Solar de Cortegaça

IPA.00003616
Portugal, Viana do Castelo, Viana do Castelo, União das freguesias de Subportela, Deocriste e Portela Susã
 
Casa nobre tipo "casa-torre", de planta em Z, composta por corpos cronologicamente díspares, unificados por torre quinhentista, e integrando numa das alas capela, volumetricamente distinta. Caracteriza-se pela sobriedade estilística. Integra na fachada posterior, em ângulo, loggia com colunelos de cantaria. Capela com lambril de azulejos reaproveitados, uns de "tapete", de finais do séc. 17, outros de "figura avulsa", de produção joanina.
Número IPA Antigo: PT011609330046
 
Registo visualizado 96 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre    

Descrição

Planta composta irregular, em Z e anexos agrícolas em L invertido, organizados de forma a criar pátio central. Volumes articulados por vários corpos distintos, tendo como eixo a torre. Coberturas diferenciadas em telhados de 2, 3 e 4 águas. Frontespício tendo à esquerda do grupo avançado torre, toda de cantaria e com 3 pisos, rasgada por porta simples de verga recta no 1º e 2 janelas de guilhotina nos outros dois, sendo uma do 3º de ângulo; ao nível dos telhados é coroada por bolas sobre plintos. Para a sua esquerda adossa-se corpo em 7, de 2 pisos, com pequenos vãos rectangulares no 1º e janelas de guilhotina no 2º; fronteiro, desenvolve-se jardim de buxos. Para a direita da torre, seguem-se, no seu alinhamento, 2 corpos escalonados; o 1º, de 2 pisos, tem inferiormente vão recto emoldurado a cantaria com pedra de armas sobre a cornija e superiormente 2 janelas de guilhotina, uma delas também de ângulo; o 2º corpo corresponde à capela, com porta de vão recto e 2 janelas estreitas, sendo o telhado sobrepujao por cruz. O portal do 1º corpo conduz-nos ao pátio. Na fachada posterior destes dois corpos desenvolve-se loggia apoiada em pilares chanfrados, com balaustrada e, superiormente, gradeamento de ripas, ambos de madeira; escada de acesso de um lanço. A capela tem portal axial e outro lateral, ladeado por 2 janelas de guilhotina. No corpo de planta em 7 adossado à torre, abrem-se ao nível do 2º piso janelas de guilhotina e, no ângulo, loggia com colunelos sobre parapeito de cantaria. À capela adossam-se os anexos agrícolas, de 1 piso e diferentes vãos, lateralmente unificados por um arco de aparelho almofadado. No anexo frontal, aproveitam-se várias peças formando nicho de frontão triangular com São Francisco. Interior: sala de jantar no 1º piso, com paredes de pedra à vista ou rebocada. No andar nobre, as salas têm janelas conversadeiras e tectos de madeira, lisos, com ripados ou motivos geométricos. Destacamos a sala de estar, com lareira, comunicação à loggia e acesso à torre, onde fica um dos quartos principais. O escritório tem vão aberto para a capela; esta tem lambril de azulejos de figura avulsa e de tapete, reaproveitados, retábulo de madeira com telas e nicho central. Tecto de masseira.

Acessos

Lugar de Cortegaça, EN 203

Protecção

Em estudo

Enquadramento

Rural, isolado. Ergue-se junto à estrada nacional, com quinta vedada por alto muro. Portão de entrada em pano de muro alteado, com cunhais almofadados e cornija encimada por merlões chanfrados; vão em arco abatido sobrepujado por pedra de armas. Amplo espaço verde e ajardinado envolve o solar.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Comercial e turística: casa de turismo de habitação

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1528 - A Torre e Quinta de Cortegaça pertenciam, por casamento, a D. Catarina Fagundes, filha única de João Álvares Fagundes, navegador vianês; 1653 - instituição do vínculo do Barco em Vitorino das Donas, e de que fazia parte a torre de Cortegaça; 1863, 19 Maio - na sequência do decreto-lei abolindo os morgados, coube por herança a António de Abreu de Lima Pereira Coutinho, Senhor da casa e morgado do Barco e 1º Visconde de Cortegaça; a casa encontrava-se então em estado ruinoso; 1933 - morrendo sem filhos da sua 2ª mulher, D. Maria José Perestrelo Marinho Pereira de Araújo, deixa a casa em testamento a António de Magalhães de Barros de Araújo Queirós, filho da sua irmã, D. Maria José de Abreu de Lima Pereira Coutinho, revelando ser sua última vontade que ninguém que não fosse dono da quinta de Cortegaça usasse o seu título; 1960, 18 Jun. - por sua morte, foi herdeira sua irmã, D. Maria Rita de Magalhães de Abreu Coutinho que, por sua vez, a doou aos sobrinhos Dr. Pedro de Magalhães Lançoz de Abreu Coutinho e sua mulher, os quais restauraram a casa conferindo-lhe o aspecto actual.

Dados Técnicos

Paredes autoportantes.

Materiais

Cantaria granítica, madeira, azulejos. Pavimento de madeira, tijoleira e lajes e cobertura de telha.

Bibliografia

MACHADO, José de Sousa, Últimas gerações de Entre-Douro e Minho, vol. 2, Braga, 1932, p. 19 - 24; CORTEGAÇA, Visconde de, Esclarecendo, Almanaque de Ponte de Lima, vol. 8, Viana do Castelo, 1933, p. 215 - 218; AZEVEDO, Carlos de, Solares Portugueses, Lisboa, 1963; MAGALHÃES, Pedro, NÓRTON, Manuel Artur, Fagundes e a Descoberta do Canadá, Congresso Internacional Bartolomeu Dias e a sua época, vol. 2, Porto, 1989, p. 403 - 482;

Documentação Gráfica

DGEMN, DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN, DSID

Documentação Administrativa

DGEMN, DSID

Intervenção Realizada

1960 / 1970, anos - Obras de conservação.

Observações

O brasão do portão da quinta, junto à estrada, apresenta-se esquartelado, tendo no 1º quartel as armas dos Abreus, no 2º as dos Coutinhos, no 3º as dos Pereiras e no 4º a dos Limas. O brasão do frontispício do solar apresenta-se igualmente esquartelado, tendo no 1º quartel as armas da família Rocha, no 2º as de Fagundes, no 3º as de Jacome e no 4º as de Guimarães.

Autor e Data

Paula Noé 1997

Actualização

 
 
 
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