Igreja Paroquial de Oeiras / Igreja de Nossa Senhora da Purificação

IPA.00022115
Portugal, Lisboa, Oeiras, União das freguesias de Oeiras e São Julião da Barra, Paço de Arcos e Caxias
 
Arquitectura religiosa, barroca tardia. Igreja paroquial de planta composta pela justaposição de corpos rectangulares (nave e capela-mor), com volumetria escalonada, e cobertura efectuada por telhados diferenciados a 1 e 2 águas e em coruchéu.
Número IPA Antigo: PT031110040036
 
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Registo

 
Edifício e estrutura  Edifício  Religioso  Templo  Igreja paroquial  

Descrição

Planta longitudinal composta pela justaposição de 2 rectângulos (nave e capela-mor), volumetria escalonada, a cobertura efectuada por telhados diferenciados a 1 e 2 águas e em coruchéu. Alçado principal a O., com pano de muro em reboco pintado, soco e cunhais de cantaria. Composto por 5 corpos separados por pilastras de cantaria, destes destaca-se o axial, rasgado a eixo por portal de verga recta destacada, superiormente articulada com janela iluminante (de verga curva rematada por ática triangular e cruz ao centro) por meio de painel escultórico recortado em cantaria, delimitado nos extremos, por urnas embebidas na parede. O conjunto é ladeado, ao nível da janela iluminante, por 2 janelas de peito de verga contracurvada e malheiro de ferro. Este corpo, é delimitado por 2 torres colaterais de planta quadrada, sendo o conjunto sobrepujado por remate em cornija acima da qual se eleva, sobre o corpo central, muro recortado por aletas, (vazado por óculo central e encimado por frontão triangular com cruz no acrotério axial), articulado, nos extremos, com o remate das torres, de 4 ventanas sineiras e cobertura em coruchéu. A fachada é completada por 2 corpos estreitos, de menor pé-direito e animados, cada um, por porta de verga curva com emolduramento de cantaria recortado e janela de verga destacada ligeiramente curva sobrepujada de painel em cantaria recortado, rematados em simetria relativamente ao corpo principal da fachada. INTERIOR: integralmente revestido com mármores, com nave e capela-mor - ambas de planta rectangular com cobertura diferenciada e delimitada por cornija, em abóbada de berço animada por pintura decorativa. A nave, única, com panos laterais definidos por 2 registos separados por friso de cantaria, podendo observar-se piso térreo com abertura, de cada lado, de 3 arcos de volta perfeita - correspondentes a altares laterais com pinturas sobre tela inscritas em emolduramentos de mármore, dos quais se destaca a Capela do Santíssimo com cancelo em talha dourada, do lado do Evangelho - encimados, ao nível do registo superior, por janelas iluminantes com guarda, que intercalam com pinturas sobre tela. Presença de 2 púlpitos afrontados de base rectangular em mármore e guarda-voz em talha dourada e pintada. Coro-alto adossado à face interna da fachada com guarda em mármore. Precede a capela-mor, arco triunfal de volta perfeita em cantaria articulado com 2 altares colaterais inscritos em arco de volta perfeita e encimados por pintura sobre tela. Na capela-mor, regista-se muro de topo vazado por camarim em arco de volta perfeita a albergar trono em talha dourada e pintada, precedido da figuração escultórica de Nossa Senhora da Purificação. Pelo lado da Epístola acede-se à sacristia, na qual se destaca lambril azulejar do tipo albarrada e tecto em madeira pintada.

Acessos

Largo Cinco de Outubro; Jardim Dr. Pinto Coelho. WGS84 (graus decimais) lat.: 38,692272; long.: -9,311707

Protecção

Enquadramento

Urbano, destacado, isolado, por adro e jardim circundante

Descrição Complementar

O temas das telas que se observam nos altares da nave são os seguintes : Última Ceia, Águas Vivas ; Madalena Lavando os Pés a Jesus, Moisés Fazendo Brotar Água do Rochedo, Nossa Senhora do Rosário, Nossa Senhora da Atalaia, Senhor Jesus Desamparado, Descida do Espírito Santo, São Sebastião, Almas a que se juntam 10 cenas da Vida da Virgem

Utilização Inicial

Religiosa: igreja paroquial

Utilização Actual

Religiosa: igreja paroquial

Propriedade

Privada: Igreja Católica (Diocese de Lisboa)

Afectação

Sem afectação

Época Construção

Séc. 18

Arquitecto / Construtor / Autor

ARQUITETO: João Antunes (1702). ESCULTOR: Anselmo Romão (1716-1717). FERREIRO: António dos Santos (1703). ORGANEIROS: António Joaquim Peres Fontanes (1829); Dinarte Machado (2001). PEDREIROS: Manuel Antunes (1720); Manuel Francisco (1720). PINTORES: Miguel António do Amaral (1748); Jerónimo da Silva (1744-1745); João de Aragão Cerqueira (1716-1717).

Cronologia

1258 - surgimento da paróquia de Oeiras, ligada à colegiada de São Lourenço de Lisboa, fundada por Pedro Nogueira (clérigo do conselho de D. Afonso III), e já com a invocação de Nossa Senhora da Purificação; 1471 - falecimento de Pedro Gonçalves, que é sepultado na igreja matriz de Oeiras, onde o mesmo possuía uma capela que passa para a posse do Dr. João da Arca, do conselho do rei D. Manuel I; 1600 - campanha de obras de ampliação da nave da igreja; 1604 - derrubada e ampliada a capela-mor; 1610 - 1611 - substituição da cobertura (com o custo total de 50.772 reis); 1619 - a visitação deste ano determina a construção de uma escada para que o acesso ao campanário se efectuasse sem danificar a cobertura, reparação da sacristia e da capela de São Sebastião; 1620 - refeito o coro; 1622 - o lajedo do pavimento da igreja é integralmente substituído; 1634 - é estabelecida uma multa de 2.000 reis para quem danificasse os azulejos da igreja (espetando pregos para armações têxteis, etc.); 1645 - instituição da Irmandade das Almas, sediada na capela homónima, na igreja matriz; 1649 - na visitação deste ano considera-se a igreja pequena para as necessidades; 1653 - reparação do sino velho da igreja e compra de um novo (por 4.000 reis); 1666 - data a partir da qual existe documentação alusiva ao Círio de Oeiras à romaria de Nossa Senhora da Atalaia; 1672 - acrescento da sacristia; 1676 - projecto para se substituir a cobertura da igreja (provavelmente em tecto de madeira) por uma abóbada; 1684 - visita de D. Pedro II a Oeiras, pelo que tocam os sinos da matriz; 1685 - entrega de um sino velho ao fundidor mais a quantia de 63.200 reis, para se fazer um novo; 1702 - início da construção do edifício actual, por ordem de Duarte de Castro dos Rios, no local onde se implantava a primitiva igreja, demolida para o efeito, sendo a paróquia transferida provisoriamente para a ermida de Santo Amaro; o projecto é da autoria de João Antunes; 1703 - o meste ferreiro António dos Santos fazia as grades de ferro para as janelas da capela-mor; 1704, Julho / Agosto - fechada a abóbada que cobre a capela-mor da nova igreja; 1711 - 1712 - efectuada a medição da capela-mor (já concluída) pelo arquitecto João Antunes; 1714 - preparavam-se as cantarias para os púlpitos; 1716 - 1717 - pago o projecto da Nossa Senhora da Purificação, da autoria do escultor Anselmo Romão e do pintor João de Aragão Cerqueira; 1720, 16 julho - o capitão Simão Dias, procurador da Irmandade do Santíssimo, contrata Manuel Antunes e Manuel Francisco para terminarem a obra da igreja; 1744-1745 - pintura de algumas telas por Jerónimo da Silva; 1745 - data da pintura a óleo, de grandes dimensões, alusiva a Nossa Senhora da Atalaia, pintada por Jerónimo da Silva; 1748 - pintura da tela da capela-mor por Miguel António do Amaral; 1827 - encomenda de orgão tubular, pela Infanta D. Isabel Maria; 1829 - realização do orgão por António Joaquim Peres Fontanes; 1926 - o altar do Santíssimo Sacramento regressa à capela-mor; 2001 - o organeiro Dinarte Machado faz a recuperação do orgão, orçada em 16 mil contos, pagos pela paróquia e com contribuição de 10 mil contos pela CMOeiras.

Dados Técnicos

Estrutura autoportante

Materiais

Alvenaria mista, reboco pintado, cantaria de calcário, estuque, ferro forjado, madeira

Bibliografia

ALMEIDA, Fortunato de, História da Igreja em Portugal, Vol. I, Porto, 1967; ARCHER, Maria, COLAÇO, Branca Gonta de, Memórias da Linha de Cascais, Lisboa, 1943; AZEVEDO, Carlos, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano, Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, Vol. II, Lisboa, 1963; BARBOSA, Inácio Vilhena, Annuario do Arquivo Pittoresco, tomo VI, Lisboa, 1863; CRISPIM, M. N., LOBO, P. V., (coord. de), Retratos de Oeiras, Oeiras, 1994; COUTINHO, Maria João Fontes Pereira, A produção portuguesa de obras de embutidos de pedraria policroma (1670-1720). Lisboa, Dissertação de Doutoramento em História da Arte apresentada à Faculdade de Letras de Lisboa, 2010, 3 vols.; FERNANDES, José Manuel, Imagens de Oeiras, Oeiras, 1996 ; Plano Director Municipal, Oeiras, 1996; FERREIRA, Manuel Marques Ribeiro, História de Oeiras. A Paróquia de Nossa Senhora da Purificação de Oeiras (1147 - 1997), Oeiras, 1997; LEAL, Augusto S. B. Pinho, Portugal Antigo e Moderno, Lisboa, 1879; MARQUES, Luís - Tradições religiosas entre o Tejo e o Sado - os círios do Santuário da Atalaia. Lisboa: Assírio e Alvim, 2004; Memorial histórico ou Colecção de Memórias sobre Oeiras, Oeiras, 1982; PORTUGAL, Fernando, MATOS, Alfredo de, Lisboa em 1758. Memórias Paroquais, Lisboa, 1974; REGO, Rogério de Figueiroa, Para a História de Oeiras. Notas Epigráficas, (separata de Arqueologia e História, 8ª Série, Vol. 12), Lisboa, 1966; SERRÃO, Vítor, António Pereira Ravasco, ou a influência francesa na arte do tempo de D. Pedro II, in A Cripto-História de Arte, Lisboa, Livros Horizonte, 2001, pp. 125-148; SERRÃO, Vítor, História da Arte em Portugal - o Barroco, Barcarena, Editorial Presença, 2003.

Documentação Gráfica

CMO: Departamento de Infraestruturas Municipais - Divisão de Estudos e Projecto

Documentação Fotográfica

IHRU: DGEMN/DSID

Documentação Administrativa

DGA/TT: Capelas da Coroa, Livro 3, fls. 183 e ss., Livro VII da Estremadura, fls. 132 a 134; AHMO, Livro das Obras da Igreja (1675 - 1680), fls. 32 e ss., Superintendência. Livro da Despesa (1702 - 1733), Superintendência, Documentos Avulsos, 1738, fls. 13 e ss.; APAROQUIAL DE OEIRAS, Visitas Prelatícias, Ano de 1619, Livro de Receita e Despesa (1599 - 1623), Livro de Receita e Despesa (1650 - 1700)

Intervenção Realizada

Observações

Autor e Data

Teresa Vale, Maria Ferreira e Sandra Costa 2001

Actualização

 
 
 
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