Serra de São Mamede

IPA.00028261
Portugal, Portalegre, Castelo de Vide, São João Baptista
 
Paisagem predominantemente humanizada descontínua
Número IPA Antigo: PT041214020015
 
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Registo

 
Paisagem  Unidade de Paisagem        

Descrição

FACTORES ABIÓTICOS: RELEVO: Divide-se em duas sub-áreas. Na área NO da unidade, encontra-se a peneplanície alentejana, com uma altitude que varia entre os 270m, na envolvente a Nisa, e os 450m, no sopé da Serra de Castelo de Vide (Senhora da Luz). A SE da unidade encontra-se a sub-área da serra de São Mamede, nome genérico atribuído ao conjunto que abrange as serras de Castelo de Vide, Sapoio, Selada, Fria, São Mamede, Almo, Monte Novo e Cabaça, separadas por vales amplos. A serra de São Mamede é o maior acidente orográfico a S do Tejo, com uma orientação NO/SE, ao longo de aproximadamente de 40km de comprimento (com uma largura, na perpendicular de cerca de 10km), atingindo a altitude máxima de 1027m no vértice geodésico de São Mamede. Destaca-se a imponência das cristas quartzíticas, que são um elemento marcante na paisagem. Declives: A unidade apresenta fortes declives nas vertentes das principais serras, que coincidem em grande parte com o limite do Parque Natural da Serra de São Mamede. Os declives superiores a 15º são frequentes na serra, principalmente ao longo das cristas quartzíticas. São excepções os fundos dos vales e os topos das serras. Na área envolvente de Portalegre, verificam-se ainda declives moderados (superiores a 5º), que são elevados a O da cidade (superiores a 15º). Estes valores contrastam com a peneplanície envolvente, a NO, com a maioria dos declives inferiores a 3º. EXPOSIÇÃO DE VERTENTES: A serra de São Mamede tem uma orientação NO/SE e O/E, o que origina uma exposição de vertentes sobretudo a NE e a SO, sendo a envolvente de Portalegre a área com maior número de vertentes expostas a S e SO, correspondendo à área com temperaturas mais elevadas da unidade de paisagem. A N e a NO de Castelo de Vide o relevo é fundamentalmente plano. GEOLOGIA: O contraste da serra em relação à peneplanície adjacente indicia uma génese de influências tectónicas. Os dobramentos hercínios modificaram de forma expressiva os sedimentos dos períodos que vão desde o Ordovícico Inferior (510MA) até ao período do Devónico (363MA), da Era Paleozóica. Esta área situa-se no contacto entre duas unidades paleogeográficas do maciço hespérnico (Centro-Ibérica e Ossa Morena), que corresponde a acidentes cavalgantes de orientação NO/SE e O/E. A unidade Centro-Ibérica, a N, constitui-se por granitos hercínicos e um sinclinal complexo Ordovícico-Silurico-Devónico (Silúrico e Ordovícico nos flancos e o Devónico na charneira). As imponentes cristas rochosas da região, resultantes da erosão diferencial, são sobretudo da idade Ordovícica e ainda uma orla metamórfica constituída por corneanas e xistos mosqueados. A unidade Ossa Morena, a S, caracteriza-se por rochas proterozóicas que integram a peneplanície alentejana. A conjugação destes factores resulta numa paisagem com um mosaico muito diversificado e complexo (São José,1995). LITOLOGIA: Rochas eruptivas plutónicas (granitos e rochas afins), a NO; formações sedimentares e metamórficas (xistos, grauvaques e quartzitos), a SE; formações sedimentares (depósitos de vertente, areias superficiais e de terraço), nos fundos de vale. SOLOS: Solos delgados (pouco espessos), com ocorrência de fases pedregosas, afloramentos rochosos e declives acentuados. Solos litólicos não húmicos, solos mediterrâneos pardos, mediterrâneos vermelhos ou amarelos e solos esqueléticos de xisto. "Nas zonas de vale dos cursos de água, principalmente na confluência dos rios Caia e Xévora, verifica-se a presença de aluviossolos, coluviossolos, solos hidromórficos e para-hidromórficos, planossolos, que têm aptidão para o regadio." (DRA Alentejo, p. 69) CLIMATOLOGIA: Área de transição entre dois tipos de clima distintos: o Atlântico (sobretudo a N e nas áreas de maior altitude) e Mediterrânico. Esta área diferencia-se da região envolvente, devido ao maciço rochoso que a estrutura e lhe confere particularidades climáticas nomeadamente ao nível da precipitação e da temperatura. A serra, com uma orientação NO/SE, constitui uma barreira de condensação. A vertente ocidental regista mais precipitação do que a oriental, recebendo também a influência das massas de ar secas do interior da península Ibérica. Esta dicotomia entre as vertentes expostas a SO (com um clima mais quente e seco) e as expostas a NE (com clima frio e húmido) reflecte-se no aspecto da paisagem. A temperatura do ar apresenta elevadas variações, devido às diferenças de altitude e à exposição das vertentes. A temperatura mínima média mensal varia entre 5,6ºC e 8,8ºC, enquanto que a temperatura máxima média mensal varia entre 22,2ºC e 24ºC. As áreas de menor altitude, no S da unidade, registam valores médios anuais de temperatura superiores aos da restante unidade. Existe uma maior concentração de precipitação nos meses de Outubro a Março, contrastando com os meses de Julho e Agosto, período mais seco do ano. A humidade relativa apresenta os valores mais baixos nestes meses (59 e 64%), ocorrendo os valores mais elevados de Novembro a Março (entre 75 e 85%). A nebulosidade apresenta valores máximos nos meses de Inverno e mínimos nos meses de Verão. Os nevoeiros são mais frequentes em áreas de maior altitude, como Marvão (80 dias/ano), e nos vales, mas também em Portalegre (140 dias/ano). As geadas ocorrem entre Novembro e Abril registando-se valores médios de 9,9 dias/ano, em Portalegre, e 24,4 dias/ano, em Marvão. HIDROGRAFIA: Paisagem inserida nas bacias hidrográficas do Tejo (cerca de 67% da unidade) e Guadiana (área mais reduzida, a S), passando a linha de festo que divide as duas bacias pelo Pico de São Mamede e as Penhas de São Brás (Morgado, 1994). Caracteriza-se por uma rede hidrográfica densa, marcada pela presença dos rios Sever, Sôr (bacia hidrográfica do Tejo), Caia e Xévora (bacia hidrográfica do Guadiana) e ainda por diversas ribeiras das quais se destacam as de Nisa e de Arronches, cursos de água com um carácter mais permanente. Salienta-se a existência de linhas de água de carácter sazonal, resultantes da irregularidade da precipitação, sobretudo na área mais a N. A orientação dos cursos de água pertencentes à bacia do Tejo é, predominantemente, S/N, enquanto a orientação dos cursos integrados na bacia do Guadiana é, sobretudo, N/SE. De um modo geral, nesta unidade o escoamento médio aumenta de O (150 a 200mm) para E (300 a 400mm), alcançando os valores mais elevados na área da ribeira de Galegos e do rio Xévora. A produtividade média diária dos aquíferos nesta área é de 50m3/dia.km2, excepto na área da Ribeira de Galegos, onde a produtividade aumenta para 300m3/dia.km2. Existem 12 albufeiras, sendo as de Poio e Póvoa (com mais de 50ha de área inundável) para produção de electricidade e a da Apartadura (com 25 a 50ha) para abastecimento e rega. As restantes (com uma dimensão inferior a 10ha) servem fins múltiplos. Nesta área, estão identificadas 3 nascentes de água bicarbonatada cálcica e/ou magnesiana, das quais se destaca a Fonte da Vila em Castelo de Vide e uma de água sulfúrea sódica em Fadagosa de Nisa, ambas com actividade termal. FACTORES BIÓTICOS: FLORA: Coberto vegetal rico e diversificado devido às características edafo-climáticas desta área, ocorrendo espécies de elevado valor científico e ecológico. Algumas espécies características do clima atlântico têm aqui limite S, condicionadas pela altitude e pela exposição ao quadrante N. Sendo esta uma área de transição entre o clima atlântico e mediterrânico, é de assinalar uma clara dicotomia entre a vegetação das vertentes N (atlântica - fria e húmida) e S (mediterrânica - quente e seca). Segundo Malato-Beliz, a vegetação climácica da serra era constituída sobretudo por densos carvalhais de carvalho negral (Quercus pyrenaica), mais tarde substituídos, em muitas áreas, pelos castanheiros (Castanea sativa). Há pouco mais de um século, esta espécie viu a sua área reduzida devido à introdução do pinheiro bravo (Pinus pinaster) que, ocupando uma área considerável, alterou a fisionomia da paisagem. Na parte N da unidade ocorrem pequenos carvalhais, intercalados por soutos, sobreiros, matos e pomares. A S, predominam espécies características da paisagem mediterrânica, como o sobreiro (Quercus suber) e a azinheira (Quercus rotundifolia), embora a primeira ocorra ainda em áreas de influência atlântica (sobretudo zonas de solos ácidos) e a segunda em áreas mais secas (em solos ácidos ou alcalinos). É significativa a presença de olival e vegetação ripícola. Os matos resultantes da destruição dos antigos bosques de carvalho negral "ocupam hoje extensas áreas sem coberto arbóreo ou sob coberto de matas de pinheiro bravo (Morgado, 1994). Entre estes surgem, como etapas de transição, giestais, nos quais se encontram espécies como o Cytisus multiflorus, Cytisus striatus e Adenocarpus complicatus" (Morgado, 1994). As etapas mais degradadas, e que ocupam vastas áreas da serra, são constituídas sobretudo por matos rasteiros de urzes, carquejas (Chamaespartium tridentatum) e cistácias. As espécies mais frequentes nestas formações são: urze vermelha (Erica australis), a queiró (Erica umbellata), a torga ordinária (Caluna vulgaris), o sargaço peludo (Cistus psilosepalus) e o tojo molar (Ulex minor). FAUNA: Espécies de elevado valor ecológico, alguns endemismos ibéricos e espécies raras. Mamíferos: geneta (Genetta genetta), javali (Sus scrofa), lontra (Lutra lutra), raposa (Vulpes vulpes), rato-de-cabrera (Microtus cabrerae), veado (Cervus elaphus) e uma das maiores comunidades da Europa de morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii). Avifauna: abutre-do-Egipto (Neophron percnopterus), águia-de-Bonelli (Hieraaetus fasciatus), bufo-real (Bubo bubo), cegonha-negra (Ciconia nigra), chasco-preto (Oenanthe leucura) e grifo (Gyps fulvus). Peixes: barbo-de-cabeça-pequena (Barbus microcephalus), boga-de-boca-arqueada (Chohdostroma lemmingii). Anfíbios: rã-ibérica (Rana iberica) e sapo-parteiro-ibérico (Alytes cisternasil). Répteis: cágado-de-carapaça-estriada (Emys orbicularis), cágado-mediterrânico (Mauremys leprosa), lagarto-de-água (Lacerta schreiberi) e víbora-cornuda (Vipera latastei). FACTORES ANTRÓPICOS: USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: Diferenciado, conforme o relevo e a localização, apresentando diferentes padrões nos vales, peneplanície e nas encostas. Unidade tradicionalmente com uma agricultura diversificada, quando comparada com a região envolvente. Com o abandono da actividade agrícola, tem aumentado a agricultura extensiva e as pequenas hortas domésticas. Actividade vitivinícola tem alguma expressão. A produção agrícola está associada a áreas significativas de olival, vinha e pomar. São expressivos os espaços ocupados por floresta de produção, matos e vegetação natural. Grande parte desta unidade encontra-se dentro dos limites do PNSSM, estando sujeita ao seu plano de ordenamento e a diversas restrições de uso com vista à salvaguarda e valorização dos recursos naturais e humanos da região, no que diz respeito às actividades permitidas, interditas, ou sujeitas a autorização prévia. A indústria só tem expressão em Portalegre (cortiça e tecelagem). As zonas de caça associativa ocupam extensões relevantes. TIPO DE POVOAMENTO: Concentrado (por vezes associado a uma origem defensiva), com algumas excepções em zonas de vale. Regista-se, mais recentemente, alguma dispersão, associada à construção de moradias unifamiliares, na proximidade dos centros urbanos. DADOS DEMOGRÁFICOS: Área pouco populosa, tendo perdido efectivos sobretudo devido à emigração e o êxodo rural. As pirâmides etárias dos concelhos da unidade reflectem uma população muito envelhecida. PATRIMÓNIO CONSTRUÍDO: Presença significativa de vestígios pré-históricos: antas, menires, povoados e pinturas rupestres do Neolítico, em três abrigos sobre rocha (Esperança). Ruínas da cidade romana de Ammaia, cabeça de uma civitas romana, mais tarde municipium, que teria sido uma cidade de lazer para as elites da cidade de Mérida. Povoações fortificadas de Alegrete, Castelo de Vide, Marvão e Portalegre. Destaca-se a arquitectura tradicional de apoio à actividade agrícola e pastoril: cabanas e cancelas, choças, chafurdões, eiras, muros, secadores de castanhas e muros apiários. Existem numerosas fontes, chafarizes e engenhos hidráulicos, associados à moagem de cereais e de azeitona, ao longo das linhas de água principais - ribeira de Arronches, rio Sever, rio Xévora - e secundárias. É de salientar o valor patrimonial dos núcleos urbanos e a presença histórica de indústria na região, nomeadamente uma importante unidade de fabrico artesanal de cal, hoje desactivada, as Caleiras de Escusa e a Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre. PATRIMÓNIO INTANGÍVEL: Importantes feiras e mercados realizam-se periodicamente nos vários concelhos, Festa da Castanha, em Novembro, festas locais religiosas. A gastronomia tradicional assenta nos queijos, enchidos, mel e frutos secos (nomeadamente a castanha e a amêndoa), cabrito, boleimas, rebuçados de ovos e manjar branco (Portalegre). É de realçar a importância da carne de porco e dos enchidos de fabrico caseiro e dos produtos hortícolas, base da alimentação (feijão, couve, sopa) e das ervas aromáticas (poejo, hortelã, salsa, coentros). Associados à Páscoa, surgem vários pratos tradicionais, confeccionados com carne de borrego. Existem produtos alimentares certificados. Denominação de Origem Protegida: queijo de Nisa, cereja de São Julião - Portalegre, castanha de Marvão - Portalegre; Indicação Geográfica Protegida: maçã de Portalegre, vários enchidos de Portalegre (lombo enguitado, lombo branco, linguiça, farinheira, chouriço, chouriço mouro, cacholeira branca, morcela de cozer, morcela de assar, painho); Especialidade Tradicional Garantida: carne de bovino tradicional de montado. ORGANIZAÇÃO SOCIAL E MODOS DE VIDA: A diferenciação existente nesta unidade de paisagem está expressa na organização social e nos modos de vida dos habitantes. A estrutura fundiária é diferenciada no interior da unidade, possuindo a área central propriedades de menor dimensão e mais compartimentadas, trabalhadas sobretudo pelos proprietários, excepto em épocas bem definidas, como a ceifa ou a apanha da azeitona e é frequente o emprego mais diversificado, nomeadamente na indústria, que implica deslocações casa-trabalho. Na restante área, as propriedades possuem maiores dimensões, um proprietário gestor e trabalhadores contratados, permanentes ou temporários, predominando uma vivência mais ligada à produção agrícola local. Na zona raiana, a proximidade com Espanha, favoreceu a partilha de vivências comuns, nomeadamente no que diz respeito a uma memória ligada ao contrabando e à Guerra Civil espanhola. Actualmente, mantém-se uma estreita ligação entre as comunidades fronteiriças, sobretudo ao nível do comércio e do lazer, facilitada pela crescente mobilidade da população e pela abolição da fronteira. A população tem vindo a abandonar a agricultura como actividade principal, sendo a população activa sobretudo empregada na indústria e no sector terciário. Há uma tendência para a actividade agrícola constituir um complemento da economia doméstica dos agregados familiares, assistindo-se a alguma mecanização, sendo raro o trabalho agrícola com o auxílio de animais. A população é idosa, com poucos recursos económicos e fraca mobilidade, sendo a área de residência o espaço de vivência quotidiana para muitos habitantes, tendo as relações de vizinhança uma importância fundamental na sociabilidade do dia-a-dia. O peso do comércio local e da venda ambulante é grande. Profissões tradicionais da região: pastor, agricultor, tosquiador, fazedores de escadas, canastreiros, vinhateiros, escolhedores de rolhas, taberneiros, mestre de lagar. Ditado popular, recolhido no Reguengo, que caracteriza a diversidade interna da unidade: "Ribeira de Nisa; canastreiros / São Julião; contrabandistas; Reguengo: cavadores; Alegrete: vigaristas" (Fonseca; Lavado, 1997). O artesanato característico da região, deriva de actividades tradicionais rurais - escadas e cestas em castanho bravo e bordados com folha de castanha. Destaca-se ainda o fabrico das tapeçarias de Portalegre.

Acessos

Rodoviário: IP6, IP2; Ferroviário: Ramal de Cáceres

Protecção

Inclui parcialmente o PN - Parque Natural da Serra de São Mamede (Decreto-Lei n.º 121/89 de 14 de Abril) / RN2000 - Rede Natura 2000: inclui parcialmente o SIC - Sítio de Importância Comunitária de Nisa/Lage da Prata (Resolução de Conselho de Ministros n.º 76/2000, de 5 Julho 2000), SIC - Sítio de Importância Comunitária de São Mamede (Resolução de Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 Agosto 1997); Património natural: Plátano (Platanus hybrida Brot.) classificado de interesse público (Diário do Governo n.º 199, II série, de 26 de Agosto de 1939)

Enquadramento

Centro S de Portugal Continental, na região do Alto Alentejo. Confina, a E, com Espanha, a S com a Peneplanície do Alto Alentejo, a O com a Charneca Ribatejana, e a N com as Terras de Nisa. Inclui parcialmente os concelhos de Portalegre, Castelo de Vide, Nisa, Marvão, Arronches e Crato (este último com uma expressão territorial muito reduzida).

Descrição Complementar

SISTEMA DE VISTAS: Pontos dominantes: Senhora da Penha (PT041205020040) e baluartes de Castelo de Vide (PT041205020010); muralhas e torre de menagem do castelo de Marvão (PT041210020001), castelo de Alegrete, vértice geodésico de São Mamede e miradouro de Portalegre (Portalegre). Sistema de Vistas: A unidade de paisagem caracteriza-se pelo contraste existente entre a peneplanície, a NO e a S, e a serra a SE. A serra individualiza-se pela dominância de elementos verticais (especialmente as cristas quartzíticas), os solos com fortes limitações ao uso, que contrastam com o colorido dos vales bastante férteis. A paisagem é diversificada, marcada por um mosaico de culturas, resultante da diversidade de limitações e potencialidades da área. Nas encostas pouco declivosas encontram-se culturas arvenses de sequeiro, com ou sem oliveiras ou castanheiros. A maior altitude aparecem os castiçais e carvalhais, sendo de salientar a predominância do pinheiro bravo, nas altitudes superiores. Nos cumes, a vegetação é essencialmente arbustiva e herbácea. De Marvão, um dos elementos mais marcantes da unidade de paisagem, localizado a 850m de altitude, conseguem identificar-se vestígios da ocupação de diversas civilizações (romana, visigoda, árabe e cristã), assim como aglomerados urbanos, sebes de compartimentação natural, muros de pedra solta, vias de comunicação, linhas de água que originaram amplos vales, festos dominantes e a peneplanície, a N. Na ermida da Senhora da Penha (704m), consegue ter-se uma das melhores vistas do lugar de Castelo de Vide (destacando-se o castelo e a igreja de São João Baptista, as propriedades muradas, as escarpas de Marvão e a área de fronteira). A partir do vértice geodésico de São Mamede, observa-se a albufeira da barragem da Apartadura, elemento dominante da paisagem, assim como as vias de comunicação que fazem a compartimentação da paisagem e destaca-se, ao fundo, Marvão. A paisagem presenciada a partir do castelo de Alegrete para S demarca a transição da serra para a peneplanície alentejana, possibilitando a observação de um vasto território. Na peneplanície, a N, evidencia-se a serra de São Mamede, geralmente associada a uma maior nebulosidade. PERCEPÇÃO DA PAISAGEM: Heterogeneidade interna da unidade de paisagem, com alterações entre as encostas S e N dos vários sistemas de vales, que condicionam a leitura do relevo e da paisagem, nomeadamente no clima, no uso de solo, na vegetação e na ocupação humana. A presença de pontos de cota elevada proporciona sistemas de vistas de grande interesse e o relevo permite que os pontos mais altos sejam visíveis entre si. Destaca-se a crista quartzítica de Marvão, pela sua imponência, de onde se avista Castelo de Vide e o alto da Serra de São Mamede. Os sistemas de vistas de vale associados à presença de linhas de água, um dos elementos de referência desta unidade, são também de grande interesse, funcionando como elementos de maior diversidade cromática e de uso do solo. A serra de São Mamede, devido à sua especificidade climática, geomorfológica e hidrográfica, individualiza-se do Alto Alentejo proporcionando um elevado contraste ao nível da percepção da paisagem.

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Não aplicável

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Paleolítico final: ocupação humana, atestada por artefactos encontrados; Neolítico/Calcolítico: existência de vários povoados e de várias dezenas de monumentos megalíticos (antas e menires). Destaca-se o Menir da Meada, com 7m de altura, as pinturas rupestres da Esperança (2500/3000 a.C.) e grande incidência de antas na a bacia do Rio Sever; Idade do Ferro: vestígios de fortificações, localizadas no interior da serra e que assentavam em amplos cabeços, guardando as portelas e os fundos de vale; Ocupação romana: localiza-se na periferia da serra, aproveitando os melhores solos agrícolas; vestígios de várias vias, villae e casais agrícolas na região. Início do séc. 1 - fundação da cidade de Ammaia, no Vale de Aramenha; Séc. 5/ocupação árabe: ocupação do território por pequenos núcleos habitacionais. Vestígios de cinco necrópoles na área da Aramenha; 712/876: desaparecimento da cidade de Ammaia, possivelmente devido a uma inundação provocada por ruptura de uma barragem; Ocupação árabe: decréscimo populacional; principais aglomerados passam a localizar-se em áreas mais elevadas; fim séc. 9 - fundação de Marvão, no âmbito das conquistas de Ibn Marúan; séc. 10 - primeira referência escrita a Marvão, na crónica de Isa Ibn Áhmad ar-Rázi; Séc. 12/14: estabelecimento das fortificações de Castelo de Vide (PT041205020010), Marvão (PT041210020001) e Alegrete (PT041214020010), assim como de atalaias nas proximidades de solos com a melhor aptidão agrícola (onde se mantêm os montes alentejanos actuais); Povoamento disperso em pequenas unidades agrícolas; Frequentes guerras de fronteira; Séc. 12: 1160 - possível data da conquista de Alegrete, por D. Afonso Henriques; 1166 - conquista de Marvão por D. Afonso Henriques.; Séc. 13: 1226 - primeiro foral de Marvão, atribuído por D. Sancho II; 1259 - primeiro foral de Portalegre, atribuído por D. Afonso III; Séc. 14: estabelecimento dos actuais limites de Marvão; 1319 - atribuição de foral a Alegrete por D. Dinis; Séc. 15/16: introdução da agricultura intensiva, predominando o trigo, estabelecendo-se um cultivo por afolhamentos; Colectivismo agrário (pastos comuns, utilização de baldios, repartição periódica de terras); Séc. 15: pequena expansão dos aglomerados urbanos, ultrapassando os limites das muralhas; Aparecimento de novos concelhos; ocupação agrícola intensiva nos vales, enquanto nas encostas das serras predominam os matos; a presença de inúmeras ermidas e igrejas rurais indicia a existência de pequenas propriedades, originando um mosaico diversificado; paisagem de campo aberto, sem árvores nem cercas ("openfield"), na área de Castelo de Vide; Séc. 16: 1527 - residiam em Marvão 495 habitantes e no restante concelho 1980 habitantes; 1550 - elevação de Portalegre a cidade e sede de bispado; Construção da Ponte Quinhentista de Portagem, junto à Torre da Portagem, onde funcionava a alfândega de Marvão; A partir do séc. 16 - utilização de pedras de Ammaia para a construção de palácios e igrejas em Portalegre, muralhas de Marvão e Castelo de Vide e edificações particulares nas imediações; Séc. 17: 1645 - residiam em Marvão 1120 habitantes; Séc 18: colectivismo agrário restringido pela existência de soutos e tapadas (que se caracterizavam por culturas ricas e variadas, como olival, vinha e árvores de fruto); recuo da cultura de cereais e incremento da criação de gado e das culturas ricas; 1772 - construção da Real Fábrica de Lanifícios de Portalegre; 1739 - população de Marvão aumenta lentamente devido ao tratado de paz com Espanha (1145 habitantes); Séc. 19: crescimento significativo da população (o mais elevado do país, excepto o das maiores cidades); baldios da serra permanecem incultos ou semeados em cada seis ou oito anos; aumento progressivo das tapadas; coutadas subtraídas às servidões colectivas; individualismo agrário; criação de arroteias; cultura intensiva, nos arredores das povoações; rotação em quatro tempos; vinha substituída pela especialização cerealífera; predomínio das culturas de trigo (solos de melhor qualidade), centeio (solos siliciosos) e cevada; áreas de montados e matos utilizadas, sobretudo, para a criação de gado miúdo e produção de mel e também para o fornecimento de madeira e lenha; intensificação do olival; 1812/1817 - Mouzinho da Silveira foi juiz de fora em Marvão; 1855, 26 de Junho - suprimido o concelho e julgado de Alegrete; 1859 - Portalegre elevada a capital de distrito; 1864 - densidade populacional baixa (10 hab/km2); 1864/1911 - incremento do uso agrícola em Marvão, facilitando o povoamento, mas com taxas de crescimento variáveis da população; Séc. 20: plantação da oliveira e desenvolvimento da produção de azeite; incremento da produção de gado; 1880 - abertura à circulação de mercadorias e de passageiros do Ramal de Cáceres; 1911/1920 - taxa de crescimento populacional reduzida, em Marvão, devido à taxa de mortalidade resultante da primeira guerra mundial e à gripe pneumónica; 1928 - conclusão da barragem de Póvoa; 1932 - conclusão da barragem de Poio; 1935 - José Leite de Vasconcelos descobre ruínas da cidade romana de Ammaia; 1920/1950 - concelhos de Marvão e Castelo de Vide têm um grande crescimento populacional mantendo-se, no entanto, como uma área de emigração da população, sobretudo na década de 50, devido ao desequilíbrio provocado pelo aumento populacional e a falta de emprego na agricultura; 1950/1970 - forte perda de população, potenciada pelo êxodo rural que inverte a evolução da população, atraída por centros nacionais e estrangeiros e por outro lado o maior grau de mecanização das explorações agrícolas; 1970/1981 - a população cresce, o que reflecte uma quebra na emigração e o retorno dos emigrantes e habitantes das ex-colónias 1989 - criação do PNSSM; 12 Novembro 1972 - Construção dos novos edifícios da estação fronteiriça de Galegos (Marvão); 1993 - conclusão da barragem da Apartadura; 1994 - início dos trabalhos arqueológicos na cidade romana de Ammaia; Séc. 21: 2001 - abertura ao público do Museu da Fundação Cidade de Ammaia. 2003 - conclusão da auto-estrada da Beira Interior (A23) 2004 - candidatura de Marvão a Património Mundial da UNESCO. 2005 - data prevista para a conclusão do programa POLIS da cidade de Portalegre.

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

xisto, granito, cal

Bibliografia

AAVV, Guia de Portugal II Extremadura Alentejo e Algarve, Fundação Calouste Gulbenkian, s.l., 1927; DIAS, Ana Carvalho; OLIVEIRA, Jorge Manuel, Monumentos megalíticos do concelho de Marvão, Assembleia Distrital, Portalegre, 1981; GONÇALVES, Francisco, Aspectos geológicos da Serra de S. Mamede, Clube de Biologia e Geologia da Serra de São Mamede, Portalegre, 1986; MALATO-BELIZ, J. Valor científico e interesse didáctico da flora e da vegetação da Serra de S. Mamede, Clube de Biologia e Geologia Serra de S. Mamede, Portalegre, 1986; FREIRE, M. H.; FREIRE, M.; Serra de S. Mamede: Guia de história natural, Clube de Biologia e Geologia da Serra de São Mamede, Portalegre, 1989; MARTINS, Cristina Maria Torres, Análise diacrónica do uso do solo e da paisagem da Serra de São Mamede, trabalho de fim de curso, Universidade de Évora, curso de Arquitectura Paisagista, Évora, 1990 (documento policopiado); SANTOS, Maria Cecília Amador Coelho Boavida dos, Análise diacrónica do uso do solo e da paisagem do Parque Natural da Serra de São Mamede (conclusão), trabalho de fim de curso, Universidade de Évora, Curso de Engenharia Biofísica, Évora, 1993 (documento policopiado); MORGADO, Maria Filomena Monteiro, Caracterização ecológica da população do Parque Natural da Serra de São Mamede: o caso de Vale Lourenço, Universidade de Évora, Mestrado em Ecologia Humana, Évora, 1994 (documento policopiado); JOSÉ, António João Correia de São, Ocorrência, distribuição e dinâmica populacional dos micromamíferos em diferentes biótopos do Parque Natural da Serra de São Mamede, relatório de estágio da Licenciatura em Recursos Faunísticos e Ambiente, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 1995 (documentos policopiado); LAVADO, Cristina M. G. Santos; FONSECA, Maria Inês P., Levantamento Caracteriológico das Populações da Área Protegida do P.N.S.S.M., Relatório Analítico, Parque Natural da Serra de São Mamede, Maio 1995; LIDÓNIO, Filipa Marin, Turismo e Actividades Tradicionais. Estudo de Caso, os Parques Nacional e Naturais, Relatório de Diagnóstico e Caracterização, Instituto de Conservação da Natureza, Novembro 1996; FONSECA, Inês; LAVADO, Cristina, Levantamento Etnográfico da área do Parque Natural da Serra de São Mamede, Instituto de AAVV, Guia de Portugal II Extremadura Alentejo e Algarve, Fundação Calouste Gulbenkian, s.l., 1927; DIAS, Ana Carvalho; OLIVEIRA, Jorge Manuel, Monumentos megalíticos do concelho de Marvão, Assembleia Distrital, Portalegre, 1981; GONÇALVES, Francisco, Aspectos geológicos da Serra de S. Mamede, Clube de Biologia e Geologia da Serra de São Mamede, Portalegre, 1986; MALATO-BELIZ, J. Valor científico e interesse didáctico da flora e da vegetação da Serra de S. 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Mamede: Guia de história natural, Clube de Biologia e Geologia da Serra de São Mamede, Portalegre, 1989; MARTINS, Cristina Maria Torres, Análise diacrónica do uso do solo e da paisagem da Serra de São Mamede, trabalho de fim de curso, Universidade de Évora, curso de Arquitectura Paisagista, Évora, 1990 (documento policopiado); SANTOS, Maria Cecília Amador Coelho Boavida dos, Análise diacrónica do uso do solo e da paisagem do Parque Natural da Serra de São Mamede (conclusão), trabalho de fim de curso, Universidade de Évora, Curso de Engenharia Biofísica, Évora, 1993 (documento policopiado); MORGADO, Maria Filomena Monteiro, Caracterização ecológica da população do Parque Natural da Serra de São Mamede: o caso de Vale Lourenço, Universidade de Évora, Mestrado em Ecologia Humana, Évora, 1994 (documento policopiado); JOSÉ, António João Correia de São, Ocorrência, distribuição e dinâmica populacional dos micromamíferos em diferentes biótopos do Parque Natural da Serra de São Mamede, relatório de estágio da Licenciatura em Recursos Faunísticos e Ambiente, Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, 1995 (documentos policopiado); LAVADO, Cristina M. G. Santos; FONSECA, Maria Inês P., Levantamento Caracteriológico das Populações da Área Protegida do P.N.S.S.M., Relatório Analítico, Parque Natural da Serra de São Mamede, Maio 1995; LIDÓNIO, Filipa Marin, Turismo e Actividades Tradicionais. Estudo de Caso, os Parques Nacional e Naturais, Relatório de Diagnóstico e Caracterização, Instituto de Conservação da Natureza, Novembro 1996; FONSECA, Inês; LAVADO, Cristina, Levantamento Etnográfico da área do Parque Natural da Serra de São Mamede, Instituto de Conservação da Natureza / Parque Natural da Serra de São Mamede, Lisboa, Julho 1997; DIRECÇÃO REGIONAL SO AMBIENTE DO ALENTEJO, Guião - zonas de interesse ambiental do Alentejo, Colecção Percursos de Natureza, 1998; BUCHO, Domingos, Fortificações de Marvão. História, arquitectura e restauro, RTSM / Projecto de Valorização Cientifica, Educativa e Turístico-Cultural das Fortificações do Norte Alentejano, Portalegre, 2001; PEREIRA, Paulo; SANTANDREU, Roberto; NASCIMENTO, José Carlos, Marvão, Centro Histórico, Portugal Património Mundial: objectos singulares, objectos universais, Pandora, Lisboa, 2001; AAVV, Proposta para a Inscrição do Sítio de Marvão na Lista do Património Mundial, Comissão Técnico-Científica da Candidatura de Marvão a Património Mundial, Marvão, 2002 (policopiado); COBA, Proposta de Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra de São Mamede - Relatório síntese, Instituto da Conservação da Natureza, Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Portalegre, Março 2003 (policopiado); Parque Natural da Serra de São Mamede, Enquadramento estratégico do turismo de natureza no parque natural da serra de S. Mamede, Instituto da Conservação da Natureza, Ministério das Cidades, Ordenamento do Território e Ambiente, Portalegre, Marvão, 2003 (documento policopiado); AAVV, Contributos para a identificação e caracterização da paisagem em Portugal Continental, vol. 5, DGOTDU, Lisboa, 2004; BICHO, Susana (coord.), Plano de Pormenor de Salvaguarda e Valorização do Sítio de Marvão, Câmara Municipal de Marvão, Gabinete Técnico Local, Marvão, 2004 (documento policopiado); OLIVEIRA, Jorge, Cidade Romana de Ammaia, Câmara Municipal de Marvão, www.cm-marvao.pt, 14/06/05; REI, António, Almeida e a Cidade da Ammaya (Marvão) no itinerário de Târiq ibn Ziyâd e do seu exército em fins de 711 - início de 712 in BARROCA, Mário Jorge; FERNANDES, Isabel Cristina (coord.), Muçulmanos e Cristãos entre o Tejo e o Douro (Sécs. VIII a XIII), Câmara Municipal de Palmela, Faculdade de Letras de Universidade do Porto, Palmela, 2005; Resolução do Conselho de Ministros n.º 77/2005, Regulamento do Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra de São Mamede, Diário da República n.º 56, I Série B, 21 Março 2005, pp. 2449-2470; BUCHO, Domingos (coord.) Marvão: candidatura a património mundial (documento policopiado).

Documentação Gráfica

IHRU-SIPA/IA/CMM/DGOTDU/IGP/IgeoE/ICN - PNSSM

Documentação Fotográfica

IHRU-SIPA/Cristina Lavado e Inês Fonseca (PNSSM)

Documentação Administrativa

IHRU-SIPA/IA/CMM/DGOTDU/IGP/IgeoE/ICN - PNSSM

Intervenção Realizada

Não aplicável

Observações

INSTRUMENTOS LEGAIS DE GESTÃO DO TERRITÓRIO: Planos Especiais de Ordenamento do Território: Plano de Ordenamento do Parque Natural da Serra de São Mamede (Resolução do Conselho de Ministros n.º 77/2005 de 21 de Março); Plano de Bacia Hidrográfica do Guadiana (Decreto Regulamentar n.º 16/2001 de 5 de Dezembro); Plano de Bacia Hidrográfica do Tejo (Decreto Regulamentar n.º 18/2001 de 7 de Dezembro). Planos Municipais de Ordenamento do Território: Plano Director Municipal de: Arronches (Resolução do Conselho de Ministros n.º 97/95, de 7 de Outubro), Castelo de Vide (Resolução do Conselho de Ministros n.º 126/97, de 30 de Julho), Crato (Resolução do Conselho de Ministros n.º 147/95, de 23 de Novembro), Marvão (Resolução do Conselho de Ministros n.º 79/94 de 18 de Agosto), Nisa (Resolução do Conselho de Ministros n.º 54/97, de 27 de Julho) e Portalegre (Resolução do Conselho de Ministros n.º 112/1994, de 8 de Novembro).

Autor e Data

Carla Gomes, Filipa Ramalhete, Luís Marques, 2005

Actualização

 
 
 
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