Mosteiro de Santa Clara / Mosteiro de Nossa Senhora das Misericórdias / Igreja de Santa Clara

IPA.00003489
Portugal, Viana do Castelo, Caminha, União das freguesias de Caminha (Matriz) e Vilarelho
 
Arquitectura religiosa, renascentista, maneirista e barroca. Igreja conventual de nave única e capela-mor rectangulares e coro das religosas, em dois pisos, de planta rectangular, ostentando altares em talha dourada maneiristas e barrocos. Inscrição com data de construção; portal renascença; altares maneiristas; azulejos figurativos, polícromos, setecentistas; coro das religiosas de dois pisos.
Número IPA Antigo: PT011602070021
 
Registo visualizado 317 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Convento / Mosteiro  Mosteiro feminino  Ordem de Santa Clara - Clarissas (Província de Portugal)

Descrição

Planta longitudinal composta pelos três volumes, desiguais e articulados horizontalmente da nave, capela-mor, coro e sacristia, todos rectangulares, com dois contrafortes altos de secção rectangular. Volumes articulados com cobertura em telhados de duas águas. Fachadas pintadas de amarelo. Fachada principal virada a O., com portal renascença, de arco de volta perfeita, enquadrado por pilastras toscanas, com painel de azulejo retratando Santa Clara, no friso liso que remata a porta. Toda a fachada é rematada por cornija moldurada. A fachada S., local de acesso exclusivo das religiosas, tem dois pisos, apresentando porta axial, simples rectangular, enquadrada por duas janelas de vão semelhante, envidraçadas e gradeadas. Sobrepondo-se-lhe no piso superior uma outra porta idêntica. Remate em empena. Sobre a cornija da fachada, campanário de uma ventana. A fachada N. apresenta unicamente uma cruz latina, alta, no remate da empena. Interior da nave e capela-mor revestido com azulejos figurativos, polícromos, setecentistas, integrando, no lado da Epístola, um painel representando São Francisco, sobreposto à data de 1716, e no lado do Evangelho representando Santa Clara. O corpo da nave divide-se em dois espaços, por um degrau e uma balaustrada. No lado da Epístola, púlpito com balaustrada sobre uma plataforma moldurada inscrita com a data 1704, assente em consola pétrea. Mais próximo da capela-mor quatro capelas colaterais, em posição confrontante, duas de arco apontado albergando altares maneiristas em talha dourada, já desnudos, e outros dois de arco pleno; o do lado do Evangelho conserva no fecho a data 1673 inscrita em cartela, este já desprovido de altar, e o do lado da Epístola, sob arco semelhante, e também em cartela com idêntica posição, a data 1931. Tecto de madeira de perfil curvo. Arco triunfal em arco abatido, suportado por capitéis jónicos e com florões relevados inscritos em quadrados no intradorso. A capela-mor, num nível sobreelevado, com acesso através de quatro degraus, apresenta um brasão na face frontal do lado do Evangelho. Possui altar-mor em talha dourada, com duas séries de colunas no corpo e estípites no ático, encontrando-se já desnudo. Tecto em abóbada de canhão, com caixotões pétreos, lisos.

Acessos

Caminha, Rua Benemérito Joaquim Rosas

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, flanqueado, integrado no tecido urbano, em plataforma sobreelevada, e murada, em relação ao arruamento que a delimita. Adossa-se a sul ao edifício do Asilo Silva Torres (v. IPA.00008988). O acesso à plataforma sobreelevada faz-se por escadaria a norte e rampa a sul. Da plataforma, acede-se ao portal da igreja por duas escadas de ambos os lados do portal, cada uma com sete degraus. Os terrenos anexos, a nascente, terminam junto a um pano de muralha do século 17 (v. IPA.00002169). Nas proximidades, a cerca de 130 m para sudoeste, localizam-se as Portas da Fortificação de Caminha e, a cerca de 170 m na mesma direção, a Casa Campos (v. IPA.00032308) e a Capela de Nossa Senhora da Agonia (v. IPA.00008986).

Descrição Complementar

O interior da igreja é iluminado por duas janelas, de vão retangular, gradeadas e envidraçadas, colocadas na parede poente da nave assim como por outra idêntica na parede nascente da capela-mor, além da iluminação indireta proporcionada pelo coro. No pavimento da nave, na zona próxima da capela-mor, existem várias tampas sepulcrais. A divisória da nave com o coro é efetuada por uma parede, que no piso inferior apresenta uma janela axial, alta e gradeada, enquadrada pela porta de um armário e pela porta de comunicação entre estes espaços, assim como um confessionário junto à parede nascente. O piso superior apresenta três janela altas, gradeadas, registando-se na padieira da central, no lado interno do coro, a inscrição: "PHELICIANA DAS CHAGAS SENDO ABBDA MANDOV / FAZER ESTA OBRA . A . 1672". Teto do coro em abóbada de berço. Na sacristia conserva-se um lavabo pétreo, com a bica inserida numa carranca. Sobre as escadas de acesso por norte, na parede poente do edifício adossado à igreja, está afixada cantaria lavrada, retangular, encimada por cornija que, sob cruz latina, apresenta inscrições pouco legíveis, em louvor do “santíssimo sacramento” (conjetural).

Utilização Inicial

Religiosa: mosteiro feminino

Utilização Actual

Religiosa: igreja / Devoluto

Propriedade

Privada: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ENTALHADOR: Domingos Tavares (1653).

Cronologia

1653, 22 Janeiro - as religiosas do mosteiro ajustaram o forro do corpo da igreja e o apainelamento do tecto da capela-mor do mosteiro em madeira de castanho ao imaginário entalhador Domingos Tavares, de Caminha, por 240$000; a obra deveria iniciar em Junho, o primeiro forro estar terminado em Setembro, e o forro apainelado estar assente até ao dia de São João de 1654; 1672 - construção da capela; 1673 - data na aduela de fecho da capela; 1698, 24 Março - Manuel Pinto Vilalobos dá parecer sobre o conserto do cano de água que servia as freiras, e que se encontrava entupido pelas obras da fortaleza de São Rodrigo; 1704 - reforma da capela; data na base do púlpito; 1716 - reforma da capela; data no registo de azulejos; 2009, 23 outubro - caduca o processo de classificação conforme o Artigo n.º 78 do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206, alterado pelo Decreto-Lei n.º 265/2012, DR, 1.ª série, n.º 251 de 28 dezembro 2012, que faz caducar os procedimentos que não se encontrem em fase de consulta pública.

Dados Técnicos

Estrutura mista (capela-mor) e paredes autoportantes (nave).

Materiais

Paredes em granito, altares em madeira, cobertura em abóbada de pedra e em madeira telhada, pavimento em lajes graníticas, balaustradas de madeira, portas de madeira, cobertura de paramentos interiores com azulejos, paramentos exteriores cimentados e pintados, janelas gradeadas e envidraçadas.

Bibliografia

VIEIRA, José Augusto, O Minho Pittoresco, 1, Lisboa, 1886, p. 182 - 183; ALVES, Lourenço, Caminha e o seu concelho. Monografia, Caminha, 1985, p. 125 - 126; SOROMENHO, Miguel Conceição Silva, Manuel Pinto de Vilalobos da engenharia militar à arquitectura (dissertação de mestrado em História da Arte Moderna), UNL, Lisboa, 1991; CARDONA, Paula Cristina Machado, A actividade mecenática das confrarias nas Matrizes do Vale do Lima nos séc. XVII a XIX, vol. 3, Porto (Faculdade de Letras da Universidade do Porto, Departamento de Ciências e Técnicas do Património), 2004.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DSID

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Escola Tecnológica, Artística e Profissional do Vale do Minho: 1997 - obras de remodelação.

Observações

*1 - Está projectado para este local a instalação de um auditório, com espaço de biblioteca e sanitários na zona do do coro das freiras. *2 - Neste local existia, desde pelo menos 1555, uma antiga ermida. *3 - Todas as imagens dos santos que ornavam os altares encontram-se depositadas no Museu Municipal de Caminha.

Autor e Data

Alexandra Lima e Paulo Amaral 1997

Actualização

João Almeida (Contribuinte externo) 2018
 
 
 
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