Campo de Instrução Militar de Santa Margarida / Campo Militar de Santa Margarida
| IPA.00036369 |
| Portugal, Santarém, Constância, Santa Margarida da Coutada |
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| Polígono militar construído no séc. 20, tendo sido iniciado no princípio da década de 50, para a realização de manobras e ações de instrução de grandes unidades em situações de guerra convencional e nuclear, e ampliado na década de 70, constituindo a maior obra de construção efetuada pela Engenharia Militar Portuguesa desse século. A conceção inicial previa um reduzido número de efetivos permanentes, uma vez que a maioria das unidades da divisão ficariam aquarteladas fora do campo, deslocando-se a ele apenas para instrução e treino. As instalações foram dimensionadas para apoiar cerca de 18.000 militares, com o mínimo exigível de condições de habitabilidade, e a menor variedade de edifícios, para que a sua construção fosse mais rápida e económica. Assim, adotou-se por uma tipologia de construção modular, ensaiada no Quartel do Casal do Pote, em Tancos, concluído em finais de 1952, sendo definidos apenas três tipos de edifícios: um multifunções, podendo servir para comando, caserna, depósitos, etc., dependendo da organização e divisão interna, um de balneários e outro de instalações sanitárias. No final da década de 50, deu-se início a uma segunda fase de organização do campo militar, construindo-se uma série de edifícios, de modo a garantir aos militares efetivos e aos que ali passavam em instrução, treino e exercícios, condições para uma melhor vivência social, cultural, religiosa e desportiva. Na década de 1970 e seguintes, fruto de nova reorganização, procedem-se a obras de construção de mais instalações e de melhoria das já existentes, para receber pessoal e material em permanência, bem como ao alargamento da área de treino e de exercícios, através de novas aquisições de terrenos. Assim, o campo desenvolve-se principalmente na direção norte-noroeste a sul-sudeste, onde atinge cerca de 17 quilómetros, e uma largura máxima de 5 quilómetro. É composto por: área urbana, a norte-nordeste, com cerca de 180.000 m2 de área bruta construída, organizados em vários quarteirões, de ambos os lados da avenida principal, com cerca de 2,4 quilómetros de extensão, do Posto de Controlo ao Largo de São Jorge, inclui aquartelamentos e diversos equipamentos de apoio às atividades militares de formação e treino, como paióis, carreiras de tiro e pistas de treino, apoio a militares e suas famílias, onde se incluem os bairros residenciais, a capela (v. IPA.00036368), a sala de cinema, espetáculos, ou conferências, as piscinas, os campos de jogos, cobertos e descobertos, entre outros; sistema de redes de água, esgotos, incluindo ETAR, elétricas, de comunicações e de dados; estação ferroviária de Santa Margarida; estrada militar entre a estação ferroviária e o campo militar; aeródromo; instalações de captação e tratamento de água e adutoras; e campo de treino e de exercícios a sul-sudeste da área urbana. | |
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Conjunto arquitetónico Edifício e estrutura Militar Polígono militar
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Descrição
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Acessos
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| Santa Margarida da Coutada, EN 118; 2250-350 Constância. WGS84 (graus decimais) lat.: 39,4188907 long. -8,293649. |
Protecção
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Enquadramento
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| Rural, isolado. Implanta-se na região planáltica de charneca, montado e de manchas florestais, limitada a nascente e poente por terrenos ravinados, de solos de areias, calhaus rolados e argilas, a sul do vale do Rio Tejo, em área de terreno com o maior desenvolvimento na direção norte-noroeste a sul-sudeste, entre a EN 118 e a linha de caminho de ferro, junto à estação ferroviária de Santa Margarida, no concelho de Constância, e perto da EM 576, que liga as povoações de Água Travessa e Chaminé, no concelho de Abrantes. É envolvido por terrenos com idênticas características, de charneca, montado, eucaliptais e pinhais e raras explorações agrícolas, pontuados por pequenos aglomerados populacionais ou quintas. |
Descrição Complementar
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Utilização Inicial
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| Militar: polígono militar |
Utilização Actual
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| Militar: polígono militar |
Propriedade
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| Pública: estatal |
Afectação
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| Ministério da Defesa Nacional, Exército |
Época Construção
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| Séc. 20 |
Arquitecto / Construtor / Autor
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Cronologia
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| 1949, 09 abril - Portugal juntamente com outros onze países assinam o Tratado do Atlântico Norte, dando origem à Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN, ou NATO) e, no âmbito do compromisso de contribuição militar o Exército Português para a organização, inicia-se o levantamento da 1ª Divisão do Corpo Expedicionário Português (Divisão D. Nuno Álvares Pereira); 1951, 17 fevereiro - para suprir a falta de um grande campo de instrução e treino militar, adequado a uma unidade de escalão divisão, por Diretiva do Ministério do Exército é decidida a construção de um campo de instrução militar situado no centro do país; após ter-se decidido a localização do campo, são expropriados os terrenos necessários e os Serviços Cartográficos do Exército fazem o seu levantamento topográfico; 1952, maio - início das obras da primeira fase de construção do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (CIMSM), cuja conceção e a direção dos trabalhos esteve a cargo da Direção da Arma de Engenharia, aí chegando a trabalhar cerca de 3.000 operários; no sentido de garantir maior rapidez e economia, é adotada uma construção modulada que permitisse diferentes compartimentações e utilizações, sendo projetados apenas três tipos principais de edifícios, um para casernas, depósitos de material, comandos de unidades, messes e refeitórios, outro para balneários, e finalmente, um para instalações sanitárias; nas oficinas da Escola Prática de Engenharia foram pré-fabricados vários elementos, principalmente de madeira, que depois eram terminados nas oficinas construídas no Campo, antes de serem montadas; é construída a estação ferroviária de Santa Margarida, adaptada às necessidades de embarque e desembarque de tropas e materiais, entre os quais os carros de combate Paton; é construída e pavimentada a estrada entre a estação ferroviária e EN 118, e o campo militar aproveitando um pequeno troço de estrada municipal preexistente; é construída uma estação de captação de água junto ao Rio Tejo, perto do Tramagal, bem como estação elevatória, estação reelevatória, depósitos intermédio e finais, e conduta adutora; é construída uma rede de esgotos, bem como postos de transformação e redes elétricas e telefónicas; as obras deveriam estar concluídas em julho de 1954 mas, devido à programação de exercícios divisionários para o verão de 1953, o prazo de conclusão da primeira fase é antecipado em cerca de dez meses, para agosto de 1953; 1953, agosto - o campo militar recebe as primeiras manobras divisionárias; 14 agosto - publicação do Decreto-Lei n° 39316, que cria formalmente o Campo de Instrução Militar de Santa Margarida e estabelece o seu primeiro Quadro Orgânico; novembro - inauguração oficial do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, com a presença do Chefe do Estado, General Craveiro Lopes; 1957 - instala-se no campo o quartel-general da Divisão Nun'Álvares; 22 março - é publicado o Decreto nº 41.039 que estabelece o regime de servidão militar das áreas envolventes do "Campo de instrução militar de Santa Margarida (PM001/Constância)e novos poços de captação de água para o reforço do CIM(PM004/Constância)"; 1957 - 1959 - construção da Capela de Santa Margarida (v. IPA.00036368); 1961 - com o início da guerra nas colónias, o campo militar, até aí utilizado de acordo com o objetivo inicial - realização de manobras e ações de instrução de grandes unidades em situações de guerra convencional e nuclear -, passa a ser utilizado sobretudo para a instrução em operações de contra-guerrilha; 1968 - iniciam-se os estudos para a substituição da contribuição militar portuguesa para a OTAN; 1975, 14 junho - roubo de vinte e uma G3, seis pistolas-metralhadoras e duas metralhadoras ligeiras do Campo de Instrução Militar de Santa Margarida (VILELA: 2023, p. 94); 1976, 09 fevereiro - a reorganização do Exército Português, decorrente do final das campanhas em África, levam à extinção formal da Divisão Nun'Álvares e ao levantamento, em seu lugar, como contributo militar permanente de Portugal na NATO, da 1ª Brigada Mista Independente (1ª BMI); sequencialmente, decide-se que as suas subunidades orgânicas deveriam estar aquarteladas no Campo de Instrução Militar de Santa Margarida, pelo que se iniciam obras de construção de mais instalações e de melhoria das existentes para receber pessoal e material em permanência; 1978, 11 maio - pelo Decreto-Lei n.º 91/78, é formalizada a criação da 1ª BMI desde 1 de Janeiro do mesmo ano; 1993, 30 junho - o campo militar passa a designar-se Campo Militar de Santa Margarida (CMSM); 12 outubro - devido à completa mecanização da unidade, é criada a Brigada Mecanizada Independente (BMI) e extinta a 1ª Brigada Mista Independente (BMI); 2006, janeiro - a Brigada Mecanizada Independente (BMI) passa a designar-se apenas por Brigada Mecanizada; junho - extinção do Campo Militar de Santa Margarida, assumindo a Brigada Mecanizada as suas funções; 2016, 02 fevereiro - criada a unidade designada por Campo Militar de Santa Margarida, na dependência da Brigada Mecanizada para assegurar o apoio administrativo - logístico, e o apoio à formação e ao treino operacional das unidades militares implantadas na área de Santa Margarida, ficando sob a sua responsabilidade todas as instalações de apoio ao campo. |
Dados Técnicos
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Materiais
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Bibliografia
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| BORGES, Armando A. G. (coord.) - Campo Militar de Santa Margarida: 1952-2002 - 50 Anos. S.l:, CALLADO, João A. dos Santos - Campo de Instrução Militar de Sta. Margarida. Revista de Engenharia Militar, Ano 24º, n .º 11, julho, agosto e setembro 1953, pp. 251-267; CALLADO, João A. dos Santos - Campo de Instrução Militar de Sta. Margarida. Revista de Engenharia Militar, Ano 24º, n .º 12, outubro, novembro e dezembro 1953, pp. 423-443; QC/CMSM, 2002; Brigada Mecanizada Independente, 1978-1998, 20 anos. Santa Margarida, março 1998; RAMALHO, José Luís Pinto - A Contribuição do Exército Português para a OTAN. Nação e Defesa, Primavera 99, nº 89, 2ª Série, pp. 101-119; Regimento de Engenharia 1. História da Escola Prática de Engenharia, 1880-2013. RE1, Tancos: 13 julho 2015; TEODORA, António Carlos Sequeira da - A americanização do Exército Português na década de 50: Uma perspectiva histórica. Tese apresentada à Universidade de Évora para obtenção do Grau de Doutor em História Contemporânea. Évora: texto policopiado, janeiro 2019; VALENTE, M. Neto - As captações de água do abastecimento do CIM de Ata. Margarida. Revista de Engenharia Militar, Ano 24º, n. º 12, outubro, novembro e dezembro 1953, pp. 445-450; VILELA, Joana Stichini - «Há Armas no Acude». Expresso. 21 abril 2023 (HTTPS://LEITOR.EXPRESSO.PT/SEMANARIO/SEMANARIO2635/HTML/REVISTA-E/-E/HA-ARMAS-NO-ACUDE), [Consultado em 03-05-2023]; «Campo Militar de Santa Margarida» (https://pt.wikipedia.org/wiki/Campo_Militar_de_Santa_Margarida), [Consultado em 07 novembro 2022]. |
Documentação Gráfica
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Documentação Fotográfica
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Documentação Administrativa
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Intervenção Realizada
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Observações
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| EM ESTUDO. |
Autor e Data
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| João Almeida (Contribuinte externo) novembro 2022 (Projeto European Cold War Heritage) |
Actualização
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