Conjunto da Capela da Senhora de Cervães e da Capela do Calvário / Santuário do Coração de Maria

IPA.00003912
Portugal, Viseu, Mangualde, União das freguesias de Santiago de Cassurrães e Póvoa de Cervães
 
Capela barroca, com arcos a pleno-centro, rebaixados e em asa-de-cesto, volutas, pináculos com esferas afuselados. A talha é da primeira fase do estilo nacional, com colunas pseudo-salomónicas com espirais continuadas nas arquivoltas concêntricas, unidas por raios de talha e decoração dominada pela folha de acanto, parras e uvas. Altares laterais de urna e armários da Capela do Calvário com grandes volutas, motivos auricular e cartelas rococó. Elementos Neoclássicos: escadaria do Adro com pináculos piramidais. O Apostolado do tecto da capela-mor é baseado no da Igreja Matriz de Mangualde e a talha do retábulo e do arco triunfal é do tipo mais utilizado nas Beiras e Trás-os-Montes de finais do séc. 17 até 1730. Os relevos e os temas empregues na talha apontam para um escultor beirão, com outros trabalhos na diocese de Viseu.
Número IPA Antigo: PT021806150013
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Capela Senhora de Cervães: Planta longitudinal de 2 rectângulos justapostos (nave e capela-mor), com 2 corpos adossados a N., rectangulares, da Sacristia e Sala de Reuniões. A S., torre quadrangular e corpo rectangular adossados. Massas horizontalistas, excepto a torre. Cobertura de telhado a 2 águas da igreja, prolongado sobre os corpos, e de pináculo piramidal da torre. Fachada principal orientada; embasamento com friso boleado; portal rectangular com moldura saliente, flanqueado por pilastras encimadas de vasos com romãs e 2 janelas de molduras rectangulares; sobre o portal nicho de baldaquino conquiforme com imagem de Nossa Senhora e o Menino, ladeado de 2 pequenas janelas rectangulares; remate em frontão de volutas encadeadas, encimado por coruchéus de bola afuselada e cruz pétrea. Adossada à direita, torre sineira com pequeno vão quadrangular no 1º piso e abertura sineira de arco pleno; cunhais rematados por pináculos de bola afuselada. À esquerda, recuada, escada de corrimão com voluta, e alpendre sobre coluna e mísula zoomórfica. Fachada S.: embasamento pouco saliente; pano da torre: vão rectangular (igual a E. e N.); corpo adossado: 2 janelas de arco rebaixado e escada com a porta do lado E.; pano da nave: 1 porta de moldura rectangular e 1 janela de arco rebaixado; pano da capela-mor: 1 janela e 1 fresta de molduras rectangulares; remates em cornija. Fachada E.: embasamento pouco saliente; delimitada por cunhais encimados de pináculos piramidais; sem vãos; remate em empena angular. Fachada N.: pano da capela-mor: cego; corpo da Sacristia e Sala de Reuniões: 1 janela e 2 portas de molduras rectangulares com degraus; nicho embutido com caixa de esmolas; escada e porta rectangular de acesso ao coro-alto, sob alpendre; remates em cornija. Interior: nave única antecedida de sub-coro com arco e abóbada em asa-de-cesto e coro-alto de balaustrada de madeira com arco em asa-de-cesto elevado e tecto de masseira. Iluminação por 4 vãos a O.. Pavimento de lajes graníticas. Cobertura em tecto apainelado de 49 tábuas pintadas (7x7) com cenas do A.T., da vida da Virgem e de Cristo. A N. púlpito da talha branca e dourada sobre modilhão pétreo, decorado com volutas e motivos vegetalistas; pia de água-benta gomada. A S., tribuna elevada, com 2 janelas, balaustrada de madeira polícroma e tecto de madeira, antecedido de arco em asa-de-cesto; porta lateral e pia. Arco triunfal revestido de talha branca e dourada com volutas, acanto, bagas, pinhas e aves, ladeado de 2 altares com retábulos e nichos com imagens de Santo Antão e São Caetano flanqueados por colunas pseudo-salomónicas com parras e uvas, que se continuam nos arcos concêntricos unidos por raios. Capela-mor com 3 degraus, iluminada por 2 vãos a S. e coberta por tecto de caixotões com pintura de Pomba do Espírito Santo, ao centro, 12 Apóstolos e emblemas marianos. Na parede E. grande retábulo de talha branca e dourada com colunas pseudo-salomónicas dispostas 2-1 aos lados do camarim, com imagem de Nossa Senhora de Cervães sobre trono de pelicanos, intercaladas pelos nichos de Santa Bárbara e Santa Apolónia e delimitadas por pilastras; decoração com aves, volutas de acanto, parras, uvas, flores e querubins. A N. porta da Sacristia onde existe um arcaz e uma fonte de pedra com máscara, encimada de cruz. Adro: planta poligonal irregular com chafariz de pedra, a NE., rematado por pinha entre volutas ladeadas por pináculos piramidais. Ao centro do muro E. lanço de 7 degraus ascende ao adro da Capela do Calvário, antecedida de escadório com corrimão pétreo de volutas e patamar. Planta transversal, rectangular; massa horizontalista; cobertura de telhado a 4 águas. Fachada SO.: sem embasamento, arco a pleno centro, gradeado, ladeado por 2 portas de moldura rectangular; remate em cornija e pináculos piramidais sobre os cunhais. Fachada SE.: embasamento saliente; sem vãos. Fachada NO.: igual à SE., com pequeno nicho para esmolas. Interior: ao centro pequena galilé com tecto de masseira polícromo e 2 portas rectangulares laterais, de acesso a 2 capelas de nave única, rectangulares, com tectos de masseirdama polícromos.

Acessos

Lugar da Póvoa de Cervães, 1 km a NE. de Santiago de Cassurrães, Senhora de Cervães

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto n.º 5/2002, DR, 1.ª série-B, n.º 42 de 19 fevereiro 2002

Enquadramento

Rural, situa-se em planalto de declive suave para O., circundadas de vinhas a S., pinheiros a SE., oliveiras e árvores de fruto a N. e vivendas rurais a O.. Em destaque, isolada, envolvida por amplo adro murado com bancos corridos, antecedido de escadaria de dois lanços a O., com corrimão pétreo delimitado de pináculos piramidais.

Descrição Complementar

As capelas ligam-se por estreito corredor na zona posterior da galilé, onde se guardam andores. À dir. da escadaria do adro 2 pedras reaproveitadas da igreja seiscentista com a inscrição epigráfica: JESUS MARIA / PERO DA CRUZ POS ISTO EM 1667. A caixa de esmolas embutida na parede NO. tem a seguinte inscrição: CAIXA PARA / AS ESMOLAS / DE NOSSA SIN / HORA DE CERVAENS / AN. DE 1884. No canto formado pela parede NE da Sacristia e NO da capela-mor há 1 pequeno tanque em 1/4 de círculo que serve de canteiro. A iconografia dos painéis do tecto da nave está assim distribuída: nas 3 filas centrais cenas e personagens do Antigo Testamento (reis, patriarcas, profetas); nas 2 filas seguintes cenas da vida da Virgem; nas 2 filas periféricas cenas da vida de Cristo. A ladear o portal principal há 2 pias conquiformes. Ao centro do arco triunfal há uma figura semi-antropomórfica alada. Os emblemas marianos do tecto da capela-mor são inspirados em passagens da Litania.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: santuário

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Viseu)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

Séc. 15 - Aparição de uma imagem da Virgem na Mata das Cervas e construção de uma ermida no local; séc. 16 - Substituição da 1ª ermida por outra no sítio de Vale de Cervães ou Vale de Santa Maria; 1660 - Fundação da Capela de Nossa Senhora de Cervães no antigo Rossio da Senhora; séc. 18 - Reconstrução da Capela no mesmo local, reaproveitando alguns materiais da anterior e pintura dos tectos; 1729 - Reedificação dos altares do arco triunfal; 1754 - O Abade Agostinho Luis Carvalho F. Vasconcelos benze a Capela do Senhor do Bonfim, Senhora da Piedade e Senhora dos Passos; 1803 a 1805 - Prosseguem as obras da Capela de Nossa Senhora de Cervães; 1815 / 1816 - Faz-se uma parede nova, renova-se o telhado e colocam-se grades nas janelas; 1819 / 1820 - Pintura e douramento do púlpito, encarnam-se 5 imagens, pintura do forro da capela e do coro; 1824/1825 - Início da obra de regularização do adro e construção do muro; 1832 / 1833 - Continua a obra do muro e constroi-se um coreto de pedra; 1834 - Construção da escadaria e respectivo corrimão e pináculos piramidais; 1844 - Data inscrita sobre o nicho da caixa de esmolas na fachada NO.; 1852 - Consolidação e restauro do adro, escadaria e muros; 1978, 15 Maio - em sessão camarária desta data, foi deliberada a proposta de classificação de vários imóveis de Mangualde, entre os quais, a Capela; 16 Maio - envio de ofício ao Director Geral do Património Cultural, pedindo a classificação como Imóvel de Interesse Público; 1986 - A Capela dedicada ao Senhor do Bonfim, Senhora da Piedade e Senhor dos Passos é designada por Calvário; 1986, Julho - despacho de classificação como IIP.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes

Materiais

Estruturas de alvenaria granítica de aparelho regular e irregular, rebocado na Capela do Calvário. Cantarias de granito. Tectos de madeira. Coberturas exteriores de telha.

Bibliografia

LEAL, Augusto S. Pinho, Portugal Antigo e Moderno, vol. IX, Lisboa, 1880; ALVES, Alexandre, Um relicário de Arte Abandonado, a Ermida de Nossa Senhora de Cervães na Freguesia de Santiago de Cassurrães, Concelho de Mangualde, sep. da Revista Beira Alta, Viseu, 1968; A Capela de Nossa Senhora de Cervães, in Notícia da Beira, 10 Junho 1992, p.2.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN/DSID

Intervenção Realizada

DGEMN: 1991 - reconstrução da cobertura da Capela-mor; 1992 - restauro e consolidação das estruturas de iniciativa do Abade de Santiago de Cassurrães, Padre Celestino Correia.

Observações

Autor e Data

Madeira Portugal 1991 / Lina Marques 1995

Actualização

 
 
 
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