Litoral Alentejano e Vicentino

IPA.00026673
Portugal, Beja, Odemira, Longueira/Almograve
 
Paisagem predominantemente natural
Número IPA Antigo: PT040211090058
 
Registo visualizado 2842 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Paisagem  Unidade de Paisagem        

Descrição

CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ABIÓTICOS, ELEMENTOS GEOMORFOLÓGICOS. Relevo: Esta zona costeira, de relevo movimentado, estende-se do S. de Sines à praia da Ponta Ruiva. De traçado quase rectilíneo, é constituída por arribas altas de xisto, formando uma ampla planície litoral, junto à linha de costa, sobretudo entre Odeceixe e o Cabo de São Vicente. Estas arribas oscilam entre os 50 e os 100m de altitude, exceptuando o vale encaixado do rio Mira. Na área mais a S, e mais afastada do litoral, registam-se altitudes superiores a 100m, mas ainda assim relativamente baixas, sempre inferiores a 200m. Ao longo da costa destacam-se alguns acidentes orográficos como o Cabo Sardão ou o Cabo de Sines. A costa alta e rochosa é pontuada por pequenas praias, protegidas por sistemas dunares, ou por arribas mais recuadas. As praias encontram-se associadas a pequenas bacias sedimentares e à foz de algumas ribeiras, como a de Odeceixe ou a da Carrapateira. Declives: As arribas vivas e escarpadas, junto ao oceano, apresentam declives muito acentuados, em forte contraste com a planície litoral, onde são muito reduzidos. Exposição de vertentes: Devido aos baixos declives, a exposição de vertentes assume pouca relevância, sendo que predominam as exposições a SO. Geologia: Maciço Antigo e Orla Meridional. Litologia: os xistos dominam esta área, sendo que as rochas sedimentares xisto-grauváquicas, e séries metamórficas associadas, assumem maior destaque a S de Aljezur. Entre Vila do Bispo e Sagres, as rochas são predominantemente calcárias e margosas. Existem por isso, ao longo da costa, diversos tipos de ocupação: cascalheiras, antigas praias quaternárias; campos de fósseis vegetais e pequenos sistemas dunares, que adquirem expressão particular na Carrapateira, junto a pequenas enseadas, ou entre Porto Covo e Sines. Solos: Existe uma grande diversidade litológica ao longo desta unidade. Dominam três tipos de solos: cambissolos êutricos, a N de Porto Covo; podzóis órticos e (S de Porto Covo até Rogil) e luivissolos férricos (restante área). CLIMATOLOGIA: clima marítimo de fachada atlântica, sendo que esta influência é mais evidente na área do cabo de S. Vicente. As amplitudes térmicas são atenuadas pelo efeito moderador do oceano. Assim, a amenidade do clima reflecte-se nos Invernos frescos e nos Verões moderadamente quentes, registando-se uma temperatura média anual de 17,5º C. A precipitação média anual é reduzida, aumentando de SO para NE, entre cerca de 400 mm (em Sagres) e quase 800 mm (a E de Porto Covo). A distribuição da precipitação também é diferenciada, sendo que a N de Aljezur ocorre em média em 100 dias do ano, concentrando-se sobretudo nos meses do Inverno. A S desta vila registam-se, em média, 75 dias. Os ventos têm uma orientação predominante de NO. e de N, sendo frequente a ocorrência de nortada no Verão. Frequentes nevoeiros matinais conferem à paisagem um aspecto ainda mais agreste e selvagem. HIDROGRAFIA: A linha de costa é rasgada perpendicularmente por linhas de água encaixadas, transportando sedimentos que podem reforçar os areais (fortemente expostos à erosão costeira). As bacias hidrográficas dominantes são a do rio Mira (a N.) e das Ribeiras do Algarve (a S.). Algumas linhas de água, perpendiculares à costa, drenam directamente para o mar. FRENTES RIBEIRINHAS E COSTEIRAS: Arribas predominantemente verticais, com grande erosão marinha, de grande dimensão e variedade cromática. As formações rochosas mais susceptíveis à erosão, especialmente quando são fissuradas, podem formar cavernas e separar-se do litoral, permanecendo como escolhos ou ilhotas, utilizadas como local de nidificação de aves. Ao longo da costa encontram-se baías, que formam praias de mar mais calmo e pequenos portos de pesca. CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES BIÓTICOS. Esta área integra o Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina e apresenta elevada biodiversidade. FLORA: território de vegetação diversificada devido aos vários ecossistemas aqui presentes, ocorrendo espécies de cariz mediterrâneo e atlântico. A singularidade da paisagem é atestada pela ocorrência de espécies endémicas raras, como o samouco (Myrica faya), a sorveira (Sorbus domestica), ou a Silene rotlunaleri. Nas arribas predomina o estrato herbáceo com matos (vegetação rasteira, como a Biscutella vicentina, ou o Plantago almogravensis, considerado extinto nos anos 90). Para o interior da linha de costa, existe uma faixa de matos sobre as dunas (onde se encontram: estorno, cardo-rolador, feno-da-areia, entre outros). Junto a esta faixa encontram-se pinheiros bravos (Pinus pinaster), acácias, eucaliptos (Eucaliptus globulus), sobreiros (Quercus suber) e carvalhos cerquinho (Quercus faginea) seguidos, para E (interior)., de áreas agrícolas, pastagens e horticultura intensiva. Também se encontra excepcional riqueza de pequenos sistemas estuarinos na foz das ribeiras da Carrapateira, Aljezur, e de Seixe. FAUNA: Existe uma elevada diversidade de habitats neste território, desde charnecas, matos, sistemas dunares, lagunas, sapais, arribas marinhas, florestas de coníferas, entre outros. A costa alentejana e o sudoeste vicentino encerram assim importantes habitats, sobretudo para as aves migratórias (aves de presa, aves marinhas e passeriformes), que aqui fazem uma pausa no seu fluxo entre outras áreas da Europa e África (mais perceptível em Setembro e Outubro). Algumas espécies, como a águia-pesqueira (Pandion Haliaetus), o falcão-peregrino (Falco peregrinus), a cegonha-branca (Ciconia ciconia) e a gralha-de-bico-vermelho (Pyrrhocorax pyrrhocorax) optam por nidificar nas arribas escarpadas. É também possível observar corvos-marinhos (Phalocrocorax carbo), melros-da-rocha (Monticola solitarius), peneireiros (Falco tinnunculus) e garças-vermelha (Ardea purpurea). Ao nível dos mamíferos destaca-se a ocorrência de espécies como a lontra que aqui se encontra adaptada ao ambiente marinho (fenómeno raro), a “fuinha (Martes foina), que frequenta as praias e o texugo (Meles meles), nas dunas da falésia, com solos mais propícios para escavarem as suas tocas. Nas dunas ocorrem, frequentemente, raposas (Vulpes vulpes), localmente denominadas por zorras e sacarrabos (Herpestes ichneumon) também conhecidos por escalavardos” (ICN). CARACTERIZAÇÃO DOS FACTORES ANTRÓPICOS. USO E OCUPAÇÃO DO SOLO: na faixa costeira dominam as arribas, as praias, e zonas húmidas como sistemas lagunares, charnecas, lagoas temporárias. Na planície litoral, surge a prática agrícola, sobretudo o cultivo de cereais. Contudo verificam-se diferenças quanto à estrutura fundiária. Se a N. coexistem explorações com áreas superiores e inferiores a 50 ha (havendo um domínio das explorações superiores a 50 ha), a S. de Odeceixe predominam as explorações com áreas entre 1 e 10 ha. Ou seja, há uma aproximação à dimensão média das propriedades do litoral meridional. Ao nível de aglomerados urbanos, destaca-se Porto Covo, Aljezur e Sagres (na charneira entre o litoral alentejano e o Algarve). Nos últimos anos, o sector do turismo descobriu o potencial desta área e começam a aparecer alguns complexos hoteleiros, com forte impacto paisagístico, não só devido aos equipamentos e infra-estruturas de apoio, como também devido ao acréscimo de pressão turística. TIPO DE POVOAMENTO: Concentrado. Aglomerados de pequenas dimensões, relativamente afastados entre si, tradicionalmente associados à actividade piscatória e actualmente ao turismo. Nas últimas décadas aumentou muito a construção mais dispersa, associada a segunda habitação. Os principais aglomerados são Porto Covo, Zambujeira do Mar, Odeceixe, Rogil, Aljezur (sede de concelho) e Bordeira. Núcleos piscatórios: localizam-se em pequenas enseadas abrigadas dos ventos e da ondulação dominante de NO como o Porto das Barcas (Vila Nova de Milfontes), e o de Porto Covo, o da Zambujeira, o da Arrifana, o da Carrapateira e o das Azenhas do Mar. DADOS DEMOGRÁFICOS: Área em regressão demográfica com baixa densidade populacional. No Verão sofre um acréscimo populacional induzido pela actividade turística. PATRIMÓNIO CULTURAL: Esta zona costeira, graças à sua posição estratégica, foi pontuada por importante património fortificado: Forte da ilha do Pessegueiro (PT041513010003), forte da Arrifana, forte da Carrapateira, e a Torre de Aspa (a N do Cabo de São Vicente). Sendo de destacar ainda o farol do cabo Sardão. Porto Covo surge como um exemplo dos núcleos piscatórios desta área. A arquitectura popular é semelhante à que se encontra noutras partes do Alentejo, ou seja, pontuam a paisagem casas de um piso térreo, caiadas de branco, com barras azuis ou amarelas a emoldurarem portas e janelas, que ostentam grandes chaminés. PATRIMÓNIO INTANGÍVEL: ORGANIZAÇÃO SOCIAL E MODOS DE VIDA: apesar de ser uma zona costeira, a actividade agrícola sempre teve maior relevância do que a piscatória. Assim, os modos de vida encontram-se ainda muito associados à prática agrícola, e aos seus ciclos produtivos, dominando o cultivo de cereais. A sazonalidade decorrente da actividade turística introduz algumas alterações nos modos de vida desta área, isto porque ocorre não só o aluguer de casas e quartos, como também surgem outras formas de economia não formal (venda ambulante, guias turísticos). SISTEMA DE VISTAS: Retém-se a imagem da planura, sendo esta sensação conferida quer pela planície litoral, quer pelo oceano Atlântico. Constituem pontos privilegiados para apreciar a paisagem: Cabo Sardão, Cerro da Poldra, praia da Bordeira. os fortes, e outros elementos patrimoniais de implantação a cota mais elevada no terreno. PERCEPÇÃO DA PAISAGEM: O mar é um elemento muito marcante nas paisagens de litoral, com todas as sensações cromáticas e aromáticas a ele associadas, que diferem consoante a época do ano. Paisagem de cariz aparentemente selvagem e agreste, características que escasseiam no litoral português. Existe uma ilusória desconexão entre a faixa litoral e o interior, devido a não haver um predomínio de actividades ligadas ao mar. As pequenas praias, no sopé de arribas escarpadas, constituem uma das surpresas que é possível encontrar. As cores claras, atributo dos cereais cultivados na área, dominam a paisagem. Este facto é acentuado pela fraca ocorrência de precipitação e elevados níveis de radiação solar.

Acessos

Rodoviário: ER 267, ER 268, ER 390, ER 393, EM 120, EM 390

Protecção

Inclui o PN - Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina (Decreto Regulamentar nº 33/95, de 11 Dezembro 1995) / RN2000 - Rede Natura 2000: inclui o SIC - Sítio de Interesse Comunitário da Costa Sudoeste (Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 Agosto 1997), inclui a ZPE - Zona de Proteção Especial da Costa Sudoeste (Decreto de Lei n.º 384-B/99 de 23 Setembro 1999)

Enquadramento

Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, Decreto Regulamentar nº 33/95, de 11 de Dezembro; Zona de Protecção Especial da Costa Sudoeste, Decreto de Lei n.º 384-B/99 de 23 de Setembro de 1999, Sítio de Interesse Comunitário: Costa Sudoeste, Resolução do Conselho de Ministros n.º 142/97 de 28 de Agosto

Descrição Complementar

Unidade interrompida no vale do rio Mira, que possui características específicas e constitui uma unidade de paisagem independente. Paisagem de litoral costeiro, desabrigada, com falésias e mar muito forte. Concentração excepcional de valores naturais, conjugados com uma ocupação humana equilibrada – faixa litoral mais bem conservado do país. Paisagem com elevada identidade, em parte devido ao facto de o litoral se encontrar preservado, com elementos naturais relevantes, apesar de algumas fragilidades nalguns espaços.

Utilização Inicial

Não aplicável

Utilização Actual

Não aplicável

Propriedade

Não aplicável

Afectação

Não aplicável

Época Construção

Não aplicável

Arquitecto / Construtor / Autor

Não aplicável

Cronologia

Dados Técnicos

Não aplicável

Materiais

Inertes: xisto, calcário, areias

Bibliografia

Ribeiro, Orlando, Portugal. O Mediterrâneo e o Atlântico, Lisboa: Livraria Sá da Costa, 1986.Brito, Raquel Soeiro (coord)., Portugal. Perfil Geográfico, Editorial Estampa, Lisboa, 1994. Lautensach, H., Ribeiro, O., Daveau, S. Geografia de Portugal, , João Sá da. Costa, 4 ., 1997. , Contributos para a Identificação e Caracterização da paisagem em Portugal Continental, vol. 5, Lisboa, 2004, DGOTDU. ICN, Plano Sectorial da Rede Natura 2000, ICN, 2006. INAG (www.inag.pt), Setembro de 2006. IPPAR (www.ippar.pt), Setembro de 2006.

Documentação Gráfica

DGEMN-DSID; IA; DGOTDU; IGP; IgeoE; EP

Documentação Fotográfica

DGEMN

Documentação Administrativa

DGEMN

Intervenção Realizada

Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sado-Sines (Resolução de Conselho de Ministros nº 136/99 de 29 de Outubro); Plano de Ordenamento da Orla Costeira Sines-Burgau (Resolução de Conselho de Ministros nº 152/98 de 30 de Dezembro); Plano Regional de Ordenamento do Território do Litoral Alentejano – PROTALI (DR 26/93 de 27 de Agosto). Plano Director Municipal de Odemira (Resolução do Conselho de Ministros n.º 114/2000 de 25 de Agosto).

Observações

*1 - Abrange os distritos de Faro, concelho e freguesia de Vila do Bispo, concelho de Aljezur e freguesias de Aljezur, Bordeira, Rogil e Odeceixe, distrito de Setúbal, concelho de Sines freguesias de Sines e Porto Covo, distrito de Beja, concelho de Odemira e freguesias de Zambujeira do Mar, Longueira e Vila Nova de Mil Fontes.

Autor e Data

Carla Gomes e Filipa Ramalhete e Luís Marques 2006

Actualização

 
 
 
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