Muralhas das Ribeiras de São João, Santa Luzia e João Gomes

IPA.00036064
Portugal, Ilha da Madeira (Madeira), Funchal, Funchal (Sé)
 
Muralhas construídas no séc. 16 e 17, ao longo das ribeiras de São João e de João Gomes, aproveitando o seu leito como fosso, e interligando-se às da frente marítima e das fortificações de São Lourenço e de São Filipe, constituindo o antigo sistema fortificado da cidade. Alguns troços encontram-se atualmente absorvidos pelo casario.
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Militar  Cerca urbana    

Descrição

Troços de muralhas do antigo sistema fortificado da cidade, sendo o pano de muralha mais longo o que surge acima do campo da Barca, subindo até ao morro da Pena e com uma bombardeiras quase intacta, embora absorvida pelo casario.

Acessos

Funchal (Sé), Rua 5 de outubro, Rua 31 de janeiro; Rua do Visconde de Anadia; Rua Brigadeiro Oudinout; Rua Dr. Pestana Júnior. WGS84 (graus decimais) lat.: 32,650068; long.: -16,907694

Protecção

Categoria: MIM - Monumento de Interesse Municipal, Aviso n.º 19035/2018, DR, 2.ª série, n.º 243, de 18 dezembro 2018 *1

Enquadramento

Urbano, adossado.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Militar: muralhas

Utilização Actual

Cultural e recreativa: marco histórico-cultural

Propriedade

Afectação

Época Construção

Séc. 16 / 17

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: Mateus Fernandes (1572-1595). ENGENHEIROS: António Rodrigues Ribeiro (1689), Manuel Gomes Ferreira (1689).

Cronologia

1493 - o rei D. João II manda cercar de muralhas a vila do Funchal, deixando-se de fora dos muros o bairro de Santa Maria, já que o centro do povoado se havia deslocado para poente da ribeira de Santa Luzia; 1494 - os procuradores do concelho solicitam a anulação da ordem; séc. 16 - construção das pontes em pedra sobre as ribeiras de João Gomes e Santa Luzia, e calcetamento das ruas; por postura camarária, passa a utilizar-se a água das ribeiras para as lavagens da cidade, feita aos sábados, pelo que se sobe o leito das ribeiras; estas obras mais ou menos improvisadas, levam ao ruir periódico dos troços das margens e a desastres cada vez mais importantes nas casas mais ribeirinhas; 1572 - "Regimento de Fortificação", executado por Mateus Fernandes, determina a construção de uma muralha a cercar a cidade e a construção de uma "estancia", no ângulo formado por esta e pela muralha frente ao mar; os muros deviam bordear as ribeiras, acompanhando o seu traçado e aproveitando o leito como fosso; deveriam ainda aproveitar as muralhas já feitas, como seria o caso da ribeira de João Gomes, que é então sujeita a obras "para evitar o dano que as águas da dita ribeira com as cheias faziam nas casas"; o Regimento especifica que os muros da frente mar, que deveriam deixar os mesmos e as casas, "uma rua razoável para serventia da cidade" e ser ligeiramente mais baixos e mais grossos que os das ribeiras; as portas da muralha deviam ser cinco: duas para serventia do mar entre a fortaleza existente e a praça do Pelourinho, que se deveria fazer junto a Nossa Senhora do Calhau, "na posição que melhor parecer ao Capitão", e três "para serviço da cidade", (junto a ponte de Nossa Senhora do Calhau, junto as casas de Gaspar Correia, a poente da fortaleza e junto a São Paulo, na entrada da Rua da Carreira, onde havia surgido os corsários; 1585, setembro - a Câmara do Funchal envia carta a D. Filipe I a queixar-se de D. Sebastião ter cedido uma verba ao capitão Simão Gonçalves da Câmara para um muro na ribeira de Santa Luzia, mas como ele havia morrido e se encontrava na ilha o desembargador João Leitão, este mandara arrecadar o dinheiro, não mandando fazer a obra sem ter autorização; 1595 - Mateus Fernandes abandona a ilha e em Lisboa redige uns "Apontamentos da obra que se fazer e respirar na fortificação da cydade do Funchal da Ylha da Madeira", mostrando que o plano ordenado em1572 se encontrava feito, ou seja, as muralhas ao longo das ribeiras e as duas fortalezas: a de São Lourenço e de São Filipe; neste documento fazem-se queixas contra a população que não se conformava com os inconvenientes das obras de fortificação, que lhes cortava os acessos às ribeiras, destruindo de noite o que os pedreiros executavam de dia; refere-se a necessidade de alterar algumas determinações do Regimento de 1572 relativamente ao número de portas; acabando por se abrir duas portas junto às muralhas da Ribeira de João Gomes; 1687 - 1689 - na vigência do senador Lourenço de Almeida, faz-se nova pressão de Lisboa para se acabarem as obras de fortificação do Funchal; 1689, setembro - carta do rei insiste para se acabarem "fortes e com boa posição" as obras iniciadas pelo governador João da Costa de Brito, tomando-se opinião com os oficiais de guerra mais práticos no assunto; a carta refere ainda a necessidade de rever todo o sistema defensivo, desatualizado; na sequência, chegam à ilha o capitão de engenheiros António Rodrigues Ribeiro e o engenheiro Manuel Gomes Ferreira, que completam finalmente a muralha da frente mar da cidade e constroem o novo portão, o dos Varadouros, onde se coloca lápide; séc. 19 - as cinturas das muralhas perdem quase completamente o seu interesse militar, sendo muitos dos panos e dos espaços disputados por várias entidades e alguns até cedidos pelos militares; 1817 - por esta data já havia desaparecido quase completamente toda a muralha ao longo da Ribeira de João Gomes; esta muralha, construída no meio da cidade, e o prolongamento do troço ao longo do mar, constitui um Importante impedimento para os moradores acederem à ribeira pelas suas fazendas mais ribeirinhas; 1851 - autorização do Comando Militar para demolir parte da muralha da cidade para a ampliação da Praça do Peixe e matadouro; 2017, 02 fevereiro - em reunião ordinária, a Câmara do Funchal delibera a abertura do procedimento administrativo de classificação das Secções Visíveis das Muralhas das Ribeiras da cidade do Funchal, como Imóveis de Interesse Público; 31 maio - publicação da abertura de procedimento administrativo de classificação das Seções Visíveis das Muralhas das Ribeiras da Cidade do Funchal, como Imóveis de Interesse Municipal, em Aviso n.º 6145/2017, DR, 2.ª série, n.º 105/2017.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Bibliografia

CARITA, Rui - Funchal Roteiro Histórico Turístico da Cidade. Câmara Municipal do Funchal, 1997.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - DOF: Seções Visíveis das Muralhas das Ribeiras de São João, Santa Luzia e João Gomes

Autor e Data

Paula Noé 2019

Actualização

 
 
 
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