Casa das Obras / Câmara Municipal de Seia

IPA.00002976
Portugal, Guarda, Seia, União das freguesias de Seia, São Romão e Lapa dos Dinheiros
 
Casa nobre pombalina, de planta retangular regular com dois registos separados por frisos, alçados com três panos separados por pilastras e cinco panos no principal; panos principais encimados por frontão e marcando portas e janelas de sacada; só o alçado principal, ritmado por três frontões, tem linha de janelas de sacada. Vãos: lintel recto, arco abatido e em asa de cesto. Frontões: angular, curvilíneo, segmentos sem base. Decoração restrita aos vãos e frontões. Planimetria interna organizada a partir dos átrios e escadaria de três lanços paralelos. Porta principal com moldura de meia-cana. Óculo oval a coroar pano central do alçado posterior. Átrio revestido por placagem de granito com moldura azulejar. Sotão com algumas paredes pintadas com marmoreados e tectos motivos vegetalistas.
Número IPA Antigo: PT020912200011
 
Registo visualizado 120 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Residencial senhorial  Casa nobre  Casa nobre  Tipo planta retangular

Descrição

Planta rectangular regular. Cobertura diferenciada a 4 águas. Massas dispostas horizontalmente. Fachada principal: orientada a W.; 5 panos divididos por pilastras; 2 registos; 1º registo: porta com arco em asa de cesto; 10 janelas de lintel recto; 2º registo: janela de sacada central em arco abatido; 10 janelas de sacada em arco abatido; empena recta com cornija interrompida no pano central por frontão angular integrando pedras de armas *1 e nos panos laterais por frontão curvilíneo. Alçado N.: 3 panos divididos por pilastras; 2 registos; 1º registo: porta de lintel recto; 6 janelas de lintel recto; 2º registo: janela de sacada central em arco abatido; 6 janelas em arco abatido; empena recta com cornija, interrompida no pano central por frontão angular. Alçado E:3 panos divididos por pilastras; 2 registos; 1º registo: 2 portas e 9 janelas de lintel recto; 2º registo: janela de sacada central de lintel recto; 10 janelas de lintel recto; empena recta com cornija; óculo oval sobre pano central. Interior: 1º piso:á trio subdividido por arco abatido ladeado por 2 arcos rectos; escadaria de um lanço inicial, formando a partir do patamar intermédio dois lanços paralelos mas separados; cerca de 20 compartimentos; pavimento: lajeado; cobertura: betão rebocado. 2º piso: átrio revestido por placagem de granito com moldura azulejar, cerca de 24 compartimentos; pavimento: lajeado, soalho; coberturas tectos de masseira octogonal, abóbada de aresta rebocada, tectos planos.

Acessos

Largo Dr. António Borges Pires

Protecção

Categoria: MIP - Monumento de Interesse Público, Portaria n.º 180/2013, DR, 2.ª série, n.º 67, de 05 abril 2013

Enquadramento

Urbano; isolado, situa-se em local planáltico, sobranceiro ao vale do Mondego, formando recinto fronteiro pavimentado com granito e pontuado por árvores, o antigo jardim da casa, surgindo japoneiras e palmeiras, encontrando-se adossado ao muro S. chafariz de espaldar, com tanque curvilíneo, bica em forma de carranca, encimada por pedra de armas e frontão angular no remate.

Descrição Complementar

Brasão da família Mendonça Arrais e Albuquerque.

Utilização Inicial

Residencial: casa nobre

Utilização Actual

Política e administrativa: câmara municipal

Propriedade

Pública: municipal

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

Cronologia

1773 - Teresa Bernarda de Figueiredo Abranches, herdeira do Morgado das Obras e seu marido, o Desembargador Francisco José Pinto de Mendonça, deram início às obras do edifício; é tradição ter sido o Marquês de Pombal quem forneceu o projecto. 1778 - petição a D. Maria I para construção de uma fonte em frente da casa; provável conclusão das obras pelo Desembargador Luís Bernardo Pinto de Mendonça e Figueiredo, casado com Ana Leonor Nogueira d'Abreu e Abranches, herdeira da Casa de Santa Marinha e irmã do 1º Bispo de S. Paulo, que terá fornecido os meios financeiros necessários; possuía capela, dedicada a Nossa Senhora das Preces; 1810 - instalação do quartel - general de Wellington no edifício, sendo nessa época Senhor da Casa das Obras, Francisco Pinto de Mendonça Arraes de Figueiredo Loureiro; com a 3.ª invasão, a Casa foi incendiada; 1842 - casamento de Ana Guadalupe de Mendonça Arraes, Senhora da Casa das Obras, com o tio paterno, Luís Pinto de Mendonça Arraes, Visconde de Valongo; a casa foi herdada por duas sobrinhas, Maria Joana Pinto de Mendonça Stockler e Maria Emília Pinto de Mendonça Stockler, casada com Luís Albuquerque do Amaral Cardoso; realização de empréstimo financeiro não liquidado; 1911 - o presidente da Câmara, António Borges Pires, apontou as vantagens da aquisição do imóvel; venda da casa em hasta pública e aquisição por Francisco Rodrigues Gomes, natural da freguesia de Tourais; 1919, Março - venda à Câmara Municipal de Seia, sendo presidente António Borges Pires, por escritura assinada pela irmã do anterior proprietário, em 1 de Setembro, pela quantia de 20.000$00; foi pedido um empréstimo de 24.000$00 à Caixa Geral dos Depósitos; séc. 20, 1.ª metade - a antiga tulha foi adaptada a repartição de finanças; 1986, 3 Julho - a povoação foi elevada a cidade; 1998 - o Tribunal da Comarca de Seia foi mudado para edifício próprio; 2003 - obras de remodelação, sendo todo o interior renovado, ficando as fachadas; 2012, 29 outubro - publicação do projeto de decisão relativo à classificação como Monumento de Interesse Público e fixação da respetiva Zona Especial de Proteção em Anúncio n.º 13632/2012, DR, 2.ª série, n.º 209.

Dados Técnicos

Estrutura mista; tectos planos; tectos de masseira

Materiais

Granito; madeira; ferro forjado; betão armado; cantaria e alvenaria; aparelho isódomo, revestimento: reboco, inexistente, azulejo, vidro; telha de aba e canudo

Bibliografia

DIONÍSIO, Sant'Ana, Guia de Portugal, Lisboa, 1927; BIGOTTE, José Quelhas, Monografia da Vila de Seia, Seia, 1945; SILVA, António Lambert Pereira da, Nobres Casas de Portugal, Porto, s.d.; RAPOSO, Francisco Hipólito, Beira Alta, Lisboa, 1987; MOURA, Maria Lúcia de Brito, O Concelho de Seia em tempo de mudança - dos finais do século XIX ao desabar da Primeira República, Seia, 1997.

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

CMS: séc. 20, década de 40 - colocação de novo pavimento no largo envolvente; 1948 - projecto de remodelação, não integralmente executado, que previa o acrescento de um piso com mansardas formando telhado germânico (autores do projecto: Arq. Peres Fernandes e Lima Franco); 1951 - beneficiação e remodelação interior, renovação da cobertura; Tribunal Judicial de Seia: 1966 - subdivisão e alteração da compartimentação, substituição de portas, pavimentos e tectos, construção dos vitrais da escadaria nobre; Câmara Municipal de Seia: 1992 - obras de conservação, pintura das caixilharias e rebocos exteriores.

Observações

*1 Pedra de armas escudo esquartelado; no flanco dextro 5 crescentes postos em sautor dos Pintos; no flanco snistro do chefe as armas esquarteladas dos Arrais de Mendonça; flanco sinistro da ponta não legível.

Autor e Data

Margarida Conceição 1992

Actualização

 
 
 
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