhora Infanta Dona Isabel Maria, pelo Sul com a Quinta da Conceição, pelo Nascente com a Estrada Real pelo Poente com a referida azinhaga, (...)» (VALE, 1992)

Utilização Inicial

Recreativa: jardim

Utilização Actual

Recreativa: jardim

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Gabinete de Estudos Olissiponenses (GEO); Telef. 21 7742309

Época Construção

Séc. 19

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: José Maria Mousinho

Cronologia

1849, 7 Abril - aquisição da Quinta das Louras ou das Loureiras, por D. Ermelinda Allen de Almeida (na altura, Baronesa da Regaleira) a João Veríssimo de Barros Viana e sua mulher D. Maria Inácia dos Santos; a designação da quinta passa a "Beau-Séjour" (do bem-estar); 1858, 15 Junho - D. Ermelinda Allen de Almeida recebe o título de Viscondessa; Dezembro - morte da Viscondessa da Regaleira; 1859, 25 Mai. - a quinta do «Beau Séjour» é vendida por D. Isabel Allen Palmeiro, baronesa da Regaleira, sobrinha e herdeira da viscondessa, a António José Leite Guimarães, barão da Glória (1806 - 1876). Da propriedade constavam, entre outros bens, «dois portões de ferro à frente da mesma entrada (de Benfica), casa nobre, jardim com um grande lago (...)». O Barão terá procedido ao revestimento azulejar do palacete e ao engrandecimento do lago e das esculturas; 1876, 29 de Out. - morre o barão da Glória e o "Beau Séjour" passa para os seus sobrinhos e herdeiros, José Leite Guimarães e Maria da Glória Leite; Séc. 19, final - tem lugar uma significativa campanha de enriquecimento artístico do palacete (intervenções de Francisco Vilaça, Columbano, Rafael e Maria Augusta Bordalo Pinheiro), por acção dos herdeiros do barão da Glória; 1887 - o tecto da Galeria de Pintura deve-se a Vilaça; Sec. 20, década de 30 - morre D. Maria da Glória Leite e o "Beau Séjour" passa para a posse de uma afilhada e seu marido, Augusto Fernandes de Almeida; 1971 - Leilão que dispersa o recheio e venda da quinta, então adquirida pelos Irmãos Maristas que aí instalam um colégio; 1980, década de - aquisição pela CML; 1992 - instalação do GEO, depois de obras de recuperação do palacete; 1996, 06 março - publicação da classificação da Quinta e jardins, como Imóvel de Interesse Público, pelo Decreto n.º 2/96, DR, 1.º série-B, n.º 56.

Dados Técnicos

O jardim assenta em plano inclinado, modelado de forma a permitir a utilização de espaços com diferentes funções. A água proveniente das minas é distribuída por caleiras subterrâneas ou a céu aberto, funcionando o sistema por gravidade.

Materiais

INERTES: calçada de vidraço; ferro, grevilha branca, grevilha rosa .VEGETAL: árvores - bunya bunya (Araucaria bidwilli), palmeira-das-canárias (Phoenix canariensis), castanheiro (Aesculus hippocastanus), palmeira-das-vassouras (Chamaerops humilis), jacarandá (Jacaranda mimosifolia), romanseira de jardim (Punica granatum); arbustos - alecrim (Rosmarinus officinalis), árvore-do-incenso (Pittosporum undulatum), loendro (Nerium oleander), murta (Myrtus communis), ,; herbáceas - asparagus ornamental, begonia (Begonia semperflorens), clivia (Clivia miniata), clorofito (Chlorophitum capense), euonimus (euonymus japonica),hebe (Hebe speciosa), ophiopogon japonicus, primula polyanta, vinca (Vinca minor), viola odorata; trepadeiras - hedera helix (hera).

Bibliografia

BARBOSA, Inácio Vilhena, Fragmentos de Um Roteiro de Lisboa (Inédito), in Annuario do Archivo Pittoresco, Tomo VI, Lisboa, 1863; Faleceu Ontem o Sr. Barão, in Diário de Notícias, Ano XIII, Nº 3846, 30.01.1876 ;Palácio do Beau Séjour, Processo de candidatura FEDER, Câmara Municipal de Lisboa; FERREIRA, Jorge e PINTO, Luís, A quinta do Beau Séjour em S. Domingos de Benfica, Lisboa; PROENÇA, Pe. Álvaro, Benfica Através dos Tempos, Lisboa, 1964; Catálogo de Valiosas Pinturas Contemporâneas Portuguesas, Mobiliário, Antiguidades, etc., Lisboa, 1971;1989; VALE, Teresa Leonor, O Beau Séjour : Uma Quinta Romântica de Lisboa, Lisboa, 1992; ; ZUQUETE, Afonso Eduardo Martins (Dir.), Nobreza de Portugal, Lisboa: Editorial Enciclopédia, 1960, 2 e 3.

Documentação Gráfica

CML: Gabinete de Estudos Olisiponenses; Universidade de Évora

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID; UE; CML: Gabinete de Estudos Olisiponeneses

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID; CML: Gabinete de Estudos Olisiponeneses

Intervenção Realizada

1989 / 1992 - obras de restauro do palacete, a cargo da CML, sob a direcção do Arquitecto. Jorge Matos Alves, com a finalidade de adaptar o Beau Séjour para receber o GEO. Recuperação do jardim a cargo da Arquitecta Paisagista Luisa Ferraz, da CML. Procurou-se recuperar as espécies vegetais existentes, incluir algumas cuja existência anterior se conhecia, bem como restabelecer a anterior organização das vias de circulação e percursos, com base nas fotografias mais antigas do Beau-Séjour. Quanto às construções, demoliu-se a pequena edificação em cimento com que os Irmãos Maristas haviam substituído a antiga estufa de ripas de madeira, deixando-se assim sem qualquer tipo de cobertura a pequena cascata rodeada de fetos. Procedeu-se ainda ao entaipamento da porta que se abria no muro e que dava acesso à Est. de Benfica, através da escada existente no interior do pequeno pavilhão do jardim.

Observações

*1 - DOF: Quinta das Campainhas / Beau-Séjour, incluindo a casa, jardins fronteiros e parte da quinta até à curva de nível de 80 m, à estrada de Benfica, nºs 368 - 372. Na altura de construção da quinta foram os encantos e as qualidades naturais do lugar, aleados à localização no enfiamento da Estrada Real para Sintra, que era um dos locais de veraneio mais desejado da época; O nome "Quinta das Campainhas" deve-se ao tilintar das campainhas de porcelana que adornavam o coreto do jardim.

Autor e Data

Paula Simões 1997 / Pereira de Lima 2005

Actualização

 
 
 
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