Igreja Paroquial de Canidelo / Igreja de São Pedro

IPA.00033503
Portugal, Porto, Vila do Conde, União das freguesias de Malta e Canidelo
 
Arquitetura religiosa, do séc. 20. Igreja paroquial de planta retangular composta por nave e capela-mor, tendo, no séc. 20, passado a três naves e dois anexos, com torre sineira adossada à fachada lateral esquerda, esta de construção posterior. Tem coberturas interiores em falsas abóbadas de berço abatido de madeira, iluminada uniformemente por janelas rasgadas nas fachadas laterais. Fachada principal em empena truncada, com os vãos rasgados em eixo composto por portal de verga reta e óculo. Torre sineira de dois registos, o inferior cego e o superior com ventanas de volta perfeita, com cobertura em coruchéu piramidal. Fachadas laterais com alpendres e portas travessas. Interior com coro-alto, batistério no lado do Evangelho, capelas laterais e arco triunfal de volta perfeita, ladeado por capelas retabulares de talha novecentista. Capela-mor com supedâneo e retábulo-mor de talha pintada, novecentista. As sacristias têm lavabos em cantaria.
Número IPA Antigo: PT011316060123
 
Registo visualizado 87 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta retangular composta por três naves, formadas pela primitiva e pelos anexos adossados, capela-mor e torre sineira adossada ao lado direito, de volumes articulados e escalonados, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, sendo de coruchéu piramidal, de ângulos chanfrados e revestido a cantaria, na torre sineira. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por soco de cantaria, flanqueadas por cunhais apilastrados, os das fachadas posteriores firmados por pináculos piramidais e o principal por pináculos de perfis curvos, e rematadas em frisos e cornijas. As três empenas possuem cruzes latinas sobre plintos, nos vértices. Fachada principal virada a O., rematada em empena truncada pela cruz latina, rasgada por portal de verga reta com moldura recortada, formando orelhas nos ângulos superiores, encimado por frontão sem retorno e tímpano almofadado, sobrepujado por óculo retilíneo e de ângulos curvos, com moldura simples que se une à do portal. No lado direito, a torre sineira, de dois registos definidos por frisos e cornijas, o inferior cego, tendo, na face O., o mostrador do relógio, circular, e, no superior, as ventanas em arcos de volta perfeita, assentes em impostas salientes e fechos salientes. As fachadas laterais são semelhantes, marcadas pelos corpos anexos, a lateral esquerda com dois amplos vãos retilíneos de acesso, um na fachada O. e outro na N., o primeiro encimado por óculo oval, a que se sucede um pano em ressalto com vãos retilíneos e um terceiro pano com porta de verga reta. A fachada lateral direita é semelhante, não possuindo o vão da face O., pois o anexo encontra-se adossado à torre sineira; nas faces E., possuem tríforas, a do lado esquerdo com moldura superior comum. Fachada posterior em empena cega. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, percorridas por silhares de azulejo de padrão em bicromia, a azul e branco, com falsa abóbada de berço abatido, em madeira dividida em caixotões, na nave central, e em dois panos nas laterais, com vigas de madeira e panos rebocados e pintados de branco. As janelas encontram-se encimadas por sanefas de talha pintada de marmoreados fingidos e dourada , de perfis recortados, ornados por enrolamentos e acantos. Possui três coros, os laterais assentes na estrutura dos anexos, articulados por vãos retilíneos, todos com guardas de madeira torneada. Os portais das naves laterais estão ladeados por pias de água benta em cantaria, surgindo, junto ao axial, uma terceira, com coluna facetada e pia hemisférica, de bordo boleado. No sub-coro da nave central, o batistério antigo, composto por nicho retilíneo, de moldura simples e remate em friso e cornija, encimado por espaldar volutado, que sustenta cruz latina. Possui pia faceta, embutida no muro, encimada por painel de azulejo de padrão, em bicromia, a azul e branco. Confrontantes, quatro nichos envolvidos por estruturas de talha, dedicados, no lado do Evangelho, a São Miguel e Almas e Nossa Senhora do Rosário, surgindo, no lado oposto, a Santíssima Trindade e o Sagrado Coração de Jesus. Arco triunfal de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, ladeado por capelas retabulares dedicadas a Nossa Senhora de Fátima (Evangelho) e Santa Luzia (Epístola). Capela-mor com dois tramos seccionados por arco abatido com fecho saliente, o primeiro com cobertura semelhante à da nave central e o segundo de madeira em masseira, dividido em caixotões, tendo pavimento em lajeado de granito. Sobre supedâneo, o retábulo-mor, de talha pintada de marmoreados fingidos, castanho e verde, e de dourado, de planta reta e três eixos definidos por quatro colunas de fustes lisos, percorridos por falsa espira e com o terço inferior marcado, capitéis de inspiração coríntia, assentes em duas ordens de plintos paralelepipédicos, os inferiores com secção maior, ornados por rosetões, e firmadas por urnas. Ao centro, tribuna de perfil curvo, protegida por tela pintada a representar a Virgem em glória e São Pedro. Os eixos laterais possuem nichos de volta perfeita e molduras rendilhadas, com os fundos ornados por motivos vegetalistas, tendo, sob elas, as portas de acesso à tribuna. A estrutura remata em painel de talha facetado, adaptando-se ao perfil da cobertura, ornado por palmas e acantos, possuindo delta luminoso no remate. Altar em forma de urna com cartela central e decoração vegetalista, encimado por sacrário cilíndrico com cobertura ornada pelo pelicano e ostentando, na porta, Cristo redentor. Fronteira, a mesa de altar, paralelepipédica, decorada por cartela circular, contendo as iniciais "IHJS" e envolvida por acantos, ladeado por dois tocheiros de talha pintada. Junto ao arco triunfal, ambão de talha no lado do Evangelho, surgindo, no lado oposto, a pia batismal, com taça de talha e base em cantaria, em forma de balaústre e assente em plinto. Confrontantes, portas de vergas retas, de acesso às sacristias, a da Epístola com lavabo de cantaria, composto por reservatório, enorme bica em forma de carranca e taça concheada e bordo boleado.

Acessos

Rua de Santa Luzia. WGS84 (graus decimais) lat.: 41,312443; long.: -8,650275

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, implantado a meia-encosta, em plataforma artificial, que forma um adro conformado, lateralmente, por muros em alvenaria rebocada e pintada de branco, divisórios de propriedade; encontra-se pavimentado a calçada, formando painéis retangulares, com acesso frontal e posterior. Fronteiro e em cota inferior, o Cemitério, surgindo, na fachada posterior, em zona de pendor inclinado, a Casa Paroquial, antecedida por canteiros, onde se ergue um monumento em cantaria e bronze, de homenagem ao Padre Carlos Duarte, com a inscrição: "HOMENAGEM AO / REVERENDO PADRE CARLOS DUARTE / ZELOZO BENEMÉRITO / DESTA PARÓQUIA DE CANIDELO / CANIDELO 25-09-200?". Possui vários canteiros com árvores e bancos de jardim, em cantaria.

Descrição Complementar

Sobre o portal, a inscrição incisa e quase delida: "ESTA OBRA MAN / DOU FAZER O ABBADE / ANTAM DE SSOUZA / 1749". Na torre sineira, duas lápides, uma já sem letras e a superior bastante delida, com a inscrição: "ESTA RELÓGIO FOI OFERECIDO / (...) / POR AZEVEDO DUARTE / ?- III - 1972(?)". Na moldura das janelas do anexo da fachada lateral esquerda, a data incisa "1629" e, no vestíbulo, um silhar com a inscrição "1761". A estrutura dedicada a São Miguel e Almas é de talha pintada de marmoreados fingidos, castanhos e verdes, e de dourado, de planta reta e um eixo definido por duplas pilastras, ornadas por folhagem, ladeadas por orelhas recortadas e volutadas. Ao centro, nicho trilobulado, com moldura em cantaria e sobrepujado por cornija contracurva, de perfil borromínico, encimada por rosetas. Ao centro, um painel pintado a representar São Miguel a resgatar as Almas do Purgatório. No canto inferior direito, uma assinatura, escondida pela moldura, onde se reconhece "José (...) / Penafiel". A estrutura assenta em consolas. Sucede-se a dedicada a Nossa Senhora do Rosário, de talha pintada de marmoreados fingidos, castanhos e verdes, e de dourado, de planta reta e um eixo definido por duas colunas coríntias, assentes em dados, que centram painel de volta perfeita e moldura dourada, encimado por folhagem, tendo o fundo pintado com motivos fitomórficos; a estrutura remata em friso de entrelaçados, cornija e espaldar curvo, encimado por resplendor com dois corações inflamados, ladeado por urnas. A estrutura assenta em predela e duas consolas. Fronteira, a dedicada à Santíssima Trindade, de talha pintada de marmoreados fingidos, castanhos e verdes, e de dourado, de planta reta e um eixo definido por duas colunas coríntias, assentes em dados, que centram nicho de perfil trilobulado, com os seguintes ornados por acantos, rematando em friso de entrelaçados, cornijas e frontão triangular, ornado por rosetão e encimado por resplendor com delta luminoso. A estrutura assenta em predela e consolas. Ainda no lado da Epístola, a estrutura dedicada ao Sagrado Coração de Jesus, de talha pintada de marmoreados fingidos, castanhos e verdes, e de dourado, de planta reta e um eixo definido por duas pilastras ornadas por acantos, que centram painel de volta perfeita, envolvido por molduras douradas e seguintes ornados por folhagem; a estrutura remata em friso de acantos, cornija e espaldar recortado, decorado por motivos vegetalistas, ladeado por urnas. A estrutura assenta em predela ornada por rosetas e duas consolas. Os retábulos colaterais são semelhantes, de talha pintada de dourado, de planta reta e três eixos definidos por duas colunas torsas, ornadas por pâmpanos e anjos encarnados e por dois quarteirões, estas assentes em consolas e as primeiras em plintos paralelepipédicos, ornados por querubins. Ao centro, painéis de volta perfeita e molduras de talha, com os fundos pintados, ladeado por duas mísulas, enquadradas por apainelados, encimadas por acantos. As estruturas rematam em frisos de acantos e querubins, e cornijas, encimados por tabelas retangulares verticais, ladeados por quarteirões e aletas, rematando em talha vazada. Na tabela do Evangelho, uma coroa fechada sobre as iniciais "AM", surgindo, no lado oposto, símbolos do martírio de Santa Luzia e as iniciais "SL". Altares em forma de urna, o do Evangelho com as iniciais "AM", surgindo, no oposto, uma cruz. No plinto da atual pia batismal, a data "1726". Na sacristia, lápide de granito com a inscrição dourada: "ESTA IGREJA DE CANIDELO PELA SUA AMPLIAÇÃO / E RESTAURO FOI BENZIDA POR SUA EXCELÊNCIA REVERENDÍSSIMA / D. JÚLIO TAVARES REBIMBAS ARCEBISPO - BISPO DO / PORTO, em 10/11/1991 SENDO PAROCO O REVERENDÍSSIMO / PADRE CARLOS DUARTE / A PAROQUIA DE CANIDELO agradecida". Numa lápide de cantaria, a inscrição "ESTA OBRA / MANDOU / FAZER / O ABADE / MANUEL / DA COSTA / ANO DE 1700 / FALECEO / A 1717 / RESTAU / RADA / 1928".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese do Porto)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 17 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 17 - provável construção da capela-mor; 1629 - data incisa na moldura das janelas do anexo do lado esquerdo, que correspondia à antiga sacristia; 1700 - lápide identificando uma obra, mandada fazer pelo abade Manuel da Costa; 1717 - falecimento do abade Manuel da Costa; 1726 - data no plinto da atual pia batismal; 1749 - feitura do templo pelo abade Antão de Sousa; 1758, 17 abril - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco Sebastião de Sousa Salgado, é referido que a paróquia é dedicada a São Pedro e a igreja tem o altar-mor, com a imagem do orago, ladeado pelas de São Francisco e Santo António; nos colaterais, as imagens de Santa Luzia, com irmandade, e Nossa Senhora do Rosário; o pároco é abade, apresentado alternativamente pelo Papa e pelo bispado do Porto, e a paróquia rende 200$000; 1761 - data num silhar existente no vestíbulo; 1769, 23 junho - o visitador ordena a reforma do altar de Santa Luzia; 1928 - restauro do templo e provável feitura das estruturas retabulares; feitura da torre sineira; 1972 - oferta do relógio da torre por Azevedo Duarte; 1991 - obras de ampliação da igreja, com a construção das naves laterais, anexos e vestíbulos; 10 novembro - inauguração e bênção da igreja por D. Júlio Tavares Rebimbas, bispo do Porto.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria rebocada e pintada; cornijas, frisos, cruzes, plintos, modinaturas, pináculos e degraus em cantaria de granito; supedâneo em cantaria de granito; coberturas de madeira, revestidas exteriormente a telha cerâmica; pavimento das sacristias e da capela-mor em lajeado; retábulos, altar, ambão e pia batismal atual em talha pintada e dourada; lavabos e batistério antigo em cantaria de granito.

Bibliografia

BRANDÃO, Domingos de Pinho, Obra de talha dourada, ensamblagem e pintura na cidade e na Diocese do Porto - Documentação, Porto, Diocese do Porto, 1987, vol. IV ; CAPELA, José Viriato, MATOS, Henrique e BORRALHEIRO, Rogério, As freguesias do Distrito do Porto nas Memórias Paroquiais de 1758 - Memórias, História e Património, Braga, Universidade do Minho, 2000.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA; Diocese do Porto: Secretariado Diocesano de Liturgia

Documentação Administrativa

DGARQ/ADPorto: Paróquia de São Pedro de Canidelo

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

Autor e Data

Paula Figueiredo 2012 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese do Porto)

Actualização

 
 
 
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