Pelourinho de Guilheiro

IPA.00002979
Portugal, Guarda, Trancoso, Guilheiro
 
Pelourinho quinhentista sem remate, pelo que não pode ser alvo de classificação tipológica, com soco quadrangular de quatro degraus, onde assenta fuste octogonal, encimado por capitel e cruz. Segue uma tipologia semelhante ao Pelourinho de Trancoso (v. PT020913170001). É do tipo cruzeiro, apresentando as proporções habituais dos pelourinhos, apesar do coroamento ser constituído pela cruz. Data de 1559 gravada num dos degraus do soco, aponta para a data de construção. O facto de rematar em cruz prende-se talvez com a tutela da Ordem de Malta, influenciando a adopção da cruz como elemento simbólico da jurisdição (REAL, 1968).
Número IPA Antigo: PT020913100006
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Estrutura  Judicial  Pelourinho  Jurisdição de ordem militar  Sem remate

Descrição

Estrutura em cantaria de granito, composta por soco quadrangular de quatro degraus de aresta viva, de tamanho irregular, apresentando no último degrau a data de "1559", bem como alguns caracteres ilegíveis. A coluna monolítica tem base quadrada, mas chanfrada nos ângulos. Fuste octogonal com superfície lisa. Possui capitel duplo de secção quadrada, separado do fuste por gola quadrada, antecedida por motivos decorativos em forma de chanfros. O coroamento é constituído por cruz latina de hastes rectilíneas.

Acessos

Ao fundo da rua principal, no Largo da Praça

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público, Decreto nº 23 122, DG, 1ª série, nº 231 de 11 outubro 1933

Enquadramento

Urbano, ergue-se isolado em local relativamente plano, dominado por edifícios descaracterizados. Na proximidade destaca-se a antiga Casa da Câmara e Cadeia, um edifício de dois pisos, com escadas externas formando balcão, mostrando ainda as armas municipais e a sineta.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Judicial: pelourinho

Utilização Actual

Religiosa: cruzeiro

Propriedade

Pública: estatal

Afectação

Autarquia Local, Artº 3º, Dec. nº 23 122 11 Outubro 1933

Época Construção

Séc. 16

Arquitecto / Construtor / Autor

Desconhecido.

Cronologia

1251 - hipotética concessão de carta de foral por Sancha Vermuiz, sobrinha de D. Afonso Henriques e casada com Soeiro, filho de Egas Moniz; 1258 - integrava o termo do concelho de Sernancelhe, segundo as Inquirições; 1527 - referenciado como "Termo do lugar do Guilheiro do termo da vila de Sernancelhe"; 1559 - edificação do pelourinho, segundo data gravada no soco; séc. 17 - criação de viscondado a favor de Pedro Jacques de Magalhães, vencedor da Batalha de Salgadela, em 1664; 1708 - a povoação pertence ao Comendador da Ordem de Malta, D. António Manuel, irmão do 2.º Conde de Vila Flor, mas no crime está sujeira à vila de Sernancelhe; tem juiz ordinário, vereador, procurador do concelho, escrivão da câmara; 1758 - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo pároco João Ribeiro, é referido que a povoação, com 72 fogos, pertence à Comenda de São João Baptista de Sernancelhe, da Ordem de Malta; tem juiz de fora, ouvidor, um vereador, um procurador e um almotacé; 1775 - construção da Casa da Câmara e Cadeia por ordem do Comendador José de Vasconcelos, identificável com os Soverais e Vasconcelos, Viscondes da Lapa, senhores do Morgado de Sernancelhe *1; séc. 18 - possuía o título de vila e era comenda da Ordem de Malta, sendo o pároco apresentado pelo Comendador de Malta de Sernancelhe; pertenceu, por doação, aos Marqueses de Távora; 1855 - perda da categoria de vila e passagem do concelho de Sernancelhe para o de Trancoso.

Dados Técnicos

Sistema estrutural autónomo.

Materiais

Estrutura em cantaria de granito.

Bibliografia

AZEVEDO, Correia de, Terras com Foral ou Pelourinhos das Províncias do Minho, Trás-os-Montes, Alto Douro e Beiras, Porto, 1967; BARROCO, Joaquim Manuel, Panoramas do Distrito da Guarda, Guarda, 1978; BIGOTTE, José Quelhas, O Culto de Nossa Senhora na Diocese da Guarda, Lisboa, 1948; CARDOSO, Nuno Catarino, Pelourinhos das Beiras, Lisboa, 1936; COSTA, António Carvalho da (Padre), Corografia Portugueza…, vol. II, Lisboa, Valentim da Costa Deslandes, 1708; LEAL, Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1873; MALAFAIA, E.B. de Ataíde, Pelourinhos Portugueses - tentâmen de inventário geral, Lisboa, Imprensa Nacional - Casa da Moeda, 1997; REAL, Mário Guedes, Pelourinhos da Beira Alta, Beira Alta, Viseu, vol. XXVII, 1968; SOUSA, Júlio Rocha e, Pelourinhos do Distrito da Guarda, Viseu, 1998; TEIXEIRA, Irene Avilez, Trancoso, Terra de Sonho e Maravilha, Trancoso, 1982.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGARQ/TT: Memórias Paroquiais (vol. 18, n.º 131, fl. 733-736)

Intervenção Realizada

Nada a assinalar.

Observações

*1 - na Casa da Câmara, surge pedra de armas, com escudo bipartido com as faixas vieiradas dos Vasconcelos no lado dextro e as faixas com estrelas dos Soverais no lado sinistro; apresenta a seguinte inscrição: "1755 / Esta Obra Mand/ov Fazer o Comendador / Joze de Vasconcelos / Desta Villa".

Autor e Data

Margarida Conceição 1992 / 1998

Actualização

 
 
 
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