Casa Manuel Guimarães

IPA.00003372
Portugal, Santarém, Tomar, União das freguesias de Tomar (São João Baptista) e Santa Maria dos Olivais
 
Casa unifamiliar quinhentista, onde tradicionalmente terá habitado o filho de João de Castilho, estando documentada a sua residência nesta artéria da cidade. Trata-se de um edifício que era composto por dois lotes, um deles completamente demolido na década de 60 do séc. 20, para permitir a regularização das artérias, obedecendo ao plano de urbanização, ficando o lote maior, onde foram reintegrados alguns elementos da primitiva construção, introduzindo duas janelas cedidas pelo Museu dos Amigos da Ordem de Cristo e fazendo-se novas modinaturas, copiando as primitivas. Destaca-se a janela de ângulo, com colunelo a sustentar a cornija, bastante saliente.
Número IPA Antigo: PT031418120012
 
Registo visualizado 336 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial unifamiliar  Casa  Casa abastada  

Descrição

Planta poligonal irregular, de volume único, com cobertura homogénea em telhado de sete águas, rematadas em beiradas simples. Fachadas rebocadas e pintadas de bege, percorridas por altos socos de cantaria, com o ângulo virado a sudeste ostentando parte do cunhal em perpianho, e rematadas em cornijas; os vãos são todos retilíneos, com molduras côncavas, compostas por três frisos. Fachada principal virada a ocidente, rasgada por portal e, no extremo direito, janela de moldura biselada e protegido por grades em ferro. No piso superior, janela de ângulo, assente em cornija e com moldura dupla em cantaria, rematada em entablamento e cornija bastante saliente, assentes em duas consolas; no ângulo, um colunelo marcado por anel, sustenta a estrutura, tendo guarda de balaústres. No lado direito, rasga-se uma janela de peitoril e uma de varandim, ambas com cornijas muito salientes sobre consolas. A janela de peitoril tem pano de peito simples e a de varandim, assenta sobre pequena cornija, com guarda em ferro, onde surgem três mastros. Fachada lateral esquerda rasgada, no piso inferior por duas portas, a do lado direito com moldura boleada, encimadas por duas janelas de peitoril com panos de peito simples. Fachada lateral direita e fachada posterior adossadas. INTERIOR com amplo vestíbulo, para onde abrem portas em ambas as fachadas, que liga a um pequeno patamar, de onde arrancam as escadas, com ligação direta a partir da rua, pela porta situada no lado esquerdo da fachada lateral esquerda. Fachadas rebocadas e pintadas de branco e tetos em masseira.

Acessos

Tomar, Rua Silva Magalhães (antiga Rua Direita da Várzea Pequena); Rua Alexandre Herculano (antiga Rua dos Oleiros). WGS84 (graus decimais): lat.: 39,604281; long.: -8,414954

Protecção

Categoria: MN - Monumento Nacional, Decreto n.º 9 842, DG, 1.ª série, n.º 137 de 20 junho 1924 / ZEP, Portaria, DG, 2.ª série, n.º 287 de 10 dezembro 1953 (vãos quinhentistas) *1

Enquadramento

Urbano, adossado a edifícios residenciais, situado em pleno Centro Histórico de Tomar (v. IPA.00006271), numa das artérias principais que partia da antiga Praça de D. Manuel (hoje Praça da República), cruzando a Rua da Corredora (hoje Rua Serpa Pinto). Situa-se em lote irregular, integrando quarteirão regularizado no séc. 20, obedecendo ao plano de urbanização da cidade, implantado em meados de Novecentos, rodeado por edifícios de cérceas semelhantes, exceto o que lhe está adossado a norte, um pouco mais elevado. As fachadas abrem para a via pública, pavimentadas a calçada, de que se separam por passeio. Fronteira, surge a Casa na Rua Silva Magalhães, n.º 81 (v. IPA.00036131).

Descrição Complementar

Na FACHADA PRINCIPAL a inscrição saliente: "CASA / MANUEL GUIMARÃES".

Utilização Inicial

Residencial: casa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: galeria de exposições

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 16 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João Pedro Mota Lima (1952 - 1953). EMPREITEIRO: Raul Marques Graça (1966).

Cronologia

Séc. 16, 1.º terço - provável construção do edifício segundo a tradição com a mão de João de Castilho (VELOSO, 42), onde tradicionalmente terá habitado o seu filho, seu homónimo; séc. 20, início - demolição do pátio interno pelos proprietários (SIPA: TXT.01827039); 1924, 16 dezembro - resolve-se expropriar algumas casas nesta área para o alinhamento da rua (ROSA, IX, 591); 02 fevereiro - projeto de alinhamento e necessidade de indemnizar os proprietários dos três prédios (ROSA, IX, 595); 18 maio - tornada pública a arrematação da demolição e reconstrução de três casas (ROSA, IX, 599); 1950 - retificação do alinhamento da casa, sendo necessária a sua reconstrução, para permitir o novo alinhamento da rua Silva Magalhães (TXT.01826928); 1957, 02 dezembro - carta da Câmara de Tomar, assinada por Manuel Vieira Guimarães da Silva, a saber se se poderia acrescentar um terceiro piso ao imóvel, durante a sua reconstrução (TXT.01826944); 1958, 17 janeiro - resposta da DGEMN informando que as fachadas terão que ficar como estavam TXT.01826947); 29 janeiro - carta da Direção-Geral do Ensino Superior e das Belas Artes, afirmando que não seria admissível a alteração das fachadas do edifício, mas apenas uma nova divisão das dependências internas (TXT.01826949); 1961, março -o edifício é composto por dois corpos, um habitado, de gaveto e outro desabitado, com os números 74 e 76 da Rua Silva Magalhães, de três pisos, estando este a ameaçar ruína, pelo que se resolve proceder à demolição, mantendo os elementos quinhentistas intactos para reintegração (TXT.01826958); 20 abril - orçamento da Câmara de 200.000§00 para proceder à demolição criteriosa do edifício, referindo que não tem verbas para proceder à mesma (TXT.01826962 a TXT.01826963); 12 agosto - adjudicação ao único proponente, Júlio Leal Gameiro, da demolição de parte da casa pelo valor de 27.000$00 (TXT.01826999); 1962, 19 janeiro - início da demolição do edifício (TXT.01827012); 27 março - a câmara solicita o projeto de construção da casa (TXT.01827026); 09 agosto - informação da Direção de Serviços dos Monumentos Nacionais, referindo que não entende o pedido para elaboração de um projeto de construção, uma vez que só fora garantido apoio técnico para a demolição e apenas interessa que os elementos classificados sejam integrados no novo edifício, cuja utilização futura ainda não está definida; o arquiteto, inicialmente designado para o projeto, Mota Lima, estava na última visita feita ao edifício (TXT.01827027 e TXT.01827028); 1963, 27 fevereiro - memória descritiva do arquiteto João Pedro Mota Lima para adaptação do edifício a biblioteca, instalando um gabinete do bibliotecário, um depósito de livros, uma sala de leitura e instalações sanitárias e um átrio para exposições (TXT.01827035 a TXT.01827037); 27 novembro - caderno de encargos para a reconstrução da casa - é entaipada uma porta que aparecera nas obras, que dava para o depósito de livros e desentaipou-se uma fresta para arejar o local; a porta principal aproveita a cantaria da porta do topo da escada; na Rua Alexandra Herculano, colocaram-se a janela existentes no prédio demolido, a J3 e a J2 foi cedida pelo Museu dos Amigos da Ordem de Cristo e para dar luz à escada, abre-se a fresta J4 a copiar da existente na Rua Silva Magalhães (TXT.01827035 a TXT.01827037); 1966, 13 maio - adjudicação da obra a Raul Marques Graça (TXT.01827102); 1969 - inauguração da biblioteca, que já estivera instalada na Escola Conde Ferreira, na Várzea Grande (ROSA, 1991, 128); 1970 - os trabalhos a mais que foram executados ainda não estão liquidados (TXT.01827146); séc. 20, década 90 - pela exiguidade do edifício, decide-se construir um edifício novo no lado oposto do rio (ROSA, 1991, 128); 1997 - a biblioteca abandona o local (VELOSO, 41).

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria em cantaria e tijolo, rebocada e pintada; modinatura, colunelo, cornijas, consolas e pavimentos em cantaria de calcário; tetos de madeira; janelas com vidro; cobertura em telha cerâmica.

Bibliografia

ROSA, Alberto de Sousa Amorim - Anais do Município de Tomar… Tomar: Câmara Municipal, 1974, vol. IX; ROSA, José Inacio da Costa - «Evolução da fisionomia urbana, arquitetónica e construtiva de Tomar». In Tomar - Perspectivas. Tomar: Festa dos Tabuleiros, 1991, pp.57-135; SEQUEIRA, Gustavo de Matos, Inventário Artístico de Portugal, Lisboa, 1949; VELOSO, Carlos - Urbanismo e Arquitectura Civil de Tomar na época da expansão num perspectiva turístico-cultural. Tomar: s.n., 1998. Texto policopiado.

Documentação Gráfica

DGPC: DGEMN:DRMLisboa

Documentação Fotográfica

DGPC: DGEMN:DSID, DGEMN:DRMLisboa, SIPA

Documentação Administrativa

DGPC: PT DGEMN:DSARH-010/264-0163, PT DGEMN:DSARH-010/264-0164, PT DGEMN:DSMN-0293/12, PT DGEMN:DSMN-0326/05, PT DGEMN:DSMN-0326/08, PT DGEMN:DSMN-0339/16

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

*1 - DOF: Fachada quinhentista do prédio da Rua Direita da Várzea Pequena, esquina da Rua dos Oleiros. As ruas entretanto mudaram de nome para Rua Silva Magalhães e Rua Alexandre Herculano.

Autor e Data

Paula Figueiredo 2019

Actualização

 
 
 
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