Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres

IPA.00035087
Portugal, Ilha de Santa Maria (Açores), Vila do Porto, Santo Espírito
 
Capela provavelmente construída no séc. 18, substituindo uma outra seiscentista, de linhas exteriores sóbrias, com planta retangular simples, interiormente com iluminação axial. Fachadas com os elementos estruturais e decorativos sublinhados a cinzento, de sabor popular, a principal terminada em empena, coroada por pináculos sobre os pilares dos cunhais e cruz sobre painel com Alminhas, da segunda metade do séc. 18, e rasgada por portal de verga reta e janela retilínea. No interior possui altar com frontal de azulejos, da transição do barroco para o rococó.
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta retangular simples, com sacristia e instalações sanitárias retangulares adossadas à fachada lateral esquerda. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na capela, rematada em beirada simples, e de uma na sacristia. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com faixa, pilastras, cornija, molduras dos vãos e pináculos pintados de cinzento, com as juntas de branco. Fachada principal, virada a NE., e terminada em empena, com cornija, coroada por cruz latina de cantaria, de braços quadrangulares, tendo no acrotério painel de azulejos, azuis e brancos, com Alminhas; os pilares dos cunhais são coroados por pináculos piramidais. É rasgada por portal de verga reta e, superiormente, por janela retangular. À esquerda e recuado da frontaria, surge o corpo adossado, terminado em meia empena, rasgada por porta de verga reta, moldurada. No INTERIOR, o altar tem frontal revestido a azulejos, azuis e brancos e apontamentos a amarelo, marcando sanefa e sebastos e no pano grande cartela recortada com representação da Virgem coroada, com o Menino.

Acessos

Santo Espírito; Lugar da Maia; ER 1-2. WGS84 (graus decimais) lat.: 36,943257; long.: -25,015161

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, no interior da povoação de pescadores, flanqueado por construções, a da esquerda mais avançada e a da direita no mesmo alinhamento. Implanta-se numa plataforma sobrelevada ao arruamento, formando adro frontal, precedido por escadas centrais, delimitado por muro, que lateralmente é bastante alto e percorrido por bailéu. O adro e as escadas têm pavimento de lajes, com as juntas pintadas de branco, tal como o bailéu. A fachada principal surge virada ao mar e como pano de fundo da capela e da povoação, a encosta é marcada por curros, que protegem a vinha das intempéries.

Descrição Complementar

No muro de sustentação do adro existe lápide de mármore com a seguinte inscrição: "ERMIDA / DE / NOSSA SENHORA DOS PRAZERES / ... / FOI CONSTRUÍDA EM 1685 E REMODELADA / EM 1997 A EXPENSAS DE UM GRUPO / DE EMIGRANTES DOS E. U. A. E DO CANADÁ". No acrotério da cruz da empena, existe painel de azulejos com representação de Alminhas, com a inscrição "P.N. A.M.".

Utilização Inicial

Religiosa: ermida

Utilização Actual

Religiosa: ermida

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1685 - construção da primitiva ermida dedicada a Nossa Senhora dos Prazeres, virada ao mar e cercada de vinhas, por Manuel de Sousa Falcão e sua esposa, Cristina *1; séc. 18, 2ª metade - época provável da colocação do painel com Alminhas no acrotério da cruz da frontaria; 1770 - 1780 - data provável da feitura e colocação do frontal de altar em azulejos.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e caiada; soco, pilares dos cunhais, pináculos, cornija e molduras dos vãos em cantaria pintada; cruz da empena em cantaria aparente; portas de madeira; vidros simples; painéis de azulejos com apontamentos policromos; lápide de mármore; cobertura de telha de meia-cana tradicional.

Bibliografia

CARVALHO, Manuel Chaves - Igrejas e Ermidas de Santa Maria, em Verso. Vila do Porto (Açores): Câmara Municipal de Vila do Porto, 2001; MONTE ALVERNE, Agostinho de (OFM) - Crónicas da Província de S. João Evangelista das Ilhas dos Açores. 2ª ed.. Ponta Delgada (Açores): Instituto Cultural de Ponta Delgada, 1986; MONTEREY, Guido de - Santa Maria e São Miguel (Açores): as duas ilhas do oriente. Porto: edição do autor, 1981; SIMÕES, J. M. dos Santos - Azulejaria Portuguesa nos Açores e na Madeira. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1963; A Ermida de Nossa Senhora dos Prazeres, (http://pt.wikipedia.org/wiki/Ermida_de_Nossa_Senhora_dos_Prazeres), [consultado a 30 setembro 2013].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 1997 - obras de recuperação da capela, com ajuda financeira de um grupo de emigrantes nos Estados Unidos da América e do Canadá.

Observações

EM ESTUDO. *1 - Segundo a lenda, Domingos Corvêlo, vinhateiro de Diogo Fernandes Faleiro, vigiava as uvas numa furna no lugar do Aveiro, quando chegam por mar um grupo de piratas, que saqueiam a ermida, roubando a imagem do orago, e levam Corvêlo como cativo. Quando a filha chega com o jantar, não encontra o pai e, ao chegar à ermida, encontra-a aberta e despojada, correndo depois à Calheta para dar a notícia. Os piratas mantiveram Corvêlo como prisioneiro, por este se ter recusado a juntar-se ao grupo. Assim, promete à Senhora dos Prazeres adquirir uma nova imagem, caso conseguisse regressar a Santa Maria. Ficando bastante doente, implora aos mouros o seu regresso, a que eles acabaram por aceder, fazendo-o regressar ao lugar de Aveiro. Tendo desembarcado de noite, chega à sua casa na Calheta de madrugada, enquanto era escuro. Pensando tratar-se de um malfeitor, a família sai e agride o desconhecido, que cai por terra. A mulher acaba por reconhecer os gemidos do ferido, que é então recolhido desfalecido e tratado com vinagre quente e cinza de trapos. Depois de acordar, conta à família o que lhe acontecera, bem como a promessa que fizera à Senhora dos Prazeres, que acaba por cumprir, depois de fazer um peditório descalço.

Autor e Data

Bruna Valério e Paula Noé 2014 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra)

Actualização

 
 
 
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