Convento de São Francisco de Elvas / Arquivo Histórico Municipal de Elvas

IPA.00003765
Portugal, Portalegre, Elvas, Caia, São Pedro e Alcáçova
 
Arquitectura religiosa, maneirista. Convento franciscano capucho da Província da Piedade, de planta rectangular simples, composto pela igreja de planta longitudinal, antecedida por galilé com acesso por arco abatido e cobertura em abóbada de aresta, e a zona conventual, que se desenvolve em torno de claustro quadrangular, evoluindo em dois pisos, com três arcadas por ala, de volta perfeita no piso inferior e assentes em colunas cilíndricas e em arco abatido na superior, assente em pilares toscanos. Em torno do conjunto, resta o perímetro da cerca. A igreja possui planta longitudinal simples, composta por nave e capela-mor mais estreita, com coberturas interiores em falsas abóbadas de berço e iluminada unilateralmente por janelas rasgadas na fachada lateral direita, marcada por contrafortes. Fachada principal em empena, ladeada por duas sineiras em arco de volta perfeita, rasgada pelo acesso à galilé, para onde abre o portal da igreja, o da capela adossada e o da antiga portaria, este de acesso ao Arquivo Municipal e todos de verga recta, encimada pela janela do coro. Interior com pequeno coro-alto, púlpito no lado do Evangelho, com acesso por porta de verga recta, através do claustro, e porta de acesso a este espaço de circulação. Possui arco triunfal de volta perfeita, com as armas do padroeiro, ladeado por dois nichos de volta perfeita, onde se integram os retábulos colaterais. O convento possui a antiga portaria que liga ao claustro, o qual tem acesso directo à cerca e porta de ligação à Via Sacra, onde surgem as escadas das matinas que acedem ao segundo piso, onde surgem corredores de circulação abobadadas, iluminados por janelas regrais, possuindo portas semelhantes, de pequenas dimensões e molduras boleadas, de acesso às celas, viradas à fachada principal e à lateral esquerda, à hospedaria, livraria e outras dependências, transformadas em depósitos, surgindo, junto à capela-mor, o cárcere. No piso inferior, não é possível discernir a primitiva função das várias dependências *5.
Número IPA Antigo: PT041207020041
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Convento masculino  Ordem de São Francisco - Franciscanos Capuchos

Descrição

Convento de planta rectangular irregular, composto pela igreja e pelo antigo núcleo conventual, desenvolvido no lado esquerdo, actualmente adaptado a arquivo. A IGREJA tem planta longitudinal, composta por nave, antecedida por galilé, para onde abre uma capela adossada, de planta rectangular, oposta à zona conventual, e capela-mor mais estreita. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, rematada em cornija e beirada simples, rasgada por vãos rectilíneos. Fachada principal virada em E. em empena, encimada por empena recortada, rematada por friso interrompido por volutas e cornija na zona superior, com cruz latina no vértice, sobre plinto e pequeno concheado; a empena é decorada por botão e palmas de martírio em haspa, executadas em massa pintada de cinza. Encontra-se ladeada por duas sineiras em arco duplo de volta perfeita, o exterior com fecho saliente e assente em impostas saliente, ladeada por pilastras toscanas, rematando em cornija e em elemento recortado e volutado, rematado por cornija de massa que se interrompe em volutas centrais. A fachada é rasgada pelo arco da galilé, de perfil abatido e assente em colunas toscanas, com a arquivolta pintada de cinza, encimada pelo janelão do coro-alto, com moldura pintada de cinza e rematado pelas armas seráficas, encimadas por cartela recortada com elementos concheados, contendo um livro e uma cruz latina. A galilé possui cobertura em abóbada de aresta, assente em mísulas boleadas, com o bocete decorado pelas armas franciscanas, em relevo, com pavimento em tijoleira vermelha. Para ela abrem três portas, o portal axial, de verga recta simples, a porta de acesso ao Arquivo, antiga portaria, protegido por guarda-vento de vidro e a porta de acesso à capela adossada, actualmente desactivada. No lado esquerdo, desenvolve-se o núcleo conventual, de dois pisos, o inferior com porta de verga recta, de abertura recente, uma janela ampla rectilínea e protegida por grades metálicas, surgindo, ainda, duas frestas, uma delas em capialço; no piso superior, sete janelas rectilíneas, uma delas de maiores dimensões, assinalando a janela regral. No extremo esquerdo, possui um ressalto com um eixo de vãos, formado por duas pequenas frestas rectilíneas e em capialço. Fachada lateral esquerda, virada a S., irregular, com dois ressaltos nos extremos, o do lado direito marcado por duas janelas e duas frestas; o pano central possui duas janelas em arco abatido e protegidas por grades metálicas no piso inferior, surgindo, no superior, seis janelas rectilíneas; o ressalto do lado esquerdo tem arcada no piso inferior e o superior é reentrante, dando origem a uma pequena varanda, para onde abre porta rectilínea e uma fresta com o mesmo perfil. Fachada lateral direita, virada a N., marcado pelo corpo da nave com cinco contrafortes, formando quatro panos, três deles com janelas rectilíneas; possui capela adossada de corpo irregular e cego, e a capela-mor, bastante mais estreita, com vestígios de uma fresta entaipada e possuindo metade de uma janela, onde é visível, ainda, a moldura em cantaria e as grades de protecção. Junto a esta, mas separado por corredor de circulação, com acesso por porta de verga recta, surge um corpo de feitura mais recente, cego. Fachada posterior com corpos nos extremos, o da esquerda de feitura recente e o da direita correspondendo ao prolongamento de uma das alas do convento, rasgada por porta de verga recta; reentrante, um pano de muro que acede, através de porta de verga recta ao claustro, encimado por janelas rectilíneas. INTERIOR da igreja rebocado e pintado de branco, percorrido por lambril de cor cinza, com pavimento em cantaria branca e preta, formando axadrezado, e cobertura em falsa abóbada de berço, assente em cornija, também rebocada e pintada de branco. Possui coro-alto de guarda plena entre cornijas, pintada em marmoreados fingidos, criando falsos apainelados. A porta de acesso, de verga recta e protegida por folhas metálicas, está ladeada por duas pias de água benta concheadas. No lado do Evangelho, púlpito quadrangular com bacia de cantaria sobre mísula concheada e guarda em ferro forjado pintado de preto, formando enrolamentos, com acesso por porta de verga recta e moldura simples, em cantaria. No lado do Evangelho, porta rectilínea de acesso ao claustro. Arco triunfal de volta perfeita com pedra de armas no fecho, ladeado pelos altares laterais embutidos no muro, com o mesmo perfil e assentes em pilares toscanos comuns. Os retábulos colaterais possuem os amplos nichos pintados com motivos florais, rasgado por nichos de volta perfeita com as imagens dos oragos, o do Evangelho dedicado a São João Evangelista e o oposto a Nossa Senhora da Soledade, ambos com altares em forma de urna com cartela central em estuque e fundo de marmoreados fingidos. A capela-mor tem as paredes pintadas, formando apainelados de várias tonalidades, com pavimento semelhante ao da nave e cobertura em falsa abóbada de berço assente em cornija e pintada formando quatro painéis com elementos fitomórficos. Na parede testeira sotobanco paralelepipédico, pintado de bege, a que se adossa altar em forma de urna, semelhante aos colaterais, encimado por banqueta e nicho contracurvo com moldura de estuque, onde se integra trono expositivo de três degraus; possui cortinas de veludo a abrir em boca de cena, que pendem de um dossel do mesmo material; o nicho é rodeado por apainelados pintados e com molduras em estuque, tendo, nos ângulos, mísulas em leque, que sustentam imaginária. O CONVENTO desenvolve-se em torno de claustro quadrangular, de dois andares de cinco arcadas, as inferiores em arco dobrado de volta perfeita, assentes em colunas cilíndricas, todas abertas para a quadra, surgindo no superior arcos abatidos sustentados por pilares toscanos, rebocados e pintado de branco, protegidos por guarda plena, também rebocada e pintada. As alas possuem as paredes rebocadas e pintadas de branco, com coberturas em falsas abóbadas de berço, também rebocadas e pintadas e pavimento em calçada à portuguesa, formando losangos, circunscritos por frisos. No centro de cada ala, surge nicho em arco de volta perfeita, flanqueado por falsas pilastras de fustes almofadados, pintadas em marmoreado fingido negro e amarelo, solução que se prolonga nos arcos com fecho saliente, em ameia de acantos enrolados em estuque. O fundo é pintado de marmoreado negro, onde se rasga nicho em arco de volta perfeita, com moldura de cantaria negra e uma segunda recortada, em mármore branco, que se interrompe em volutas e em elementos concheado, ladeada por dois florões. Cada nicho possui pequeno plinto, onde se ergue a imagem do orago do altar, em forma de urna, com medalhão central, ostentando cruz latina. O da ala junto à igreja é dedicado a Nossa Senhora da Conceição, sendo o oposto a Nossa Senhora de Fátima; na ala junto à capela-mor, Santo António e, na oposta, São Pedro. A quadra está revestida a calçada, com um pequeno canteiro no centro, circular, contendo arbustos e um vaso cerâmico que forma um jogo de água *1; nos ângulos, quatro canteiros, com árvores, arbustos e flores várias. Na ala junto à Igreja, surge a porta de acesso ao templo, em arco de volta perfeita, as escadas de acesso ao púlpito, revestidas a ladrilho cerâmico vermelho e com porta de madeira, surgindo, no topo, uma porta de acesso à antiga Via Sacra e às escadas das matinas, de dois lanços, a única ligação ao segundo piso. Nesta ala, surge porta em arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, que liga, através de pequeno corredor à cerca. O segundo piso possui abóbadas de volta perfeita e não possui, actualmente, portas para a quadra. O acesso, feito pela Via Sacra, onde se estabeleceu um elevador, e pelas escadas das matinas, de dois lanços, leva a quatro corredores com falsas abóbadas de berço, ladeadas de pequenas portas de verga recta, de molduras boleadas, protegidas por portas de madeira, de duas flhas, de acesso às antigas dependências conventuais, às celas, hospedaria, livraria, enfermaria e, ao que subsiste íntegro, o cárcere, junto à capela-mor. Sobre uma das dependências, surge uma cruz latina em azulejo esponjado, assente em plinto curvo, em monocromia, azul sobre fundo branco e no ângulo, um altar vazio, semelhante aos do claustro. No interior de uma sala de reuniões, ampla e abobadada, assente em friso de marmoreados fingidos e cornija, surge um altar semelhante aos anteriores, mas de maiores dimensões, rematando em emblema e cornija contracurva, constituindo, certamente, uma capela particular. O cárcere possui, gravada, uma cruz latina e uma longa inscrição. Da cerca do convento resta a área, ocupada pelo cemitério, o Centro Funerário de Elvas e um olival.

Acessos

Estrada para Vila Fernando, primeiro desvio à direita, a cerca de 1 km de Elvas, no Outeiro de São Francisco. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,879374; long.: -7,175679

Protecção

Incluído na Zona Especial de Proteção do Aqueduto da Amoreira (v. PT041207030008)

Enquadramento

Rural, isolado, implantado no alto de uma colina, denominada o Outeiro de São Francisco, a O. de Elvas, junto ao Cemitério de Elvas e ao Aqueduto da Amoreira (v. PT041207030008), na colina fronteira ao Forte da Graça (v. PT041207020006). O cemitério desenvolve-se na zona posterior, sendo bastante ampla e com dois níveis, tendo acesso pelas zonas que ladeiam o convento e a igreja, este mais amplo, com gradeamento de acesso a um Complexo Funerário, construído em betão e vidro, de um único piso e com cobertura plana, possuindo, no interior, capela, incinerador, sala de espera, cafetaria, florista e uma enorme recepção. Fronteiro ao complexo um jardim composto por oliveiras. O acesso ao imóvel processa-se por duas vias de sentido único e, fronteiro ao mesmo, um parque de estacionamento, em dois níveis, separados por muro de suporte de terras, rebocado e pintado de branco, encimado por arbustos.

Descrição Complementar

Na galilé, no lado direito do portal, uma lápide em mármore, com inscrição incisa e avivada a dourada: "CONVENTO DE SÃO FRANCISCO REMODELALÇÃO INAUGURADA EM 2 DE OUTUBRO DE 2005 PELO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ELVAS JOSÉ ANTÓNIO RONDÃO ALMEIDA". A ladear a porta de acesso ao Arquivo, uma lápide semelhante com a inscrição: "ARQUIVO HISTÓRICO MUNICIPAL INAUGURADO EM 12 DE JUNHO DE 2006 PELA SENHORA MINISTRA DA CULTURA PROFESSORA DOUTORA MARIA ISABEL PIRES DE LIMA NA PRESENÇA DO SENHOR PRESIDENTE DA CÂMARA MUNICIPAL DE ELVAS JOSÉ ANTÓNIO RONDÃO ALMEIDA".

Utilização Inicial

Religiosa: convento masculino

Utilização Actual

Cultural e recreativa: arquivo / Funerária: cemitério

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Ascenso Fernandes (1603).

Cronologia

1514 - autorização para a fundação do Convento, pelo Papa Leão X *2; 1518 - primeira fundação e construção do primeiro convento num vale, próximo das muralhas de Elvas, graças a uma doação de terrenos feita por Genebra da Rosa e por Manuel Pessanha, fidalgo de Elvas, falecido na Índia, tendo como padroeiro Henrique de Melo, então falecido, correndo as obras pelo seu testamentário; 1519 - a obra estaria concluída, graças à intervenção do duque D. Jaime de Bragança, que concedeu o padroado a Ambrósio Pessanha e a possibilidade de se fazer sepultar na capela-mor; 1591 - dada a insalubridade do local escolhido, num vale próximo, o convento foi mudado para o cimo da colina, junto ao Aqueduto da Amoreira, com autorização do Provincial Frei João de Évora; os terrenos para a construção foram doados por D. Fernando da Silva e pela sua esposa D. Beatriz de Brito, tornando-se os padroeiros deste segundo edifício, após demanda com o padroeiro do primeiro convento; do primitivo, subsistiu a Igreja de Nossa Senhora da Cabeça, arruinada em 1751; era o maior convento da Província, tornando-se Casa Capitular; a água era fornecida directamente pelo aqueduto; séc. 17 - sepultamentos vários no convento *3; 1603, 5 Julho - contrato para a execução do retábulo-mor pelo entalhador Ascenso Fernandes, de Lisboa, por 35$000, encomendado por D. Fernando de Lucena; 1606 - instituição de uma sepultura na nave, por André de Azevedo Vasconcelos e D. Brites Monria, sua mulher, e de seus decendentes; 1644, 17 Novembro - falecimento de D. Antão de Almada, do Conselho do Rei D. João IV e seus embaixador extraordinário em Inglaterra, e que morreu em Elvas na batalha com os castelhanos, sendo sepultado na nave do convento; 1649, 13 Novembro - falecimento de Tomé de Sousa, do Conselho do Rei D. João IV e vedor da Casa Real, sepultado na nave do convento; 1658 / 1659 - foi lugar de um fortim construído pelos espanhóis para reforçar as Linhas de Elvas; 1659, 14 Janeiro - falecimento de André de Albuquerque Ribafria, na Batalha das Linhas de Elvas, sepultado na cripta do convento; 1682, 22 Novembro - falecimento de Ascenso de Sequeira, sepultado na nave, com a sua mulher, Isabel Pereira e os seus descendentes; 1691 - recuperação do convento que terá sofrido com as investidas espanholas; séc. 18, final - foi utilizado como fortim aquando das invasões francesas, fica bastante danificado pela artilharia da praça; restauros na fachada e interior da igreja; 1817 - o Síndico, Venceslau Nunes, deixou, por testamento, 30$000 anuais; 1825-1834 - a comunidade vivia dos sermões que pregava em várias festividades, nomeadamente na Igreja de Vila Boim e na Misericórdia, deslocação de cantores a várias comunidades, venda de hábitos para os defuntos, rendimento das capelas instituídas e cedência de sepulturas; 1825, Agosto a Dezembro - colocação de cortinados nas capelas, por 2$760; aquisição de 6 cálices pequenos de vidro, por $420; 1826, Junho - 1827, Março - feitura do muro da cerca, com trabalho de alvaneiros, serventes, cal e madeira, num total de 111$580; 1827, Março / 1828, Março - execução de 2 candeeiros de latão; 1830, Janeiro - aquisição de 35 paus para a armação das latadas, por 3$150; execução de um tanque novo; Junho - feitura de uma cancela a dividir a zona do jardim do olival, por 2$400; aquisição de barras de madeira e bancos para a feitura de camas, por 3$000; feitura da cancela do Portado da horta, pela quantia de 2$670; compra de um véu para o Cristo do coro-alto, por 1$860; aquisição de roxo terra e óleo para pintar as cancelas novas da igreja, que importou em $800; 1831, Março a Junho - compra de uma nova porta para o cárcere, por 2$180; 1833, Maio / 1834, Maio - execução de uma escada nova para a horta, por $600; 1834, 9 Junho - desocupação, pela expropriação dos bens das ordens religiosas; 10 Junho - procede-se ao inventário dos bens do imóvel, referindo que a igreja tinha as imagens de Nossa Senhora da Cabeça, um São José, um São Miguel, o Menino, São Francisco, São Domingos, Santo António e São Romão; possuía oito crucifixos de madeira, um deles do coro-alto, o qual tinha um órgão e quatro bispos em barro; na sacristia, existiam várias alfaias em prata, como uma âmbula, dois cálices com as respectivas patenas, uma coroa da Senhora, quatro resplendores, um vaso para os Óleos e uma custódia; na igreja, existiam oito castiçais de estanho, dois castiçais dourados, seis de madeira preta, um vaso de estanho, três pares de galhetas, um turíbulo, naveta e caldeirinha e uma lâmpada de latão amarelo; existiam três escabelos, uma credencia e três estantes, uma delas de grandes dimensões, pertencentes ao coro; no covento, existiam sete mesas do refeitório, seis armários, uma estante na livraria, a qual tinha 829 volumes, e um arquibanco; o Convento era composto por Portaria, dois refeitórios, com as respectivas despensas, uma cozinha e uma adega de azeite; no piso superior, 25 celas, um cárcere, a livraria e enfermaria; no pátio posterior, existiam seis casas para moços; 1836, 17 Junho - a cerca e jardim foram solicitados pela Câmara de Elvas para construção do cemitério; 1838, 10 Março - nova solicitação no mesmo sentido; 1841, 1 Abril - consulta à Junta da Fazenda na sequência de um pedido do edifício pelo Ministério da Guerra, para integrar a Praça de Armas de Elvas; 15 Setembro - todo o conjunto foi solicitado pela Santa Casa da Misericórdia de Elvas; 1842, 18 Abril - consulta à Junta da Fazenda na sequência de novo pedido do edifício pelo Ministério da Guerra; 27 Junho - o edifício foi concedido ao Ministério da Guerra, sendo a cerca e jardim cedido à Câmara Municipal de Elvas para a construção do cemitério; 1843 - construção do cemitério público na parte superior da tapada; 1865, 11 Novembro - nomeação de um encarregado para as obras a efectuar em São Francisco, com o salário de 18$000; 1898 - a Câmara Municipal de Elvas efectuou pesquisas para achar a sepultura do General André de Albuquerque Ribafria, morto na Batalha das Linhas de Elvas, levantando-se o ladrilho do altar no lado do Evangelho e do soalho e travessas junto da capela, aparecendo uma cripta, com abóbada e três sepulturas, mas cheias de entulho; reconstrução da cripta e respectiva abóbada e transporte dos túmulos para um Panteão, construído no cemitério; 1943 - a zona conventual servia de depósito fúnebre e de salas de autópsias; 2005, 2 Outubro - inauguração do espaço da igreja e do convento, após obras de remodelação patrocinadas pela Câmara Municipal de Elvas *4; 2006, 12 Junho - inauguração do Arquivo Municipal na zona do convento, com a presença da Ministra da Cultura Isabel Pires de Lima; 2008 - construção do Centro Funerário de Elvas no lado direito do conjunto e na zona da antiga cerca, o qual possui um incinerador e várias salas de velório, um bar e uma florista; ajardinamento do local e colocação de uma bica de barro no centro da quadra.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes autoportantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de calcário, rebocada e pintada; modinaturas, cruzes, pavimentos, arco triunfal, colunas, pilastras, bacia do púlpito, pilares em cantaria de calcário; pilastras em mármore; pavimentos em ladrilho cerâmico; portas e altares de madeira; elementos decorativos em estuque e em pinturas murais; cruz em azulejo; janelas com vidro simples; cobertura exterior em telha.

Bibliografia

FARO, Frei João de, Fragmento Académico. Notícias geraes e particulares da Provincia da Piedade. Da regular observancia de Nº P. S. Francº, s. ed., s.l., 1721; MONFORTE, Frei Manuel de, Chronica da Provincia da Piedade, 2ª edição, ed. Officina de Miguel Manescal da Costa, s.l., 1751, pp. 221 - 225; GAMA, Eurico Garcia, Elvas - Rainha da Fronteira, Elvas, Câmara Municipal de Elvas, 1986; KEIL, Luís, Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Portalegre, vol. I, Academia Nacional de Belas Artes, Lisboa, 1943, p. 68; RODRIGUES, Jorge e PEREIRA, Mário, Elvas, Lisboa, Editorial Presença, pp. 72 - 73; MEDINAS, Victor Joaquim Fialho, A Arquitectura Capucha da Província da Piedade [dissertação de Mestrado e História da Arte], vol. I, Lisboa, Universidade Nova de Lisboa, 1994; XAVIER, António Mateus, Das Cercas dos Conventos Capuchos (da Província da Piedade), contributo para a definição de uma política de recuperação, [relatório de Trabalho de Fim de Curso na Licenciatura em Arquitectura Paisagista], Évora, Universidade de Évora, 1998.

Documentação Gráfica

IGESPAR; CME

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA, DGEMN/DSID; IGESPAR; EU; CME

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Arquivo Histórico do Ministério das Finanças (Autos de Inventário dos Bens Pertencentes aos Extintos Conventos da Ordem de São Francisco da Província da Piedade, 1834, cx. 2213, capilha 1); DGA/ ADPortalegre: Fundo monástico-conventual - Convento de São Francisco de Elvas (Livro de Receitas, 1825-1834, CVSFELV/Lv01, Livro de Despesas, 1825-1834, CVSFELV/Lv02); AHME: São Francisco de Elvas (Campas do Capitulo de São Francisco de Elvas, Ms V / 187, s.d.), São Francisco de Elvas, Ms. V/313, São Francisco de Elvas, Ms V/462

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1825, Agosto a Dezembro - conserto de um Pavilhão; consertos de carpintaria por 3$875; caiação de espaços por $720; arranjo da cerca, com cal, alvaneiros e trabalhadores 1$838; 1826, Janeiro a Junho - arranjo das portas do convento, do cano da água e colocação de ladrilho no lago por 11$120, sendo ao alvaneiro e trabalhador a quantia de 16$180; 1827, Março / 1828, Março - conserto da cadeira da sala de aula e de várias portas, por 2$950; 1928, Março / 1929, Julho - conserto do ladrilho da cisterna, por 3$000; 1829, Julho / 1830, Junho - conserto dos telhados e compra de cal e telha - 7$340; 1830, Janeiro - conserto do tanque velho e feitura do telhado do celeiro por 14$225; aquisição de uma corda para o sino, que importou em $820; contrato com um canteiro para "picar" as letras das sepulturas da igreja, por $360; Junho - compra de tintas e óleo para pintar a Porta do Carro e consertar a porta da varanda, por 4$070; pintura das janelas e caixilhos da cela do Guardião e da janela da Casa Última, por 2$000; conserto do relógio, importando em 3$600; arranjo do tabernáculo do sacrário e das peanhas dos santos, por 2$160; pintura das janelas do coro, do resplendor do Senhor, duas arandelas e os castiçais, por 3$200; compra de corda para a lâmpada da igreja e cordel para a lanterna do "De Profundis", por $720; colocação de duas vidraças, por 1$380; arranjo da fechadura do órgão por 1$330; conserto da fechadura e feitura de uma chave para a porta do galinheiro, por $680; conserto da fechadura e feitura e uma chave para a porta da Casa da Cevada, por $440; conserto de dois castiçais da banqueta velha, por $320; 1831, Março a Junho - banho de estanho aos cobres da cozinha, por 4$920; conserto da lâmpada da igreja, por 1$070; 1831, Junho a Outubro - conserto da Casa dos Moços, por 2$880; caiação do refeitório, "De Profundis", pataria e cozinha velha, por 2$000; 1832, Março a Junho - conserto dos canos do lavabo e da cozinha, pela importância de $780; banho de estanho aos cobres da cozinha por 3$120; Junho a Setembro - arranjo das eiras, por $950; conserto da janela da Sala de Aula e da porta da Coelheira, por $465; 1833, Março a Maio - conserto dos telhados e caiação dos mesmos, com colocação de uma pedra na chaminé, por 9$760; conserto de cadeiras e de uma mesa, por $960; Novembro - conserto do relógio e das respectivas cadeias por 2$600; arranjo da porta do relógio, fechadura e execução de uma nova chave, por $510; Maio / 1834, Maio - caiação do convento por 4$200; arranjo da caixa das hóstias, pela quantia de $300; conserto de uma janela e duas portas, por $240; conserto do sino e respectiva pintura e arranjo da Porta do Carro, por 1$960; conserto na varanda, com arranjo do telhado e compara de tijolo para o ladrilhar, por 11$180; conserto de duas fechaduras e de um ferrolho por $640; CME: 1842 - adaptação da área de tapada e jardim a cemitério municipal.

Observações

*1 - o antigo chafariz do claustro encontra-se junto a uma das entradas do cemitério, sendo em cantaria e de planta quandrangular com os ângulos chanfrados e curvos, de bordos simples, possuindo ao centro, um plinto paralelepipédico, encimado por outro com os ângulos côncavos, que suportam duas colunas galbadas, que sustentam duas taças circulares e em forma de campânula, a superior, rematada por fogaréu de mármore, de colocação recente. *2 - a Província da Piedade nasce na sequência da formação de uma Custódia com esse título, criada em Portugal em 1508, confirmada no ano seguinte pelo Papa Júlio II e apoiada pela Casa de Bragança, mais propriamente pelo Duque D. Jaime, que viria a passar, mais tarde, em 1517, a Província; pertenciam à Província os seguintes conventos: São Francisco de Lagos (1518, v. PT050807060034), Nossa Senhora do Paraíso, em Silves (1518, v. PT050813070027)), Nossa Senhora dos Anjos, em Azurara (1518, v. PT011316040016), São Francisco de Braga (1522, v. PT010303370061), Santo António de Portalegre (1522, v. PT041214080022), Santo António de Faro (1524, v. PT050805040034), Santo António de Aveiro (1524, v. PT020105060012), Nossa Senhora do Seixo, no Fundão (1526, v. PT020504170016), Santo António de Abrantes (1526, v. PT031401130058), Anunciada, em Tomar (1528, v. PT031418070028), Santo António de Estremoz (1535, v. PT040704030031), Santo António dos Olivais, em Coimbra (1538, v. PT020603180030), Nossa Senhora da Esperança, de Portimão (1539, v. PT050811030011), Bom Jesus de Valverde (1544, v. PT040705040056), Nossa Senhora da Assunção, na Vidigueira (1545, v. PT040214140006), Santo António de Loulé (1546, v. PT050808090010), São Francisco de Portel (1547, v. PT040709050007), Santo António da Covilhã (1553, v. PT020503190017), Santo António de Castelo Branco (1562, v. PT020502050088), Vale da Piedade, em Gaia (1562, v. PT011317160047), Nossa Senhora da Caridade do Sardoal (1571, v. PT031417030004)), Santo António de Penamacor (1571, v. PT020507100006), Santo António de Évora (1578, v. PT040705210088), Santo António de Ourém (1600), Santo António do Redondo (1605, v. PT040710020012), Santo António de Beja (1609, v. PT040205130030), Santo António de Tavira (1612, PT050814060030), Santo António de Fronteira (1613, v. PT011208020010), Santo António de Alter do Chão (1617, v. PT041201010009), São Francisco de Idanha-a-Nova (1630), São Francisco de Barcelos (1649, v. PT010302140070), Santo António de Arrifana do Sousa (1663, v. PT011311240074), Santo António de Guimarães (1663, v. PT010308040086), Santo António de Moura (1684, v. PT040210070019). *3 - na nave, existiam as seguintes sepulturas: Sepultura de Simão de Miranda Henriques e da mulher D. Violante de Azevedo e seus descendentes, Sepultura de Manuel de Quental Lobo e de seus Filhos e herdeiros; Sepultura de Dom Gracia Henriques e de sua mulher D. Guiomar de Melo e seus herdeiros; Sepultura de Manuel Rodriguez da Uren fidalgo da Caza de ElRei nosso Senhor que Deus Guarde e de seus Fillhos erdeiros, decendentes e susesores; Sepultura de Dona Aldonsa mulher de Dom Diogo de Brito; Sepultura de Dona Maria Barbosa; Sepultura de Manuel Gomes e de seus erdeiros; Sepultura de Luís Alves Donis e de Sua Mulher e herdeiros; Sepultura de Sebastião Roiz Fraústo e de seus herdeiros; Sepultura de Dona Sa Porto Caro Filha de Pêro Lopes de Quental e de Dona Anta Sua Mulher e de seus herdeiros; Sepultura do Licenciado Rui Lopes de Veja Medico neste e deste convento, e de sua Mulher Izabel Mendes e seus herdeiros; Sepultura de Dona Isabel Pegada Irmã de João Pegado e de seus herdeiros; Aqui jas Diogo Castanho de Gusmão Filho de António Vas e neto de Salvador Gomes de Gusmão, naturais da Villa de Aia Monte, e de Izabel Castanha filha legitima de Pêro Castanho descendente dos antigos e nobres Castanhos das Astúrias e de sua Mulher Sá Pinta e de seus herdeiros; tem o desenho da pedra de armas, envolvida por acantos e bipartida, apresentando dois poços e um cipreste. *4 - a Planta de Ordenamento do Plano Director Municipal situa o edifício e o cemitério no designado Espaço Urbanizável, definido como espaço que poderá vir a adquirir as características dos espaços urbanos, incluindo áreas para equipamentos colectivos, parques verdes urbanos ou zonas verdes de utilização colectiva. *5 - a tipologia dos Conventos da Província da Piedade é a seguinte: na espessura das paredes, do lado da Igreja, surgiriam os confessionários, de que não existem vestígios, a escada do púlpito, e a casa da Via Sacra, de onde partiam as Escadas das Matinas; o claustro era quadangular, lajeado, de dois pisos e com uma cisterna, para onde corriam as águas pluviais; no primeiro piso, a Casa do Capítulo, o refeitório e cozinha, divididos pela pataria, normalmente localizados no lado oposto à Portaria; no segundo piso, o dormitório com 15 a 25 celas, tendo, nos extremos, nichos ou altares, o cárcere junto à capela-mor (MEDINAS, pp. 72-122).

Autor e Data

Ana Aguiar e António Xavier 1998 / Paula Figueiredo 2008

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