Igreja Paroquial de Vila Pouca de Aguiar / Igreja do Cemitério

IPA.00025469
Portugal, Vila Real, Vila Pouca de Aguiar, Vila Pouca de Aguiar
 
Arquitectura religiosa, maneirista e barroca. Igreja paroquial de planta longitudinal composta por nave e capela-mor.
Número IPA Antigo: PT011713140054
 
Registo visualizado 461 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal, composta de nave e capela-mor, mais baixa e estreita, tendo adossado à fachada lateral direita torre sineira quadrada, uma capela lateral facetada e sacristia rectangular. Volumes articulados com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas na igreja, de uma na sacristia e piramidal na torre e capela lateral. Fachadas em cantaria aparente, de aparelho irregular, com pilastras toscanas nos cunhais, coroadas por pináculos piramidais e terminadas em friso e cornija sobrepostas por beirado simples. Fachada principal terminada em frontão triangular coroado por cruz latina de cantaria, rasgada por portal de verga recta, moldurada, encimado por friso e cornija recta, encimado por óculo oval, moldurado; ladeia o portal pia de água benta esguia, encimada por nicho em arco de volta perfeita interiormente concheado. Torre sineira no alinhamento da fachada principal, com cunhais apilastrados e de quatro registos, o inferior separado por friso e os restantes por friso e cornija; no segundo registo possui cartela oval inscrita, no terceiro óculo circular com raios e no quarto, em cada uma das faces, sineira em arco de volta perfeita, sobre pilastras e chave saliente; termina em balaustrada com pináculos a coroar os ângulos; a torre é acedida posteriormente por porta de verga recta. Fachada lateral esquerda rasgada por porta travessa de verga recta e moldura simples, duas janelas com moldura de capialço na nave e uma outra na capela-mor; na lateral direita abre-se porta de verga recta e moldura simples encimada por janela de capilaço, a capela lateral tem janela rectangular larga gradeada e a sacristia é ritmada por pilastras. Fachada posterior cega, mas com marcação de um antigo vão de perfil curvo no paramento, terminada em empena e coroada por cruz latina de cantaria, sobre plinto paralelepipédico; na sacristia, rasga-se portal de verga recta, moldurado e janela rectangular jacente de capialço. INTERIOR: paredes rebocadas e pintadas de branco, com tecto de madeira de perfil curvo sobre cornija de cantaria. No lado da Epístola tem retábulo colateral de talha policroma e dourada, de planta côncava e um eixo. Retábulo-mor de talha policroma de planta recta e três eixos, sobre supedâneo acedido por três degraus. No lado do Evangelho possui porta de verga recta de acesso à sacristia, a qual possui pavimento de soalho e tecto plano de madeira. No lado esquerdo, abre-se amplo vão com arco abatido, albergando o arcaz, ladeado por dois armários embutidos rectilíneos no topo, surge armário embutido ladeado por pequeno lavabo de espaldar rectangular, disposto horizontalmente, encimado por reservatório e com bacia rectangular de perfil curvo.

Acessos

Rua da Igreja

Protecção

Inexistente

Enquadramento

Urbano, isolado, num dos limites da vila, erguida num morro sobranceiro e dominante da mesma, inserida num adro acedido por escadaria e vedado por muro. Junto à fachada lateral direita, implanta-se o cemitério com portão encimado por espaldar rectangular com vão integrando imagem em relevo inserta num nicho de arco e pilastras concheadas, coroado por pináculos laterais e cruz central sobre plinto. Num dos pilares do acesso frontal do adro, insere-se lápide com inscrição antiga.

Descrição Complementar

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Vila Real)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19

Arquitecto / Construtor / Autor

PEDREIROS: João Fernandes (1751/1752), João Lourenço de Matos (1751/1752). PINTOR DOURADOR: Francisco de Faria (1722).

Cronologia

1704 - provável reconstrução da igreja; 1722, 2 julho - escritura de obrigação para o pintor dourador Francisco de Faria, do lugar de Cabris, termo de cerva, para pintar e dourar a tribuna do retábulo-mor, por 260$000 rs; a obra deveria ser paga 1/3 no princípio e o restante no final da mesma; 1751 / 1752 - construção da capela-mor e sacristia; 1751, 21 outubro - contrato feito em Vila Real com os mestres pedreiros João Lourenço de Matos e João Fernandes, ambos moradores em Vila Real, para a obra de pedraria e carpintaria da capela-mor e sacristia, por 600$000 *1; 1758 - segundo as Memórias Paroquiais, a igreja, com orago de São Salvador, tinha cinco altares: o retábulo-mor com invocação do orago, um com invocação do nome de Deus, um da Conceição, um dedicado às Almas e o último de São Pedro, tendo ainda a Irmandade de São Pedro e a das Almas; 1885 - segundo Pinho Leal, a capela-mor havia sido à pouco tempo acrescentada, e o retábulo-mor, que então se fez de novo, ainda não estava dourado; a igreja tinha quatro altares: o primeiro do lado do Evangelho era dedidado a Nossa Senhora da Conceição e o segundo a São Pedro, o primeiro do lado oposto tinha a invocação do Senhor Crucificado e o seguinte da Trindade e das Almas; tinha a capela colateral de Nossa Senhora da Lapa, pertencente à família dos Canavarros, então na pessoa de Pedro de Sousa Canavarro; a igreja carecia de reparação, os sinos da torre estavam partidos, erguendo-se junto ao adro a casa paroquial, com vista sobre a vila.

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Estrutura de cantaria aparente; grades de ferro; cobertura de telha.

Bibliografia

ALVES, Natália Marinho Ferreira, A Arte da Talha no Porto na época Barroca (Artistas e Clientelas. Materiais e Técnica), vol. 1, Porto, 1989; FERREIRA-ALVES, Joaquim Jaime B., A construção da capela-mor e a sacristia da Igreja do Salvador de Vila Pouca de Aguiar in Estudos Transmontanos e Durienses, nº 8, Vila Real, 1999, pp. 67-81; LEAL, Augusto Soares de Azevedo Barbosa de Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1886.

Documentação Gráfica

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

IAN/TT: Dicionário Geográfico, vol. 40, nº 248, pp. 1493-1498

Intervenção Realizada

Observações

EM ESTUDO. *1 - Segundo os apontamentos, transcritos no contrato, os mestres estavam obrigados a construir a capela-mor com 36 palmos de comprimento, 20 de largo e altura proporcional, o telhado "livre do banco que corre na impena que se acha por sima do arco toral", com pilastras e friso e cornija da ordem toscana, rasgada lateralmente por duas frestas, uma de cada lado, com 8 palmos de altura e 4 de largura, com suas vidraças e redes de arame; devia ser lajeada, o prebistério com três degraus, de bucel, e o altar de pedra. Devia receber abóbada de tijolo e estuque. No lado do Evangelho teria porta para a sacristia, com 8,5 palmos de largura e altura proporcional. A sacristia devia ter 15 palmos de largura e 30 de comprimento, com cunhais e pilastras e capitéis em correspondência, rasgada por 2 frestas de 5 palmos de comprimento e 2,5 de altura, levando grades de ferro e vidraças e redes de arame; devia ter uma porta para o adro, em correspondência da capela-mor. No interior, teria um arco para altar, com 15 palmos de largura "coberto de azullejo dos caixois par sima", um lavabo com delfim e pia de água benta. Junto da porta da capela-mor, receberia dois guarda-roupas com 5 palmos de largura e 7 de altura, para recolher os cálices, missais e demais trastes necessários. A sacristia devia ser forrada de painéis de "coarto lizos". Toda a obra seria "tilhada e argamassada a mourisca caiada e rebucada por dentro e por fora". Os apontamentos de carpintaria definiam portas almofadadas "inteirisas", os guarda-roupas da mesma sorte, com os seus compartimentos necessários; o arcaz teria 15 palmos de comprimento por 4 de largura, com 4 gavetas; João Lourenço de Matos e João Fernandes deviam ainda fazer duas credencias para a capela-mor, um "sobpaneo" para o altar-mor, levantar a tribuna pondo-lhe banquetas e soco e sanefas dos lados, tudo dourado como a tribuna, e un frontal de madeira; a obra da capela-mor e sacristia teria de estar concluída ao fim de 8 meses, senão os mestres perderiam 80$000 em dinheiro.

Autor e Data

Paula Noé 2007

Actualização

 
 
 
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