Igreja Paroquial de Almagreira / Igreja de Nossa Senhora do Bom Despacho

IPA.00029938
Portugal, Ilha de Santa Maria (Açores), Vila do Porto, Almagreira
 
Igreja construída em meados do séc. 19, ampliando capela setecentista, elevada a paroquial em 1906. Apresenta planta composta de nave e capela-mor, interiormente com iluminação axial e unilateral e coberturas de madeira, tendo adossado à direita torre sineira, batistério e capela profunda, recentemente interligadas espacialmente, e sacristia. A fachada principal, de um pano, apresenta grande uniformidade de modinaturas, terminando em empena de cortina e sendo rasgada por eixo de vãos em cortina, formado por portal e janela, com perfis côncavos, contrastando com o reticulado das modinaturas das outras fachadas. A torre sineira surge à direita, de dois registos, definidos por cornija, rematada em cornija e balaustrada, e com quatro ventanas de volta perfeita. As fachadas laterais têm janelas na capela-mor e, na lateral esquerda da nave, centrando porta; nos anexos da fachada oposta, os vãos são distintos, abrindo-se óculos circulares, janelas em arco apontado, de caráter revivalista, e retilíneos. A fachada posterior é cega e em empena. No interior possui coro-alto de betão, púlpito de bacia semicircular, no lado do Evangelho, atualmente sem guarda, e, no da Epístola, batistério, posicionamento menos comum nos templos dos Açores, e capela profunda, acedidos por arcos almofadados sobre pilastras. O arco triunfal tem igual modinatura, mas em arco em asa de cesto, encimado por cartela e coronel de cantaria. Na capela-mor surge retábulo-mor revivalista, em talha envernizada, de corpo reto e três eixos, executado no séc. 21, seguindo modelos tardo-barrocos.
Número IPA Antigo: PT072107010010
 
Registo visualizado 572 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja  

Descrição

Planta retangular composta por nave e capela-mor, tendo adossado à fachada lateral direita torre sineira quadrangular, batistério, capela lateral, interiormente amplos, e sacristia. Volumes escalonados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, de uma nos corpos adossados, rematados em beirada dupla, e em terraço na torre. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, com cunhais apilastrados, de juntas tomadas e pintadas de branco, coroados por pináculos, a principal percorrida por soco de cantaria e as restantes com faixas em almagre. Fachada principal virada a oeste, com as modinaturas de perfis côncavos, terminada em empena de cortina, coroada por cruz latina de braços retangulares e remate em botão, sobre acrotério. É rasgada por eixo de vãos, formado por portal de arco em cortina e janela de igual perfil, com pano de peitoril rebocado e pintado de branco, delimitado por moldura. No alinhamento da fachada, dispõe-se a torre sineira, de dois registos, definidos por cornija, o primeiro cego e o segundo rasgado, em cada uma das faces, por ventana em arco de volta perfeita sobre pilastras, com pano de peito rebocado e pintado de branco; a estrutura remata em cornija e balaustrada, com pináculos nos cunhais sobre acrotérios. Fachada lateral esquerda rasgada, na nave, por porta travessa e janelas retangulares e, na capela-mor, por janela retilínea; na oposta, abre-se no primeiro registo da torre dois vãos retangulares, no batistério, dois óculos, seguido de janela de peitoril retilínea, na capela lateral, mais saliente, duas janelas de arco apontado e, na sacristia, janela de peitoril e portal de verga reta; na capela-mor abre-se janela retangular. Fachada posterior com a capela-mor cega e terminada em empena e a sacristia em meia empena e rasgado por janela retilínea. INTERIOR com paredes rebocadas e pintadas de branco, pavimento em lajes de cantaria e cobertura de masseira, na nave, em madeira, sobre travejamento e tirantes do mesmo material. Coro-alto de betão com guarda em balaustrada, acedido, no lado do Evangelho, por porta de verga reta, a partir da torre sineira. No sub-coro, o guarda vento é ladeado por duas pias de água benta. O batistério e a capela lateral, de espaço único, comunicam com a nave por dois arcos, de volta perfeita, sobre pilastras almofadadas, tendo na parede nicho, em arco de volta perfeita, interiormente revestido a cantaria e albergando imaginária; no batistério, o nicho surge entre dois óculos, tendo ao centro, pia batismal, de taça hemisférica canelada sobre pé cilíndrico também canelada, e na capela o nicho abre-se entre janelas de arco apontado. No lado do Evangelho dispõe-se a bacia do antigo púlpito, semicircular, sobre mísula, e no topo da nave, do lado da Epístola, abre-se porta, de verga reta, para a sacristia, ladeada por cartela inscrita. Arco triunfal em asa de cesto sobre pilastras almofadadas, encimado por cartela recortada com coronel. Capela-mor sobrelevada, com cobertura de masseira, em amplos apainelados. O retábulo-mor, em talha pintada e dourada, tem corpo reto e três eixos, definidos por quatro colunas, marcadas no terço inferior do fuste e com anel de acantos, e de capitéis coríntios, sustentando arquitrave, coroadas por urnas. Ao centro abre-se largo nicho em arco trilobado, sobreposto por elementos vegetalistas com acanto no fecho, interiormente pintado com céu e albergando imaginária. Os eixos laterais são decorados com motivos vegetalistas e cartela central. A estrutura remata em espaldar recortado, com fragmentos de cornija, acanto vazado no fecho e outros elementos vegetalistas. Altar tipo urna com frontal decorado com concheados, volutas e cartelas, que surgem também nos apainelados do banco e sotobanco, que integra ao centro sacrário tipo templete, ornado de concheados e porta com cruz e videira.

Acessos

Almagreira, ER 1-2. WGS84 (graus décimais) lat.: 36,966094; long.: -25,108033

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, no interior da povoação, junto à via estruturante da mesma. Ergue-se em plataforma bastante sobrelevada relativamente à via, formando adro, delimitado por muro e acedido, no enfiamento da frontaria, por larga escadaria e, posteriormente, por uma mais pequena. O adro é pavimentado a cimento.

Descrição Complementar

O pavimento do adro, junto à fachada principal, possui as datas inscritas: "1859" e "1959". Junto à porta do topo da nave, no lado da Epístola, existe cartela com a data de "1859".

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Angra)

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 19 / 21

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1702, 11 junho - escritura para construção de uma capela por Manuel de Moura Landres e sua esposa, Inês Pereira, sob a invocação de Nossa Senhora do Bom Despacho; 1766, 02 dezembro - criação de um curato pelo bispo de Angra, D. António Caetano Rocha, "...o 3° da Igreja Matriz em benefício daquele povo e dos mais paroquianos que ficam naquele contorno para a parte da serra"; séc. 19 - ampliação da capela em igreja; 1853, 30 junho - por alvará, o 12º Comendador da Ordem de Cristo para a ilha de Santa Maria, D. Diogo José Ferreira de Eça Menezes, 3º conde da Lousã, organiza e regulariza as côngruas dos párocos e necessidades do culto nas igrejas da Comenda e ordena a criação do Curato sufragâneo da Matriz na Almagreira, Igreja do Bom Despacho; 1859 - data inscrita no pavimento do adro e em cartela junto ao portal da nave, do lado da Epístola; 12 maio - início das obras num terreno doado por João Severino Gago da Câmara; 27 novembro - missa inaugural da igreja; 1861 - os habitantes da Almagreira e da Junta de Paróquia da freguesia da Matriz de Vila do Porto, apresentam petição a D. Pedro V para criação um curato sufragâneo na localidade; o primeiro cura é o padre Bernardo Coelho Bettencourt; 1906, 25 outubro - decreto separando o curato de Almagreira da freguesia de Nossa Senhora de Assunção (Vila do Porto), passando a paróquia independente; 1942 - 1944 - durante estes anos não houve nomeação de padre para a freguesia, sendo os serviços pelos padres Constantino Luís da Mota (pároco de São Pedro), Vicente Afonso (de Santa Bárbara), e Virgínio Lopes Tavares (de Vila do Porto); 1959 - data inscrita no pavimento junto à fachada principal, assinalando o centenário da construção da igreja ou possíveis obras; 2008 - inauguração do Centro Paroquial da Almagreira; 2011 - 2012 - feitura do retábulo-mor..

Dados Técnicos

Sostema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura em alvenaria de pedra, rebocada e pintada; pilastras, cornijas, pináculos, cruz, molduras dos vãos, pias de água benta, pia batismal, bacia do púlpito e outros elementos em cantaria aparente; cartela inscrita pintada; pavimento em lajes de cantaria; cobertura em madeira; coro-alto de betão; guarda do mesmo em balaustrada de madeira; retábulo-mor de talha envernizada; cobertura de telha.

Bibliografia

CARVALHO, Manuel Chaves - Igrejas e Ermidas de Santa Maria, em Verso. Vila do Porto: Câmara Municipal de Vila do Porto, 2001; COSTA, Carreiro da - «História das Igrejas e Ermidas dos Açores». In Jornal Açores. Ponta Delgada: 1955; FIGUEIREDO, Jaime de - Ilha de Gonçalo Velho: da descoberta até ao Aeroporto. 2ª. ed.. Vila do Porto: Câmara Municipal de Vila do Porto, 1990; MENDES, Hélder Fonseca (dir.) - Igrejas paroquiais dos Açores. Angra do Heroísmo: Boletim Eclesiástico dos Açores, 2011; MONTEREY, Guido de - Santa Maria e São Miguel (Açores): as duas ilhas do oriente. Porto: edição do autor, 1981.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

SIPA

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

PROPRIETÁRIO: 2005 - obras de restauro da igreja, com verbas da comunidade (estimados em 70 mil euros); 2007 - restauro da imagem do orago.

Observações

*1 - A festa da padroeira realiza-se, anualmente, no último domingo de julho.

Autor e Data

Paula Noé 2015

Actualização

Bruna Valério 2013 (no âmbito da parceria IHRU / Diocese de Angra)
 
 
 
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