Ermida de São João Baptista

IPA.00032698
Portugal, Ilha de São Miguel (Açores), Vila Franca do Campo, Ribeira Seca
 
Arquitetura religiosa, do séc. 21. Ermida de fundação quinhentista e reconstruída no séc. 21, de planta retangular simples, interiormente com iluminação unilateral e coberturas de madeira. Fachada principal terminada em empena e rasgada por portal de verga reta com moldura terminada em cornija, constituindo quase o único elemento subsistente da antiga capela, sobreposta por açafate e pináculos relevados. No interior abre-se amplo nicho na parede testeira.
Número IPA Antigo: PT072106060014
 
Registo visualizado 480 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Capela / Ermida  

Descrição

Planta retangular simples, com cobertura homogénea em telhados de duas águas, rematadas em beirada simples. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, as laterais e posterior com faixa cinzenta. Fachada principal virada a O., com alhetas nos cunhais, coroados por pináculos piramidais com bola sobre plintos paralelepipédicos, e terminada em empena com cornija, coroada por cruz latina, de braços quadrangulares assente em acrotério. É rasgada por portal de verga reta, com moldura terminada em cornija, encimada por elementos de cantaria relevados: dois pináculos piramidais com bola ladeando açafate, inscrito. Fachada lateral esquerda cega e a direita rasgada por janela retangular, com moldura simples e gradeada. Fachada posterior terminada em empena com corpo saliente, de remate contracurvo. INTERIOR com as paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento de cantaria e cobertura de madeira, sobre travejamento aparente, formando masseira. No lado do Evangelho existe nicho de alfaias de perfil curvo e mísula retangular. Na parede testeira abre-se amplo nicho em arco de volta perfeita, albergando altar, com frontal revestido a azulejos azuis e brancos, e mísula sustentando imaginária.

Acessos

Ribeira Seca; Estrada Regional 1-1

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Peri-urbano, isolado, no limite exterior da povoação, nas imediações da estrada regional, numa plataforma sobrelevada à mesma e perto da qual se ergue a Quinta dos Curubás. A plataforma é retangular, formando adro, vedado por muro rebocado e pintado de branco e capeado a cantaria, possuindo acesso frontal por escadaria de três lanços, o inferior comum, com guarda plena semelhante à do adro. O portal é precedido por um degrau retangular. A plataforma é ladeada por placas arrelvadas pontuadas de plameiras.

Descrição Complementar

O açafate sobre o portal tem a data de "169" inscrita.

Utilização Inicial

Religiosa: capela

Utilização Actual

Religiosa: ermida

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 21

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

Séc. 16, início - época provável da construção da primitiva capela, dentro da quinta de Jorge da Mota, Cavaleiro da Ordem de Avis, pai de Petronilha da Mota, e primeira freira micaelense e abadessa do Convento de Santo André; 1522, 22 outubro - a capela consegue resistir ao grande terramoto que arrasa a povoação de Vila Franca; 1696, 11 fevereiro - António Pais de Vasconcelos, vigário de Rabo de Peixe, aquando da visita à ermida, refere que precisa de um retábulo novo, na forma de um novo archete, de um missal novo e de um frontal branco; 1711, 24 março - na visita de Francisco Barbosa da Silva, notam-se muitas necessidades, como a pintura do retábulo e acabamento de "empainelar" o retábulo e o teto e a falta de muitas alfaias e paramentos; o administrador da ermida cumpre depois o ordenado na visitação; 1789, 07 janeiro - o visitador João Bento de Arruda, vigário de São Pedro de Ponta Delgada, diz que a ermida necessita de reparos no retábulo, no painel, armários e portas, mas nada foi feito; 1811, 12 novembro - o Bispo D. José Pegado de Azevedo visita a ermida, tal como todas as outras, e diz que na mesma não se lhe havia apresentado "nem licença de nossos predecessores, nem testemunho autêntico de como foram visitadas e aprovadas"; concede o prazo de um ano para a realização de alguns melhoramentos, "findo o qual ano, se assim se não cumprir, se não poderá nelas mais celebrar o Santo Sacrifício nem dar-se culto público"; dá também seis meses para que tais documentos fossem apresentados, mas o administrador nada faz, deixando que a ermida se fosse arruinando com o tempo; 1834 - após a lei de desamortização, o Morgado Luís Francisco Rebelo Borges de Castro, o último administrador do vínculo de Jorge da Mota, fica sem a obrigação de aplicar os rendimentos na ermida, deixando-a ao abandono; 1949 - está completamente destruída e a imagem de São João transferida para a Igreja da Ribeira das Tainhas; 1982 - a ermida está em completa ruína, mantendo-se em pé alguns muros e o portal; 2001 - reconstrução completa da ermida pela Câmara Municipal de Vila Franca do Campo.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura rebocada e pintada de branco ou cinzento na faixa; alhetas, cornijas, molduras dos vãos, pináculos, cruz e mísula em cantaria de basalto; porta e caixilharia de madeira; vidro simples; pavimento de cantaria; teto de madeira; frontal de altar em azulejos azuis e brancos; cobertura de telha.

Bibliografia

Dias, Urbano de Mendonça - História das Igrejas, Conventos e Ermidas Micaelenses - I. Vila Franca de Campo: Tipografia "A Crença", 1949; MEDEIROS, Prior António Jacinto de, GASPAR, Maria - Memorial de Vila Franca do Campo. Séculos XV a XXI. Câmara Municipal de Vila Franca do Campo, 2004, vol. 1; "Ermida de São João - à espera de reconstrução" (http://lutaecologica.blogspot.pt/2007/01/ermida-de-so-joo-espera-de-reconstruo.html), [consultado em 09-07-2013]; (http://www.jfribeiraseca.com/index.php?pagina=patrimonio.html), [consultado em -05-03-2014].

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - Segundo a tradição, conta-se que no tempo dos primeiros povoadores da ilha, um nobre cavaleiro que se atolara no local, promete erigir um altar a São João, se conseguisse sair ileso, como veio a acontecer.

Autor e Data

Paula Noé 2013

Actualização

João Faria 2014 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra)
 
 
 
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