Associação Académica de Coimbra

IPA.00022406
Portugal, Coimbra, Coimbra, União das freguesias de Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)
 
Arquitetura utilitária, moderna dos anos 50, que se conjuga de forma articulada e harmoniosa, com o conjunto que forma o quarteirão, e em particular com o jardim centrado no interior do quarteirão, marca também a ligação a novas formas estéticas, demarcantes da monumentalidade adoptada nos anos 40 na Cidade Universitária de Coimbra. De salientar também o papel socio-cultural que desde a sua fundação desempenha na sociedade Coimbrã, em particular na sociedade estudantil. É de planta em L, baseada formalmente num estilo racional e no funcionalismo, tendencialmente geometrizante. Interior, maioritariamente em 5 pisos excepto na haste mais pequena do L, em que apresenta apenas um piso, distribuição regular dos compartimentos ao longo de corredores, a iluminação é feita pelas fenestrações contínuas das fachadas. Na cobertura são de salientar as palas sombreadoras assentes em pilotis, tornando os terraços utilizáveis, uma solução adoptada em outras construções suas contemporâneas, como por exemplo os blocos de apartamentos projectados pelos Arquitectos Filipe Figueiredo e José Segurado para o cruzamento da Av. dos Estados Unidos da América com a Av. de Roma, em Lisboa.
Número IPA Antigo: PT020603250176
 
Registo visualizado 567 vezes desde 27 Julho de 2011
 
   
   

Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Cultural e recreativo  Associação cultural e recreativa    

Descrição

Planta em L de um e cinco pisos, disposição horizontal, correspondendo a parte de um piso à haste mais pequena do L, no topo S, esta parte só existe ao nível do 2º piso (1º andar) do restante edifício, e faz a ligação do edifício ao jardim interior através de uma escada de poucos degraus. Cobertura em terraço com palas sombreadoras quebradas, sobre pilotis de betão. Fachadas rasgadas por vãos rectilíneos horizontalizantes. A entrada principal está voltada a O., no eixo de articulação com o corpo da Sala de Ensaios (v. 0603250119), adossado à fachada esquerda, esta a partir do segundo piso, centrada por janelas dispostas em eixo até ao último piso. Fachada voltada a O., revestida por silharia aparelhada ao nível do piso inferior, rasgada por janelas jacentes quase contínuas, apenas interrompidas por pequenas pilastras intermédias e pelas pilastras que seccionam a fachada em 6 pnos. Os restantes pisos são idênticos entre si, revestidos até ao nível dos vãos por faixa de tijoleira, rasgados por amplas janelas que seguem o mesmo sistema de interrupção das do piso inferior. Fachada E. voltada para o jardim, idêntica à anterior, à excepção do primeiro registo que em consequência do desnivelamento do terreno só é visível a partir das janelas. A ligação directa ao jardim é feita por uma escada de poucos degraus, localizada na parte do edifício correspondente à haste mais pequena do L, no topo S., e existe só ao nível do 2º piso (1º andar) do restante edifício. INTERIOR, de paredes rebocadas e pintadas de branco; possuindo no primeiro piso (r/c), alguns gabinetes de serviços e lojas comerciais, no segundo vários gabinetes, entre eles o da direcção, salas de trabalho, sala de estudo e livraria; no terceiro piso, uma galeria de exposições e os gabinetes estão ocupados por estúdios da Rádio Universidade, biblioteca, armazém, direcção etc., no 4º piso vários gabinetes, na generalidade ocupados por salas de trabalho, tal como no 5º piso. Todos os pisos, são divididos a meio, na longitudinal por um corredor, ao longo do qual se distribuem as divisões; no 2º piso, na parte correspondente ao prolongamento para SE. apresenta as divisões voltadas para um átrio comunicante também com o jardim.

Acessos

Rua Padre António Vieira, Avenida Sá da Bandeira, Rua Oliveira Matos

Protecção

Categoria: IIP - Imóvel de Interesse Público / ZEP, Portaria n.º 78/2010, DR, 2.ª série, n.º 15, de 22 de janeiro 2010

Enquadramento

Urbano, inserido na Cidade Universitária (v. PT020603020051), situado na encosta nascente, na cota mais baixa, em terreno desnivelado, encostado ao morro dos antigos colégios, de São Jerónimo (v. PT020603250042) e das Artes (v. PT020603250114), a pouca distância das Escadas Monumentais que estabelecem a ligação com a Cidade Universitária da Alta. Inserido no quarteirão composto pelos corpos da Cantina Geral da U.C., do Teatro Gil Vicente e Sala de Ensaios (v. PT020603250119). Edifícios de composição e volumetria diferenciadas, organizados em torno de amplo jardim interior, com o qual desenvolvem uma relação directa, com excepção do Teatro Gil Vicente. Confinantes com as Ruas; Oliveira Matos, Padre António Vieira e Av. Sá da Bandeira.

Descrição Complementar

AZULEJARIA: no jardim interior possui um painel de azulejos figurativos, com cerca de 40 m2, policromos em tons de cinzento, azul e preto, alegóricos às actividades da Associação Académica: cinema, rádio, fotografia, orfeão, grupos corais, imprensa, leitura, danças regionais e teatro académico.

Utilização Inicial

Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa

Utilização Actual

Cultural e recreativa: associação cultural e recreativa

Propriedade

Privada: Universidade de Coimbra

Afectação

Sem afetação

Época Construção

Séc. 20

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITECTO: Alberto José Pessoa / João Abel Manta (1954); ARQUITECTO PAISAGISTA: Manuel Cerveira, projecto do jardim, (1961).

Cronologia

1837 - Fundação da Academia Dramática *1 e publicação dos seus estatutos, funcionando no antigo Colégio das Artes (v.0603250114). ; 1838 - devido à cisão dos sócios da Academia, é criada uma Nova Academia Dramática, ficando esta instalada no edifício do Antigo Colégio de São Paulo, o Apóstolo (onde hoje se encontra a Bibiloteca Geral da U. C.(v. 0603250117); 1839 - inauguração do Teatro Académico, construído no pátio do edifício, já que a velha construção colegial estava bastante degradada, servindo, no entanto, para que os novos agremiados (estudantes, alguns professores e outros licenciados) ali se estabelecessem; 1840 - publicação dos Estatutos da Nova Academia Dramática e "morte" lenta da Academia Dramática; 1849, 17 Abril - reformulação dos estatutos e alteração da designação para Academia Dramática de Coimbra, uma vez que a primeira deste género já não existia; 1851 - união dos três institutos num único com autonomia quase total, momento em que os estudantes deixaram de fazer parte da instituição, por haver desacordo quanto ao cumprimento das finalidades estatutárias; 1850, década (?) - criação do Instituto de Coimbra, designação adoptada após a separação, posteriormente instalado no Colégio dos Grilos, enquanto que os estudantes chamaram a si a denominação de Academia Dramática, com a sua actividade concentrada no Teatro Académico; 1861 - fundação do Clube Académico de Coimbra, alojado em dependências que lhe foram concedidas no Colégio Real de São Paulo, o Apóstolo. 1866 - inclusão do Clube Académico de Coimbra na Academia Dramática; 1887, 3 Novembro - alvará de alteração de designação da Academia Dramática de Coimbra para Associação Académica de Coimbra*2, resultando de uma série de transformações de outras instituições académicas que se foram operando a partir do segundo quartel do séc. 19; 1889 - transferência da Associação para o edifício do antigo Colégio da Trindade, dada a necessidade de demolir o edifício do antigo Colégio de São Paulo, o Apóstolo, com o Teatro Académico*3; 1892 - encerramento das instalações e suspensão de todas as actividades, após conflitos com as autoridades; 1895 - fundação do Clube Académico Irmãos Unidos, por um grupo reduzido de estudantes, no seguimento da paralisação da Associação; 1896, Novembro - retoma do nome primitivo e definitivo do Clube em Associação Académica de Coimbra; 1901 - novo arrendamento do Colégio da Trindade, para construção do ginásio da Associação; 1913 - concessão, por parte do Senado Universitário, à Associação do rés-do-chão do antigo Colégio de São Paulo, o Eremita, também conhecido por Colégio dos Paulistas, na Rua Larga, vindo mais tarde a ser denominado pelos académicos por Bastilha*4; 1920, noite de 24 para 25 Novembro - Tomada da Bastilha pelos estudantes, isto é, ocupação pela força do restante edifício que não estava na sua posse *5; 1949 - transferência das instalações da Associação para o Palácio dos Grilos, na sequência das obras de demolição na Alta de Coimbra; 1950, década de - do plano de construções da Cidade Universitária fazia parte um conjunto de instalações destinadas à Associação Académica: o processo é então desencadeado, decidindo-se construir os edifícios académicos na zona baixa da encosta E.: para o efeito, cede a Fundação Bissaya Barreto, por permuta à Universidade de Coimbra, o terreno para a sua construção, no local onde até então se erguia o Ninho dos Pequenitos; 1954 - projecto de construção do arquitecto Alberto José Pessoa e Abel Manta; 1955 - exposição da Maqueta no Colégio dos Grilos (sede provisória da Associação Académica); 1956 - Parecer da segunda subsecção da 3ª secção do Conselho Superior de Obras Públicas do projecto dos edifícios; 1957 - início da construção; 1958, 5 Agosto - construção do Corpo III, concurso da obra do Corpo II; 1958 - João Abel Mantas faz projecto sobre cartão para painel de azulejos alegóricos às actividades culturais da Associação Académica, para colocar no jardim; 1963 - inauguração oficial; 1960 - execução do painel de azulejos, riscado por João Abel Manta, pela fábrica C. Viúva de Lamego; 1960, Julho - contrato celebrado com João Abel Manta dos 7 painéis da fachada da Praça da República; 1961 - projecto do jardim interior da autoria do arquitecto paisagista Manuel Cerveira; 1961 - inauguração das instalações desportivas da Cidade Universitária, em Santa Clara, que constam de um pavilhão polivalente e de outros, além de vários campos descobertos destinados às diversas modalidades praticadas pela Academia; 1961, Maio - assentamento dos 7 painéis no corpo II (Teatro Gila Vicente e Salas de Ensaio); 1974 - retirada da Secção de Futebol da Associação, por razões relacionadas com o período revolucionário iniciado em Abril, sendo obrigada a sair das instalações académicas, a promulgar estatutos próprios e a ter que optar por um dos nomes que a Academia já, em outras circunstancias adoptara, Clube Académico de Coimbra; 1994 - reinserção do Clube Académico de Coimbra na Associação Académica, como organismo desportivo autónomo, passando a designar-se Associação Académica de Coimbra - O.A.F., instalada aos Arcos do Jardim e que tem o seu pavilhão gimnodesportivo na Rua Infanta D. Maria; 1997 - comemoração dos 110 anos de existência da Associação; 2004, 20 de Dezembro - Despacho de abertura do Presidente do IPPAR; 2006, 20 de Dezembro - Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR; 2008, 28 de Janeiro - Despacho de homologação da Ministra da Cultura (a classificação produz efeitos após comunicação aos interessados).

Dados Técnicos

Sistema estrutural de paredes portantes.

Materiais

Betão: Estrutura, cobertura exterior, alguns pavimentos em lajes e em marmorite. Madeira: no interior, portas, rodapés etc.. Produtos sintéticos: linólio em alguns pavimentos.

Bibliografia

CORREIA, Vergílio, GONÇALVES, A. Nogueira, Inventário Artístico de Portugal. Distrito de Coimbra, Lisboa, 1952; Ministério das Obras Públicas, Relatório da Actividade do ano de 1956, Lisboa, 1957; A Velha Alta... desaparecida , Coimbra, 1991; ROSMANINHO, Nuno - O princípio de uma "revolução urbanística" no Estado Novo, Coimbra, 1996; Monumentos, nº 8, Lisboa, Março/1998; TORGAL, Luis Reis - A Universidade e o Estado Novo. O caso de Coimbra (1926-1960), Coimbra, 1999; ROSMANINHO, Nuno - O Poder da Arte: o Estado Novo e a Cidade Universitária de Coimbra, Coimbra, 2001; http://www.patrimoniocultural.pt/pt/patrimonio/patrimonio-imovel/pesquisa-do-patrimonio/classificado-ou-em-vias-de-classificacao/geral/view/327773 [consultado em 16 agosto 2016].

Documentação Gráfica

IHRU: DGEMN / DSARH / DREMC; AUC: processos da Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra.

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN / DSID

Documentação Administrativa

IHRU: DGEMN / DSID / DREMC; AUC: processos da Comissão Administrativa do Plano de Obras da Cidade Universitária de Coimbra.

Intervenção Realizada

Observações

* Despacho de homologação de 28-01-2008 da Ministra da Cultura (a classificação produz efeitos após comunicação aos interessados); Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR de 20-12-2006; Despacho de abertura de 30-12-2004 do Presidente do IPPAR; ZEP, Despacho de homologação de 28-01-2008 da Ministra da Cultura (a ZEP entra em vigor após publicação em DR); Parecer do Conselho Consultivo do IPPAR de 20-12-2006; Proposta de 11-10-2006 da DRC. *1 - A actividade da Nova Academia Dramática desenrolava-se segundo três ramos denominados de conservatórios ou institutos: dramático, de música e de pintura. *2 - A Associação Académica de Coimbra é a maior e mais antiga associação estudantil portuguesa que, através dos tempos, congregou e tem representado os escolares da Universidade de Coimbra, no País e no estrangeiro. O primeiro presidente da Direcção da Associação, denominada nos estatutos de 1887 por Conselho da Academia de Coimbra, foi o estudante de Direito, António Luís Gomes, que se manteve nesse lugar até à sua formatura em 1890 e que viria a ser Reitor da Universidade de Coimbra no período de 1921-24. *3 - A demolição deste edifício trouxe um quase total apagamento das actividades culturais estudantis, pois as novas instalações do Colégio da Trindade não permitiam a realização de espectáculos, que, na altura, seriam as suas principais receitas. Por outro lado, com esta mudança, verificou-se uma maior expansão da cultura física, através da divulgação das actividades físicas e desportivas, praticando-se então ginástica atlética e acrobática, esgrima, jogo do pau, luta greco-romana, além de se fazerem longos passeios a pé, a cavalo e de velocípede. *4 - Neste edifício estava já instalado, no 1.° andar e na mansarda, o Instituto oriundo da mesma fonte, a Academia Dramática, voltando assim, a Associação Académica e o Instituto, conhecido vulgarmente na gíria académica por Clube dos Lentes, a estar juntos, mas autónomos. Com a fixação da sede no grande edifício da Rua Larga, a Associação Académica retomava o equilíbrio que havia perdido uns anos antes. As instalações, porém, eram muito limitadas para albergar toda a actividade académica que, naturalmente, incluía também a dos organismos culturais autónomos então existentes: Orfeon e Tuna. *5 - Este acontecimento deveu-se à conjugação de diversos factores nomeadamente a existência de instalações acanhadas e vizinhança de relacionamento pouco afectuoso, espera prolongada pela solução do problema das suas instalações definitivas, prometidas desde a demolição do Teatro Académico e sempre adiadas. O dia 25 de Novembro passou a ser considerado o Dia da Academia de Coimbra, a partir desta data.

Autor e Data

Sandra Lopes 2004 / Margarida Silva 2006

Actualização

 
 
 
Termos e Condições de Utilização dos Conteúdos SIPA
 
 
Registo| Login