Quinta da Brejoeira / Quinta do Vale da Rosa

IPA.00024802
Portugal, Viana do Castelo, Monção, União das freguesias de Mazedo e Cortes
 
Quinta de grandes dimensões, onde se destaca o núcleo construído, com a ampla casa, de planta em L, as garagens, de linguagem clássica com os vãos rasgados simetricamente, com remate em frontão triangular e contendo uma fonte, flanqueada por pilastras, pontuada por silharia fendida, dando um carácter rústico, também observável no amplo portal de acesso à Quinta, de grande aparato, com jogo de pilastras, vãos e cornijas. Possui duas adegas, a antiga, de produção manual e com adega composta por tonéis de madeira, surgindo, na nova, um sistema mecânico, com introdução de cubas em inox. No recinto, domina a vinha, as oliveiras e outras árvores de fruto, no lado esquerdo, destacando-se o bosque, no lado direito, composto por monte e lago artificial, numa paisagem artificialmente espontânea, pontuada por ponte, ruínas, grutas e várias construções, muitas delas ameadas, com um carácter romântica, de jardim à inglesa. Este contrasta com o carácter formal dos jardins situados nas imediações da casa, com tanques centrais, jogos de água, estatuária clássica e canteiros geométricos, organizados a partir de zona central, de planta circular. No recinto da quinta, possui uma casa de fresco, ostentando alpendres e duas fontes, uma em cada fachada lateral, e duas capelas, uma de fundação seiscentista, ligada a romaria concorrida, onde se destaca a solução dos vãos da fachada principal, com duas portas a cental janela protegida por colunas do tipo balaústre; tem inscrição identificativa do fundador, com sepultura do mesmo no interior. Possui, ainda, uma segunda capela, de estrutura mais simples, contendo retábulo de talha pintada, incaracterístico. Junto ao portal de entrada, com casa apalaçada, barroca e neoclássica, de planta em L, junto à qual se situam as cavalariças, lagar e adega, estas de carácter vernáculo, sendo as cavalariças de estrutura clássica. Junto ao palácio, dois jardins formais, com lago central e canteiros recortados, desenvolvendo-se a vinha na zona envolvente, armada ao alto ou em latada. O bosque segue o esquema dos jardins à inglesa, com carácter natural, pontuado por ruínas, lagos e ilhota.
Número IPA Antigo: PT011604210159
 
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Registo

 
Conjunto arquitetónico  Edifício e estrutura  Agrícola e florestal  Quinta    

Descrição

Quinta de planta irregular, sensivelmente ovalada, com o ângulo NE. côncavo, totalmente rodeado por muro de alvenaria, com acesso pelo lado E., por portão monumental. Situa-se em zona plana, tendo uma pequena encosta artificial no interior da propriedade; esta encontra-se seccionada, sensivelmente ao centro, por ampla e frondosa mata, que se prolonga para N., ao longo do muro, surgindo, nos extremos direito e esquerdo, as zonas de plantação de vinha. No lado S., o núcleo edificado, composto por palácio de grandes dimensões (v. PT011604210003), rodeado pela garagem e casas de apoio à actividade agrícola, como a adega e, mais afastado, para O., os currais, gaiola e casa dos caseiros. Junto a estes, uma casa de fresco e uma capela, surgindo, no lado oposto, a mata, com lago artificial, grutas, ponte, uma capela e vários tanques de rega. O PORTAL de acesso é em cantaria de granito, em algumas zonas em silharia fendida, formando falso rústico, com portão de ferro forjado; forma estrutura de três panos, o central mais elevado e de dois registos definidos por cornija, flanqueado por duas ordens de pilastras, seccionadas por friso e duas colunas, rematadas por cornija interrompida, pilar e pináculo bolboso. Os panos laterais são rasgados por uma janela em arco abatido e moldura de cantaria, com fecho saliente, flanqueados por pilastras e rematados por cornija, platibanda balaustrada, tendo plinto e pináculo no extremo. As janelas são protegidas por grades de ferro. A casa surge afastada, sendo o acesso feito por amplo terreiro, a RUA dos PLÁTANOS, com dois patamares, o inferior formado por relvado, buxos e fonte circular, ao centro, flanqueado por caminhos simétricos, em terra batida, por duas palmeiras e vários plátanos; o superior é protegido por muro de cantaria, encimado por balaustrada, interrompido, ao centro, por dois pilares paralelepipédicos que sustentam floreiras, para dar lugar a um lanço de escadas com oito degraus em cantaria. No lado esquerdo, as GARAGENS, de planta rectangular simples, e cobertura homogénea em telhado de duas águas, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais apilastrados e rematadas em friso e cornija, com acesso por amplo arco de volta perfeita, com a moldura formada pelas aduelas, algumas salientes, criando um falso rústico. Frontal à fachada posterior, o LAGAR e ADEGA, composto por dois corpos escalonados, com coberturas diferenciadas a duas águas, o de menores dimensões formando o lagar, em cantaria de granito, e o maior a adega, dividida em três naves escalonadas, a partir de arcos torais de volta perfeita, assentes em colunas toscanas. Entre estes e a casa principal, desenvolve-se o JARDIM das CAMÉLIAS, um pequeno jardim formal rectangular, composto por cinco canteiros, quatro laterais e curvos nos ângulos interiores, dando lugar a canteiro central, formando dois eixos rectilíneos em terra batida; no lado direito, sineta montada em estrutura de madeira e protegida por telheiro a duas águas. Partindo deste jardim, desenvolve-se, para S., a RUA das TÍLIAS, flanqueada por latadas de vinha, que liga à antiga CASA de FRESCO, actual ginásio, de planta rectangular simples, antecedido por amplo alpendre sustentado por colunas e pilares toscanos, estes com os fustes almofadados, assentes em plintos cúbicos; na fachada posterior, surge um segundo alpendre, de menores dimensões. Nas imediações desta, o POMBAL circular, constituindo um corpo simples torreado, dividido em três registos, o superior mais estreito, divididos por frisos de cantaria e rematados por merlões. Apresenta-se rebocado e pintado de branco, percorrido por embasento de cantaria, tendo um eixo principal formado pelos vãos, compostos por portal e janela em arco apontado, com molduras de cantaria, recortadas superiormente, sobrepujados por óculo circular com moldura de cantaria quadrilobulada. No lado oposto, surge pequeno bebedouro de cantaria, janela entaipada, semelhante à anterior, e óculo circular. No lado esquerdo, virado a E., surge o CURRAL, de planta em L, compondo dois corpos rectangulares, articulados e com coberturas diferenciadas em telhados de três águas, aproveitando o ângulo para zona de pasto e alimentação, vedado por rede, com pilares de cantaria equidistantes; é rasgado por portas rectilíneas. INTERIOR com cobertura em vigamento de madeira, seccionado por pilares de cantaria, onde se apoiam várias manjedouras. CAPOEIRA de planta octogonal, tendo quatro dos lados salientes, rasgados por portadas rectilíneas, sendo os reentrantes rasgados por janelas jacentes a nível superior. Em volta deste corpo, evoluem estruturas de rede, onde se integram capoeiras de madeira e, na ala dos patos, um lago composto por cantaria rústica. Em frente a estas, a CASA dos CASEIROS composta por dois corpos rectangulares, ligados por dois alpendres sustentados por pilares de granito, todos com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas, criando um pátio interno, pavimentado a seixo rolado. Junto a estes, um anexo de armazenamento, dois ESPIGUEIROS de pedra e de fendas verticais de madeira, com coberturas em telhados de duas águas, assentes em pilares simples, de cantaria, encimados por mós ou mesas rectilíneas. Os topos apresentam-se em empena, tendo, na face principal, cruzes latinas, com vão de acesso em arco abatido. Junto a estes, uma ampla EIRA, em lajes de granito. Junto à casa, um TANQUE lavadouro, rectangular, seccionado em dois, o da direita com os lavadouros, propriamente ditos, e o da esquerda com bica inserida em elemento de cantaria, que se ergue num dos lados, ornada por elementos vegetalistas. No meio do vinhedo, a CAPELA de Nossa Senhora da Piedade, de planta longitudinal simples, com fachadas em alvenaria de granito aparente e interior com estrutura retabular de madeira. Voltando à Rua das Tílias, pode seguir-se entre as vinhas, chegando-se à zona do BOSQUE, com ruínas fingidas e lago irregular, bordejado por muros ameados, em alguns pontos, totalmente revestidos a verdura, alguns integrando grutas e recantos, possuindo pequena ilhota, com vegetação profusa, tendo acesso por ponte de cantaria, em cavalete, com estrutura em cantaria de granito, composta por um arco de perfil batido. No meio, a CAPELA de São Francisco, situada numa pequena clareira de pendor inclinado, totalmente invadida por vegetação espontânea. É antecedida por cruzeiro, composto por plataforma quadrangular de quatro degraus, onde assenta a cruz latina de hastes simples. A capela é de planta lngitudinal simples, de espaço único, com estrutura em alvenaria de granito, excepto a fachada principal em cantaria e aparelho isódomo, com cobertura homogénea em telhado de duas águas. No caminho de retorno ao espaço edificado, surge CASA de planta rectangular simples, de um e dois pisos, adaptando-se ao declive do terreno, com cobertura homogénea em telhado de quatro águas, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, flanqueadas por cunhais apilastrados, rematadas por friso e beiral, a fachada principal marcada por escadaria e balcão alpendrado, sustentado por dois pilares em cantaria. A escada tem guarda em cantaria com o início marcado por pilar. É rasgada, no segundo piso, por três vãos rectilíneos, o central correspondente a porta de verga recta e os laterais a janelas de peitoril com caixilharias de guilhotina. Fachada posterior com porta e uma janela semelhantes às anteriores. Junto à casa desenvolve-se vinha em latada formada por pilares de granito. Nas imediações, TANQUE de rega rectangular em cantaria, com bordo simples, tendo, ao centro, pequeno espaldar de perfil recortado, composto pela base, formada por dois apainelados almfadados, onde se integra pequena taça, rematada por pilar almofadado, rodeado por aletas volutadas e contendo bica cilíndrica. O conjunto remata em pináculo. Junto à fachada posterior da casa principal, em cota inferior, situa-se um pequeno terreiro, O JARDIM dos CISNES, rodeado por muro em alvenaria rebocada e pintada de branco, capeado a cantaria; no centro, tanque circular, pouco elevado, com os bordos boleados, tendo, ao centro, dois cisnes; o tanque encontra-se rodeado por bancos de cantaria e alguma árvores, dispostos em círculo. No lado E., o muro é rasgado por portão flanqueado por pilares encimados por pináculos e protegido por grades metálicas, que dá acesso a escadaria, que liga à zona da fachada lateral direita do imóvel, onde se desenvolve um JARDIM com tanque central, semelhante ao anterior, com coluna, de onde jorra a água, sendo rodeado por quatro canteiros concêntricos, divididos por caminhos em terra batida, e por bancos de madeira pintados de verde. Em cada um dos canteiros, surgem várias árvores e em dois dos topos, no eixo E. - O., surgem duas figuras femininas, em cantaria de granito, representando alegorias à Primavera e Inverno. Deste desenvolve-se ampla ALAMEDA, bordejada por árvores, tendo, no topo S., pequena estrutura em alvenaria rebocada, no topo da qual surge terraço, coberto por latada, armada em ferro. Próximo, um terceiro TANQUE de rega, rectangular, em zona de pendor inclinado, com muro escalonado, adaptando-se ao declive, com bordo simples e possuindo pequeno espaldar num dos lados, composto por bica em forma zoomórfica e rematada em cornija contracurvada, de inspiração borromínica.

Acessos

Lug. da Brejoeira, a 6 Km. a S. de Monção

Protecção

Inclui Palácio da Brejoeira (v. PT011604210003)

Enquadramento

Rural, isolado, totalmente rodeado por propriedades agrícolas e matas, pontuadas, esporadicamente, por núcleos edificados. O portão de acesso confina com a EN 202, pavimentada a alcatrão. Todo o perímetro da Quinta se encontra protegido por muro, com acesso frontal, virado a E., marcado por portal de aparato e gradeamento de ferro.

Descrição Complementar

GARAGENS com fachada principal virada a N., formada por três panos simétricos, a partir de eixo central, composto por amplo arco de volta perfeita e moldura saliente, rematado por frontão triangular, ladeado por dois panos de dois registos divididos por friso de cantaria, cada um deles rasgados por três janelas rectilíneas e emolduradas a cantaria, as inferiores jacentes e as superiores de peitoril, cujas molduras se prolongam inferiormente, formando falsos brincos. No extremo direito, portal em cantaria de granito, que liga à casa principal, formado por dois pilares encimados por pináculos; as garagens prolongam-se para lá dele, num quarto pano rasgado por janela semelhante às anteriores. Fachada lateral direita cega, sendo a oposta formada por alpendre assente em seis pilares de granito, formando vãos rectilíneos, que abrem para pequeno logradouro, sustentado por muro em alvenaria de granito rebocada e pintada de branco, capeado a cantaria, onde surge pérgula armada em ferro forjado. A fachada posterior é rasgada, em cada um dos extremos, por quatro janelas rectilíneas e com molduras simples, em cantaria. Ao centro, o pavimento é rebaixado, formando um pátio de planta contracurvada, com acesso por escadas em cantaria, dando acesso a um pequeno alpendre com estrutura metálica e cobertura em folha da Flandres. INTERIOR formado por vestíbulo rectangular, rebocado e pintado de branco, percorrido por azulejo monocromo, branco ou verde, formando silhares, com tecto plano e pavimento em lajeado de granito. É rasgado por vários vãos em arco abatido e moldura simples, de acesso aos corpos laterais e ao pátio posterior, tendo uma fonte de espaldar, em cantaria, flanqueada por pilastras, rematadas por pináculos, tendo o espaldar formado por apainelado, flanqueado por pequenas pilastras e rematado por cornija, onde surge a bica, que jorra para tanque semicircular, com taça e base estriadas; é rematado por nicho de perfil curvo, concheado, rematado por cornija e ladeado por volutas. O LAGAR e ADEGA são antigos, compostos por dois corpos rectangulares, escalonados, o último mais alto, com coberturas diferenciadas em telhados de duas águas. Fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento saliente e remate em friso ou em beiral. As fachadas são rasgadas por vários vãos rectilíneos, com molduras de cantaria, a principal virada a E., tendo, no corpo mais baixo, porta, e, no do lado esquerdo, porta e janela protegida por grade. Fachada lateral esquerda, virada a S., terminada em empena, com vãos rectilíneos, da entrada da uva, sendo a oposta, também em empena e rasgada por porta em arco abatido e janelas rectilíneas, protegidas por grades, tendo remate em empena recta, encimada por elemento em cantaria, onde se rasga vão rectilíneo. INTERIOR do corpo mais baixo com cobertura em vigamento de madeira e lagar rectangular em cantaria, de onde se passa à adega, com parede rasgada por portal de verga recta e bandeira curva, ladeado por janela rectilínea em capialço e com grades de ferro. Esta divide-se em três naves escalonadas, a central mais alta, divididas em quatro tramos, por arcos torais de volta perfeita, assentes em colunas toscanas; tem cobertura em vigamento de madeira e pavimento em ladrilho, possuindo vários tonéis. O GINÁSIO tem as fachadas em alvenaria de granito rebocada e pintada de branco, percorrida por faixa de azulejo de padrão monocromo, azul sobre fundo branco, com coberturas diferenciadas em telhados de uma e quatro águas, tendo os cunhais apilastrados e remates em friso dórico e cornija. O alpendre é pavimentado em lajeado de granito e tem cobertura de madeira em masseira, assente em friso vazado, ornado por elementos geométricos. Fachada principal em empena recta, marcada por friso de almofadas, rasgada por portal em arco de volta perfeita, com moldura recortada e almofadada, flanqueada por brincos dilatando-se na zona superior, formando falso espaldar de perfil curvo, que integra falsa pedra de fecho volutada. Encontra-se flanqueado por bancos em cantaria. As fachadas laterais são iguais, marcadas por chafarizes abertos nos muros, de perfis semicirculares, com os interiores em silharia fendida, formando falso aparelho rústico, com coberturas semi-esféricas concheadas e ornadas por flores estilizadas, apresentando modinaturas semelhantes às do portal principal; integram bica em forma de cartela recortada e concheada, com carranca, que verte para tanque em forma de taça galbada e estriada, interrompida por volutas que se unem no pé. Os chafarizes são flanqueados por duas janelas de peitoril em arco abatido, com modinaturas semelhantes às anteriores e apresentando falsos aventais rectilíneos almofadados. Fachada posterior rasgada por portal semelhante ao principal, antecedido por pequeno alpendre sustentado por colunas de fuste liso e capitéis jónicos, assentes em plintos paralelepipédicos, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em vigamento de madeira. INTERIOR com as dependências rebocadas e pintadas de branco, com tectos estucados e pintados da mesma cor e pavimento em cimento ou ladrilho cerâmico. As portas e respectivas aduelas são de madeira. CASA dos CASEIROS formada por dois corpos rectangulares, semelhantes, de dois pisos, com fachadas rebocadas e pintadas de branco, percorridas por embasamento saliente e rematadas em beiral. Fachada principal virada a N., formada pelos topos de ambos os corpos, unidos por um dos alpendres, rasgado por portão de verga recta, de acesso ao pátio; ambos os corpos rematam em empena e são rasgados por três vãos rectilíneos com molduras de cantaria no remate e parapeito, formando três janelas, no da esquerda, e duas janelas e uma porta, no da direita. Fachada lateral esquerda, virada E., com os vãos rectilíneos rasgados simetricamente, a partir de um eixo central, formado por porta e ampla janela, flanqueadas por quatro janelas no piso inferior, as dos extremos mais pequenas, e por três no superior. Fachada lateral direita, virada a O., com sete janelas rectilíneas em cada piso. Fachada posterior semelhante à principal, sendo o alpendre aberto. INTERIOR formado por pátio rectangular, para onde abrem várias portas de verga recta ou em arco abatido, com molduras nos remates e peitoris. CAPELA de Nossa Senhora da Piedade, de planta longitudinal simples, de espaço único, com cobertura homogénea em telhado de duas águas e estrutura em alvenaria de granito aparente, com as juntas argamassadas e pintadas de branco, rematadas por friso. Fachada principal em empena, com cruz latina no vértice, apresentando o Crucificado esculpido, sendo rasgada por portal de verga recta, dintelado. Fachadas laterais semelhantes, pintadas de branco, rasgadas por frestas junto à zona do altar-mor. Fachada posterior em empena cega com cruz latina no vértice. INTERIOR rebocado e pintado de branco, com pavimento em lajeado de granito e cobertura em falsa abóbada de berço abatido de madeira. No lado da Epístola, surge pia de água benta em cantaria, com taça estriada. Na parede testeira, retábulo de talha pintada de branco, azul e dourado, de planta convexa e um eixo definido por duas colunas de fuste liso e capitéis coríntios, assentes em plintos galbados, e por seis pilastras, assentes em plintos paralelepipédicos; ao centro, apainelado pintado de azul, rematado por cornija contracurvado, contendo duas mísulas, a superior, flanqueada por elementos vegetalistas. Altar em forma de urna. CAPELA de São Francisco com fachada principal em empena rematada por cornija, algo arruinada na zona do vértice, rasgada por duas portas de verga recta, que centram janela rectilínea, protegida por balaústres; sobre esta, nicho de volta perfeita e perfil semicircular, assente em pilastras e com o interior concheado, na base do qual surge inscrição: "ESTA OBRA MANDOV FAZER O PADR / E FRANCISCO AFONSO POR SVA DEVA / ÇAM NA ERA DE 1601. ANNOS". As fachadas laterais são iguais, rematando em cornija, e rasgadas por janelas rectilíneas, de molduras simples, a iluminar a zona do altar-mor. Junto a esta, uma mesa e bancos em cantaria. INTERIOR em alvenaria de granito, com pavimento em lajeado, formando taburnos, e cobertura de madeira em masseira, algo arruinada. No pavimento integra-se uma lápide sepulcral com a inscrição: "MANDOV / A FAZER O P / ADRE FRA / NCISCO AFO / NSO FVNDA / DOR DESTA / ARMIDA". Na parede testeira, arco de volta perfeita, assente em pilastras toscanas, albergava o altar-mor.

Utilização Inicial

Agrícola e florestal: quinta

Utilização Actual

Agrícola e florestal: quinta

Propriedade

Privada: pessoa singular

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 17 / 18 / 19 / 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Ventura Terra (1901). ENGENHEIRO: João de Vasconcelos (1964); ENÓLOGO: Amândio Galhano (séc. 20). JARDINEIRO: Jacinto de Matos (séc. 19). PEDREIRO: Mestre Domingos Pereira (séc. 18-19).

Cronologia

1605 - data existente na capela da propriedade, a que estava associada uma romaria; 1758, 23 Maio - nas Memórias Paroquiais, assinadas pelo vigário António Gonçalves Ferreira e pelo abade Sebastião de Campos Lopes, é referida a Ermida de São Sebastião, situada na "Quinta da Verjoeira", administrada por Marques Pereira, habitante da freguesia; séc. 18, finais - o local era conhecido como Quinta do Vale da Rosa; 1795 - provável início da construção do palácio *1, por ordem de Luís Pereira Velho Moscoso, fidalgo da Casa Real; séc. 19 - as obras prosseguem por ordem do filho, Simão Pereira Moscoso, dirigidas pelo mestre de Vila Nova de Cerveira, Domingos Pereira, em substituição so solar quinhentista; os jardins, lago e grutas são obra do horticultor portuense, Jacinto de Matos; construção da antiga adega; 1834 - é referido o termo das obras, que importaram em 400:000$000; 1881 - morte do morgado Simão Pereira de Moscoso; 1901, 10 Outubro - Pedro Maria da Fonseca Araújo, Presidente da Associação do Comércio do Porto, comprou a propriedade a D. Joana Francisca Caldas Machado, por 20 contos de réis, mandando depois proceder a importantes obras de beneficiação no palácio e parque, sob a orientação do Arquitecto Ventura Terra; 1908, 18 Setembro - Carta de Lei, a criar a Região Demarcada dos Vinhos Verdes, integrando as sub-regiões de Monção, Lima, Amarante, Basto e Braga; 1926 - regulamentação da lei anterior, admitindo a sub-região de Penafiel; 1937 - comprado por Francisco de Oliveira Pais, de Lisboa; 1950, 7 Setembro - aqui se encontraram, para reunião política, António Oliveira Salazar e o General Franco; 1958 - criam-se as primeiras adegas cooperativas em Braga e Lousada, no âmbito da execução do Plano de Propaganda e Fomento de 21 Adegas e Cooperativas na Região; 1959 - adopta-se o selo de origem para autenticar a produção; 1960, década - a actual proprietária iniciou o renascimento da casta Alvarinho na propriedade e na região; plantação dos primeiros vinhedos, com a técnica de condução em cruzeta; 1964 - reestruturação dos vinhedos, sob a orientação técnica do engenheiro João de Vasconcelos; nova adega montada sob a orientação de Amândio Galhano, director enólogo da casa; 2002 / 2003 - produção média de cerca de 50 mil garrafas por ano.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante.

Materiais

Estruturas em alvenaria de granito, rebocada; modinaturas, pilastras, pavimentos, fontes, esculturas em cantaria de granito; tectos de madeira; janelas com vidro simples; coberturas em telha; vinha da casta Alvarinho, tílias, plátanos, oliveiras, palmeiras, bucho.

Bibliografia

PASSOS, Carlos de, A Brejoeira e um deleitável censor, Porto, 1953; ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, Alto Minho, Lisboa, 1987; ALVES, Lourenço, O Património Cultural do Alto Minho, in Caminiana, ano IX, n.º 14, Caminha, Dezembro 1987, pp. 9-80; GIL, Júlio, Os mais belos palácios de Portugal, Editora Verbo, Lisboa, 1992; Palácio da Brejoeira. De lugar de romaria a catedral do Alvarinho, Correio do Minho, 22 Fev. 1997; Património do Alto Minho. Palácio da Brejoeira, Cidade de Tomar, 8 Setembro 2000; CACHO, António, O Palácio da Brejoeira, in Diário do Minho, Arcos de Valdevez, 25 Outubro 2005; SALVADOR, José A., Portugal, Vinhos, Cultura e Tradição, Lisboa, 2006.

Documentação Gráfica

DGEMN: DSID

Documentação Fotográfica

DGEMN: DSID

Documentação Administrativa

Intervenção Realizada

Proprietário: séc. 20, 2.ª metade - restauro da Casa dos Caseiros e da Capela de Nossa Senhora da Piedade; arranjo dos jardins e respectivo equipamento; limpeza dos tanques de rega.

Observações

*1 - alguns autores definem o ano de 1804 ou 1806 para o início das obras.

Autor e Data

Paulo Amaral 2004

Actualização

Luísa Estadão 2007
 
 
 
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