Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros

IPA.00035085
Portugal, Lisboa, Lisboa, Santa Maria Maior
 
 
Registo visualizado 621 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício  esidencial unifamiliar      

Descrição

Núcleo arqueológico / museu de sítio onde se encontram vestígios, abundantes e significativos para a compreensão da história de Lisboa, relativos a um período situado entre o século V a.C. e o século XX. O espaço musealizado corresponde à área de implantação de cerca de dois prédios pombalinos a sul do quarteirão entre a Rua dos Correeiros e a Rua da Conceição. A estrutura destes prédios foi mantida nas fachadas e sistema de abobadamento no piso térreo, é através dele que se faz a entrada no museu e sob ele que se introduziu uma plataforma leve em passadiço que permite aos visitantes observar as camadas ou estratos inferiores. Houve alteração ao nível da planta pombalina para acomodar as novas funções de banco, o saguão deste quarteirão foi coberto com estrutura transparente e introduzidas algumas passagens em ferro entre as tardoz dos edifícios. Na sala de acesso ao piso inferior, ao nível do piso térreo, estão dois conjuntos de vitrines expondo peças de vários períodos retiradas nas escavações. Vestígios relativos aos séculos V e IV a.C.: "conjunto de compartimentos retangulares com embasamento em pedra, paredes com estrutura vegetal revestida a barro, cobertura vegetal igualmente revestida a barro, pavimento de argila e lareira central. Foi também identificado um forno cerâmico, do qual se conservava apenas a base da fornalha". "Entre o século I a.C e o século I, correspondente aos primeiros colonizadores mediterrâneos, identificaram-se oito sepulturas, que correspondem a nove indivíduos, cinco dos quais crianças. Foram identificados dois rituais distintos, a inumação, mais frequente, e a cremação". No final deste período temos a presença importante da indústria ligada à preparação do peixe para comercialização no espaço ocupado pelo Império Romano e onde ele estabelecia pontos de comércio para o seu exterior, "no qual se identificaram 31 tanques (cetárias), agrupados em sete pequenas unidades fabris. Encontravam-se implantadas no subsolo arenoso, em plataformas desniveladas que acompanham o declive da praia e terão laborado entre o século I e meados do século V da nossa era (…) Anexa à área industrial foi construída, provavelmente no século III, uma habitação dotada de termas. Destas foi apenas identificado o frigidarium, constituído por um átrio quadrangular pavimentado com um mosaico - o primeiro encontrado na cidade de Olisipo - e quatro tanques frios. O mosaico era composto por quatro painéis com uma gama de seis cores, formando motivos geométricos e entrelaçados, de entre os quais se destacam suásticas, quadrados, diamantes, peltas e motivos fusiformes." Estes vestígios são visíveis na penúltima sala do museu e também da rua através de duas janelas. "No período de dominação islâmica, a partir do final do século X, forma-se a ocidente da cidade muralhada um arrabalde (…) Foram exumadas estruturas habitacionais e artesanais, nomeadamente diversos vestígios de atividade oleira (…) O período designado como "pré pombalino" (séculos XV a XVIII) é fortemente marcado pelo fenómeno da expansão ultramarina (…) escavaram-se vários troços de arruamentos, construções habitacionais, estruturas industrio-artesanais e poços. O Terramoto de 1755 encontra se claramente marcado nos níveis de ruína e escombros e nos vestígios do grande incêndio subsequente. A reconstrução pombalina encontra-se igualmente presente (…) Já em fase pós pombalina funcionaram aqui uma forja e, eventualmente, uma padaria.

Acessos

Rua dos Correeiros, n.º 9

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 7/2015, DR, 1.ª série, n.º 75 de 17 abril 2015 / Incluído na classificação da Lisboa Pombalina (v. IPA.00005966)

Enquadramento

Urbano, no sub-solo da Lisboa Pombalina.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: museu

Propriedade

Privada: pessoa colectiva

Afectação

Época Construção

Séc. V a.C - séc. XX

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1989 - no seguimento de estudos geotécnicos de preparação de intervenção de reabilitação é percebida a existência de vestígios; 1990 - desenvolvem-se contatos entre o IPPC (entidade da tutela do património) e o promotor da obra (BCP); 1991, junho - iniciam-se os trabalhos arqueológicos; 1994 - início da obra, os trabalhos arqueológicos mantém-se; 1995, junho - fim das escavações arqueológicas e inauguração das instalações para a sede do BCP com abertura ao público dos achados arqueológicos; o projeto museológico é delineado a partir de uma proposta da equipa de arqueologia; a Fundação Millenium bcp custeia os trabalhos da escavação, musealização, gestão e manutenção do projeto incluindo a promoção e conservação; 1995 a 2009 - o Estado, através das estruturas da tutela procede à recolha, estudo e inventário do espólio e coleção; 2003 e 2004 - implementado um sistema de monitorização ambiental (nível freático, temperatura e humidade relativa); 2009 - a fundação Millenium bcp abre uma galeria de exposições temporárias que permite enquadrar investigações relacionadas com o núcleo permanente; 2010, janeiro - depósito do espólio e coleção no Museu Nacional de Arqueologia; 2012 - a manutenção do espaço passa a ser assegurada por empresa especializada; 2014, 10 outubro - publicação do projeto de decisão de classificação do conjunto arqueológico como Monumento Nacional, em Anúncio n.º 244/2014, DR, 2.ª série, n.º 196.

Dados Técnicos

Materiais

Bibliografia

BUGALHÃO, Jacinta, GAMEIRO, Cristina, MARTINS, Andrea, BRAZ, Ana Filipa, Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros: Da intervenção à investigação, gestão e apresentação pública, Arqueologia & História, Revista da Associação dos Arqueólogos Portugueses, vols. 64 e 65, 2012/2013, pp.191-201; AMARO, Clementino, RUAS, Henrique (fot.), MONTEIRO, Ana Margarida, SABROSA, Armando, Núcleo Arqueológico da Rua dos Correeiros, Lisboa: Fundação Banco Comercial Português, 1995 [a consultar].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2014 Josina Almeida 2025

Actualização

 
 
 
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